Notas iniciais
Hey, então esse é o primeiro capitulo do meu livro, espero que vocês gostem!

Quebrado, era assim que eu me sentia na sexta-feira, depois de um dia de aulas entediantes, Cheguei em casa, joguei minha bolsa em qualquer canto do quarto e entrei no banheiro – tudo que eu precisava era de um banho quente. Fechei os olhos e deixei com que a água caísse sobre meus ombros e escorresse por todo meu corpo. Era uma sensação revigorante, Enrolei-me com a toalha e sai em meio a fumaça quente. Peguei um calção largo e deitei na cama.

Meu corpo parecia pesar uma tonelada, ele implorava por horas de sono, graças a Deus era sexta-feira e amanhã eu poderia descansar. O sono me dominou, meus olhos foram se fechando vagarosamente e em poucos minutos eu adormeci, sem perceber. Acordei umas três horas depois, ofegante e tonto. Lembrei-me dela, do seu rosto angelical – porém travesso – e aqueles olhos escuros e brilhantes, como uma noite de verão.

Fazia mais de um ano que eu não a via, um ano sem escutar sua risada. Nunca me imaginei nessas condições, nuca me imaginei assim por alguém, já que não era o tipo de cara que se apaixonava facilmente. Sentia-me um pouco otário, meio bobo.

Tentei dormir novamente, quando escutei um som vindo do meu notebook. Levantei-me com dificuldade, e sentei em frente a escrivaninha, esfreguei um pouco os olhos para tentar acordar.

Aquela foto

Aquele nome

Senti meu coração indo a mil.

Era ela me chamando no Skype.

Não aceitei de imediato, na verdade não acreditei. Imaginei milhões de motivos para ela se dar ao trabalho de falar comigo. Provavelmente uma solicitação acidental, um clique errado ou no mínimo se confundiu e pensou que eu era outra pessoa. Não imaginava que ela ainda quisesse falar comigo. Pensei que ela havia me esquecido, que as ocupações em um novo país a fizessem esquecer de mim. Mas pelo jeito ela não esqueceu.

“Aceitar chamada”

Lá estava ela, o mesmo rosto, os mesmos olhos castanhos, seus cabelos estavam mais curtos e rebeldes, usava os mesmos óculos de descanso que eu sempre gostara tanto – pois a deixavam mais adulta e sexy e um moletom maior que ela.

—Oi – Ela deu um sorriso tímido de canto de rosto

—Oi – Tentei não demonstrar tanta felicidade, mas ver ela era muito bom, mesmo que pela tela do computador. —Como você está?

—Bem, com muito sono, mas bem – Ela riu forçadamente.

—Imagino, já está bem tarde aí – Um oceano nos separava, alguns fusos horários – O que está fazendo acordada?

—Hã, eu não consigo dormir – Baixou o rosto, repentinamente sua voz ficou triste – Eu não paro de pensar em algumas coisas, ou melhor uma coisa…

— O que?

—Bem… eu estava pensando em, hã… em nós.

“em nós” a frase ecoou em minha mente. Ela ainda pensava em mim, eu ainda pensava nela.

60

70

80

90

100 batimentos por minuto

— Como assim? – Minha mente estava embaralhada, confusa

—Eu não sei, realmente não sei – Suspirou – Eu não entendo, eu comecei a pensar em você e ai no nosso relacionamento… Queria te perguntar uma coisa, Luke – Ela respirou fundo – Foi bom?

—Você foi minha primeira namorada, Sarah. Eu sempre tive medo de me envolver seriamente com alguém, mas você mudou isso – Minha respiração começou a falhar, senti lágrimas brotarem nos meus olhos – Você foi incrível, Sarah.

O silencio invadiu os nossos quartos, algo constrangedor, que antes pensava que não fosse possível em uma conversa pelo computador.

—Luke, posso te propor uma coisa? – Ela perguntou

—Caso esteja ao meu alcance.

—Você poderia escrever nossas melhores memórias? – Parou, pensou – Coisas boas que passamos juntos, que você ainda se recorde.

Inclinei-me para trás, coloquei as mãos na cabeça e as lembranças vieram à tona, passando diante dos meus olhos, como um filme. Eu não entendia por que ela me pedirá aquilo, mas era algo que eu já havia fazendo a um tempo, inconsequentemente desde que ela tinha ido embora.

—Vai ser uma troca, farei o mesmo.

—Eu aceito sua proposta. —Ela sorriu – Agora vá dormir, Sarah, está tarde.

—Boa noite, Luke. – Antes mesmo que eu pudesse dizer algo que estava engasgado há um tempo, ela desconectou.

Passei alguns minutos olhando a tela do computador, encarando a foto dela e pensando no pedido que ela acabará de me fazer.

Sentei na ponta da cama, fiquei tentando entender por que ela me pedira isso agora, depois de um ano de termino. Bom, não foi exatamente um termino, foi uma separação repentina e muito dolorosa. Não chegamos a dizer “o problema não é você sou eu” ou “acabou, estou em outra”. Foi apenas uma partida acontecer e tudo que tínhamos simplesmente acabou, literalmente de um dia para o outro.

Comecei a pensar em todos os nossos momentos, eu me lembrava de cada detalhe, cada respiração, cada vírgula e ponto final.
Merda, eu ainda a amava mais que tudo, com a mesma intensidade de quando namorávamos, não tê-la por perto doía.
Levantei-me e abri uma das gavetas da escrivaninha, achei um caderno de capa dura camuflado não usado e uma caneta. Já sabia como dar inicio a aquilo.

Há uns anos eu não era muito esforçado no colégio, esse foi um dos motivos pelo qual reprovei a oitava série e foi assim que conheci Sarah – um ano adiantada, dois anos mais nova que eu. Com 15 anos eu só poderia ver uma menina de 13 como um pirralha e era assim que eu via Sarah. No primeiro dia de aula o professor de ciências formou duplas para que nos conhecemos e fizemos uma lista de interesses e coisas que a nossa dupla gostasse, acabei ficando com Sarah. Ela era uma menina legal, sério mesmo, mas não tinha nenhum atrativo físico e não despertava interesse.
Diferente de mim, Sarah começou a despertar sentimentos por mim, começou com algo singelo, típica paixão adolescente, não me preocupei muito até ela se declarar para mim por uma cartinha. Foi fofo, tenho que admitir, mas eu não iria em hipótese alguma ter algo com ela. Falar isso para ela foi difícil, dar um fora em alguém é sempre complicado, não queria magoá-la, mas foi necessário e ela entendeu. E bem, acabou que eu e ela não nos falávamos mais, eu ficava com minha turma e ela com a dela, voltamos a nos falar no final do ano letivo – quando ela não gostava mais de mim.
Nesse mesmo ano, meu pai deu a grande notícia de que iriamos nos mudar pois ele havia sido transferido, quando Sarah descobriu isso ficou triste. Mudei-me quando o verão começou e perdemos o contato de novo.







1ª Melhor Memória

O primeiro ano do médio foi bem sossegado, tenho que admitir. Eu meio que tomei jeito, passei a estudar um pouco mais, mas não é sobre isso que vou falar.
Voltar para Atlanta foi uma ótima coisa, meu pai havia sido transferido de novo, então eu estava de volta.
Segundo ano, no mesmo colégio. Sai do carro e de cara avistei alguns amigos e fui com eles para a sala, percebi que nada havia mudado, mesmas pessoas, mesmas salas abafadas e mesmos professores... Mas você, você era a exceção, você tinha mudado.
No quarto horário pedi para o professor para ir ao banheiro, até ai eu ainda não tinha te visto. Sai do banheiro enxugando as mãos na bermuda e vi você saindo do bebedouro, não sei como te reconheci, porque você na verdade era outra pessoa, totalmente diferente! Você passou por mim e me olhou de relance, quando percebeu que era eu voltou a me olhar.
—Luke?! —Você me encarou

—Oi Sarah – Falei rindo – Quase nem te reconheci, você está UAU – Você me fez parecer um idiota, de um jeito bom.

—Mudei bastante, não é? —Você estava um pouco mais alta, ainda mais baixa que eu, tinha emagrecido e tinha uma aparência mais adulta, e bem estava mais gostosa (desculpa dizer isso, mas é verdade). Você definitivamente despertava interesse. —Você também está diferente.

—Comecei a fazer academia e estou mais responsável – Estufei e peito e sorri.

—E mais humilde pelo jeito.
Fomos andando pelos corredores e conversando um pouco sobre o que tinha acontecido no ano anterior. Contei-te um pouco sobre como foi o meu primeiro ano em outra cidade e você me contou sobre como tomou jeito e decidiu mudar.

—Foi realmente bom mudar, sabe… — Estávamos sentados do lado dos armários, torcendo para que nenhum inspetor ou professor nos visse – Sair mais, conhecer alguns caras, me impor mais.

—Te entendo bem – Nós rimos.– Mudando os caras pelas garotas, claro.
Eu não podia deixar de reparar no seu corpo, suas curvas tinham se acentuado, suas pernas não eram muito longas, mas suas coxas eram muito atraentes e seu busto (não que eu tivesse reparado muito) era normal. Você nunca foi do tipo que usa maquiagem, no máximo rímel ou lápis, mas era raro. O fato de você ser natural talvez fosse um dos seus maiores atrativos, claro depois das bochechas rosadas.
Olhei para o relógio e o sinal para o quinto horário já ia bater, nos levantamos para voltar para a sala.

— Acabei de me tocar que vamos estudar juntos – Você falou
– Verdade, vai ser um ano divertido com você por perto – Minhas bochechas esquentaram quando eu disse aquilo.

—Isso foi um flerte? —Você perguntou com uma cara desconfiada, levantando uma sobrancelha.
—Quem sabe... —Falei maliciosamente e você soltou uma risada um pouco alta e pôs as mãos na boca para abafar. —Me passa seu número antes que eu me esqueça.
Você pegou meu celular e anotou o número. Chegamos em frente a nossa sala e quando eu fui abrir a porta você me impediu.
—Se entrarmos juntos vão começar a fazer fofoca. —Você falou baixo
– Entra você primeiro, daqui a pouco eu vou. —Sorri e você sorriu de volta. —Ah, a gente pode sair né?
—Ótima ideia – Você de repente ficou tímida e olhou para o chão. —Amanhã, depois da aula, ok?
—Sim, beleza, na praça do skate perto da sua casa. —Suas bochechas coraram e você entrou na sala.

Quando fomos dispensados no outro dia fui correndo para casa trocar de roupa, tomei uma ducha e coloquei uma bermuda caqui, uma camiseta branca e um tênis preto, peguei meu skate e fui para a praça perto da nossa casa. Você não demorou muito para aparecer, vestia um short jeans, uma regata preta e um tênis surrado. Te ver fora dos uniformes escolares era bem diferente, era legal ver seu estilo mudado. Quando nos conhecemos você só usava jeans largas e moletons mais largos ainda. A nova Sarah era completamente diferente e mudada, e eu gostava disso.
—Por que não falou para trazer o skate? —Você me deu um beijo na bochecha.
—Desculpa, eu esqueci, mas a gente divide. —Te entreguei o skate e você desceu o bowl.
Fiquei olhando o movimento que suas pernas faziam enquanto você andava que nem notei quando você parou de andar e me olhou, percebendo para onde eu estava olhando.
—Só não baba, Luke – Você riu e se aproximou.
—Dá um desconto, fazia tempo que eu não te via e eu ainda estou me adaptando a essa nova Sarah – Seu rosto corou e você se sentou do meu lado.
—Se você olha significa que é bom de ser olhando, então está bem. —Você sorriu timidamente e me entregou o skate. —Quero ver o que você sabe.
Comecei a andar, ganhando velocidade para fazer alguma manobra que te impressionasse, o que foi uma ideia muito ruim porque eu errei a manobra e cai, torcendo de leve o tornozelo.
—Você está bem? —Você chegou perto de mim e pôs a mão no meu tornozelo – Machucou muito?
—To sim, foi mais o susto de cair – Me levantei e joguei todo meu peso na outra perna. —Vamos tomar um sorvete e fingir que eu não caí.
Nos sentamos debaixo de uma árvore, meu tornozelo latejava um pouco, mas não era nada de mais e também nada que um sorvete não ajudasse. Peguei um de morango para mim e você escolheu de flocos. Você prendeu sua atenção em algumas crianças brincando no playground, fiquei olhando para você, sorrindo por causa do seu sorriso e do seu olhar tão compenetrado e meigo, seus lábios estavam vermelhos como suas bochechas, você prendeu seu cabelo num rabo-de-cavalo e sua franja cobria o outro lado do seu rosto, escondendo um pouco dos seus olhos.
—Eu tenho visão periférica. —Você falou sem desviar os olhos das crianças, eu só ri.

—Desculpa, é que… Você sabe, Sarah – Você sorriu, fitou o chão e olhou para mim – É complicado voltar e ver que você não é mais a pirralha que conheci.
—Isso foi um elogio?
—Claro que sim, me expressei mal. —Me aproximei um pouco mais de você, colando nosso quadris.
Você olhou para mim e mordeu o lábio inferior, parecendo confusa, então decidi me afastar.
– Foi mal, eu não devia... —Você se aproximou novamente e foi aproximando o rosto do meu, eu te puxei e colamos nossos lábios, você enterrou sua língua na minha e eu me entreguei ao beijo, passei minhas mão pelas suas costas e pousei-as ali. No meio do beijo você começou a rir e eu também, mas não entedia o por quê.
—O que foi? —Perguntei – Sarah, o que foi?
—Bom, isso. —Você fez um gesto com as mãos apontando para nós dois. —É engraçado, dois anos atrás você me rejeitava e agora a gente está se beijando!
—As coisas mudam – Falei e dei um sorriso de canto de rosto.
—Acho que posso me acostumar com essas mudanças... —Você se aproximou e voltou a me beijar, ainda rindo nos intervalos para respirar. Por um momento esqueci que tinha torcido o tornozelo, beijos realmente curam machucados.
—Não falei que esse ano seria divertido? – Falei baixo.
—Então foi definitivamente um flerte. —Você respondeu olhando nos meus olhos.