Melancolia
1 Delicada fadinha
Quarto de hotel, Santa Mônica, 15 de novembro de 2017
Minha delicada fadinha.
Dói em mim precisar ficar mais tempo longe de você, mas parece que todo o universo luta para nos distanciar mais e mais. Por causa do trabalho, precisarei sair daqui direto para Londres, onde ficarei mais três dias. Mas após isso já avisei na empresa que passarei não menos do que um mês em Vancouver.
É conspícuo que sinto imensamente sua falta. Meu chefe perguntou-me se estava doente. Disse-me que eu parecia mal, estava magra, e perguntou-me também se precisava de algo que estivesse a sua altura. Infelizmente, a resposta foi não. Para ambas as perguntas.
Responda-me: o clima aí está arrefecido? Sinto falta do clima do Canadá. E, por incrível que pareça, pensar em seus tios e seus questionamentos nada sutis me faz transbordar de melancolia.
Diga a sua mãe que comprei algo para ela. Não conte, mas é um lindo colar com duas borboletas. Achei que a faria pensar em você. Em nós. E eu também comprei um presente para você. Acredito que vai amar.
Agradeço por ter conseguido esse tempo para me escrever. Estava ficando preocupada, mas agora estou mais preocupada que seus primos quebrem alguma coisa. Cuide bem de minhas esculturas, por favor. Ou eu vou mandar seus primos para um anátema qualquer.
Não sei quando conseguirei te escrever de novo. Mas, para todos os efeitos, chegarei aí em Vancouver dia 20. Meu voo é muito cedo, não precisa me encontrar lá. Apenas fique tranquila, e deixe que eu dou um jeito de te encontrar aonde quer que esteja.
Para sempre seu eterno amor,
Jane.
Ps.: Adorei as palavras que usou em sua última carta. Senti como se lesse a correspondência de uma rainha. Coloquei para você palavras de grafias complicadas, espero que entenda.
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