Meio Sem Meia
4 Quinta-feira 13
Se Giulia notasse que hoje é quinta-feira 13, não teria despertado tranquilamente — ainda que com o peso do sono insistindo em mergulhá-la de novo em seu seduzente torpor profundo. Não teria se espreguiçado com tanta vontade, o corpo tremendo pelo prazer de se alongar.
Teria ficado mais atenta quando pegou a faca para passar manteiga no pão, teria tomado mais cuidado quando ligou o plugue da cafeteira elétrica na tomada.
Não teria se arriscado ir de bicicleta à empresa.
No trabalho, não teria fechado negócios.
No almoço, manteria alinhado os talheres. Não testaria e abriria o guarda-chuva dentro da loja devido aos dias chuvosos que se aproximavam.
Não teria acariciado um gatinho preto de rua, passado por baixo de uma escada apoiada à sacada de uma casa em construção e não teria se encontrado com seu futuro esposo para jantar.
Em casa, à noite, teria desvirado o chinelo, não teria cortado as unhas.
Teria desenvolvido a Pémptidekatriaphobia¹ e sequer saído de casa.
É quinta-feira 13? Por suposto que sim. Mas ignoram que é um dia normal, de rotina, como qualquer outro.
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