Mein Herz ist auf dem See
7 O Lamento da Viúva
Converterei vossas festas em luto, e vossos cânticos em elegias fúnebres.
Amós 8.10
°°°
– Acorde meu querido... — Sussurrou uma doce voz bem pertinho do ouvido de Ernest, sua nuca se arrepiou.
– Só mais uns minutos, mein Lieb... — disse ele, esboçando um sorriso contente.
– Mr. Diefendorf!
Ernest despertou, um guarda o despertara.
– Está na hora, senhor. — disse ele em inglês. Ernest fez que sim, fingindo entender parcialmente o que ele dissera. O guarda se retirou, Ernest ficou aliviado por ver que ele não entendia alemão, pois escutara o que Ernest dissera enquanto sonhava, o que seria constrangedor.
Ele despertou lentamente, lavou o rosto com água morna, vestiu-se. Guardou o diário no bolso do casaco e saiu. A manhã no porto estava fria, como sempre, homens carregavam o navio. Ernest acompanhava os guardas, junto ao Governador e ao Almirante, ele viu surgindo o navio a medida que se aproximava, na popa do navio hvia uma inscrição, seu nome, Hail Holy Queen, que, para surpresa de Ernest, trazia um enorme morteiro preso à proa. O navio era um monitor.
Capitão de monitor? pensou.
Chegaram à prancha de embarque, Robert esperava lá.
– Espero que encontre o que queres, filho. — disse o Governador.
– Danke, Excelência.
– Deus proteja a seu retorno, Herr Diefendor.
– Danke, Almirante, o Reino da Grã-Bretanha tem a gratidão eterna do Sacro Império Romano-Germânico. Lembraremos de vós na hora da dificuldade.
– Muito grato, — agradeceu o Almirante — Lebewohl, mein Herr.
– Lebewohl!– despediu-se ao embarcar.
– Ernest! — chamou o Governador.
– Ja?
– Leve isto com você. — Ele entregou a ele uma caixa comprida de madeira — um presente de minha parte.
– Danke... — agradeceu ao pegar a caixa.
– Lebewohl!
– Lebewohl.
Ele embarcou, subiu ao convés. Robert já gritava ordens aos homens, a nave já entrará em movimento.
– O que é isso que ele te deu? — interrogou Robert, repressivo.
– Não sei, mein Herr...
– Então por que não abre?
Ernest se sentiu intimidado, olhou torto para Robert, em seguinda abriu a caixa.
Meu sabre? Ernest ficou surpreso, tomou a arma embainhada na mão, olhou-a adimrado.
– Algum problema? — perguntou Robert, olhando desconfiado.
– Nada... É que... Eu nunca vi uma arma tão bonita...
Robert o encarou, fechou a cara gradativamente.
– Bem eu concordo... — disse enfim — Agora escolha uma rede e depois apresente-se ao contramestre.
– Jawohl!
Ernest atou a bainha ao cinto e desceu até o dormitório, pensativo, o Governador realmente era um homem muito inteligente. Pouco depois, o comando do navio estava reunido na sala do capitão; o contramestre, o imediato e o Capitão Robert.
– Nossas rotas atuais são essas, — indicava o imediato no mapa — é previsto que um navio carregado siga por essa rota, entre Amsterdã e o delta do Tamisa.
– Poderemos interceptar o navio antes da pilhagem. — observou o contramestre.
– Sugiro começarmos por essa rota, — indicou Robert no mapa — outro navio partirá de Amsterdã, cheio de passageiros.
– Senhor... — disse o imediato — tem certeza que esse será um alvo válido ao Lament?
– O outro navio é exclusivamente mercante, a carga é encomenda da Coroa Britânica. — Observou o contramestre.
– Confie em mim — insistiu Robert — reféns valem mais a pena.
– Mas Senhor...
– Faça o que eu digo, porcaria! — Robert bateu com o punho na mesa. A sala ficou em silêncio.
– Quando faremos a intercepção, capitão? — perguntou o imediato, enfim.
– Por volta das três horas da tarde, perto desta cadeia de ilhas holandesas. — indicou no mapa — o navio passará por lá nesse horário, se corrermos chegaremos antes do Lament.
Fez-se um breve silêncio. Robert finalmente ordenou.
– Ao leme, Sr. imediato, contramestre, mobilize os homens no convés. Dispensados!
O Navio movia-se rapidamente, Ernest estava na proa, observava o mar. Seus olhos se fecharam, ele lentamente ergueu a cabeça, gentilmente, o vento matinal acariciou o seu rosto, e despenteou o seus cabelos longos. Lembrou-se de seu primeiro dia a bordo do Siegfried, a quase dez anos...
Ernest desceu da carruagem, estava na base naval de Hamburgo. Os homens carregavam os navios, inclusive o seu, o Siegfried. Após dois anos, Ernest fora promovido a capitão de galeão.
– Capitão! — chamou um homem, o Almirante.
O navio partia, Ernest estava de pé na proa. Retirou o seu chapéu, sentiu o vento quente de verão. Escutou o som do mar, sentiu as gotículas salpicando em seu rosto.
– Junge!
Uma voz interrompera o seus devaneios. Era o contramestre.
– Ja?
– Estás sendo solicitado no mastro central.
– Jawohl!
Ernest trabalhou durante algumas horas, almoçou com os demais marinheiros, que riam e bebiam. Não falou com ninguém o tempo todo.
– Why so quiet, boy?– Perguntou um marinheiro, sentado ao lado dele.
– Ele não nos entende. — disse outro.
Outro marinheiro sentou à mesa.
– Ich spreche Deutschen.– disse ele
– Gut!– disse Ernest.
Os dois começaram a conversar em alemão.
– O que fazes aqui?
– Meu navio... O navio em que eu tripulava foi afundado pelo Lament.
– Entendo. Quer se vingar do velho Vaucaire?
– Quero voltar para o meu país... — ele se aproximou do marinheiro — Mas matar ele seria um prazer...
– Cuidado com os pensamentos, garoto. O ódio pode te corroer.
De repente o sino do navio soou.
– O que é isso?
– É o Lament.
Os homens ficaram agitados, corriam pelo navio, sacando suas armas. Ernest desembainhou o seu sabre e subiu ao convés. Robert olhava pela luneta.
– Não... — disse ele. Chegaram tarde de mais, o navio holandês estava em chamas, e o Lament estava lá. Robert recolheu a luneta. Os homens o olhavam quietos. O silêncio era pesado.
– O que vocês estão olhando!? — Gritou, enfim — Vamos pegar aquele navio!
O movimento voltou, todos corriam para as suas posições, o Hail Holy Queen se aproximou rapidamente do Lament.
– Carregar o morteiro! — ordenou, o três homens levaram quase vinte minutos para carregar a enorme peça de artilharia. O navio inimigo se pôs em rota de fuga, um erro fatal. O Holy Queen começou a persegui-lo, ele era estranhamente rápido para um navio tão pesado. Ernest observava pendurado nas enxárcias, estavam se aproximando rapidamente, mas ainda em uma distância considerável. Robert contava os segundos sussurrando.
– Fogo! — ordenou em fim. Houve um estrondo na proa e um violento solavanco, Ernest quase caiu das enxárcias. A bomba traçou uma parábola no céu e atingiu a popa em cheio, o Lament estava invalidado. A tripulação do Holy Queen comemorou. Eles se aproximaram continuamente.
– Homens! — Gritou Robert — Isso é uma missão de resgate! Aqueles marginais fizeram as mulheres do navio vitimado reféns! Eu as quero vivas e seguras neste navio!
Ernest lembrou-se de quando seu navio fora atacado.
– Kapitän!– Chamou Ernest do alto das enxárcias.
– Ja, Herr Diefendorf!
– Achtung! Sie haben Granaten!
– O que ele disse, capitão? — perguntou o imediato.
– Ele disse que os piratas têm granadas — respondeu. — Atenção, homens! Eles têm granadas! Tomem cobertura, preparem os canhões do convés!
O Holy Queen se aproximou, pôs-se ao lado do inimigo.
– Calma, homens... — dizia Robert.
Os marinheiros estavam atentos, com fogo nos olhos. Ao se aproximar, viram os piratas acendendo as granadas.
– Fogo! — gritou Robert.
Os canhões do convés dispararam em unidade. Muitos inimigos morreram, suas granadas caíram no convés, destruindo-o, mas algumas granadas ainda cairam no Holy Queen.
– Granadas! — advertiu.
Os homens se disperssaram, nenhum homem foi atingido e o danos foram mínimos. Vaucaire ficou furioso.
– Ao navio! — Robert ordenou. Os homens sacaram seus rifles e espadas e entraram em um feroz combater. Tiros, baques e gritos de dor.
– Ernest! — Chamou Robert.
– Ja!
– O capitão! Pegue-o
– Verstanden!
Ernest tomou uma corda, e com ela, lançou-se a bordo do Lament, acertando um chute certeiro no rosto de Vaucaire. O pirata caiu no chão.
– Levante-se! — provocou Ernest em francês.
– Seu moleque... — disse ele ao se levantar, cuspiu um bola de sangue — Sobreviveu não foi.
Ernest se surpreendeu ao ver que Vaucaire se lembrava dele.
– Eu vou matar você! — disse ele ao investir contra Ernest, que repeliu o golpe com sua espada. Suas espadas tilintavam e se agitavam no ar, a luta foi frenética.
Os piratas morriam um a um, os marinheiros avançavam dentro do navio, desceram até mais fundo porão até acharem o que queriam: as mulheres, sujas e abarrotada numa cela pequena. Um homem forçou a grade enferrujada com sua espada.
– Venham! — Chamou ele, gesticulando.
Todas foram conduzidas até o Holy Queen, adando rápido e com dificuldades devidos aos seus extravagantes vestidos.
Ernest forçava sua espada contra a de Vaucaire.
– Não adianta resistir! Estás perdido! — provocou.
– Vai pagar caro, moleque!
Ernest escutou um estrondo, seguido de uma dor latejante no abdômen, fora baleado por Vaucaire. Ele caiu de joelhos pressionado o ferimento. Vaucaire tentou desferir o seu golpe final, mas Ernest foi mais rápido. Mesmo com dores, ele rolou para a direita, fazendo Vaucaire golpear o chão, e em seguinda se levantou e desferiu um golpe nas costas de Vaucaire.
– Moleque desgraçado! — gritou de dor. Ao tentar pressionar a o corte profundo em suas costas.
Ernest o chutou, precipitando-o no convés. Estava com o sangue fervendo em adrenalina, respiração e coração acelerados, mas logo se acalmou e começou a sentir a dor do tiro. Caiu de joelhos, novamente.
– Herr Diefendorf!– Chamou o marujo que falava em alemão, e em seguida correu para socorrê-lo.
– Vamos... — ele o ajudou a se levantar, e o conduziu de volta ao navio.
Vaucaire agonizava no chão do convés, Robert veio em sua direção unido de uma pistola.
– Seu maldito! — disse ele — E quanto ao nosso acordo!?
– Do que está falando? — disse ele, seu francês era consideravelmente melhor que o seu alemão — Esse era o acordo!
– Vá para o inferno! — gritou Vaucaire antes de ter a sua cabeça baleada. Ele caiu no chão com um enorme buraco no crânio.
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