Mein Herz ist auf dem See
11 Final - A Volta para Casa
“Quando o Senhor nos trouxe de volta a Sião, ficamos como quem sonha.”
Salmos 125.1
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O mundo escureceu, estava frio, negro. Ernest não tinha mais força alguma, nem sentidos, não sabia se ainda estava vivo ou já morto, apenas sentiu estar afundando nas trevas. Ainda agarrava o corpo dilacerado de Mina. Não havia nada além do vazio... Até que houve um vulto, um vulto cortando o vazio, algo se movia, nadava nas trevas, os rodeava... Algo grande... Estava se aproximando rapidamente, vindo em sua direção... Ia levá-los?
Só havia trevas...
Vazio...
Medo...
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Aos poucos o mundo clareava novamente, Ernest sentia seus olhos arderem, não ousou abrí-los, mas escutava o canto das gaivotas e o som das ondas. Sentiu uma areia quente, seca e macia sob suas costas, sob a palma de suas mãos, ele lentamente agarrou um punhado de areia, sentiu a textura cálida dos grãos, não conteve uma fraca risada de regozijo, que logo se fez em um choro de alegria. Tinha certeza que estava no Céu. Ele apalpava a areia, até que sua mão direta encontrou algo: uma mão quente, ele a apertou e ela apertou de volta, era Mina, ele virou o rosto para direita, abrindo os olhos com dificuldades, viu o belo rosto sonolento de Mina, abrindo os olhos em meio àquela brancura.
Mina sorriu.
– Bom dia... — disse ela.
– Bom dia...
Eles riram, riram e choram de alegria, seus ferimentos se foram, se sequer deixar cicatrizes, suas roupas parecia novas, estavam juntos por toda a eternidade. A imensidão de luz branca aos poucos se dissipava, revelando o mundo a sua volta, claro, e quente, sob um céu azul e sem nuves. Ernest respirava fundo, sentiu o cheiro de areia molhada de água salgada. Era tão real, e tão familiar. Escutou o canto dos pássaros, tão familiar... Ele se levantou.
– O que foi? — disse Mina ao sentir-se ao seu lado.
– Estamos em casa...
Os olhos de Mina se encheram de lágrimas.
– Ernest... — Ela o abraçou. Um longo abraço, acompanhado de lágrimas e soluços. Ernest a abraçava com muita força, como se não a quisesse perder novamente, como uma criança amada a quem se quer bem. Não conseguia falar de tanto que chorava.
– Ernest... — chamou uma terceira voz: Pallas.
– Pallas... — disse Ernest.
Mina olhava a criatura, um ser admirável o qual jamais vira em toda a vida. Ernest se levantou e foi a ela.
– Pallas, eu... Não tenho o que dizer...
– Não precisa...
– Não posso deixar você sozinha.
– Ernest... Não...
Pallas olhou para Mina, ainda sentada na areia. Elas trocaram olhares, uma lágrima escapou do olho de Mina. Ela se levantou, se aproximou da sereia
– Mina... — disse Ernest.
Pallas o tomou pelo rosto
– Ernest... Eu amo você... — disse Pallas — Mas você não me pertence... E eu nem sequer pertenço a este mundo...
– Pallas...
– Ernest... Eu sou uma sereia, meus sonhos foram roubados de mim... Não quero ter que roubar os sonhos de outra pessoa...
Pallas olhou Mina nos olhos, Mina sentiu uma profunda afeição pela pequena sereia, talvez elas pudessem ser amigas em outros mundos ou outras eras... Mas não nesta.
– Pallas... — disse Mina — Obrigada.
Mina abraçou a sereia, sentiu sua pele lisa e úmida, seus seios nus maduros, e beijou sua face, de gosto salgado como as águas do oceano. Ernest ainda sentia o coração doer.
– Mas... Eu...
– Ernest... Meu propósito se fez cumprido. Você me libetou, agora seja livre também.
Pallas deu-lhe um último abraço, Ernest a envolveu nos braços, sentiu seu cheiro, como a brisa do mar, seus cabelos azuis.
– Nunca irei esquecê-la. — disse Ernest.
– Nem eu... — replicou Pallas.
Pallas caminhou até a beira do mar, a maré banhava-lhe as canelas.
– Pallas! — chamou — Ernest, Pallas virou-se para ele — Nos veremos de novo algum dia?
Uma lágrimas rolou.
– Não posso... — respondeu — Pois meu coração está no mar.
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