Meia Alma

1 Prólogo - Profecia


Notas iniciais
A continuação de Olhos de Sangue!
Espero que gostem, e sinceramente, eu gostaria de que vocês lessem comentasse.
Não sei porque, mas me vem a sensação de que eu me empenho mais ainda nesta fic...

— O que tens de dizer quanto à profecia?

O homem não respondeu, apenas olhando atentamente para o espelho d’água que se abria diante si. Realmente, o que ocorrera não fora nada como esperava que ocorresse. Toda a história transcorrera de forma inteiramente errada, mas no fundo, sabia que havia alguma razão por trás de todos os acontecimentos.

— Ao menos seu fim foi igual. – respondeu por fim.

— Não exatamente igual!

— Estou dizendo o modo o qual seu corpo terminou.

A criatura atrás de si ficou em silêncio, enquanto os olhos tão dourados quanto ouro, parecendo iluminados por dentro vistoriavam toda a cena que se transcorria.

— O desfecho não foi igual...

— Quieta.

— O outro ainda está vivo! Devemos fazer algo quanto a isso para que ao menos uma coisa seja igual!

A irritação formou-se nas faces do homem, fazendo com que o ser se encolhesse. Faíscas prateadas começavam a aparecer em suas mãos, porém se controlou antes que fizesse alguma besteira. Respirou fundo, enterrando a irritação que raríssimas vezes aparecia em sua mente, sendo supervisionado pelos olhares cuidadosos do ser de olhos cor de vinho.

Controle-se, sabes que ela não pensa antes de falar alguma besteira. – a voz tão conhecida ressoou em sua mente.

Assentiu, então voltou a olhar para o espelho d’água que formava-se no lago, rodeado pela verdejante grama e folhas altas, ocasionais flores desdobrando suas pétalas sobre ele, flores aquáticas e vitórias régias flutuando graciosamente sobre as águas límpidas e calmas. A luz da lua, completamente prateada, iluminando o lago, e no reflexo de sua luz, a imagem desdobrava-se para as únicas figuras ali.

— Diga qual a sua ideia para que tudo dê certo. – Disse num tom incisivo que assustou ao outro.

Manteve-se calada, sem saber o que dizer, o medo fazendo-o manter-se quieto. Depois de algum tempo, o homem pareceu desinteressar-se pelo que ela poderia dizer. Com uma pele extremamente pálida e lábios naturalmente rosados, seus cabelos azuis claros e ondulados, que na altura de sua cintura ficavam lilases e na altura de seus joelhos tornava-se de um tom intenso e escurecido de rosa, preso em inúmeras tranças envolto de sua cabeça trançadas com fios de ouro, prata e miçangas de pedras preciosas, algumas tranças caindo, frouxas até sua cintura, estando grande parte de seu cabelo ainda solto, as pontas rosadas roçando levemente contra a grama. Usava um vestido brilhante prateado que até sua cintura era colado ao corpo, para então cair etereamente solto, arrastando-se pelo chão. Não tinha mangas, tendo um decote em formato de coração, ricamente bordado com pedrarias e contas douradas, negras, rosadas, alaranjadas e avermelhadas. Em sua cintura estava um fino cinto de ouro ricamente detalhado, dele saindo-se correntes de prata repletas das mesmas contas que decoravam o vestido.

Usava uma gargantilha de ouro vermelho, um grosso colar de ouro com rubis arredondados e safiras tão azuis que quase tornavam-se negras e um colar de contas de ônix, dando duas voltas em seu pescoço, grossos braceletes em seus finos braços, inúmeras pulseiras em seu pulso. Suas orelhas alongadas e pontadas para cima, usava pesados brincos redondos de pedras quase da mesma cor que seus olhos, as longas unhas pintadas de um azul que brilhava no escuro. Sua estatura era muito menor do que a do homem à sua frente, mal chegava à sua cintura.

— Porém... – disse após algum tempo. – Nada nesta vida ocorreu como a de vocês...

— Esta vida é uma nova vida. – O homem respondeu. – Toma rumos diferentes, muda a todo o momento. Não me surpreende que ela tenha tomado rumos diferentes.

— Mas esta vida já acabou! – a criatura exclamou, fazendo com que um suspiro pesado audível escapasse dentre os lábios do homem.

— Darneliyan é a terra do imprevisível. Nunca se sabe o que pode ali ocorrer.

— É impossível um morto sair do labirinto!

— Como podes ter tanta certeza, Kuraibi?

A criatura calou-se novamente, enquanto um sorriso aparecia nos lábios do homem. Ele era extremamente alto, com cabelos lisos e negros, tanto a ponto de refletirem a luz da lua, em contraste com a pele clara de alabastro. Eram presos em um rabo de cavalo curto que lhe chegava até a nuca, sendo que algumas partes de seu cabelo eram mais curtas, chegando-lhe ao queixo, escapando-lhe do rabo de cavalo. Seus olhos eram da cor do ouro, talvez ainda mais brilhantes quanto, pois pareciam ser iluminados por dentro, destacando-se da franja repicada que ultrapassa a linha de seus olhos. Usava brincos de ouro e esmeralda, geométricos, uma túnica de mangas curtas azul marinha com a bainha sendo detalhada com desenhos geométricos brancos, vermelhos, laranjas e amarelos, estando, em sua testa, por baixo da franja, amarrada uma faixa com os mesmos desenhos. Era amarrada com uma faixa parecida na altura de sua cintura, e chegava-lhe até seus tornozelos, porém aberta nas laterais, revelando a calça de tecido negro e as sandálias de tiras de couro amarradas em seus calcanhares. Usava um manto vermelho escuro debruado sobre seu ombro direito, enrolando-se sobre seu tronco, mas apesar das roupas, era possível se ver o corpo forte com músculos definidos. Em seu braço direito usava um bracelete de ouro parecido com uma corda trançada, algumas pulseiras em seus braços e anéis de ouro, prata e pedras preciosas. Somados aos traços invejáveis de seu rosto, não se havia dúvida que era um belo homem.

Em seu pescoço estava uma fina gargantilha feita de um brilhante metal azul, cujo fecho frontal era de ouro, e dele saíam-se pequenas e finas correntes de ouro, como colares, apoiando uma pedra do tamanho médio de um punho fechado, prateada, no qual pulsavam-se pequenos fios brancos, mudando de lugar a todo momento.

Maldita teimosia. – A voz disse, em descontentamento, em sua mente.

Deixe-me organizar meus pensamentos.

Estou a me referir a ela.

Então deixe os comentários em sua própria mente. – retorquiu. – Ou então com quem eu sei que está com você.

Somente sentiu a irritação do outro, mas não se importou, ainda pensando no que poderia ocorrer, sequer prestando atenção ao que ocorria no espelho d’água.

Por fim, apanhou um dos anéis que estavam em seus dedos da mão direta, um anel de prata com uma pedra de safira pendurada por meio de uma argola a ele. Murmurou palavras num tom inaudível ao ser, entoando o encanto a ser feito. Quando calou-se, a pequena pedra trazia em si os mesmos movimentos que a pedra de sua gargantilha fazia. Kuraibi piscou, e viu-o jogar a joia no lago, e ao entrar em contato com as límpidas águas, a joia se dissolveu numa fumaça azulada.

— O... Que você fez?

O homem, sem nada dizer, apenas deu as costas para o lago, afastando-se cada vez mais. Quando já estava a alguns metros de distância, disse:

— Apenas cumprindo a promessa que eu e Daichi fizemos.

Notas finais
Semana que vem, eu posto o 1° capítulo, junto com um desenho de como Hideo está =)
Críticas? Elogios? Dúvidas? Tuuuuudo nos reviews! =D