Meia Alma

9 Capítulo 8 - O que está acontecendo?


Notas iniciais
Aqui está, eu prometi que ia postar hoje!
Espero que gostem das mudanças, hohoho 8D

Senti a espada deslizar suavemente em meu pescoço e todo meu corpo se retesou. Não sentia nenhuma presença por detrás de mim e imediatamente meu corpo se retesou, porém, meu símbolo ainda estava preso ao meu pescoço, e eu sabia que se eu tentasse pegá-lo seria decapitado. A lâmina estava reta, portanto, significava que a pessoa que estava atrás de mim deveria ter mais ou menos minha altura. Preparei minha Aura de modo que ela não se demonstrasse, mas pronto para reagir caso fosse atacado.

O silêncio imperava na floresta, então senti o galho seco se rompendo atrás de mim, demonstrando que ele se movia. Sua claymore fez mais pressão contra meu pescoço, obrigando-me a virar também para fora da trilha. Minhas mãos coçavam, eu queria pegar meu símbolo e revidar, mas nessa situação era perigoso. Lembrei-me do símbolo em meu pulso direito. Girei de forma a conseguir pegar a ponta e senti a espada deslizar, escorregando e saindo de meu pescoço.

Graças aos deuses consegui transformar o símbolo de Yudai em uma espada no exato momento em que ele me atacou.

Consegui aparar o golpe mesmo usando a mão direita – eu havia aprendido a usá-la em batalha – mas tinha uma força inimaginável. Era alguém da Ordem? Não havia sequer perguntado quem eu era ou ter se certificado que eu realmente era um híbrido – por causa do meu cabelo – e já vinha me atacando. O som das espadas se chocando foi extremamente alto e escutei as Auras dos outros se movendo. Não conseguia ver meu oponente muito bem, mas vi quando ele levantou a perna, pronto para dar o chute e curvei-me para trás na hora certa.

Caí de costas ao chão e a pessoa veio para cima de mim. Apoiei meu peso em meus ombros e acertei um chute em seu queixo com toda minha força, arremessando-o por entre as árvores, mas ele agarrou meu pé e deu um jeito de me arremessar juntamente com ele.

Atingi uma árvore que acabou sendo arrancada e rolei pela encosta da montanha pela qual estávamos, escutando o outro caindo também. Caí estatelado sobre o chão de pedra fria, a espada de Yu caiu com estrépito ao meu lado e a árvore caiu em cima de mim. Bufei com o peso e empurrei-a com o pé, no exato momento vendo a silhueta negra da pessoa contra a lua, uns doze metros acima de mim.

Péssimo sinal.

Tateei o chão ao meu lado até encontrar o cabo da espada, então a agarrei e pus à minha frente, já me preparando para o ataque que viria.

A pessoa que me atacava era um homem, e ele era bem magro, mas ele tomou impulso de sua queda e me atacou por cima com tanta força que mesmo estando deitado contra a pedra, ele me fez recuar, afundando-me nela. Cuspi sangue devido às rochas e faíscas saíam do atrito entre as espadas. Ele estava extremamente próximo, ele estava com os dois joelhos, um de cada lado de meu corpo e pressionava sua espada contra a minha de maneira monstruosa. As duas espadas tremiam diante as forças que eram postas uma contra a outra e meus braços doíam. Percebi que havia algo estranho com o rosto do híbrido, mas antes tinha de me livrar da situação.

Com muito cuidado regulei o nível de força e fiz a espada chegar mais próxima de meu corpo, assim como o cara. Quando ele se aproximou o suficiente, acertei-lhe uma cabeçada. Ele soltou um grunhido e quando começou a tombar para trás acertei-lhe outro chute, só que dessa vez no peito. Ele caiu para fora da cratera que havia criado e aproveitei sair de lá e pegar a espada de Yudai.

Fora da floresta, apenas a luz da lua era necessária para enxergar bem.

Bem o bastante para eu saber que o cara à minha frente não estava legal.

A coisa preta que me atacava. Mesmo de lado conseguia ver em seu rosto. Ela estava apenas nele, mas seus olhos estavam arregalados como se aquilo estivesse entrando em seu cérebro. Ele tremia e virou apenas o rosto para mim. Era – ou estava – tão pálido que parecia que jamais um dia houvera com em sua pele, seu cabelo chegava até a altura de seus olhos, raspado nas laterais, mas sendo um pouco mais curto e chegava até a altura da nuca, mais o menos. Seus olhos eram amendoados, como era comum às pessoas que viviam no norte e com o rosto ligeiramente anguloso. A coisa espalhava-se como uma máscara na região de seus olhos e têmporas. Ele levantou, cambaleando como se estivesse bêbado e pegou a espada, embora suas mãos tremessem. Ele cerrou e arreganhou os dentes pra mim como se fosse um animal e com um grunhido que foi mais um rugido lançou-se contra mim. Por reflexo peguei o meu símbolo e com as duas espadas bloqueei o ataque. Ele era bem magro e esguio, mas tinha uma força monstruosa, pois deu um jeito de meu arrastar para trás. Ele desapareceu da minha frente e com a espada esquerda bloqueei o ataque que ele tentou me dar pelas costas. Grunhi e me abaixei, fazendo-o cair para frente e tentei acertá-lo com a direita, mas ele desviou. Girei e dei-lhe uma rasteira, agora sim o fazendo cair de cara no chão.

No exato momento que levantei senti uma dor lancinante em meu ombro e algo quente pingar em meu rosto e percebi que era sangue. Escutei o ar sendo cortado e levantei meu braço direto e bloqueei um chute e pelo que vi, era uma perna feminina. Peguei-a pela perna e joguei-a contra a encosta da montanha vendo uma garota usando uma blusa bege até os cotovelos e uma saia até o meio de suas coxas, azul escura, estando também descalça. Seu cabelo era liso e preso em dois rabos de cavalo nas laterais inferiores da cabeça que iam até a altura de seus quadris com uma franja repicada na testa. Ela estava tão pálida quanto o garoto, veias desciam de seus olhos com cílios longos, sendo que o esquerdo estava completamente vermelho devido ao sangue que a coisa negra machucara. Ela era pequena e magra, mas assim como o garoto, parecia estar completamente possuída.

Uma enorme quantidade de sangue escorreu de sua boca e estranhei, pois eu sequer batera nela, então o garoto se lançou contra mim novamente. Saltei desviando de um ataque direcionado às minhas pernas, girei, usei sua espada como apoio, acertei outro chute em sua cabeça, saltei para o chão e cortei seu braço direito, o qual segurava a espada. Senti a carne cedendo contra a lâmina e ele gritou ao mesmo tempo em que sua espada caia com estrépito no chão com sua mão ainda segurando o cabo. Aproveitando sua distração, soltei minha espada, agarrei-o pela gola da camisa rosa e atirei-o com toda a força para fora da beirada, forçando-o a cair do precipício ao mesmo tempo em que a garota começava a se levantar. Ela se arrastava de quatro em direção ao braço do garoto, o que era uma cena deveras estranha, já que ela estava de saia.

Peguei minha espada, transformei-a novamente em um cordão, o pus em minha boca e ela percebeu minha aproximação e apoiando-se em uma mão girou de modo a ficar de pé e tentou me acertar, mas peguei seu punho – tenho que admitir que ela tinha bastante força física -, mas ela me surpreendeu ao usar o fato de eu estar segurando-a como apoio para acertar um belo de um chute em minha cabeça. Caí no chão, sentindo minha têmpora arder e ficar quente, então vi o braço do garoto cair à minha frente. Olhei para cima, vendo a claymore brilhar contra a lua, então não sei como, pus fogo em suas pernas.

Ela gritou, então agarrei sua perna e puxei, fazendo-a cair, então levantei, ainda segurando sua perna, erguendo um pouco, e dei-lhe um tremendo pisão, sentindo o osso ceder sob meu pé, fazendo-a gritar de dor. Soltei sua perna que caiu em uma posição um pouco estranha, então a peguei pelo braço, enquanto ela resistia e lutava embora sequer conseguisse manter-se de pé sozinha, então a joguei do penhasco assim como fiz com o garoto.

Olhei-a caindo durante algum tempo, então voltei a transformar o símbolo de Yudai em um cordão, enrolei-o em meu pulso direito, me abaixei e peguei a espada e o braço do garoto, então saltei do penhasco. Usei-me de algumas rochas e cheguei em segurança ao solo, sentindo um gosto férreo em minha boca. Sequer havia percebido que havia sangue em minha boca.

Encontrei a ambos caídos ao chão, a garota de cara no peito do garoto, a coisa negra movendo-se como uma cobra em seu rosto, dando voltas. Murmurei alguma coisa que nem eu entendi, então o peguei pela gola e soquei sua cara até que aquela coisa caísse de seu rosto e soltasse um chiado enquanto desaparecia no chão. Soltei-o e girei a garota, chutando sua cara até obter o mesmo resultado que o garoto, então os coloquei novamente em sua posição inicial porque os dois ficavam bonitinhos daquele jeito.

Escutei um som atrás de mim e quando olhei para trás, vi Alec e Nina descendo a montanha, vindo em minha direção.

— O que aconteceu?! – Nina gritou. – Você está muito machucado!

— Estou bem. – respondi e cuspi o sangue acumulado em minha boca. – Eu sai para buscar água – menti – e eles me atacaram.

— São da Ordem. – Alec murmurou então desceu o olhar para a saia da garota, então a abaixou com uma cara de quem tentava não olhar. Nina fuzilou-o com os olhos.

— Tinha uma coisa na cara dos dois. – murmurei. – Eles pareciam mais animais do que pessoas.

— O que você quer dizer?! – Nina exclamou.

— Não sei, mas eles pareciam mais estar sendo controlados do que qualquer outra coisa. – menti. Sabia o que aquela coisa era, quer dizer, sabia que boa coisa não era porque eu já havia sido atacado por aquilo antes.

— Acha que é coisa da Ordem?

Maneei com a cabeça como se não soubesse. Olhei para cima e vi Raquel descendo com Moko nos braços e quando chegou ao solo só então reparei que seu cabelo havia crescido bastante, pois chegava mais ou menos à altura de seus quadris. Bom, ficava bonito e o que diabos, esse é o tipo de coisa para se pensar numa hora dessas?!

Moko se debateu e Raquel a soltou, e então veio em minha direção.

— O que aconteceu?

— Hideo foi atacado. – Alec respondeu.

— Eu sei falar. – Bufei, mas ele deu de ombros.

— Acho que perguntei os motivos. – Raquel murmurou e tocou meu ombro, fazendo-me saltar, pois doera. – Por que dá pra ver que você foi atacado.

Assenti e fiquei alarmado ao ver Moko cheirando os dois e vi Nina pondo a perna da garota no lugar para ajudá-la na hora de se curar, e só então percebi que Raquel ainda estava com a mão em meu ombro, mas não me importei em tirá-la. Já havia percebido há muito tempo que Raquel era a única pessoa que não se intimidava com o meu modo de responder os outros desde que Yudai morrera, então agradecia por ela ficar ali.

Pus a minha mão sobre a dela como um sinal de agradecimento enquanto sentia o sangue escorrendo por meu rosto e escutando-o pingar no chão. Iria esperar aqueles dois acordarem e tentar expulsar os outros para poder fazer algumas perguntas. Sabia que a coisa negra falava coisas enquanto subia nas pessoas, então queria saber o que ela poderia estar falando. Tudo me dizia que ela falava coisas sobre mim para impulsioná-los a me atacar da maneira irracional com que me atacavam.

Escutei um pigarro e percebi que estava encarando Raquel enquanto segurava sua mão e era muito difícil não perceber isso. Parabéns Hideo, de vez em quando você consegue ser o mais perfeito idiota, só para não dizer o contrário.

Notas finais
Acho que vocês perceberam que o Hideo não é tão bonzinho quanto o Yudai era na hora de lutar com outra pessoa. Espero que não fiquem tão chocados com o modo de agir dele XD
Me desculpem pela demora em postar! Primeiro ano não está sendo brincadeira, mas estou vendo já as férias *--*!
Bom, por favor, caso leiam, deixem reviews!