Meia Alma

7 Capítulo 6 - Despedida


Notas iniciais
Pessoal, (e principalmente, o Netoska), por favor, não me matem, aqui está uma loucura com o fim de ano e tudo mais, então está meio difícil fazer capítulos, e semana que vem eu vou viajar e passar duas semanas fora... Então passarei a maior parte do tempo adiantado essa história pra vocês!

Eu estava indo em direção à beira do precipício. Bom, não literalmente, mas por dentro sentia como se estivesse. Tudo dizia para que eu desse meia-volta, que não tinha o direito de ir em direção aquele local, a dor intensificava-se a cada passo, mas eu seguia em frente. Em direção ao local onde jazia o corpo cristalizado de Yudai.

Sim, aquele era meu abismo pessoal.

Foram pouquíssimas as vezes que eu atrevera a aproximar-me daquele local desde que ocorrera a estranha cristalização do corpo morto. O ferimento interno sendo cutucado da forma mais dolorosa quanto o possível, a sensação de culpa retornando avassaladoramente. Eu estava começando a pensar seriamente se havia perdido a cabeça e começado a me tornar dramático; mas se bem que eu somente reclamava comigo mesmo, e não ficava por aí chateando os outros. Desde criança, eu tentava dar o mínimo de trabalho o possível para os outros, pois o fato de Yudai viver sempre doente, para mim, já era o bastante para dar muito trabalho ao outros. Para mim parecia errado pensar que poderia agora dar trabalho.

A luz azulada intensificava-se a cada mísero passo o qual eu dava, irradiando-se por todo o corredor, tornando as paredes de pedra num escuro tom de azul brilhante, assim como, pelo que podia ver, minha pele. Avançava anormalmente silencioso, a única coisa a qual conseguia escutar ali era minha própria respiração e o roçar de panos que eram minhas roupas. Cercado por todos os lados por rochas, sem nenhuma abertura a não ser à minha frente e atrás de mim, muitos se sentiriam sufocados, e, internamente, era assim que eu me sentia. Sem muitas saídas: Seguir em frente ou acabar com tudo. Eu prometera seguir em frente, mas cada vez mais eu me perguntava por mais quanto tempo eu poderia suportar.

Nunca pensei que sete anos poderiam ser um teste de resistência tão grande.

Parei em frente ao meu destino, sendo totalmente iluminado pela luz indiscreta daquele local que estava tão escondido nas profundezas da caverna que ela não precisava se reprimir, e mesmo se estivesse à vista de todos, continuaria brilhando sem chamar nem um pouco de atenção. Os cristais brilhando com tanto esplendor que faziam meus olhos doerem, subindo pelas paredes nos graciosos arabescos, no centro estando o imenso cristal em forma de lágrima, com as “pontes” de cristal despontando de suas extremidades.

Adentrei na gruta, obrigando-me a seguir em frente. Com alguns saltos, escalei uma das pontes por meio das irregularidades dos cristais, adentrando no local, sentindo o aperto dentro de mim aumentando, porém, repentinamente, sentia a sensação de vazio que sempre existia dentro de mim se esvaindo. Talvez eu devesse ficar aliviado com isso, porém, aquilo não me acalmava. Para mim, aquilo era simplesmente errado. Não parecia possuir o direito de possuir aquele alívio, já que tudo aquilo ocorrera por minha causa.

Com alguns saltos, logo cheguei à cúpula de cristal, finalmente o som das botas ressoando em algo, mas hesitei ainda na entrada. Agora que me ocorrera de que eu não pensara em nenhum motivo para vir até aqui. Apenas viera.

Mas o que eu deveria fazer?

Respirei fundo e adentrei o local, sendo acompanhado somente pelos lampejos azul elétricos e o som de minhas botas contra o cristal. Aquele lugar não se deteriorava, não mudava, continuava o mesmo desde que fora criado há sete anos. Eu ainda não conseguia entender como tudo aquilo poderia ter se criado a partir do corpo de Yudai, mas não havia mais como questionar tal coisa. Já havia ocorrido.

-... Olá. – falei para o corpo de cristal no exato momento que entrei no local que se parecia com um imenso salão. Minha voz ressoou no recinto, e mantive-me calado, quase como se estivesse a esperar uma resposta. Eu com certeza deveria ter perdido a cabeça. – Acho que já faz um bom tempo desde a última vez em que eu vim aqui, não é? Talvez um ou dois anos...

É, eu deveria ter ficado maluco mesmo. Sete anos nesse deserto branco não fizeram bem pra minha cabeça, não mesmo.

Olhei para o chão de cristal, o qual se era praticamente impossível ver o solo abaixo dele. O corpo deu uma rápida reluzida que momentaneamente deixou-me cego, então olhei novamente para o corpo. Com um suspiro, abaixei-me, ficando de sua altura.

Novamente, aquilo estava se passando por minha cabeça. A Guerra do Norte, o ataque de Adamantia, quando eu perdera o controle e fizera o que tranquilamente pode ser considerado – e é – a maior besteira da minha vida.

Eu estava cansado de me lamentar, de ficar lembrando, de ficar me culpando, mas aquilo tudo era praticamente inconsciente. Quando eu dava por mim, estava simplesmente pensando naquilo. Bati meus dedos contra meus joelhos, encarando o rosto idêntico ao meu agora feito de pedra azul, pensando no que mais poderia dizer.

— É... Anita quer voltar para o continente porque estamos tão isolados que nem podemos dizer que estamos nele... E ela tem razão. Todos estão de acordo, e... Eu acho que passar mais tempo aqui, só vendo ruínas essa coisa branca que chamam de neve, eu vou perder a cabeça... – falei, e depois pensei no que acabara de dizer. – Na verdade, acho que já perdi a cabeça há muito tempo... – corrigi-me.

Permite-me soltar um suspiro pesado, fechando os olhos, forçando minha mente a pensar mais algo a dizer, até que me veio algo.

— Há sete anos, quando isso tudo aconteceu, eu disse que ia seguir em frente... E eu estou tentando. Mas é difícil, às vezes me peguei pensando se você tivesse deixado a parte de minha alma que você levou, seria mais fácil. – confessei com uma risada amarga, ainda mirando o chão translúcido e azulado. – E em todas as vezes que me pego com estes pensamentos, não sei se devo me culpar ou se devo considerar isto uma espécie de auto — piedade, a qual nem eu sei se a mereço ou coisa parecida.

Finalmente olhei para ele novamente.

— Estamos indo em breve, portanto, provavelmente não voltarei tão cedo. – Falei. – “Seguindo em frente”, não é? Mas, se sobreviver à Ordem ou a qualquer outra coisa, eu vou tentar... Voltar, de vez em quando.

Levantei-me, dizendo por fim:

— Adeus.

Comecei a me virar, para tomar meu rumo para fora da caverna, para ajudar com os preparativos para nossa saída, quando escutei nas profundezas de minha mente:

Estarei lhe esperando.

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Notas finais
Bom, aí está, finalmente, o desenho do Hideo. Acabei cometendo alguns erros quando fui cobri-lo com nanquim, mas de todo, achei que ficou bom. É a representação de uma cena que ainda vai ocorrer.
Estou a fim de fazer mais um capítulo do Shadow, o que vocês acham?
Bom, mas deixem reviews, por favor!