Meia Alma

11 Capítulo 10 - Cidade Sagrada


Notas iniciais
Olá meus lindos! Obrigada por terem me apoiado no último capítulo!
Este será um capítulo enorme para vocês, espero que gostem u.u Afinal, deu um trabalho dos infernos =S

Boa leitura! o/

— Frango. – Chamei.

Raiden não se virou.

— Frangooo.

Ele continuou andando.

Hadraian revirou os olhos e voltou a ler, rindo da minha (absolutamente fracassada) tentativa de chamar a atenção de Raiden, O Frango. Não, não é apelido oficial dele não, só eu chamo ele assim porque ele é algum viciado em um certo tipo de ave frita. Mais especificamente, frango. Dê um prato de frango frito para ele que ele se esquecerá do resto do mundo.

— Se você voltar aqui, eu te pago um prato de frango frito.

Seu passo diminuiu. Ponto pra mim!

— Pelo resto da sua vida. – Hadraian disse por cima do livro, fazendo-me quase pular em seu pescoço, mas, definitivamente, Raiden parou! O rato de livros conseguiu essa proeza!

Dava pra ver que Raiden estava ponderando. Ora vamos Raiden... É frango para o resto da sua vida... – provavelmente eu pararia depois de uma semana, mas valeria a pena.

Então ele voltou a andar em linha reta, ignorando nós dois.

— Hadraian, chama um médico, ele recusou a proposta de frango! – gritei e pulei sobre ele, agarrando seus ombros e balançando-o a ponto de largar o livro. – Frango, Draian, frango! O Frango recusou frango pelo resto da vida!

— Tá, tá, o Frango recusou frango, eu já entendi! – gritou de volta. – Para de me balançar e vai atrás do Frango, cabeça de minhoca! Para minhoca! – gritou e acertou um soco no meu nariz, obrigando-me a soltá-lo e cair sentado. Ele parou, me encarou e então pressionou as próprias têmporas. – Que diabos de híbrido é esse... Vamos, corre atrás do Frango, vai!

— Eu é que não vou correr atrás de...

— Finge que é uma galinha então, mas tira essa bunda do chão e vai atrás dele! – levantou e ia acertando um chute em minhas costelas, mas acabei levantando e saindo correndo atrás de Raiden enquanto escutava as risadas de algumas garotas. Amaldiçoava eternamente o rato que me obrigava a correr atrás do Frango.

-x-

— Então aquela... – Diego apontou. – É Sacraelum?

Aproximei-me sorrateiramente de onde ele estava, verificando. Era absolutamente enorme, mesmo estando a muitas milhas de distância, com um gigantesco muro rodeando toda a cidade, com talvez uns dez metros de altura e talvez quilômetros de extensão, cor de tijolos – será porque era feito de tijolos?! – com muradas e guaritas brancas pelas quais viam-se soldados movendo-se de um lado para o outro. A cidade em seu interior era absolutamente enorme. Mesmo de onde estava conseguia ver milhares de casas até onde a vista alcançava, dezenas de prédios que deveriam ter mais de doze andares de altura extremamente espaçados uns dos outros, escutava-se de longe os sons e buzinas dos veículos movidos a hidrogênio. Havia uma enorme torre do lado em uma extremidade, tão alta que possuía o direito de sumir dentre as raras nuvens, e apenas uma pequena sombra negra e fina ao longe demonstrava que do outro lado da cidade havia uma mesma torre. Mesmo que não conseguisse enxergar, sabia que aquelas eram as torres de transmissão da cidade, que iam até a rede de transmissão da cidade que ia para todo o continente, que levitava sobre ela. Eu sabia disso porque havia estudado na escola, pois a rede era completamente invisível – não existe via satélite em Darneliyan lembre-se disso.

No centro da cidade havia um gigantesco templo branco e dourado com metros de altura, largura e extensão, construído em padrões simétricos e geometricamente retangular, com enormes escadarias e jardins suspensos por arcos ou sobre jardins construídos sobre certas partes da construção de maneira harmoniosa. Havia imensas escadarias, largas e com pequenos degraus na parte frontal da construção, onde era possível ver que havia um saguão ou coisa parecida, então na lateral vinha outra escada e subia para o andar superior e girava pela construção. Era estranho o fato de termos avançado tanto pelo continente em apenas uma semana.

Meu coração batia rápido, eu nunca estivera naquele lugar, mas sentia uma nostalgia estranha. Era quase como se eu estivesse voltando para casa depois de muito tempo, mas era impossível, pois eu era de Deditio e jamais havia vindo para Sacraelum.

— É gigante. – Anita murmurou e quase dei um salto. Quando ela veio parar no meu lado?! – Só pode ser Sacraelum.

— É Sacraelum. – Alma afirmou. – Eu fiz uma visita quando era criança.

— E o que a gente faz? – Diego perguntou. – Híbridos são absolutamente proibidos.

— Daremos a volta. – Anita respondeu com simplicidade e apontou a cadeia de montanhas muito atrás da cidade. – Por lá.

— Ficaremos perambulando pelo continente? – Perguntei.

— Caso a Ordem descubra sobre nossa existência, será mais difícil de nos encontrar se não tivermos uma base fixa e mesmo se nos descubra, será como quase que procurar uma agulha no palheiro, pois rastreadores normais – ela me deu uma olhada – não podem sentir nossas Auras, mas podemos sentir a deles, e nos movermos antes que eles percebam.

Ponderei e ela estava realmente certa, então os outros começaram a retornar para as entranhas da floresta para então dar a volta, mas dei uma última olhada na cidade por cima de meu ombro. Estava estranho, era como se quisesse entrar lá, voltar para lá. Não entendia essa sensação, mas era melhor ignorar. Eu jamais voltaria para lá mesmo.

Espera... Voltar?

Balancei a cabeça e dei as costas para a cidade, para logo após escutar uma grande explosão.

Parei exatamente onde estava e virei para a cidade. Escutei gritos vindo dela, senti que os outros também pararam de se mover e voltavam para cá imediatamente. Um rastro de fumaça subia de um ponto da cidade extremamente próximo ao grande templo, assim juntamente a e ele vinha uma língua de fogo que ameaçava aumentar.

Senti algo que me deixou alarmado. Três Auras. Duas não tinham cheiro, deveriam usar Supressor, mas uma era suprimida naturalmente. Tinha um vago cheiro de morango e logo uma lembrança que não era minha veio a minha mente: Elizabeth. Aquela era a Aura dela. O que ela fazia ali?

Logo uma Aura bem maior emergiu, com um forte cheiro de algo que não identifiquei, só sabia que era extremamente podre. Por sua imensidão, poderia ser algo como um Despertado, mas o cheiro não era o característico. Os Despertados possuíam um cheiro forte, mas não podre. Quase girei os calcanhares e corri para longe daquele cheiro, mas não poderia. Senti o movimento das Auras... Mas... Espera aí.

A de Elizabeth tentava lutar contra a do monstro, mas uma estava parada. Era a menor. Havia outra, que mesmo suprimida, era a maior das duas Auras, e ela... Atacava Elizabeth? Espera, deixe-me ver se entendi. Uma não fazia porcaria nenhuma, Elizabeth lutava contra o monstro e enquanto ela lutava, alguém atacava ela. Cadê a lógica nisso?!

— O que foi isso?! – Anita gritou.

— Ataque. – respondi. – Não é um Despertado.

— Então o que é?! – Ygor exclamou.

— Não sei. – respondi em voz baixa. – Mas temos que ir lá. Elizabeth está lá também, mas não vai durar muito tempo. Quanto demoraria até chegarmos lá?

— A essa distância, mesmo que em velocidade máxima, alguns minutos. – Anita respondeu, então se virou para os que ainda estavam atrás de nós. – Mas vamos lá! Precisamos ajudá-los!

Nem me virei para ver a reação dos outros, apenas me lancei da encosta em direção ao chão. Lancei-me de ponta cabeça, então meus pés começaram a tocar a encosta da montanha, e usei-a como impulso, empurrando-me ainda mais. Girei e pousei em pé no chão, causando um estrondo tremendo e flexionei os joelhos para absorver o impacto. Ignorei a poeira e me lancei à frente. Pela Aura, sentia que o monstro possuía algo que lhe permitisse ataques de longa distância, pois o sentia atacando a Elizabeth e aos outros enquanto atacava os humanos.

Escutei alguém se aproximando e vi Diego bufando devido ao fato de tentar acompanhar minha velocidade.

— Como estão as coisas?

— Muito mal. – respondi. – Tem gente morrendo.

— Mais rápido então. – alguém murmurou atrás de mim, e acatei este conselho, aumentando meu passo, de modo que disparasse em frente aos outros.

Sentia a adrenalina passando por meu corpo, havia algo que fazia com que eu me importasse com o que ocorria, mais que as vidas sendo perdidas ali. Balancei a cabeça, então levei minhas mãos até os cordões de minha capa, soltando-a e logo a agarrando em pleno ar, pois do modo que estava me atrapalhava, puxando-me para trás. Verguei meu corpo para frente a modo de minha velocidade aumentasse, enquanto tentava ao máximo matar a distância que nos separava da cidade, enquanto os muros que de longe eram gigantes tornavam-se ainda maiores. Após alguns minutos e muita destruição, consegui me aproximar dos muros, porém estes eram altos demais para se pular sobre eles e mesmo com o ataque no interior da cidade, haviam guardas nos portões.

E não faço a mínima ideia do que tenha ocorrido, mas mesmo com a velocidade com que estava, eles me viram e se prepararam. Antes que eu reduzisse a velocidade, um se lançou com uma velocidade assustadora. Tinha o cabelo castanho escuro e um cavanhaque. Tentou me acertar uma lança que lançava faíscas, mas desviei, então firmei bem um pé no chão enquanto sentia outros se aproximarem, então acertei um chute em seu peito, com o outro pé acertei seu queixo. Girei e usei os meus braços como apoio rapidamente, logo me lançando para cima e acertando um chute na cara do que estava ao seu lado. Quando ele começou a vergar para frente, saltei sobre suas costas, usando-o como apoio e trampolim, pois o empurrei com os pés e me lancei em direção ao terceiro. Passei por cima de seu ombro esquerdo e agarrei seu pescoço com a curvatura de meu cotovelo, então o enforquei rapidamente até perder a consciência. Outro se aproximava, então o soltei e bloqueei um chute de esquerda, agarrei este pelo braço e joguei-o no chão, dando um pisão em suas costas para que a dor o fizesse perder a consciência.

Escutei algo cortando o ar e desviei de uma lança, mas o portador usou-a como mastro e girou. Entendi suas intenções e pus os braços entre meu rosto e meu peito um segundo antes de ser acertado por um chute com uma força tremenda para um ser humano. Senti minhas costas tocarem o chão, então impulsionei minhas pernas para cima, fazendo-me girar e pousar no chão, além de ainda ter de frear ligeiramente.

— Um híbrido? – murmurou, pegando a lança novamente.

Senti uma série de correntes de ar passarem por trás de mim, indicando que os outros estavam passando pelos portões. Comecei a me virar para entrar, mas uma explosão de energia me fez ser arremessado para trás de novo. Girei e o garoto fincou a lança no chão, e este explodiu, formando uma pequena cratera. Pousei do outro lado ele me encarou.

Deveria ter uns dezessete anos, embora fosse meio alto – tudo bem, eu era também. – Tinha a pele bem branca e cabelos lisos e tão negros que emitiam reflexos azuis e violetas enquanto caiam por seu rosto e sobre os olhos azuis esbranquiçados. Ele estava suado e corado, ofegava devido ao esforço que fizera – claro, afinal, fora incrível para um humano. -, usava uma toga de mangas curtas marrom claro presa com um cinto na altura dos quadris, uma calça até um pouco abaixo dos joelhos e sandálias de tiras cor de creme, claramente roupas típicas. Em seus braços estavam dois braceletes de couro na altura de seus pulsos que chegavam quase que na altura de seus cotovelos, e em seu pescoço estava uma gargantilha de prata em seu pescoço, com uma pedra dourada onde se moviam fios amarelo-esbranquiçados, sendo a pedra um pouco menor que um punho fechado. Imediatamente reconheci aquilo. Era um ëndivja. Era um colar que apenas filhos de sacerdotes ou sacerdotisas poderiam usar.

Tomei impulso e saltei sobre ele, tropeçando um pouco ao pousar, então corri para dentro do portão que começava a descer. O garoto me seguiu, então lembrei da minha capa, então soltei-a, e pelo bufo que escutei atrás de mim, deduzi que havia acertado seu rosto e atrapalhado sua visão.

Logo que entrei, senti o calor, e vi Diego e Alma parados. Pareciam estar admirando, horrorizados, a cena. Havia fogo. Carros virados, destroços, sangue para todos os lados. Havia sangue, pessoas caídas. Olhei para o lado e vi uma garotinha caída a apenas alguns metros de mim. Olhei então novamente os dois, as chamas, então fui em sua direção. Era pequena, deveria ter uns sete anos, tinha cabelos negros e lisos, extremamente longos, porém eles estavam emaranhados e sujos de fuligem e sangue. Escutei um chorinho baixo, então apoiei um joelho no chão, girando-a e pegando no meu colo. Ela estava escondendo os olhos nas pequenas mãos e chorava, talvez de dor, talvez de medo, talvez os dois. Seu braço estava ralado, havia muito sangue em suas pernas, chegava a manchar o vestido típico verde.

— Eu quero a minha mãe. – ouvi ela soluçar baixo, ao ponto de dar um aperto em meu coração.

Olhei envolta, mas havia muitas pessoas caídas ao chão, não tinha como ter certeza se uma delas era sua mãe ou não. Diego me encarava e escutei um estrondo e um rugido, a garotinha tapou os ouvidos e gritou enquanto as lágrimas corriam pelo rosto arredondado e machucado, então maneei para que ele fosse em direção ao monstro, então ele assentiu e somente vi seu borrão saltando sobre um prédio.

— Nós vamos encontrar ela, só que você precisa ficar em segurança primeiro. Qual o seu nome?

— Eisha. – respondeu e me olhou com seus grandes olhos cor de corça. – Por que seus olhos são vermelhos?

— Porque eu não sou normal. – respondi e olhei para trás, avistando os soldados que estavam vindo. – Segure-se Eisha. Vou procurar um lugar seguro para lhe deixar. – falei, antes de saltar e deixar todos os humanos para trás.

Ela gritou e agarrou meus ombros e pousei sobre o topo de um prédio meio demolido. Olhei envolta e decidi seguir as Auras dos outros. Vai que eu encontrasse alguém no caminho...

— Fique calma, não vou te soltar.

Saltei por entre os prédios e vi a enorme silhueta rugir por entre a fumaça ardida da cidade. Ela possuía um tronco e membros pesados, via chifres recurvados para trás e uma cabeça triangular. Vi diversos flashes de luz, um rugido, e uma gritaria tremenda.

Escutei passos atrás de mim e me lancei contra um prédio no exato momento que algo bateu em minha cabeça dolorosamente. Pousei de joelhos e acabei arrastado pela inércia que os fez doerem de tal modo que lagrimei.

— Djan! – Eisha gritou e olhei para cima, vendo o garoto que me atacara momentos antes. Tive vontade de agradecer a ele por estragar meus joelhos.

Ele me encarou, então se pôs em posição de ataque e uma esfera de energia que soltava faíscas de eletricidade. Ele estava assustado. Eu era diferente dos outros, talvez fosse isso.

— Solta ela.

— Se você acha que eu vou comer ela ou coisa parecida, está bastante enganado. – revirei os olhos. – Eu só estava atrás de um lugar seguro pra ela...

— No templo. – me interrompeu. – Ela é minha irmã. – rosnou.

— Então deveria estar mais preocupado com ela do que em me atacar. – não resisti a rebater e vi seu rosto se avermelhar.

— Ele tava me ajudando, é verdade. – ela soluçou. – Não faz nada com ele.

Ele olhou para mim, para ela, e então para o monstro, então suspirou e abaixou a lança, fincando-a no chão. Levantei e me aproximei dele, então Eisha abraçou seu pescoço e ele pegou-a no colo. Ele me olhou ainda com desconfiança, então me afastei, dos dois, olhando para a sombra. Os ataques, as Auras atingidas. Teria de ir para lá imediatamente.

— Tente não se envolver muito com aquilo. – Falei. – Deixe com a gente.

Ele entortou a boca, mas assentiu. Eisha então perguntou baixinho:

— Qual o seu nome?

— Hideo. – respondi. – Hideo Hentric.

Corri o resto da extensão do prédio, então saltei para outro ligeiramente mais alto, finalmente indo em direção ao monstro.

Demorou alguns minutos até que eu chegasse até ele, e... Pelos deuses, era gigante. Não era maior que os prédios de doze andares, mas era gigante. Tinha pés retangulares com imensas garras que deveriam ser maiores que carros, seus joelhos eram recurvados para a frente com esporões em suas pontas, seu tronco era grosso, porém curto e truncado. Tinha braços enormes que chegavam a altura de seus joelhos com cinco garras imensas no lugar de dedos, sua cabeça era triangular, sendo que possuía a curvatura dos chifres no lugar dos olhos. Possuía uma boca pequena e com dentes impecavelmente retos e alinhados, era a primeira vez que via algo assim. Ele rugiu e virou-se, atingindo um prédio que começou a desabar. Olhei para baixo e vi Alec, que ainda não percebera que poderia ser esmagado a qualquer momento. Lancei-me contra ele, agarrando-o pela gola da camisa e puxando-o na hora que uma enorme rocha caía sobre o local onde ele estava e pousamos sobre uma viga de metal suspensa.

— Onde você estava?! – exclamou, limpando o suor da testa.

— Com problemas em relação uma garotinha e o irmão mais velho dela. – respondi.

Ele revirou os olhos então alguém explodiu algo na cabeça do monstro, que rugiu.

— Pedófilo. – disse, se levantou e pegou sua espada. – Faça alguma coisa de útil agora então.

Foi só ele dizer essas palavras que o monstro virou-se em nossa direção.

Tudo então pareceu ocorrer em câmera lenta. Eu peguei ambas as espadas que possuía, o monstro começou a avançar. Alec saltou e me lancei para trás, mas o monstro destruiu o ferro como se fosse um graveto e veio para cima de mim.

Só acordei quando o monstro tentou me abocanhar, mas mordeu a lateral da espada, que causou um som tão agudo que meus ouvidos doeram, então bati com a outra espada em sua cabeça, obrigando-o a soltá-la.

Você já lutou contra um desses antes.

Essa voz! Espera... Ela...

Daichi?

Assim.

Foi quase como se alguém houvesse pegado meus braços e me guiasse. Senti um ardor passando por eles e percebi que estavam em chamas, mas elas não doíam ou me queimavam. Identifiquei como o fogo que ardera na caverna no Norte. Eu não sabia controlá-lo de tal modo, mas estava realmente pegando fogo. Pisei sobre a cabeça do monstro e fui guiado para fazer um imenso talho sobre um de seus chifres e desci até as suas costas, e senti quando o sangue repingou em mim e provavelmente em todos que estavam lá embaixo também. Girei e acertei sua cabeça, mas ele foi empurrado contra o chão e o asfalto inteiro foi rachado e destruído. Pousei sobre outra viga e percebi que nenhum dos outros estava no solo, então vi duas coisas estranhas em suas costas, então percebi: Asas. Os outros então haviam subido por medida de segurança?

As imensas asas de morcego se abriram e ele deu mais um rugido, então lançou-se para o alto. Saltei atrás dele, mas a coisa me empurrou para o chão. Girei para pousar de pé e senti algo fino me empurrar de volta. Hã?

O garoto lhe ajudou, vá para cima.

Você fala como se mandasse em mim. – bufei, mas acabei acatando o conselho. Vi Diego em pé e ele me estendeu a mão, pegando praticamente em meu pulso, então lançou-me para cima.

— Voa!

Agradeci, mas o monstro já estava muito mais acima. Rangi os dentes e Daichi disse que ele provavelmente queria destruir a cidade.

Alma saltou do prédio demolido de onde estava, e assim como Diego, pegou meu pulso e lançou para cima. A velocidade estava aumentando e a pressão do vento fazia meus olhos lagrimarem, havia muito para se subir ainda.

Aquilo estava ficando fora de alcance.

A montanha não era alta o suficiente, mesmo que a terra me empurrasse.

Pisquei, e de repente minha visão se normalizou. Percebi que já estava em céu aberto, não mais em uma montanha rodeada por pedras e árvores. O que havia acontecido no curto espaço de tempo em que eu estava em transe?

Repentinamente uma ideia veio em minha mente e senti aprovação. Criei um gancho com minha Aura e prendi-a atrás da cabeça do monstro que vinha em minha direção, içando-me ainda mais para cima. Amaldiçoei-me por não ter pensado nisso antes, mas então o monstro abriu a boca e lançou uma rajada de fogo. Fogo negro.

Senti algo ser repuxado em mim como quando meus braços moveram-se sozinhos, e não senti medo de entrar no fogo.

Ele era gelado. Tanto que queimava, e fazia uma pressão terrível sobre mim, meus olhos lagrimaram. Parecia que eu estava tentando atravessar pedra. Rangi mais ainda meus dentes, então escutei: Ajuda?

Aquela não era a voz de Daichi.

Estendi a mão e alguém a pegou, então lançou-me para cima, a ponto de me livrar do fogo que sabia que se dissipara sob mim. Então...

Agora!

Meus braços arderam novamente, minha visão chegou a se tornar alaranjada, mas não era minha Aura que causava isso. Pisei na cabeça do monstro, finquei a espada flamejante em seu crânio e ignorando a enorme força que acabei por ter de fazer, a puxei, sentindo o sangue negro esguichar, então subi até as costas do ser, sentindo-o incendiar, e puxei aquilo por toda a extensão de seu corpo, até que ele começou a desabar tão pesadamente que acabei sendo tomado pelo vácuo.

Aquele corpo imenso iria causar um grande estrago, mas eu também teria de pensar em como pousar, mas quase gritei quando o monstro transformou-se em trevas, como uma nevoenta massa negra.

E elas me engoliram.

Notas finais
O Zenon vai representar a nova geração que se mantém na Ordem. Ele vai passar por alguns probleminhas...
Caso vocês se perguntem qual é a aparência dele, eu pretendo fazer o Hideo narrar, mas como vai demorar muito, então eu o imagino mais ou menos como o rapper sul-coreano Ravi do grupo VIXX no vídeo Hyde. Hadraian é como o Lee Joon do MBLAQ, só não sei se tem algum vídeo dele com o cabelo que imagino. O Frango é como o N do VIXX, também em Hyde. Sim, sul coreanos são vida pra mim u.u (viciada)
Zenon: http://paradiseofpaparazi.files.wordpress.com/2013/05/vixx-hyde-teaser-caps-7x.jpg
Hadraian: http://4.bp.blogspot.com/_6jU27wd_s-w/TChXE7WS1oI/AAAAAAAAAOk/MJbEKw9nUhc/s400/2s6mzj8.jpg
Raiden: http://seoulbeats.com/wp-content/uploads/2013/05/20130521_seoulbeats_VIXX5.jpg