Notas iniciais
E aí? Prontos? Tudo isso saiu da minha imaginação, se quiserem acrescentar alguma coisa é só deixar nos comentários! Na parte do "maloqueira" eu fiz referência a Giane... Eu escrevi como sendo os autore (claro que eu não sou filha da puta que nem eles) fazendo uma homenagem ao casal Fabine.

Megan estava sentada, observando com atenção todos os movimentos que as crianças exerciam no pátio da Plugar. Estar ali a fazia repensar em tudo que acontecera em sua vida nos últimos meses, tamanho fora as mudanças que começaram a ocorrer desde sua chegada ao Brasil. Em que momento tudo virara de cabeça para baixo? Acontecimentos tão rápidos quanto à passagem de uma brisa forte na praia. Inspirou tentando absorver toda a paz e tranquilidade que aquele lugar lhe oferecia, tentando adquirir a inocência que brilhava nos olhos de todas aquelas pequenas pessoas que viriam a ser o futuro do país. Seus cabelos platinados ainda teimavam em ofuscar qualquer pessoa que perto de si passasse, suas roupas pretas foram substituídas hoje por uma calça jeans clara justa e uma camiseta alaranjada; em seus pés ela levava uma humilde rasteira que Luene lhe dera de presente. Tão simples... Tão fora do comum... Mas, era disso que ela gostava, não é? Anormalidades. Originalidade. Coisas que as pessoas ficariam surpresas em vê-la usando.

Notou a presença do rapaz antes mesmo dele sentar-se ao seu lado, acompanhando com o olhar as crianças brincarem. Se ela havia passado por problemas, o que falar de Davi Reis? Garoto prodígio, Golias, filho de um casal morto num acidente de carro que descobre de maneira drástica que todos os seus anos de existência foram uma mentira. Ela, garota problemática, que nunca dispensou uma boa festa da alta sociedade, que sempre se metera nas mais loucas confusões, apaixonada por seu quase irmão. Quase... Porque ela não era filha de Jonas Marra. Davi sim. E como quem quase nunca se preocupa com nada, ela sentiu um alívio ao receber a notícia e lembrar-se desse detalhe. Mas, do que adianta? O seu nerd não mantinha uma reciprocidade em relação aos sentimentos que ela tanto lutou para serem reconhecidos; a relação da bad girl com o Golias não passara de um passatempo para que o próprio não se sentisse sozinho durante o tempo em que ficou longe de sua tão amada Manuela.

Megan tentou (só Deus sabe o quanto!) gostar de Arthur Nigri. Mas, todo mundo sabe... Quando não é pra ser, nem o mais otimista dos homens consegue explicar. Ela errou quando se apaixonou por alguém que não a amava na mesma intensidade, mas seria pior tentar esquecer esse sentimento ao lado de alguém que não lhe transmitia segurança nenhuma. Tuca simplesmente não fazia seu coração acelerar, suas pernas bambearem; ele seria apenas uma válvula de escape, um preenchimento falso, uma maneira inútil de esquecer quem realmente valia a pena. Ou valeu.

- Oh god... Quem diria, não? Megan e Davi Reis sentados na Plugar like irmãos – a garota quebrou o silêncio direcionando seu olhar ao nerd que sorriu timidamente.

- Não... – ele respondeu retribuindo o olhar. – Prefiro dizer que estamos aqui como bons amigos, depois de tudo o que aconteceu não consigo te ver como uma irmã.

- Isso é bom – sorriu admirada tentando não deixar exposta a faísca que ainda queimava em seu interior. – Posso te beijar quando eu quiser. Anyway, não faz mais diferença.

Davi riu. Apesar da aparência simples, Megan Lily nunca deixaria de ser a garota excêntrica, curiosa, que despertava os sentimentos mais profundos de todos os homens que passavam a conhecê-la. Diferente. Completamente alheia a todas as mulheres que a circulavam, ela conseguia seu merecido destaque, mesmo que da pior maneira e por mais que muitas criticassem (Manuela está nessa lista) seu comportamento, todas por ao menos um dia sonhavam em ter a vida da patricinha.

- Resolveu renovar suas roupas? – ele apontou para os trajes que a garota vestia. Megan ergueu-se num pulo dando um giro completo, como um manequim vivo expondo sua roupa mais bela. O nerd sorriu.

- You like? Resolvi adotar o look da cangaceira para ver se um nerd workaholic começa a me notar – a garota sentou-se notando a confusão que se estendia pelas faces do garoto. Não pôde deixar de gargalhar. – Oh Davi, please... Não chegaria a esse ponto. Apenas estava sem paciência para me produzir.

- E conseguiu ficar mais linda do que normalmente é.

As palavras lhe pegaram de surpresa. Assim como um tiro pegando-a completamente desprevenida. Assim como no dia em que estava na Plugar também observando as crianças e ele pronunciou um “vim cuidar de você” tão mais sincero quanto esse que agora ele lhe proferia. Ela não se deixaria levar novamente, já estava sendo difícil demais ter que se passar pela “garota mimada que superou um amor fracassado”. O silêncio como sempre se tornando pior a cada minuto que passava; Megan ergueu-se de onde estava e pôs suas mãos na cintura, como uma típica mulher mandona da Gambiarra.

Davi riu do movimento e acompanhou-a parando de frente a patricinha. O que estava acontecendo com ele era algo que ninguém poderia explicar. Não havia motivos para dizer aquilo, aliás, Megan era digna de todos os elogios do mundo; mas vindo dele soava como uma ironia. Ele que já fizera tantas falsas promessas para a loira, agora estava ali ao seu lado distribuindo elogios que poderiam fazê-la sofrer novamente... Mas, não havia mais Manu. Nem Arthur. Nem segredos a serem revelados. Será que poderiam se dar uma chance novamente?

- C’mon, vamos brincar com as crianças! – ela a puxou pelo braço encaminhando-se para o meio do imenso local onde o grupo se concentrava.

- E o que você sugere bad girl? – ele questionou livrando-se do casaco preto que trajava.

- Uma... Como vocês dizem por aqui mesmo? – uniu as sobrancelhas vasculhando em sua mente as inúmeras conversas que obteve com Luene. – Uma pelada de futebol!

- Ah, claro – Davi não conteve o riso e logo cruzou os braços olhando com certa dúvida para a garota. – E desde quando você sabe jogar? Pelo que eu saiba patricinhas mimadas só estão interessadas nos jogadores.

- E você está certo – ela aproximou-se alguns centímetros absorvendo o cheiro adocicado que o rapaz transmitia e conseguindo acompanhar o joguinho de palavras que o rapaz fazia. – Só que eu fui gostar logo dos jogadores de games. Who cares?

Um sorriso divertido dançou pelos lábios finos da garota que se afastou tão depressa quanto se aproximou; buscou por alguns minutos a bola e logo estava com ela abaixo de seu pé esquerdo, demonstrando a insegurança que sentia em relação ao objeto. Estava bastante óbvio que não sabia nem ao menos as regras básicas de um jogo de futebol, mas sua intenção era se divertir e fazer com que as crianças lhe enchessem de ânimo e força. Não importaria se no meio da brincadeira Davi saísse para ir atrás de Manuela no aeroporto, não mendigaria mais amor, atenção, carinho; sentimentos assim não devem ser cobrados e sim oferecidos para que não se possa ter nada em troca.

- Você está parecendo uma maloqueira assim – ele comentou divertindo-se nitidamente com a situação.

- Quem sabe não fui uma na minha vida passada? – Megan sorriu e deu inicio a partida.

Uma confusão. De risos. Trombadas. Comemorações. A patricinha não sabia muito bem o que fazer quando a bola passava por seus pés, tão pouco o que fazer enquanto todos corriam de um lado para o outro. Por vezes caiu, tropeçando em suas próprias pernas, chinelos, esbarrões; Davi já não sabia como controlar sua risada, uma risada tão pura que parecia estar livre de todas as preocupações, de todos os sentimentos sulfocantes que ainda o impediam de ser feliz. Tomou Megan em seus braços girando-a no ar, livrando-a completamente de outro tropeção que daria se não passasse a prestar mais atenção em seus próprios movimentos. A patricinha se desvencilhou dos braços fortes do rapaz e passou a correr, não da bola, não por fazer parte do jogo, mas sim fugindo de um Davi louco, brincalhão, que desejava mais uma vez levantá-la do chão.

As crianças agora eram obstáculos e o casal construía naqueles embaraços de gargalhadas uma brincadeira única, excluisamente deles. Por instantes, nada mais existia. Apenas os dois. Vivenciando um sentimento tão novo para Davi, quanto para Megan; ela ainda corria, sentindo-se exausta, sua risada conseguia facilmente roubar-lhe a pouca força que ainda tinha para escapar do monstro nerd. E no ápice de seu cansaço, ela foi alcançada e retirada do chão vendo o mundo ao seu redor girar novamente enquanto o rapaz a mantinha em seus braços. Num momento estava no ar, em outro estirada no chão rindo tanto que sentiu as lágrimas escorrerem pelas laterais de sua face. Pode ouvir Davi rindo descontroladamente e virou o rosto para encará-lo; ele a olhava de volta com um brilho tão intenso que Megan pensou em perguntar por que o bom moço chorava. Mas, talvez fosse apenas felicidade...

- A Manuela há essa hora deve estar no aeroporto – ela disse e arrependeu-se por ter que quebrar um momento tão único. – Ready to fly.

- Eu sei – ele foi rápido em sua resposta e voltou a olhar para o céu. – E estou sendo sincero quando digo que não sei o que fazer em relação a isso.

- Você deve ir atrás dela – disse quase num sussurro, torcendo para que Davi não a escutasse. – Everybody knows. É ela quem você ama.

- Não sei Megan – um suspiro pesado escapou pelos lábios do rapaz. Vê-lo deitado ao seu lado no gramado da Plugar só fazia Megan ter mais certeza que ela era uma masoquista. – Depois desses meses... Depois de tudo o que aconteceu... Pela primeira vez tenho dúvidas em relação ao que sinto.

- Oh, Davi... – um sotaque carregado invadiu os ouvidos do nerd. Sotaque esse que ele amava ouvir. – Talvez seja like um momento. Logo você estará morrendo de saudades da Manuela e poderá ser too late.

Megan não soube como reagir assim que viu o garoto se posicionar sobre ela, apoiando os braços um de cada lado, olhando diretamente em seus olhos; aquilo estava realmente acontecendo? Seu coração poderia estar sendo ouvido de qualquer lugar do planeta e a consequência disso viria a qualquer momento. Inspirou calmamente e não ousou se movimentar, afinal, gostava do que via... Gostava de tê-lo daquele jeito e gostava mais ainda do fato de ter dúvidas pairando a mente do seu Golias. Ela havia prometido a si mesma que não mendigaria sentimentos, mas como reagir ao ter quem você mais ama sobre você?

- Acho que pela primeira vez... – ele iniciou com sua voz rouca, baixa, quase fatal. – Eu quero ficar ao seu lado.

- Não se deixe levar por momentos, Davi Reis – ela pronunciou com dificuldade completamente confusa para onde olhar: sua boca extremamente convidativa ou seus olhos que mais se assemelhavam a imãs.

- Não... – ele pareceu estar pensando alto. – Não estou sendo levado por momentos. Desde a minha briga com Manu eu tenho repensado minha vida, os meus rumos, os caminhos que eu escolhi.

- E chegou a alguma conclusão? – Davi afirmou positivamente com um movimento leve. – Please... Desenvolva sua tese.

- De forma simplificada: resolvi adotar ao estilo morango com laranja. – Megan sorriu observando as expressões do rapaz. – Me disseram uma vez que a mistura é uma delícia. Eu provei e talvez seja a hora de levar a sério.

- Eu concordo com a pessoa que disse isso e também concordo com sua tese – ela apressou-se em dizer. – Aliás, eu concordo com tudo que nos faça ficar juntos no final. We are together. Se lembra?

- We are together... – ele sussurrou contra a boca de Megan que sentiu todos os seus pelos se eriçarem. – Forever.

Notas finais
Gostaram? Não sou uma boa escritora, mas deu pra transmitir algo que eu quero muito: ENDGAME MEGAVI NESSA PORRA!!!!!!!!!!!!111111111111111111
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.