Medo Do Escuro
32 Capítulo 32 - Pai e Filha.
Estávamos reunidos no quarto de Quione à espera de Tempestt. Há dois dias, ela se juntara a Linus a fim de espionar e tentar roubar a pedra. A ansiedade era um sentimento presente em todos nós. Já tinha andado de um lado para o outro sem conseguir sossegar, o extremo tom de azul do cômodo só servia para me deixar mais nervosa. Afinal de contas o plano tinha sido meu.
-Hey galera. – Tempestt pulou a janela com maestria. –Algum problema? – Ela sorriu descontraída.
-Graças a Deus, ruiva! – Quione falou, deixando sua postura totalmente ereta e chegando mais perto da janela. –Sabia que na sua mochila tem um celular? Não custa nada dizer se conseguiu achar a pedra.
-Pshhhh. Quieta loira. E... Quanto azul por aqui!
-Tempestt, foco. O que descobriu. – Henry falou atraindo a atenção das duas.
-Acontece que a loira azul tinha razão, Linus quer mesmo nós do lado dele, ele acha que eu devo voltar e convencer vocês a se juntar a ele.
-E a pedra? — O moreno continuou.
-Nenhum sinal. Porém eu tenho uma teoria de onde Linus a esconde. — Soltei um suspiro pesado.
-Pessoal eu tenho outro plano. Tempestt, por quanto tempo você acha que pode distrair o Linus? – Perguntei, minha mente maquinando uma estratégia.
* * *
Não era tão tarde assim quando voltei para casa, porém já estava escuro. Teria chegado mais cedo, porém Jason aproveitou que estávamos sozinhos no carro e me puxou para um beijo caloroso. Assim que cruzei a soleira da porta uma voz ao telefone me chamou a atenção. Era meu pai, que falava carinhosamente com alguém do outro lado, e carinhosamente demais para que seja apenas outro funcionário de sua companhia.
-Não, não eu não posso. – Ele respondeu com um sorrisinho no rosto. Rapidamente, grudei meu ouvido na parede, escutando atentamente cada som que escapava pela fresta da porta.
-Você sabe que não. E como ficam minhas filhas? – Pude ouvir outro risinho baixo. Tentei espiar pela fresta. Edward estava com o celular na mão e brincava com uma caneta, ele balançava sua cadeira alegremente de um lado para o outro, e assentia com a cabeça.
-Não fale assim, você sabe que eu nunca deixei de pensar em você – Mas o que? Então era verdade. Meu pai tinha outra mulher, meu pai traiu minha mãe. Argh! Podia sentir a bile subindo pela minha garganta, minhas mãos estavam quentes. Puxei o ar lentamente e soltei, duas, três vezes. Não me acalmava.
-Espere um pouco. Acho que eu ouvi alguma coisa. – Merda, estava totalmente ferrada. – Posso te ligar mais tarde? Ok. Um beijo. Tchau.
Sai de perto do escritório o mais rápido que eu pude, estava enxergando vermelho na minha frente. Subi as escadas tropeçando em meus pés, contudo a voz autoritária de meu pai me fez parar.
-Silena? – Ele falou.
-Sim? – Perguntei desentendida.
-Vem aqui, por favor. – Ele me conduziu até seu escritório, me sentei à frente dele, eu estava nervosa e pronta para causar um incêndio.
-O que foi pai?
-Sabe Silena – Ele limpou a garganta. – Às vezes as coisas mudam, e algumas vezes mudam mais rápido do que queremos e durante essas mudanças, de vez em quando, machucamos alguém, mesmo sem querer. Sabe...
-Pai. – Fiz uma pausa – Será que podemos conversar de manhã? Estou com cólica. – Inventei uma desculpa sabendo que Edward não iria fazer muitas perguntas sobre aquele tema.
-Claro. – Ele assentiu. – Boa noite, filha. – Ele me deu um beijo e me levou até a porta do cômodo.
- Boa noite. – Respondi.
Droga! Droga! Droga! Como? Eu não entendia como aquilo poderia estar acontecendo. Abri o chuveiro, a água estava gelada, entretanto assim que eu entrei no banho, uma nuvem de fumaça cobriu o box.
Depois desse dia completamente exaustivo eu só queria dormir, e foi o que fiz, ignorando a toalhas felpudas eu deitei apenas com um conjunto que grudava na minha pele molhada e adormeci tão profundamente que na hora esqueci-me de todos os meus problemas.
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