Medo Bobo

1 É o fim daquele medo bobo.


Notas iniciais
Ah, esse tom de voz eu reconheço Mistura de medo e desejo Tô aplaudindo a sua coragem de me ligar... Eu pensei que só tava alimentando Uma loucura da minha cabeça Mas quando ouvi sua voz, respirei aliviado Tanto amor guardado tanto tempo A gente se prendendo à toa Por conta de outra pessoa Só da pra saber se acontecer É, e na hora que eu te beijei Foi melhor do que eu imaginei Se eu soubesse tinha feito antes No fundo sempre fomos bons amantes É o fim daquele medo bobo. https://www.youtube.com/watch?v=Jzl_nrTkfIM

Bruce estava possesso. Cada vez mais sentia que iria surtar, e se não fizesse alguma coisa, iria explodir de raiva naquele momento.

Havia recebido uma missão de J’onn, junto com Diana. Eles teriam que investigar um crime que tinha todos os indícios apontavam o Coringa como suspeito, e por isso ele estava tenso. Ainda mais por que teria que ir com ela. Não conseguia não se preocupar ou não ficar apreensivo quando ela ia em alguma missão, ainda mais com aquele palhaço psicopata agora envolvido.

Resolveu ir até o seu quarto na Torre conversar com ela, por que queria convencer a Princesa da Teimosilândia ir na missão que J’onn encarregou à Flash, que seria bem menos perigosa. Já sabia que iria ser quase impossível de convencê-la a não ir com ele, mas não custava tentar.

Chegando perto do seu quarto, ouviu aquela risada que sempre amou, mas também uma voz masculina, que conhecia muito bem e isso já estava o alarmando. Abriu a porta sem bater, e o que viu o fez cerrar fortemente a mandíbula.

Clark fazendo cócegas em Diana. Deitada em sua cama. Com ele apoiado em cima dela.

Eles pareciam se divertir muito, com Clark perguntado se ela tinha entendido alguma coisa e Diana, em meio aos risos, concordando com a cabeça.

Aquilo fez o sangue de Bruce ferver, não gostou nenhum pouco da demonstração de intimidade entre eles.

Foi quando Diana, ainda rindo, virou a cabeça e viu Bruce vestido como Batman parado na porta de seu quarto, com a mandíbula rígida e os punhos cerrados.

Rapidamente, Clark se virou para saber o que Diana estava olhando e quando o viu, saiu meio sem graça de cima de dela, coçando a nuca, com sua capa esvoaçando por causa do movimento súbito.

— Diana, temos uma missão, AGORA! – fala Bruce com os olhos semicerrados em direção ao kriptoniano.

— Tenho que ir, Di. Mas pensa no que eu falei, te dê uma chance! – Clark fala já se retirando do quarto e passando pelo amigo, que estava com uma cara não tão amigável assim.

Diana concorda com a cabeça ainda com um sorriso nos lábios, vendo seu melhor amigo indo embora. Ela olha para Bruce com um olhar questionador.

— Algum problema, Bruce?

— Vocês tem bastante intimidade, né? – Pergunta ríspido.

— Kal e eu somos amigos, ele só veio conversar comigo. Mas vamos, temos uma missão pra cumprir.

— Eu vi o nível de amizade entre vocês. Só tomem cuidado para não saírem demonstrando ela pelos corredores, aqui é um lugar de trabalho sério.

Fala logo se virando e saindo em direção ao Javelin. Diana fica estática sentada em sua cama. ‘O que foi isso? Será que... não, não pode ser, Diana é só coisa da sua cabeça.’

Imediatamente ela se levanta e o segue, ficando ao seu lado enquanto caminhavam.

Eles saem juntos em direção a Javelin, sem trocar uma palavra, e com Diana o fitando de canto de olho com uma expressão divertida.

Durante a investigação, Batman não falava mais do que o estritamente necessário com ela, que sempre tentava iniciar uma conversa, mas sem sucesso devido às respostas grossas e curtas do cavaleiro das trevas.

Já haviam voltado para a Torre e Diana resolveu ir para casa, ainda rememorando a cena de mais cedo, quando Bruce demonstrou claramente que estava com ciúmes dela com Clark. Entrou em seu apartamento pela sacada, tirou seu uniforme e colocou um vestido floral longo de alcinhas, que delineava cada curva de seu corpo.

Se jogou no sofá, bufando, e com o celular na mão, decidiu ligar para Bruce, queria saber o que estava acontecendo. Seus instintos lhe diziam que ele estava morrendo de ciúmes dela. Adorou essa sensação, apesar de saber que aquele ciúmes era infundado.

Amava seu amigo Clark, ele era um irmão para ela. Sempre lhe deu apoio e companheirismo, e adorava conversar sobre o relacionamento dele com Louis. Nos últimos tempos, ela vinha lhe confessando que sentia algo diferente por um certo companheiro de equipe, e ele sabia que aqueles sentimentos que sua amiga tinha pelo seu melhor amigo eram fortes, algo chamado amor, mas nunca tinha lhe dito, temia a reação dela, lhe dizendo que estava ficando maluco. Até hoje.

Quando Clark entrou em seu quarto lhe dizendo que Diana tinha que tomar alguma atitude, ela imediatamente se assustou. Nunca viu seu amigo tão convicto, praticamente exigindo que ela dê uma chance à seus sentimentos.

— ‘Que foi, princesa?’ – Atendeu meio ríspido, enquanto socava um saco de areia com raiva, em sua batcaverna.

— ‘Bruce, queria falar com você... sei que está ocupado, mas é importante. Você poderia vir até meu apartamento?’ – Perguntou com uma mistura de medo e desejo, captada pelo morcego.

— ‘Tô indo.’ – Sua curiosidade estava falando mais alto que a vontade de ignorá-la.

Respirou aliviado, admirado com a coragem dela de ligar mesmo depois dele ter sido um grosso durante o dia todo com ela.

Já estava entardecendo quando ele colocou uma calça jeans e uma camisa branca, pegou seu carro e foi até Metrópolis.

‘Até na mesma cidade eles tem que morar.’ Pensou ele, com raiva e já estacionando na frente de seu prédio.

Quando chegou em frente à porta, teve uma estranha sensação de nervosismo. Nem tão estranha assim, pois sempre sentia isso quando estava com ela. Diana, entre os inúmeros dons que obtinha, ainda tem essa insuportável mania de ser a única mulher que o deixava nervoso. Seu coração dispara quando ela abre a porta, parecia ainda mais linda com aquele vestido.

Ela lhe dá um sorriso, lhe dando espaço para entrar.

Enquanto entra, ele percebe que ela tinha mudado a decoração do lugar, desde a última vez que esteve lá, quando Mulher Leopardo o tinha arranhado em uma luta árdua e Diana o levara para lá pra cuidar de seus ferimentos.

— Seu apartamento está mudado. – Ele fala quebrando o silencio e se virando para ela.

— Nas minhas últimas férias eu estava meio sem ter o que fazer e resolvi inovar. Mas não te chamei aqui pra falar disso. – diz com convicção nos olhos, deixando Bruce receoso. Logo percebeu que Diana o tinha chamado para conversar sobre o episódio de mais cedo, e estava começando a se arrepender de ter vindo.

— Bruce, por que agiu daquele jeito em meu quarto hoje de manhã? Por um acaso aquela cena te incomodou?

— Não tenho nada a falar sobre o assunto, princesa. Sua vida não me diz respeito, assim como quem você quer que fique do seu lado – fala grosseiramente, colocando as mãos no bolso da calça jeans.

— Do que você está falando? Eu não quero Clark. – diz se exaltando, achando um absurdo ele ser tão cego a ponto de não enxergar o que estava acontecendo.

— Diana, não vem com essa! Sei que entre vocês dois existe algo. Eu não quero me meter, a única coisa que quero é te ver feliz. Por isso, tomei uma decisão. – respirou fundo, criando coragem para falar- Vou sair da Liga. Vou cuidar somente de Gothan agora.

Naquele momento, o mundo de Diana parou de rodar e ela arregalou os olhos, chocada.

— O QUÊ? POR QUE VAI FAZER ISSO BRUCE? – pergunta gritando apavorada.

— Não posso ficar aqui, vendo vocês ficando juntos.

— Por quê? – Pergunta um pouco mais contida, queria fazê-lo confessar, para confirmar suas suspeitas.

Não obteve resposta, mas não estava disposta à deixa-lo sair dali sem lhe responder.

— Fala, Bruce! – o encara com súplica nos olhos — Por favor!! – pede, já impaciente.

— Por, porque... porque... – ele gagueja, nunca se viu nessa situação antes, Batman nunca ficava nervoso — Porque eu te amo, Diana!

Diana congela, com lágrimas nos olhos. Seu sonho finalmente estava se realizando, o príncipe das trevas estava se declarando para ela. Bruce estava a fitando com receio, nunca tinha se aberto desse jeito antes, com ninguém, nem mesmo Rachel, sua namorada que faleceu nas mãos do Coringa.

— Diana, fala alguma coisa... – ele murmurou, olhando em seus olhos azuis piscina que no momento estavam indecifráveis.

— Como você pode ser tão burro? – Ele se assustou com a fala repentina dela, a olhando confuso e frustado.

A princesa deu um suspiro, olhando para ele com as lágrimas já caindo dos olhos cor de piscina.

— Como você nunca viu que eu amo você mais que tudo nesse mundo?

Bruce deu um sorriso aliviado lindo, e suspirou, com lágrimas descendo pelo rosto e se aproximando dela.

— Eu nunca tive nenhum envolvimento com o Clark. Sempre, em todo esse tempo em que eu fiquei no mundo do Patriarcado, só tive olhos pra você. Me apaixonei desde que te vi, Bruce Wayne.

Ele envolve sua cintura com seus braços e cola seus corpos.

— Tanto amor guardado entre nós, princesa... Estávamos sempre nos prendendo à toa por muito tempo, mas agora quero você mais que tudo!

— Só dá pra saber o que vai ser de nós se acontecer, não é, meu amor?

Ele sorriu e se aproximou, estudando suas feições, enquanto acariciava o rosto dela com a costa de sua mão. Fez o que sempre quis, a beijou com voracidade, e foi melhor do que ele imaginou, sua boca tinha o gosto de perdição e salvação juntos. Suas línguas se encontravam, dançando e se acariciando, junto com os lábios. Depois de um tempo, terminarem entre selinhos e puxadas de lábios entre os dentes, de forma carinhosa.

— Se eu soubesse tinha feito antes! No fundo sempre fomos bons amantes feitos um pro outro...

Ela sorri e lhe faz carinho no rosto com a pontinha do nariz, o segurando.

— O que fez comigo, princesa? Você mudou minha vida de cabeça pra baixo, nunca amei tanto, nunca senti tanto que tinha que proteger alguém como faço com você... Mas... – Ele fez uma pausa, com receio no olhar.

— Do que você tem medo, Bruce? — Ela pergunta com uma preocupação sincera refletida em seus olhos.

Bruce suspirou. Precisava compartilhar com ela seus medos e aflições, para que ela não tenha dúvidas se quisesse se envolver com ele.

— Tenho medo de meus inimigos fazerem mal a você, tenho medo de não conseguir me relacionar com alguém depois que Rachel morreu, tenho medo de não conseguir te fazer feliz como você merece. Tenho medo de te machucar com minhas trevas e aflições internas. Mas acima de tudo, tenho medo de você não me amar.

Ela lhe oferece um sorriso triste e um olhar de compaixão, e quando abria a boca para falar, Bruce coloca carinhosamente o indicador em seus lábios.

— Entretanto, sei que deve ser egoísmo meu, mas minha consciência sempre deleta todas as minhas dúvidas anteriores quando penso que você poderia não me amar pra ficar com Clark ou outra pessoa, enquanto eu fico aqui sem o calor do teu corpo, sem sua boca na minha.

Diana ouvia a confissão do Cavaleiro das Trevas entorpecida. Precisava fazer ele entender o que ela sentia de uma vez por todas.

— Meu amor – passou a mão em seu rosto, recebendo um sorriso triste do homem que sempre amou- como posso pensar e ficar com outra pessoa se é com você que quero passar o resto da minha vida?

Bruce a olhou espantado e maravilhado com a declaração.

Diana deu um pequeno sorriso, passando toda a verdade de seus olhos para o homem à sua frente.

— Não sei como você nunca viu como eu te olhava, como eu sempre ficava preocupada quando você ia para alguma missão, como te ajudava com seus ferimentos. E com relação aos seus outros medos, nós vamos lidar com eles juntos, ok? Eu vou fazer de tudo para sempre me cuidar, nossos inimigos que se cuidem primeiro!

E dizendo isso, olhou no fundo de seus olhos, venho que seu medo pelas coisas que um dia poderiam vir a acontecer estava se dissipando.

Sorriu emocionada para ele, e colocando suas mãos em volta do rosto de Bruce, o beijou, passando-lhe confiança e amor.

Quando terminaram o beijo, colaram suas testas, sorrindo.

— Eu amo você, senhorita Prince! — Falou entre um selinho e outro.

Ela se afastou, fingindo surpresa, e perguntou em um tom divertido: Será que estou finalmente derrubando suas defesas?

— Hum, não sei, acho que vou precisar de mais uns beijos pra ter certeza... — E lhe dá seu sorriso mais lindo, daqueles de derreter a Antártica.

Ela ri deliciosamente, e se aconchega à ele, fazendo-o se esquecer de suas inseguranças.

Era o fim daquele medo bobo.

Notas finais
Minha primeira one! AAAAAAAAAA Quero muito saber o que vocês acharam, podem ser sinceros. Esse é o meu casal preferido de super-heróis, e sempre quis fazer uma fic deles. Torço muito para que tenham gostado. BEIJOS MIL! S2
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!