Notas iniciais
Aviso: Violência, menções de estupro, gravidez e aborto forçados.
Vingança. Em um mundo onde a sociedade é cruel e a justiça é falha, uma família decidiu usar de suas habilidades hereditárias de ilusão, transformação e assassinato para se tornar um grupo de vigilantes do submundo, que aceita dinheiro para matar pessoas cujos crimes sejam confirmados pela polícia mas que a justiça havia falhado em condenar. Assim, nasce 'Satsuki', identidade assumida por todos os membros da família ao estarem 'trabalhando'. Alguns juram que 'Satsuki' é uma mulher baixa e gordinha. Outros, um homem magro de media estatura. Tem pessoas que dizer ser uma jovem moça mal-humorada e que sempre está com cigarro na boca. A família, licenciada e protegida não só pelo governo, como também pelo submundo para agir livremente pelas ruas da capital, contando que obedecessem algumas regras:
1 — Somente atuar no periodo da noite.
2 — Apenas lâminas devem ser usadas por eles.
3 — Todos os alvos devem apresentar uma marca especial em um lugar específico do corpo. Esta marca só pode ser conhecida por pessoas do alto escalão da Polícia, FBI, CIA e do submundo.
Mas o que ninguém sabe é que 'Satsuki' não são três pessoas de uma mesma família.
São quatro. Só que um deles não segue bem essas regras.
~x~Já faz 4 dias. Já faz 4 dias desde o último contato com Liza, minha melhor amiga. Os professores dizem que ela está doente, de acordo com o pai dela, e que eu não deveria me preocupar.
Mas tem algo se errado nessa historia sim! Afinal ela não atende nem o celular, não responde minhas mensagens e o pai dela me proíbe de visitar ela. Estou me preocupando, mas não posso fazer mais nada.
"Seja bem vinda." Escuto e me assusto, pois me vejo dentro de um lugar bastante espaçoso, com estantes cheias de livros, mesas, cadeiras, sofás...
Onde é que eu estou?"Mechta Toshokan. A Biblioteca dos Sonhos." Um homem ao meu lado fala.
Eu o olho e noto que ele é um segurança, vendo um bordado com o sobrenome Giacometti no colete dele.
"Eu..." Começo a dizer, timidamente, e ele inclina o rosto para mim, seriamente.
"Se está se sentindo perdida, por que não aprecia um pouco o nosso café? Tenho certeza de que tudo irá dar certo no final." O homem de nome Giacometti diz, e eu franzo a testa, em confusão.
"Eu não sei..." Digo, pegando o celular e checando se há mensagens ou ligações de Liza.
"Basta subir as escadas para o segundo andar." Escuto ele dizer, já se afastando de mim.
Mesmo hesitando, eu sigo em direção as escadas e as subo, já observando a mudança no ambiente. Vejo apenas mesas circulares e cadeiras, e em um canto, uma bancada onde um rapaz asiático de cabelos negros está com o rosto abaixado e mexendo os braços, obviamente ocupado. Eu franzo a testa, pois tenho certeza que conheço aquele rapaz de algum lugar.
Eu vejo também uma moça de cabelos ruivos curtos se aproximar dele e com isso, ele ergue o rosto, agora a olhando.
Yuuri Katsuki.De repente, ambos me olham e eu vejo o rapaz, Yuuri se surpreender ao me ver, pois estou usando a farda da nossa escola.
"Seja bem vinda." Escuto, vindo desta vez da moça de cabelos ruivos, que se aproxima de mim com um cardápio na mão direita.
"Muito obrigada." Digo, me sentando em uma das mesas e pegando o cardápio dela, o observando. "Eu quero um sanduíche de queijo e presunto e suco de laranja."
"Imediatamente." A moça diz, se afastando.
Pego meu celular e mando mais mensagens para Liza, não desistindo de tentar entrar em contato com ela. Em vão, como era de se esperar. Limpo uma lágrima de meu rosto e respiro fundo fechando os olhos para me acalmar, guardando o celular no meu bolso. Quando eu os abro, percebo que alguém estava sentado na mesa comigo, e acabo me assustando.
"Quem... Quem é você?" Pergunto, me recompondo.
"Meu nome é Victor... Oh, Yuuri! Bem na hora!" O rapaz diz, e eu percebo que Yuuri Katsuki se aproxima carregando uma bandeija não só com o meu pedido, como também uma xícara de café e biscoitos.
"Bom apetite." Ele diz, nos servindo e se afastando um pouco, se colocando ao lado do rapaz que, agora que estou olhando bem, possui longos cabelos prateados e olhos azuis muito bonitos.
Além disso, noto que ele está usando uma camisa de manga comprida roxa com o bordado de uma flor de lis preta no bolso direito. No dedo anelar da não direira dele, noto que ele usa um anel dourado e estranho isso, pois sei que Yuuri Katsuki usa um também no mesmo dedo.
"Você estuda na mesma escola que Yuuri, não é?" Ele pergunta, bebendo um gole de café. "Vkusno! Yuuri, você realmente sabe preparar um delicioso café."
"
Spasibo, Vitya." Yuuri diz e eu dou uma mordida no sanduíche, que também está gostoso.
"Então, pequena ovelha perdida, em que posso ajudá-la?" O rapaz de cabelos prateados pergunta, me assustando.
"Do que você está falando?" Pergunto, completamente confusa.
"Hm. Acho que terei de perguntar para sua mente mesmo." Victor diz, e sinto meu corpo congelar quando fixo meus olhos nos dele. "Entendo. Alguém importante para você deixou de se comunicar com você por um tempo e isso te preocupa."
"Como é que..." Começo a perguntar, me assustando.
"O vento é meu aliado. Ele me contou." Victor diz, como se isso respondesse alguma coisa.
"Você... É um mago?" Pergunto, em um sussurro.
"Sim, eu sou." Ele responde, sorrindo. "A natureza é minha aliada."
"Oh." Apenas digo, pois ainda estou em choque.
Afinal pessoas com magia hoje em dia são bastantes raras, diferentemente de séculos atrás, onde os mais poderosos eram conhecidos como History Makers. Pessoas capazes de ver, manipular a história como bem quisessem.
Respiro fundo e decido me abrir para ele. Noto que Yuuri Katsuki está de olhos fechados, segurando a bandeija que usou para trazer os lanches nas costas. Não é todo dia que pode-se ver o garoto misterioso mais popular da escola usando calça e colete preto e uma camisa branca de manga cumprida.
"O nome dela é Liza Strauss. Ela é... Uma amiga muito especial." Digo, bebendo do suco. "Ela não me dá notícias já faz dias. O pai dela disse para os professores que ela está doente, mas me impediu de entrar na casa dele quando tentei ir visitá-la. Ela não responde minhas ligações e sequer visualiza minhas mensagens. Ela nunca fez isso."
"Ultimamente, você notou algo de diferente nela?" Victor pergunta, me olhando seriamente.
"Eu não acho..." Começo a dizer, mas me interrompo ao me lembrar de algo. "Não sei se isso pode significar alguma coisa, mas muitas vezes percebi que ela ficava pálida e enjoada diariamente nesse último mês, a ponto de que qualquer cheiro forte a fizesse sair correndo de onde ela estava para vomitar no banheiro."
Victor e Yuuri se entreolham e eu os olho confusa.
"Muito bem. Aceitamos o trabalho." Victor diz, voltando a me olhar. "Yuuri, vamos lá."
"Entendido." Eu escuto, em choque.
Como é que é?~x~Quando o pai de Liza, senhor Charles Strauss, me vê de volta na casa dele, não faz nem questão de esconder o ódio.
"Você de novo, idiota? Quantas vezes já te disse que não permito você aqui na minha casa?" Ele grita, e eu solto um suspiro quando a porta é fechada violentamente.
"Fede." Yuuri diz, ao meu lado direito, vestindo uma camisa preta e uma calça jeans colada no corpo.
"Vamos invadir, então!" Victor diz, do meu outro lado, vestindo uma camiseta verde escura de manga cumprida e calça social preta.
"Como é que é..." Começo a me dizer mas me calo, pois quando me viro para olhar para os dois, eu os vejo... Se beijando.
Sério. Eles estão se beijando. E não é só um selinho não. Eles estão se beijando ardentemente.
Mas. Que. Diabos?"
Ya Teblya Liblyuu, Yuratcka." Victor sussurra, com um sorriso no rosto.
"
Aishiteru, Vicchan." Yuuri diz, também sorrindo.
Eles se afastam e eu noto que há algo de diferente com o asiático. Ele simplesmente se aproxima da porta e estende a palma da mão até a maçaneta.
"
Decay." Ele apenas diz...
E a maçaneta da porta começa a apodrecer. Com um chute forte, ele força a porta a se abrir e bater na parede com força, me assustando. Yuuri avança primeiro, sendo logo seguido por Victor que aparenta estar se divertindo com tudo aquilo.
Espera um pouco? Está tudo bem invadir uma casa com pessoas dentro como se fosse a coisa mais normal do mundo? Acho que não. Será que eu cometi um erro?"O que diabos está havendo... Quem são vocês?" Escuto o senhor Strauss gritando e entro na casa também, com muito medo.
"
Thorns Embrace." Escuto Victor, e me assusto ao ver senhor Strauss sendo envolvido por uma rede de espinhos, o imobilizando.
Yuuri Katsuki se aproxima por detrás e coloca a mão na boca dele, se aproximando.
"
Yubikiri, yubikiri. Se você contar uma mentira, deverá engolir mil agulhas." Ele canta, com um sorriso no rosto. "
Curse: Thousand Needles."
Ele se afasta, já com o sorriso desfeito. Noto que o homem preso está de olhos arregalados, em choque.
"
Ripple." Escuto Victor, e o vejo com um joelho na mão, tocando no chão com as pontas dos dedos. De repente, sinto uma leve tremida ao meu redor e diversos móveis da casa se tremem.
"O que você fez com sua filha?" Escuto Yuuri e o vejo olhando o outro com uma estranha frieza.
"Não é da sua conta, mago." A resposta vem rouca, sendo logo seguida de um estranho grito.
Me pergunto como é que ninguém ainda veio saber o que está havendo ali. Mas algo me diz para acreditar naqueles dois. Eles sabem o que estão fazendo.
"
Summon: Makkachin." Observo uma estranha sombra tomar forma ao lado de Victor e de repente, me vejo de cara com um enorme lobo prateado, que o circula e recebe acaricios na cabeça por Victor.
O lobo detecta Yuuri e vai até ele, também recebendo carinho antes de finalmente notar o homem que está imóvel perto dele e rosnar para ele.
"Makkachin, purifique esta casa." Victor ordena e o lobo, que com um 'woof', se afasta e começa a correr pela casa.
"Responda." A voz de Yuuri me responde. "Você violentou sexualmente sua própria filha?"
O homem, que estava com sangue escorrendo pela boca, está apavorado.
"Você não respondeu minha pergunta." Yuuri diz, começando a andar ao redor dele. "Não foi uma mentira, mas tambem não foi a verdade. Casos como esse, chamamos de meia-mentira e quando isso ocorre, a punição pela maldição também é cortada pela metade. Ou seja. Você foi forçado a engolir lentamente 500 agulhas, que estão agora alojados em praticamente todo o seu sistema digestivo, o bloqueando. Agora, vamos dizer que você engula a outra metade. Para onde você acha que vai?"
Percebo que o homem também sangrava pelo corpo, obviamente pelo contato dos espinhos que o imobilizam.
"Vão para o seu sistema respiratório." Yuuri responde a própria pergunta, sem parar de andar ao redor dele. "Afinal ambos os sistemas começam pela faringe. Agora, você pode imaginar a dor de ter seus próprios pulmões serem perfurados?"
"Sim, eu a violentei. Eu a fiz ficar grávida e a forcei a abortar o feto." Me apavoro com o que eu escuto.
Ele se engasga e cospe bastante sangue, e vejo que seu nariz está sangrando.
Talvez... A pergunta de Yuuri sobre ele conseguir imaginar a dor fez com que a resposta dele novamente seja uma meia-mentira.
"Yuuri." Victor diz, descendo das escadas carregando Liza nos braços, inconsciente. "Eu permito que faça a justiça com as próprias mãos."
"Entendido."
E eu novamente me surpreendo quando vejo Yuuri Katsuki desabotoar a manga esquerda da camisa preta e a dobrar, revelando um estranho objeto retangular do tamanho do braço todo dele preto com um desenho de flor de lis brilhante na ponta preso nele. Quando o vejo puxar uma adaga japonesa, eu sinto minha respiração falhar.
Satsuki.A família de assassinos.De repente, sou alvo do grande lobo prateado,que me derruba no chão e começa a me cheirar. Quando menos espero, vejo Charles Strauss morto no chão, no meio de uma poça de sangue e com uma flor de lis na bochecha direita. De repente, Yuuri me toca nas costas e me empurra, fazendo com que nós dois, Victor e Liza deixássemos a casa.
~x~Sob a magia de Victor, os ferimentos internos e externos de Liza são curados. Ela agora está fazendo tratamento por causa do trauma que carrega por causa do estupro. Dias depois, notícias sobre a morte de Charles Strauss circulam pelos jornais, TV e internet. Lá, descubro mais detalhes sobre os podres dele. De repente, Yuuri Katsuki revela que irá transferir de escola e perguntou sobre Liza. Eu aproveito e pergunto sobre os anéis, pensando que é algo besta.
"Está falando desse anel?" Yuuri pergunta, revelando a mão direita e eu afirmo com a cabeça. "É aliança de casamento."
Espera, o que?"Eu e Victor somos casados." Ele diz, caindo na gargalhada por causa da minha cara.
"Mas você tem 16 anos! Sua família permitiu isso?" Pergunto, ignorando completamente o fato dos dois serem do mesmo sexo.
"É claro que sim. Eu e Victor somos almas gêmeas. Nosso amor ultrapassa o limite do tempo." Ele se levanta e coloca a mochila nas costas. "Afinal, nós fazemos historias."
Ele se despede e se afasta, me deixando ali com mais uma bomba. Na livraria da escola, procuro e pego um livro chamado
History Makers, da autoria de Phichit Chulanont e ilustrações de Sara Crispino e o folheio.
Victor e Yuuri não são simples magos. São History Makers. O que significa que ambos descendem da família real do reino de Nikiforov, considerado por muitos como ficção infantil por não existir detalhes sobre eles com exceção deste livro. O livro conta a história dos Reis Victor e Yuuri Nikiforov, ambos History Makers e o símbolo da família real é um grande lobo prateado, presente nas bandeiras e estandartes por todo o reino.
Eu fecho o livro e solto um suspiro, voltando a guardar ele.
Infelizmente, não lembro como cheguei a Biblioteca, o que significa que a probabilidade de eu rever os dois é quase nula. Mas isso não importa. Graças a eles, a verdade foi exposta e Liza, com o tempo, não só está bem melhor como também se confessou para mim e eu, é claro, aceitei.
Notas finais
O narrador está em primeira pessoa e fiz de tudo para o seu genero não ser definido. Ou seja, pode ser um garoto ou uma garota.
Diferentemente de sua família, Yuuri não é necessariamente preso as duas primeiras regras. Ele pode matar mesmo quando não há provas imediatas contra o condenado e os contratos devem passar por Victor e ele precisa estar presente na execução, afinal Yuuri ainda tem 16 anos.
Victor é um Agente de Segurança Pública cujo trabalho é investigar pessoas intocáveis pela polícia e pelos Satsukis.
Talvez eu tenha planejamentos para criar History Makers sim, e uma outra história que cruza ela e está história aqui. Talvez eu jogue History Makers dentro da minha segunda coletânea de aniversários, que virá a partir de Outubro e terminara no fim de Janeiro do ano que vem. Já tenho 2 histórias confirmadas: Contagen Regressiva para o Amor e Conselhos de Amor de Aria.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!
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