Mechanical Heart

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Olá, caros ^-^

Essa one foi escrita há muuuuuito tempo, mas eu resolvi postá-la agora porque é uma das que eu mais gosto (VALGRACE RULES BITCHEZ, FUCKYEA), então, por que não?
Espero que gostem ♥

Com um movimento rápido das mãos, Leo incendiou a fogueira.

Jason havia juntado bastante lenha e organizando-a de maneira conjunta dentro de um círculo grande de pedras, o que era mil vezes mais prático do que o que Leo teria feito — jogado todos os galhos um em cima do outro e estalado os dedos em cima. Isso provavelmente a faria durar menos, enquanto a obra-prima de Jason garantiria aos dois umas boas horas de calor — com o adicional de poder afugentar monstros que possivelmente os atacariam.

O filho de Júpiter não parecia nem um pouco preocupado com isso. Parecia incrivelmente concentrado até mesmo enquanto arrumava uma pilha de travesseiros sobre uma colcha estirada na terra, do outro lado da fogueira. Os cabelos louros ganhavam um tom alaranjado com as chamas, e os olhos remetiam Leo a um céu durante o pôr-do-sol.

Suspirando, ele apoiou o rosto numa mão.

-Por que é que estamos aqui mesmo?

Jason o olhou.

-Para ver o sol nascer, Leo.

O moreno bufou.

-Isso é chato, Jason. Tão chato quanto ver o sol se pôr. — Seus lábios se curvaram naquele típico sorriso debochado. — Mas foi você que deu a ideia, eu devia mesmo saber que seria muito chato.

-Então por que aceitou vir?

Aquela pergunta o pegou de surpresa, fazendo-o ficar estático.

Claro que ele jamais diria que o real motivo de ter aceitado aquela história de acampar no alto de uma montanha para ver o sol nascer fora justamente poder ficar a sós com Jason. Vinha ansiando por aquilo havia algum tempo, e a proposta veio em boa hora.

Mesmo não verbalizando, ele concordava com o outro que vinha passando tempo demais no bunker 9, mas isso também tinha uma justificativa relacionada ao Príncipe dos Céus, então explicar estava fora de questão.

Por isso, resolvera poupar seu tempo e simplesmente aceitara a proposta, ou fora isso que parecera. Para Leo, a coisa era bem mais complexa. E ele odiava tudo que fosse complexo fora dos contextos mecânicos com os quais estava acostumado.

Tivera cerca de três horas para pensar, mas não planejara uma resposta para aquela pergunta. Pela primeira vez, Leo Valdez fora pego sem palavras.

-É — o filho de Júpiter arqueou as sobrancelhas, sorrindo -, parece que você não tem uma resposta irônica e sarcástica para tudo, não é?

Leo desviou o olhar e revirou os olhos, punindo-se mentalmente por ter sido tão lerdo.

-Só não te acerto com essas pedras porque você provavelmente desmaiaria e eu teria que te carregar lá para baixo.

-Ah, vamos lá, Leo — Jason argumentou, esparramando-se no meio dos travesseiros. — Não é tão ruim assim. Sei que vocês, filhos de Hefesto, não gostam muito de parar para observar a paisagem e tal, mas realmente vale a pena.

-É bom que valha, porque, cara, meus pés vão ficar cheios de calos depois dessa subida!

Leo ouviu-o rir, e sorriu.

Mesmo quando não era sua intenção, ele acabava falando uma ou outra coisa que fazia alguém rir, e adorava particularmente quando esse alguém era Jason. Por ser romano, ele tinha naturalmente aquela aura séria, pose impassível, cara de quem age primeiro e pergunta depois. Arrancar uma risada do louro era sempre especial para Leo, mais especial do que arrancar risadas de qualquer outro.

Claro que ele jamais revelaria aquilo também.

Jason o chamou para sentar-se ao seu lado e Leo o fez, mas, após alguns minutos, ambos estavam mais deitados que sentados. Ainda era possível ver algumas estrelas, embora o céu já estivesse começando a clarear. Atrás deles, a fogueira crepitava, cortando o silêncio.

-Cara, está mais frio do que eu esperava — disse Jason, esfregando os braços, cobertos apenas por um de seus usuais moletons. Leo já não tinha o mesmo problema. Seu corpo era naturalmente mais quente e melhor preparado para baixas temperaturas. Ele nem precisava de um casaco.

-Posso te ajudar com isso. — As palavras simplesmente escaparam da boca do filho de Hefesto, antes que ele pudesse impedi-las. Seu rosto esquentou ainda mais quando ouviu Jason gargalhar alto.

-Não, Leo, você não vai pôr fogo em mim.

Não era isso que eu tinha em mente, pensou, mas, dessa vez, conseguiu manter as palavras dentro da boca. Aliviado por ter mais uma situação constrangedora contornada, sorriu seu sorriso de deboche e replicou:

-Então aproveite seu nascer do sol congelando aí, Superman.

Jason se levantou, foi até as mochilas dos dois, que estavam jogadas ao lado da fogueira, e voltou trazendo um cobertor grande e felpudo. Sentou-se um pouco mais perto de Leo para poder cobrir os dois, o que imediatamente deixou o filho de Hefesto nervoso.

Era sempre assim. Quando Jason se aproximava demais, Leo corria o risco de explodir em chamas a qualquer momento. Literalmente.

Respirou fundo, e em seguida fez alguma piadinha, como sempre fazia para se distrair ou afastar a ansiedade. Não funcionava muito bem com Jason tão perto assim. Leo podia jurar que estava começando a enlouquecer.

-Vamos logo, Apolo! — gritou ele para o horizonte alaranjado. — Apareça logo para isso acabar de uma vez!

Jason riu levemente, mal percebendo a nota de seriedade por trás daquelas frases. Leo realmente queria que aquilo acabasse de uma vez, mas, após sua súplica explícita, o fenômeno pelo qual esperavam pareceu demorar ainda mais. Jason estava adorando.

Enquanto o sol se erguia no céu azul-claro, Jason tagarelava sobre coisas triviais e às quais Leo não conseguia prestar atenção. Em algum momento, suas mãos enfiaram-se nos bolsos do colete que ele usava e tiraram várias pecinhas, com as quais ele montou, praticamente sem se dar conta, nada mais, nada menos que um coração. Daqueles com perninhas, que anda quando você dá corda.

Jason interrompeu a própria frase abruptamente. Leo demorou uns dez segundos para perceber que ele estava olhando para o pequeno autômato que chiava e estalava ao andar por sua perna. Corou e recolheu o brinquedo no mesmo instante.

-O que foi que você disse? — perguntou, desejando que Jason apenas desse de ombros e voltasse a falar. Mas o Príncipe dos Céus já apoiara a cabeça numa mão e o encarava com seriedade.

-Quem é dessa vez?

-Quem é o quê?

-Nem tente. Você acabou de construir um coração de brinquedo.

Leo afrouxou os dedos ao redor do autômato e sentiu o próprio coração apertar.

-Isso foi a coisa mais ridícula que eu já construí — murmurou, emburrado, fazendo Jason erguer as sobrancelhas.

-Ah, é? Então se livre dele.

Leo olhou para Jason, hesitante e um pouco irritado com o amigo.

Claro, aquele era só mais um brinquedinho que o filho de Hefesto construíra num momento de distração, mas, ainda assim... ele não queria se livrar dele. Tudo o que ele não conseguia dizer em voz alta estava gravado nas engrenagens e peças daquela engenhoca, e se livrar dela parecia, de alguma forma, errado. Como jogar fora uma carta importante ou algo assim.

Não, Leo não podia se livrar dele.

-Estou com fome — mentiu, desviando o olhar do rosto do outro. — O que está esperando, Superman? Vá caçar um cervo para nós.

-Em primeiro lugar, o Superman não caça animais. Em segundo, você comeu um saco de batatinhas inteiro sozinho. Em terceiro — um sorriso curto tomou o rosto de Jason -, pode ir contando.

-Não tem nada para contar, Grace.

-Você me chamou de Grace. — O sorriso dele aumentou. — Com certeza tem algo para contar.

Droga! Leo se repreendeu mentalmente. Se já estava nervoso antes, agora sua vontade era sair correndo dali o mais rápido possível. Até faria isso, se não tivesse um certo filho de Júpiter que poderia facilmente alcança-lo pelo ar. Duplo droga!

-Então... — Jason insistiu, sentando-se de pernas cruzadas, com um travesseiro roxo no colo. — Quem é ela?

Leo estava a ponto de entrar em combustão. Nem se quisesse poderia falar alguma coisa, pois seu coração batia tão rápido no peito quanto seus dedos no metal do autômato. Para piorar, Jason o encarava com aqueles olhos azuis e um sorriso insuportavelmente irresistível. Leo sabia disso mesmo sem erguer o olhar.

Mas ainda queria acabar de uma vez com aquele segredo que tanto lhe afligia e o fazia se sentir tão idiota a ponto de construir um coração mecânico.

Não era bom com palavras, então, só conseguiu pensar em uma coisa.

Antes que desistisse, esticou o braço e soltou o objeto aos pés de Jason, dando corda apenas uma vez. Os pézinhos começaram a se mover, estalando e crepitando com o atrito das engrenagens, praticamente produzindo uma mensagem que só Leo era capaz de entender: Você é um grande idiota.

Arriscou um olhar e viu enquanto o sorriso de Jason se desfazia aos poucos, ao mesmo tempo em que sua testa se franzia lentamente. Aos poucos, a compreensão alcançou o filho de Júpiter.

Leo desviou os olhos quando Jason levantou o rosto para ele, e engoliu em seco. Era agora que ele era humilhado, zoado e abandonado pelo dono de seu coração. O de verdade e o mecânico.

-Cara! — Jason irrompeu numa gargalhada alta, caindo ao lado de Leo nos travesseiros. Analisou o coraçãozinho por um instante e riu mais um pouco. — Uau. Você quase me pegou dessa vez!

O filho de Hefesto franziu o cenho. Como assim... Jason achava que ele estava brincando?

A decepção quanto à reação do amigo resultou num silêncio sepulcral da parte de Leo, que sentou-se de modo a poder abraçar as pernas. Poderia ter seguido com a farsa, rido junto com Jason, confirmado que era apenas mais uma de suas piadas, contornado a situação com o humor, como sempre fazia.

Mas... não. Estava cansado de carregar aquilo no peito, e agora sentia-se estúpido por ter feito a bobagem de revelar seus sentimentos ao Príncipe dos Céus. Agora Jason tinha um motivo para rir dele de verdade. Agora sim ele seria humilhado, zoado e abandonado pelo dono de seu coração.

-Leo... — Jason o chamou, após um segundo. — O que foi? — Então, o entendimento finalmente pareceu atingi-lo. Leo desejou que ele pudesse tê-lo jogado bem longe também, apenas para que ele pudesse sair correndo colina abaixo. — Você... você não estava falando sério, estava?

Leo não respondeu. Ou, pelo menos, não pretendia responder. Mas mudou de ideia um segundo depois:

-Eu não estou sempre brincando, Jason. Só faço isso porque torna as coisas mais fáceis. Nem todo mundo é forte e destemido que nem você; tem pessoas que precisam usar uma máscara para serem capazes de enfrentar seus medos.

Pronto. Aquilo deveria ser o suficiente. Parecia convicto o bastante para Leo — embora não fosse tão bom com palavras quanto Jason, tinha certeza de que passara a mensagem que queria.

Esperou por uns segundos, e lutou contra a vontade de virar o rosto quando o filho de Júpiter se ajoelhou à sua frente.

-Leo, se você queria conversar sobre... seus medos... não precisava ter feito isso. — Leo olhou para ele, os olhos quase saltando das órbitas de incredulidade. — Você sabe que eu sou seu amigo e que pode falar comigo sobre qualquer coisa, mas, sério, não precisava fingir que...

-Que eu sou completamente apaixonado por você?! — Leo gritou — era tudo o que queria fazer, enfim. — Acha mesmo que eu seria capaz de fingir isso, Jason? O que eu ganharia, de qualquer forma? Algumas risadas? Pelos deuses, você acha mesmo que eu vim aqui hoje para ver o sol nascer? — Leo parou, dando-se conta de como estava próximo de Jason. Em outras circunstâncias, aquela distância entre os dois seria inconsiderável, mas agora que ele já sabia... — Acha mesmo que eu estaria brincando se fizesse isso?

Sua mente já não comandava o corpo.

Num impulso, Leo agarrou o rosto de Jason com suas mãos quentes e selou seus lábios com os do filho de Júpiter, que enrijeceu completamente. Mas não era para ser um selinho. Rapidamente, a língua de Leo roçou nos lábios de Jason, que, para a sua surpresa, os entreabriu sem qualquer hesitação. Uma de suas mãos segurou a cintura de Leo, instintivamente trazendo-o para mais perto, e a outra enrolou-se nos cachos do moreno, puxando-os levemente.

Leo estava ainda mais quente, e receava que acabasse queimando a língua de Jason com a sua, mas, graças aos deuses, isso não aconteceu. Desceu as mãos para o pescoço do filho de Júpiter, e não conteve um gemido quando este o encaixou em seu colo. Droga, ele estava mesmo quente.

O ar começava a faltar e isso desesperou Leo, que inclinou mais o tronco e acabou forçando Jason a se deitar. Seus lábios se separaram por um segundo antes de o filho de Hefesto retomar o beijo. Jason parecia um pouco indeciso entre segurar a cintura dele ou sua nuca, mas sua boca e língua correspondiam paralelamente, enroscando-se com as de Leo de um jeito selvagem e urgente. E quente. Totalmente quente.

Quando finalmente se separaram, ambos respiravam com extrema dificuldade, atingindo o rosto alheio com rajadas de ar frio e quente. Os olhos de Leo se perdiam no rosto de Jason, procurando nele qualquer indício de emoção, mas estava tudo nos olhos: o filho de Júpiter estava chocado.

Provavelmente, Leo tinha feito uma grande bobagem. Muito provavelmente. Só que ele não conseguia ligar para isso. Tinha acabado de fazer a maior loucura de sua vida e estava feliz. Mesmo arfando daquele modo, ele sentia-se capaz de correr todo o caminho de volta até a estrada no pé da montanha.

E era exatamente isso que estava para fazer, até que Jason segurou seu braço.

-Leo, não. — O movimento brusco o fez cair por cima do louro novamente, mas ele usou os braços para manter suas bocas a uma distância considerável. — Você... você...

-Pare de ser idiota e me deixe ir embora daqui. Vamos fingir que isso nunca aconteceu, e pronto. Nada precisa mudar entre a gente. Nada vai mudar entre a gente.

Para a sua total surpresa, o Príncipe dos Céus sorriu.

-Como é que eu não percebi antes?

-Não sei, Superman. Vai ver havia uma Lois Lane na sua frente. — Arrependeu-se no momento em que as palavras deixaram sua boca. Droga. Tinha dito duas coisas erradas em menos de dez minutos. — Q-quer dizer, eu n-não...

-Você é mesmo um grande idiota. Se tivesse saído daquele bunker teria descoberto que eu e Piper terminamos no mês passado.

Leo se empertigou, e dessa vez saiu de cima de Jason (terrivelmente envergonhado). Voltou a se recostar nos travesseiros e fitou o horizonte amarelo. O sol já estava no alto do céu, e, por um momento, Leo se perguntou quanto tempo haviam passado se beijando. Aquilo o fez corar.

-Não vai falar nada? — perguntou o filho de Júpiter, sorrindo de canto. — Achei que estivesse morrendo de amores por mim.

Leo revirou os olhos, mas não pôde evitar um sorriso.

-Eu faço as piadas por aqui, Jay.

-Jay, é?

-Por que você me beijou? — perguntou de repente, sério, porém, incapaz de esconder sua felicidade.

-Você me beijou, Leo.

-E você beijou de volta, Jay.

-Bom... — Jason coçou a nuca, desconcertado. — Honestamente... eu não sei. Acho que... fiquei com medo de você me queimar. Ou algo do tipo.

Leo revirou os olhos para a tentativa falha do outro em mentir. Romanos. Por que tinham de ser tão certinhos?

-Você não pareceu nem um pouco preocupado com isso, na verdade.

-Isso não importa. — E, mais uma vez, Leo Valdez tinha conseguido virar a situação a seu favor. Bleh, ele sempre conseguia. — Voltemos à sua declaração.

Leo se encolheu diante daquela palavra. Parecia tão... meloso. A única relação que filhos de Hefesto tinham com coisas melosas era o fato de estarem constantemente sujos de óleo e graxa. Nesse caso, meloso era uma coisa ruim.

Novamente, Leo se odiou por ser tão ruim com palavras e pessoas. Simplesmente não conseguia formular uma frase aceitável para justificar tudo aquilo. E Jason encarando-o com aqueles olhos e aquele maldito sorriso não ajudava em nada.

Com um suspiro, ele se levantou, pegou o coração mecânico e o estendeu para as mãos do louro, que riu.

-Podemos ir embora agora? — perguntou, ansioso. — Apolo já nos deu o ar de sua graça e tal. Seria realmente muito bom se nós pudéssemos ir embora agora.

-Está me dando o seu coração?

-Meu coração é algo que você já tem há muito tempo — o filho de Hefesto respondeu baixo, enquanto olhava ao redor.

Provavelmente, nunca havia dito tantas coisas sinceras numa faixa tão curta de tempo. Sentia-se bem por isso. Finalmente, colocara aquelas coisas para fora. E ainda beijara Jason.

O filho de Júpiter olhava para baixo com um sorriso incontido, deslizando os dedos pelo "coração de Leo".

-Jason — chamou, obtendo o olhar do outro de prontidão. Engoliu em seco antes de continuar: — Você... O que você... Quer dizer, o que exatamente você...

-O que eu sinto por você? — Jason concluiu a frase que ele não conseguia, com facilidade. Leo assentiu, apreensivo. Jason expirou o ar, se aproximando alguns passos, e parou à frente do moreno. Teve que erguer seu queixo com uma mão para olhá-lo nos olhos. (Leo às vezes odiava a mania que Jason tinha de querer falar tudo olhando nos olhos. Argh! Não era totalmente irrelevante?) — Gosto de você, Leo. Gosto e me preocupo com você, por isso o trouxe aqui hoje. Eu não sei se... se correspondo aos seus sentimentos no mesmo nível, mas...

Jason bufou. Leo arqueou as sobrancelhas, contendo um sorriso.

-Precisa de ajuda?

-Não. Eu sou um bom orador, Leo, você é que fica me distraindo!

-Certo, Superman. Eu estou distraindo você. Por favor, continue seu discurso, sr. Orador. Quero ouvir suas sábias palavras.

No final, Jason também não era tão bom com palavras. Mas era bom com pessoas. E com beijos. E Leo ficou muito grato quando ele escolheu beijar em vez de falar, porque isso era muito mais direto, simples e prático. Exatamente como ele gostava que as coisas fossem. "Complexidade apenas no trabalho".

De fato, os sentimentos de Jason ainda eram um tanto incertos, mas, depois daquela manhã, tanto ele quanto Leo perceberam que já havia alguma coisa antes. Provavelmente, ele nunca teria se dado conta disso, afinal, se tratava de Jason. Um empurrãozinho de Leo — literalmente — e pronto: havia aberto seus olhos. Era grato ao moreno por isso.

Romanos eram romanos — seus instintos de batalha sempre falariam mais alto que os gritos do coração, por mais altos que eles fossem. Com toda a loucura da guerra, as missões, os perigos e as batalhas, as emoções do filho de Júpiter foram postas de lado por um tempo; emoções que nem ele mesmo tivera tempo de descobrir quais eram. Só estava certo de uma coisa: eram direcionadas a Leo, como uma bússola aponta para o norte. Se eram bons ou ruins — muito improvável, depois daquele beijo -, eles teriam de descobrir juntos.

O coração mecânico de Leo, no final, era apenas uma representação, que Jason poderia carregar na mão para onde ele quisesse. Algum dia ele acabaria quebrando ou se perdendo em batalhas, mas o Príncipe dos Céus não precisaria se preocupar.

Afinal, ainda continuaria sendo dono do verdadeiro coração do filho de Hefesto.

Notas finais
So, that's it...

Novamente: me avisem de qualquer erro, okay?

Até breve, caros ;*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!