Notas iniciais
Chegamos ao vigésimo capítulo, meninas, e eu agradeço ao carinho que vocês têm por esta fic! Muito, muito obrigada mesmo, minhas queridas leitoras! Espero que gostem de mais este.

Ao abrir a porta, ela sentiu um repentino frio no estômago, entrar ali poderia mudar a sua vida. Inclinou um pouco seu corpo e deu o primeiro passo para dentro do quarto.

–Letícia!-Ela ouviu a chamarem

–Sim?-Lety se virou-Seu Humberto? Dona Terezinha?

–Também veio visitar Fernando?

–Sim, dona Terezinha... fiquei sabendo agora a pouco do que tinha acontecido... Eu sinto muito...

–Obrigado, Letícia! Temos certeza de que Fernando ficará bem.-Humberto disse

–Lety, se nos permite, nós queremos ver nosso filho...-Terezinha pediu

–Ah, claro, dona Terezinha, fiquem a vontade. Com licença, seu Humberto. Com licença, dona Terezinha!-Lety os deixou

Ela os assistiu se aproximarem da cama de seu Fernando porém, não conseguiu ver seu rosto. Lety não podia descrever como se sentia naquele momento, precisava vê-lo. Talvez tocá-lo e ficar ao lado dele como sempre disse que estaria.

"Seu Fernando..."

Tantas decisões tomadas, tantos erros cometidos, desentendimentos e ilusões, além das mentiras contadas, e nada foi capaz de apagar o amor que ela tinha por ele.

"Cuida dele, meu Deus!"

–Lety?!

–Sim, dona Gabriele!-Foi tirada de seu devaneio

–Eu posso falar com você?

Lety acentiu com a cabeça e Gabriele a conduziu para outro corredor onde pudessem conversar em particular.

–Viu Fernando?

Pela expressão de Letícia, Gabriele pôde notar que ela estava triste e talvez decepcionada, parecia lhe faltar forças para lidar com aquela situação.

–Não, dona Gabriele...-Lety suspirou-Os pais do seu Fernando pediram para vê-lo e eu deixei... Você sabe, são os pais dele...

–Eu entendo... E tenho certeza de que Fernando gostaria que você fosse a primeira a visitá-lo!

–É mesmo, dona Gabriele?-Lety a encarou, esperançosa

–É claro, Lety! Você ainda não entendeu que Fernando a ama mais que qualquer outra pessoa?

Lety a olhava surpresa. Já tinha ouvido essa afirmação de Carolina, sua mãe e até mesmo de seu Fernando mas, de alguma maneira, Gabriele a convenceu. Ante a isso, o que poderia fazer?

Ela também o amava muito, com toda a sua alma e de todo seu coração, foi capaz de perdoar todo o sofrimento que Fernando lhe causou através daquela maldita carta de Omar Carvajal.

E, mesmo conhecendo a verdade, manteve viva a esperança de que ele confessaria seu amor por ela completamente arrependido do que fizera. Porém, as coisas tomaram um rumo diferente e o destino lhe trouxe Aldo Domenzaín.

"Aldo... Ele me ama tanto...-Seus pensamentos a tomaram-Mas o seu Fernando... Não! Não, não, não e não, Letícia! Você está com Aldo e vai se casar com ele!"

Lety sacudiu a cabeça tentando se livrar de seus pensamentos e voltou sua atenção para Gabriele.

–Olha, dona Gabriele, eu sei que a senhora e o seu Fernando são muito amigos mas... Eu não posso mais...

–Não pode mais o que, Lety?

–Não posso esperar que o seu Fernando acorde e diga que... que... que me ama!

–Lety, Fernando já te disse isso.-Gabriele a confrontou-O que eu quero saber é quando você vai acreditar e deixar de ser teimosa!?

Lety fez uma careta com se estivesse com dor e depois suspirou, enquanto Gabriele bufava.

–Lety, seja sincera comigo, por favor.-Pediu-Você ainda ama o Fernando?

–Dona Gabriele, entenda, eu não posso!

–Ai, Lety, só responda a pergunta, meu Deus!

–Isso é muito difícil pra mim, dona Gabriele. Eu estou com Aldo e ele me faz feliz...

–Aldo Domenzolín?-Gaby pronunciou errado propositalmente

–Domenzaín!-Lety a corrigiu

–Tanto faz!-Gaby deu de ombros-Mesmo assim, você não respondeu minha pergunta.

–É complicado!-Lety choramingou

–Você se recusa a admitir que o ama por causa desse outro homem?

–Aldo me faz muito feliz, dona Gabriele, e me pediu em casamento.

–Tudo bem, Lety, você deve escolher o que julga ser melhor para sua vida. Obrigada por ter vindo!-Gabriele sorriu

–Por nada. Acho que já vou indo, preciso ir pra casa. Qualquer coisa me avise sobre o seu Fernando.

–Pode deixar, Lety!

Elas trocaram um abraço e Lety foi para casa.

Gabriele pegou seu celular, discou alguns números e esperou que a ligação fosse completada.

–Alô? Henrique?! Aqui é Gabriele Querubim! Preciso que me passe o endereço da casa do Aldo, e eu sei que você tem!

***********

Durante o percurso de volta para casa, Lety observava sua cidade através da janela do táxi, absorta em lembranças cercadas por incertezas. O trânsito estava demasiadamente engarrafado e o motorista sugeriu que pegassem um atalho.

Obtendo uma resposta positiva de sua passageira, eles seguiram por uma das ruas internas que dava acesso próximo ao bairro de Letícia, porém, se depararam com outro congestionamento. Um acidente de carro havia parado todo o tráfego. Sem escolha, eles tiveram que esperar até que os policiais liberassem a rua.

Letícia continuou calada, provavelmente chegaria em casa na hora do jantar. Conformada ela não sentiu pressa em estar com a família. Apesar da movimentação e do som das sirenes da ambulância e das viaturas, ficou tranquila ao estar ali como se aquele lugar fosse especial para ela.

Se aproximou da janela oposta e procurou por algum ponto de referência ou endereço. Passeou os olhos por toda a avenida e se deparou com um parquinho. Imediatamente as lembranças lhe vieram à tona.

"O parquinho onde seu Fernando e eu nos beijamos..."

Naquele balanço Lety e Fernando trocaram o beijo que dava início àquele amor. Tendo a lua como testemunha, eles se permitiram aproveitar o momento. Ele a beijou docemente, como nenhum outro homem havia feito.

Fechando os olhos podia sentir o seu toque e a delicadeza com o qual ele a tratava. Bastou um olhar para que ela se entregasse e ali confirmou-se de que ainda o amava.

"Seu Fernando... Tão lindinho..."

***********

Aldo terminava de revisar seu livro quando Gabriele adentrou a sala, silenciosamente.

Ela o estudou esperando que se desse conta de sua presença. Ele parecia bastante entretido com o livro, por isso resolveu chamar sua atenção.

–A sua casa é muito bonita!-Gabriele elogiou

–Meu Deus!-Ele se assustou-Gabriele?!

Aldo pôs-se em pé após o susto.

–Aldo, meu filho, de quem é aquele carro parado aqui em frente?

O pai de Aldo entrou no cômodo, os surpreendendo.

–Papai, veja quem veio me visitar...-Aldo apontou para ela

–Gabriele?-Ele se aproximou dela-Gabriele, minha filha, é você?

–Sim.-Ela suspirou-Sou eu, papai...

Notas finais
O que acharam? Não deixem de comentar! Bjuus Até a próxima!