Notas iniciais
Oi pessoas lindas da minha life
Resolvi juntar uma música que amo com dois personagens que sou apaixonada e o resultado é essa songfic que escrevi com muiiito carinho. Espero que gostem da minha primeira fic NejiIno
A música escolhida: Wake me Up When September Ends (me sentindo assim sobre esse mês kkk)
Um agradecimento gigante a maravilhosa @Brianna_ que fez essa capa perfeita e me deixou cadelinha. Sério, APRECIEM essa maravilha porque merece muiiito ❤️❤️❤️


(POV NEJI)


Summer has come and passed
(O verão veio e se foi)
The innocent can never last
(O inocente nunca sobrevive)
Wake me up when September ends
(Me acorde quando setembro acabar)

Meu corpo tremia enquanto se deixava embalar pela música de fundo. A sensação de tê-la para mim e perdê-la logo em seguida não parecia ser absorvida por meu cérebro. Tentava ao máximo focar na estrada, mas a visão já se tornava embaçada pelas lágrimas que insistiam em cair.

Não havia movimento na estrada naquela noite, encostou o carro no acostamento e desceu gritando para a escuridão.

A vida não era justa.

Sabia disso desde pequeno, mas em momentos como aquele essa injustiça ficava ainda mais evidente.

Pegou o documento, o maldito documento, de alistamento da Yamanaka. Uma sentença silenciosa para o nosso relacionamento.

Recusava aceitar que ela iria para tão longe, em direção ao perigo, em direção a morte. Se odiava por pensar assim, mas o que poderia fazer? Como poderia evitar?


Like my father's come to pass
(Como meu pai veio para ir embora)
Seven years has gone so fast
(Sete anos passaram tão rápido)
Wake me up when September ends
(Me acorde quando setembro acabar)

O gosto amargo que sentiu ao ouvi-la falar animada sobre a viagem não lhe saía da mente. Era terrível não se sentir feliz por ela realizar o próprio sonho?

Soava egoísta, sabia disso, mas não conseguia evitar.

Tinha lido as notícias recentes, nenhuma lhe parecia promissora o suficiente. Nenhuma lhe dava qualquer esperança de um futuro ao lado dela.

Novamente dentro do carro, agora olhava a estrada em linha reta, acelerou ainda mais tentando esquecer a dor em seu peito.


Here comes the rain again
(Aí vem a chuva novamente)
Falling from the stars
(Caindo das estrelas)

A música parou por alguns segundos, sendo interrompido pela ligação. Não precisava olhar para saber que era ela. Tentando ignorar o toque persistente fechou os olhos por um segundo.

— Droga Neji, faça alguma coisa! — Apertou o volante com ambas as mãos até os nós de seus dedos ficarem brancos.

Como se para piorar, a imagem do enterro de seu pai com a bandeira do país por cima do caixão, os companheiros militares e sua mãe inconsolável aos prantos abraçada ao uniforme militar que lhe assombrava desde pequeno, agora surgia em sua mente como um terrível lembrete.


Drenched in my pain again
(Encharcado na minha dor de novo)
Becoming who we are
(Nos tornando quem somos)

O velocímetro brilhava no painel mostrando que estava perto dos 180 km/h. Era ingênuo demais se deixar levar pela adrenalina, mas estava se agarrando a qualquer sentimento que o fizesse se esquecer da angústia.

Se negava a lembrar dos beijos e carinhos que tanto amava, sabia que era uma tortura para si remoer aquilo, mas não podia evitar os fragmentos de lembranças que insistiam em lhe roubar os pensamentos.


As my memory rests
(Enquanto a minha memória descansa)

Sentia o vento contra o rosto. Já não havia lágrimas.

Foi quando aconteceu.

A curva surgiu do nada, o carro instável pela velocidade derrapou um pouco a traseira quando tentei controlar a direção.

Segundos se passaram, e eu sequer conseguia entender o que estava acontecendo.

Foi apenas essa a diferença de tempo entre a derrapagem e o carro parar capotado na pista ao lado.


But never forgets what I lost
(Sem nunca esquecer o que eu perdi)
Wake me up when September ends
(Me acorde quando setembro acabar)

Tentei abrir meus olhos, mas algo viscoso escorria pelo meu rosto dificultando a visão. Minhas pernas estavam presas e esperei pela dor que não veio. Se amaldiçoou por ter se deixado levar.

Ao fundo o silêncio noturno era substituído por sirenes e vozes, respirou fundo tentando manter a calma, mas uma dor aguda no peito o deixou ainda mais alarmado.

— Logo vamos te tirar daí. — A voz era grave, mas soou como um sopro de esperança. Talvez ainda houvesse chances de sair dali com vida. Porém foi só pensar nisso que a imagem da loira sorridente surgiu em seu campo de visão.

A escuridão o abraçou novamente, dessa vez sem assustá-lo. Como quem recebe um amigo.


Summer has come and passed
(O verão chegou e passou)
The innocent can never last
(O inocente nunca sobrevive)
Wake me up when September ends
(Me acorde quando setembro acabar)

Algumas vozes desconexas falavam apressados, tampouco importava. O frio o consumia de dentro para fora e sabia que poderia congelar a qualquer segundo.

— Precisa ir mais rápido, ele está morrendo! — Era irônico que a única frase que pode distinguir tinha sido exatamente aquela.

— Ino...— Se era para acabar daquela forma, então eu precisava vê-la uma última vez. Só mais uma.

— Não diga nada, não se esforce— O paramédico agora falava diretamente para mim, senti um aperto em minha mão e sabia que era ele que a segurava.


Ring out the bells again
(Toquem os sinos novamente)
Like we did when spring began
(Como fizemos quando a primavera começou)

O cheiro forte de desinfetante fez meu nariz arder, onde estava? Abriu os olhos minimamente se arrependendo do gesto quando a claridade o atingiu em cheio.

— Argh — Tentou levar as mãos até os olhos mas essas se encontravam conectadas a tubos por toda a parte.

— Você acordou! — Voltou a abrir os olhos procurando por ela, a dona daquela voz tão familiar. — Você acordou— Ino repetiu com descrença enquanto secava as lágrimas. Suspirou aliviado por vê-la bem. — Seu imbecil!

— Me desculpe— Ela tinha razão em estar brava, mas mesmo enquanto brigava ela enchia meu rosto de beijos. — Eu sinto muito.

Quando ela se afastou foi que percebi suas roupas. Uma dor intensa me tomou quando me dei conta de que ela estava pronta para partir. A mala no canto do quarto só confirmava meus temores.

— Não pense nisso agora. Ainda tenho algum tempo aqui com você— Ela falou ao perceber meu olhar— Os médicos já devem aparecer por aqui então deixe-me dizer antes— Olhei confuso, ela se aproximou tocando meus cabelos— Tivemos que cortar por conta do acidente, mas você continua lindo.

Absorvi como pude aquela informação. Desde sempre deixava o cabelo comprido, e era parte de quem tinha se tornado, mas nem isso o fez perder o foco do que realmente importava naquele momento.

— Não é isso que me preocupa— Falei por fim.

— Eu sei, mas como também vou precisar cortar o meu, acho que podemos ver como mais uma coisa que teremos em comum.

— Se ficasse, poderíamos ter muito mais coisas em comum.

— Neji, não é hora para isso— Sua voz triste era um soco em meu estômago já debilitado, mas eu precisava lutar uma última vez antes que ela entrasse naquele avião.

— E quando vai ser?! Eu não tive tempo sequer de entender a situação.

— E de quem é a culpa? Quem fugiu da conversa e saiu pela estrada desnorteado me deixando sozinha em casa?! — Engolimos em seco, aquele era o fim então? Pude ver seu rosto passar de triste para decidido em questão de segundos, ela se virou de costas pegando a mala.

— Eu…

— Não era para terminarmos assim. Espero que você melhore logo.

Então ela saiu, sem dizer adeus ou eu te amo. Apenas saiu daquele quarto de hospital levando consigo uma parte de mim para onde quer que fosse.


Wake me up when september ends
(Me acorde quando setembro acabar)
Here comes the rain again
(Aí vem a chuva novamente)
Falling from the stars
(Caindo das estrelas)
Drenched in my pain again
(Encharcado na minha dor de novo)
Becoming who we are
(Nos tornando quem somos)


(POV INO)

Caminhava pelo aeroporto a passos largos se recusando a chorar lágrimas tão doídas, como as que tinha por aquela despedida. Não era hora de se deixar levar pela tristeza e mágoa, estava prestes a embarcar rumo ao sonho de poder servir seu país e cuidar daqueles que lutavam na linha de frente.

Estava na fila esperando para fazer o check-in quando seu celular vibrou. O nome na tela foi o suficiente para se sentir despedaçada. Uma pequena mensagem esperava para ser lida, e mesmo sabendo que poderia se arrepender a abriu.

Eu ainda acredito que nossos destinos estão ligados, por isso te peço, me acorde quando você voltar.

Com amor, Neji


Wake me up when september ends
(Me acorde quando setembro acabar)

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!