Me Traga à Vida

7 Doce Sacrifício


Notas iniciais
Será que ainda tem alguém ai acompanhando esta historia? Bom, só queria avisar que eu já terminei de escrever essa história e vou postar aos poucos. E a música do Evanescence de hj é Sweet Sacrifice.


"Um dia vou esquecer o seu nome

E um doce dia

Você vai se afogar na minha dor perdida

O medo está apenas em nossas mentes

Tomando controle o tempo todo

O medo está apenas em nossas mentes

Mas está tomando controle o tempo todo

Sua pobre, doce, inocente criatura

Enxugue seus olhos e testemunhe

E, ah, você ama me odiar

Não é, querido?

Eu sou o seu sacrifício"

(Sweet Sacrifice)


Damon

Caminhamos por alguns minutos pela floresta, estava tudo escuro e silencioso, vez ou outra, ouvíamos algum barulho de animal, ou da água que fluía por algum rio, ou córrego ali perto. Esse silêncio e tranquilidade poderia ser bom para se livrar do estresse, mas não do tédio. Olhei para o céu e descobri que era uma noite de lua cheia.

— É uma noite de lua cheia. Quais as probabilidades de se encontrar um lobisomem?

—Droga, isso é muito ruim! — Stefan me provoca. — Esqueci de trazer a minha espingarda com balas de prata.

—Hahaha, que hilário! — Forço uma gargalhada. — Gostei dessa sua nova versão.

—Nova versão?! — Ele para de caçar seus coelhinhos e me olha confuso.

—É. O Stefan versão piadista e debochado. — Nós rimos e eu gostei de vê-lo sorrir. — É melhor do que o eterno Stefan depressivo e sem graça.

—Eu também não gosto da versão Damon inconsequente, rabugento e hipócrita.

—Hipócrita? Quando eu fui Hipócrita? — Indaguei indignado, porém nessa hora me distrai ao sentir uma sensação estranha. Meu instinto me dizia que havia algo errado, então, vi um corvo empoleirado em uma árvore velha. Nos encaramos e, inesperadamente, o pássaro preto solta um grito estridente e voa, bizarramente, em minha direção. Eu desvio dele e o vejo seguir como se tivesse indo em direção ao Rancho.

O ar repentinamente fica pesado e frio, logo, começa uma ventania que traz consigo, um cheiro de morango e canela. Imediatamente, sei que é o cheiro da minha buxinha. Não penso em mais nada, abandono Stefan sem explicação nenhuma e corro, desenfreadamente, de volta para o Rancho de Abby.

—Eu, Bonnie Bennett, estou te renegando, mamãe. — Enquanto estou me aproximando da casa, escuto a voz impiedosa de Bonnie. Ela está tocando o terror lá no sótão, as duas vampiras e os três humanos estão com dificuldade de contê-la.

Eu não tenho saída, senão entrar na mente da Bonnie outra vez e tentar mexer com as suas emoções…


***/ /***


Consequentemente, faço Bonnie acreditar que pode fugir, pulando pela janela do sótão. Todavia, seus pés nunca chegam a atingir o chão, porque ela cai direto nos meus braços.

—Você achou que podia fugir de mim, Bon-Bon! — Eu dou o meu famoso sorriso sarcástico, em resposta ela se debate nos meus braços, grita, me xinga, até que se cansa. Por um instante, nossos olhos se fixam e eu consigo vislumbrar que por trás da raiva havia um brilho diferente, talvez, desejo e saudade.

E enquanto faço Bonnie acreditar que está em meus braços, ouço seu coração pulsar num ritmo frenético, então, sei que é por minha causa. Aquela ilusão é quase real, que posso sentir seu cheiro se impregnar em mim. Seus verdes-escuros de repente desviam para os meus lábios. E, naquele exato momento, sei que estamos pensando a mesma coisa. Eu acho isso tão engraçado e decido me aproveitar da situação, ligando o modo DAMON inconsequente que nunca segue às regras.

Eu resolvo beija-la, desejando transformar aquela ilusão em um sonho doce, ou uma lembrança inesquecível. Quero fazer ela se lembrar do sabor do meu beijo, do meu cheiro se impregando em sua pele macia, da sensação do meu corpo se encaixando ao dela.

"Bon-Bon, eu quero você. Eu preciso de você." Eu preciso fazer a Bonnie se lembrar daquela noite de Natal, que mudou para sempre as nossas vidas. "Estou cansado de tanta fúria e ressentimento. Eu só quero me sentir livre como no Mundo Prisão, quando você era a minha esperança. Como eu me senti quando você me beijou lá fora." Eu até recriei o cenário do nosso primeiro beijo. E depois o cenário da nossa primeira vez.

"Eu estou com medo, Damon." Aquela lembrança é tão forte, que posso sentir o nervosismo pulsando em seu corpo, que ainda está embrulhada em uma toalha branca, como se fosse um presente feito sob medida para mim.

"Não tenha medo Bonnie. Eu só quero que esse Natal seja especial..." Murmuro com a voz rouca, enquanto tenho Bonnie esparramada na cama. E ela é uma coisa linda e sexy. "Eu quero me perder em você, Bonnie Bennett e dane-se o resto." Eu quero fazê-la se lembrar de como foi avassalador e especial, os nossos corpos nus emaranhados, cheios de paixão e luxúria.

Eu não gostava de Natal porque foi no Natal que minha mãe nos abandonou. Para mim essa data não tinha nada especial. Todavia, por causa da Bonnie, isso mudou. Aquela noite em que passamos juntos, se criou uma nova memória, uma memória adorável, divertida e sexy de nós dois fazendo amor.

Mas, logo, aquela lembrança maravilhosa é desfeita, como castelos de areia e substituída por lembranças dolorosas...



A Sentinela

No momento em que o vampiro a segura em seus braços e a beijou, um beijo faminto, que lhe roubou seu fôlego e a sua razão, Bonnie é dominada por visões avassaladoras:

"Bon-Bon, eu quero você. Eu preciso de você. Estou cansado de tanta fúria e ressentimento. Eu só quero me sentir livre, como no Mundo Prisão, quando você era a minha esperança. Como eu me senti quando você me beijou lá fora." Então, Bonnie é surpreendida por uma lembrança dela beijando, desesperadamente, Damon.

A cena muda e agora eles estão em um quarto, onde ela se vê encurralada pelos braços dele e pelo seu charme irresistível. Corpo frio, duro e pálido se movendo, sensualmente, sobre o seu corpo febril.

Os sentimentos são intensos, o desejo é intenso. E tudo parece tão real que pode sentir o gosto da boca dele na sua, o cheiro de Bourbon, couro e sândalos se agarrando em sua pele, o frio daquelas mãos pálidas tocando, lascivamente, o seu corpo e a fazendo se arrepiar, ou ansiar por tê-lo por completo. Naquela noite fria, a bruxa se entregou de corpo e coração ao vampiro de olhos azuis bonitos.

Naquela noite de Natal, Bonnie Bennett cometeu o seu maior erro, ela se apaixonou por Damon Salvatore, vampiro egoísta, impulsivo e namorado de sua melhor amiga.

— Que fofo! Olhando assim, até parece que você realmente se importava com ela. Até parece um casal, loucamente, apaixonado. — A voz da Sentinela é cheia de sarcasmo, interrompendo aquela doce lembrança.

Então, com a mesma rapidez com que aquelas lembranças vieram, elas se vão. E, ambos são puxados de volta para a realidade, onde a Bonnie Malvada se vê novamente presa no sótão, agora com um vampiro muito mal-humorado.

— Bonnie! — Damon resmunga frustrado, assim que ela escapa dos seus braços, impedindo-o de toca-la, porque a Bruxa coloca uma parede invisível entre eles.

— O problema é que a mulher por quem você é, loucamente apaixonado, nunca foi a Bonnie. — Agora era a Bonnie versão vingativa que está jogando com a sua mente. — Sempre foi a Elena.

— Para! Esqueça a Elena! — Damon esbraveja com seus olhos azuis arregalados, pouco se importando que Elena e os outros estavam ouvindo toda a briga deles.

— Esquecer como se nem você conseguiu esquecê-la? — A Sentinela continua jogando verdades cruéis na sua cara enquanto o força a reviver algumas memórias difíceis:


"Você tem razão. Se eu não tivesse feito nada, a Elena estaria aqui e tudo estaria ótimo."

"Chega! Eu não vou passar o resto da minha vida, pensando que você me rejeita."

"Como eu deveria me sentir, Bonnie? Você tá aqui e ela não. Toda vez que eu olho pra você, eu me lembro que você não é a Elena."

— Você abandonou a Bruxa para se esconder dentro de um caixão à espera da sua preciosa Elena. — Bonnie Malvada esbraveja, propositadamente, sabendo que Elena também estava do outro lado da porta ouvindo tudo, ao mesmo tempo em que, cruelmente, faz Damon reviver aquela cena em que ele partiu o coração de sua bruxinha...

"Eu não concordo com essa decisão. Não concordo que você escolha a si mesmo. Não concordo que nunca mais vou ver você, o meu melhor amigo, nunca mais... Isso me machuca!" Por um instante, Damon se vê revivendo aquela cena dolorosa, o momento em que Bonnie estava lá diante dele, chorando, com seus olhos magoados, praticamente, suplicando para que ele não fosse embora.

"Quando você estiver dessecando e sentindo as dores da fome, enquanto o sangue é drenado do seu corpo, é disso que quero que se lembre. Que você me machucou."

— Agora você sabe o quanto a machucou. E por isso você não merece tê-la de volta. — A Sentinela cospe aquelas palavras na cara do vampiro que está ali furioso.

— Veremos. — Damon murmura a centímetros de tocá-la. — Eu não sou um homem que desiste tão fácil. — Para provoca-la, ele invade o seu espaço pessoal e toca na correntinha de prata com um pingente de esmeralda que está em seu pescoço, testando a reação dela que fica meio tensa, confusa, até que a sua mente é dominada por uma nova lembrança:

"Ela combina perfeitamente com a sua beleza forte e indomável." A lembrança a deixa tão furiosa, que ela tentar puxar a correntinha do seu pescoço, porém solta um grito ao sentir a ponta dos seus dedos doerem, como se tivesse sofrido uma queimadura.

— Esse é o meu presente especial, Bon-Bon. Você não pode se livrar dele, assim como nunca vai poder se livrar de mim. — Damon continua sorrindo, presunçosamente. Você pode me rejeitar, ou me amar, mas você está ligada a mim. — O vampiro retrucou, usando das mesmas palavras que um dia Bonnie usou contra ele, antes de deixá-la trancada sozinha no porão.

Damon

Eu tinha passado uma semana infernal, desde que acordei da minha dessecação e descobri que o mundo mudou. Eu não podia voltar para Mystic Falls, não podia voltar para a minha casa; que agora estava sendo usada pelo Arsenal e a líder deles. Só de imaginar que haviam estranhos dormindo na minha cama, isso já me deixava louco. Contudo, isso ainda não era o pior.

O pior era encarar uma realidade em que Elena acordou de seu coma mágico, Bonnie tinha supostamente morrido, mas na verdade estava possuída por uma Entidade vingativa, que amava me torturar com lembranças horríveis.

"Agora você sabe o quanto a machucou. E por isso você não merece tê-la de volta." Aquelas palavras tão afiadas da Bonnie Malvada, continuaram me perturbando. Que dizer, no fundo, eu achava que aquelas palavras não eram só da Sentinela querendo me torturar, aquelas palavras eram carregadas também de muita mágoa, ditas por alguém que estava de coração partido.

Bonnie nem faz ideia que conseguiu me punir, que durante esses três anos em que fiquei preso naquele caixão, eu fiquei alucinando com ela, tendo pesadelos com ela, ou revivendo a nossa desastrosa última despedida. Não consegui esquecê-la, nem por um segundo, especialmente, depois daquela noite de Natal em que a tive nos meus braços. A bruxinha se impregnou em mim, na minha pele, no meu corpo, na minha mente e no meu coração e, pouco a pouco, foi preenchendo o espaço vazio que Elena havia deixado em minha vida. E agora eu só queria a minha melhor amiga de volta. Eu só queria ter uma chance de consertar a nossa relação. Eu só queria uma chance de dizer o quanto a Amava.

Enfim, depois de fazer duas tentativas desastrosas de entrar na mente dela e as duas terem falhado, resolvi que era melhor dar um tempo. Eu precisava tomar um ar fresco e tentar se livrar da culpa e dessa angústia que cresciam em meu coração insensato.

Então, uma dessas noites, deixei que a gangue vigiasse o sótão e resolvi visitar os estábulos, pois me lembrei que quando ainda era humano, amava cavalos. Na verdade sempre fui um desastre com as minhas relações humanas, logo, sendo criado em uma fazenda cheia de bichos, adivinha com quem eu me sentia mais confortável?

É por isso que me peguei desabafando com um cavalo de cor preta, jovem, muito bonito, de nome Thor e, curiosamente, ele era o cavalo preferido de Abby Bennett. E falando nela...

— O que você está fazendo aqui a essa hora? — Sua voz exibia um tom acusatório.

— Sei lá... precisava de um ombro amigo que não me julgasse e só fosse um bom ouvinte. — Continuei passando as mãos sobre a cabeça de Thor que pareceu não reclamar.

— Damon Salvatore tentando ser amigo de um cavalo?! — Ela exclamou incrédula. — Isso não combina com você.

— Ei, você acha que eu seria capaz de beber sangue do seu cavalo?! — Lhe encarei me sentindo ofendido. — Eu tô sentindo muita falta de beber sangue humano, principalmente, direto da fonte. Mas... — Tentei ser sincero.

— Você sabe que não pode...

— Eu sei. — Resolvi cortar o seu sermão me sentindo frustrado. — Não precisa se preocupar. Não vou desobedecer as suas regras. E também não quero chamar a atenção do Arsenal. — Nessa hora Thor bufou impaciente. — Eu prometi que vou tentar agir mais como Stefan, o bom moço que não sai da linha. — Ironizei, trocando um olhar rápido com ela. — Eu gosto muito de cavalos, desde criança. E acho que é o único ser que eu não beberia o sangue. — Sem querer querendo, acabei revelando algo muito pessoal.

— Hmm... interessante. Então, você valoriza mais a vida de um cavalo, do que a vida humana? — Abby me deu um sorriso irônico, depois desviou o olhar e ficou com uma expressão desanimada, antes de criar coragem e desabafar comigo. — Eu já bebi sangue de cavalo, quando ainda estava tentando se... se acostumar com... essa vida de vampiro. — Aquilo me atingiu. Imediatamente, me lembrei que foi minha culpa ela ter virarado um monstro como eu.

— Sabe, eu... — Ela hesitou, depois caminhou até Thor e começou a passar a mão nos pelos dele. Sei que a sensação era reconfortante, era um bom alívio para o estresse e até mesmo da depressão. — Eu não sei se te invejo, ou se te odeio.

— Uau, você conseguiu me deixar intrigado. — Eu dei o meu famoso sorriso sarcástico, enquanto observava a interação dela com o seu cavalo.

— Que dizer, olha só pra você... parece tão orgulhoso de ser vampiro, como se tivesse nascido para ser um predador frio, calculista e imortal. — O olhar que Abby me deu me fez lembrar da Bonnie.

— Nem sempre foi assim. — Desabafei. — Houve um tempo em que eu não queria ser esse monstro. — Nunca imaginei admitir algo tão íntimo sobre o meu passado para Abby, uma das pessoas que mais me odeia nesse mundo. — Eu só quis virar vampiro, porque havia me apaixonado por uma vampira.

— A Katherine. — Era claro que Abby sabia. Todo mundo sabia da história dos irmãos Salvatore, que foram amantes da vampira Katherine Petrova.

— Depois de achar que Katherine estava morta, eu tentei desistir dessa ideia. Mas, no final, eu também fui forçado a virar vampiro... assim como você. — Admiti sinceramente, encarando Abby.

— Ah, agora você vai dizer que temos isso em comum... Que você também foi vítima das circunstâncias. — Abby estava me fuzilando com os olhos. — Me poupe Damon! Toda essa história não vai me fazer simpatizar com você. — Sua voz estava cheia de sarcasmo e uma pitada de amargura. — Eu não confio em você, mas te deixei ficar em minha casa, porque você ajudou a resgatar a minha filha. Agora deixa o meu cavalo em paz. — Ela me empurrou.

— Ciumenta. — Provoquei ela, mas Abby me ignorou e seguiu para sair do estábulo. Nessa hora, os cavalos relincharam e, de repente, eu ri. — Acho que seu cavalo gostou de mim.

— Coitado. Fazer o que se ele tem mal gosto. — Gostei de ver o lado irônico dela. Naquele momento, o clima parecia mais leve, resolvi me aproveitar disso.

— Obrigado Abby, por me deixar ficar. — Deixei Thor ir dormir e, num piscar de olhos, apareci na sua frente, antes que ela seguisse para dentro da casa. — Abby, eu...

— O quê?! Fala logo, antes que eu perca a minha paciência!

— Abby, eu sinto muito por ter forçado você a... a virar uma vampira. Eu fiz uma escolha difícil e desesperada. — Não havia nenhum um pingo de sarcasmo, naquele instante, eu estava sendo genuinamente verdadeiro. — Eu tenho vivido uma vida cheia de arrependimentos e culpa. Não posso mudar o passado, mas desejo muito mudar o futuro. — Desabafei sentindo como se um peso tivesse sido tirado das minhas costas. — Então, eu espero que um dia você me perdoe. — Ela ficou em silêncio me observando, provavelmente refletindo se deveria confiar em minhas palavras.

— Reconhecer o seu erro e pedir perdão, já é um começo. Talvez, você não seja tão horrível assim. — Ambos nos olhamos com sinceridade.

— Mais um tempinho comigo e você vai ver que posso ser muito adorável. — Caprichei no meu melhor sorriso torto.

— Ah, não força, Damon! — Abby revirou os olhos, me fazendo lembrar da mesma mania típica da sua filha. Quando pensei nisso, senti como se estivesse sendo observado, então, ergui os meus olhos e vi que a Bonnie estava na janela do sótão, nos observando. Eu resolvi dar aquele meu famoso sorriso torto para ela. E, naquele instante, realmente, me senti mais esperançoso e até com vontade de fazer panquecas.


[Continua…]