Maze Runner -Interativa
23 XXII.Jason
Notas iniciais
Abria os olhos devagar,sentido uma forte dor um pouco acima da sobrancelha esquerda. Minha visão estava embaçada,além de sentir tudo ao meu redor girando. Não conseguia lembrar de nada,apenas sentia um liquido escorrer pela minha testa até acabar caindo em meu olho esquerdo,era sangue?!
–Bom-dia,líder.-o tom de deboche de Shawn estava um pouco,mas podia ver sua silhueta a minha frente.
–O que aconteceu?-perguntava e aos poucos minha visão foi voltando ao seu normal. Tentei erguer minha mão para limpar minha testa,mas fui impedido. Meus braços estavam presos a uma cadeira metálica. A corda estava apertada demais e cortava um pouco meus punhos.
–Depois que atravessamos aquele portal ou seja lá o nome. Percorremos uns 15 quilômetros por tuneis subterrâneos e um quilômetro no deserto até uma cidade fantasma,dai estava prestes a começar uma chuva e resolvemos entrar em um prédio,aparentemente abandonado...Dai acordamos presos aqui. -Contava Logan.
Minha visão estava melhor e podia ver que todos estavam presos em um circulo perfeito,as cadeiras estavam presas ao chão. Todos estávamos com um corte ou um hematoma na testa.A luz era fraca e ilumina apenas os clareanos,o resto eram sombras. Que mértila,se matar para sair do labirinto para terminar preso em um porão. Me debatia um pouco,mas nenhum sucesso apenas conseguia me machucar mais.
–Desista. Já tentamos tudo.-resmungava Kevin.
Olhava ao redor e realmente não tinha nada para nos ajudar. O teto acima de nós era um velho piso feito de madeira,gritar podia nos salvar,mas a questão seria ''Quem está lá em cima? ''. Não tinha muita saída a não ser aguentar para descobri quem tinha feito aquilo e por sorte nisso não demorou muito.
Atrás de Justin tinha uma escada feita de madeira e ao topo da mesma uma velha porta que se abriu devagar,ela ragia assim como os degraus que pareciam não aguentar o peso da pessoa que descia para o porão e falava em meio uma risadinha infantil:
–Finalmente acordaram. -Era uma voz feminina um pouco rouca.
–Quem é você?-perguntei enquanto esperava que a mesma se aproximasse da unica luz do porão.
Minha pergunta foi completamente ignorada pela garota que se aproximava um pouco mais. Em sua mão esquerda havia um bastão metálico de basebol cujo a ponta estava encharcada de sangue. A garota aparentava ter uns 18 anos,tinha longos cabelos negros e lisos que estavam jogados para cima dos ombros. Sua pele era bronzeada e sem nenhuma falha,não em sua face pelo menos,era só descer um pouco o olhar para suas pernas que era possível ver uma queimadura e uma cicatriz que era a única falha visível de seu corpo. Seus lábios não eram muito grandes,mas tinham um tom intenso de vermelho. Ela sofria de heterocromia deixando seu rosto esquerdo esverdeado e os direito cinzento. Em sua regata cinza havia algumas gotas de sangue.
–Bem-vindos a Cranklândia. -dizia a garota no seu tom rouco e com um largo sorriso nos lábios avermelhados.
–Quem é você?-perguntei mais uma vez.
–Mikayla.-respondia a garota sorrindo de canto e se aproximando.-Você é Jason,certo?
Fui pego em um susto,não tinha como a garota saber meu nome e nem me conhecer. Embora não seria algo impossível.
–Como sabe meu nome?
–Você e os outros tem ele tatuado nas costas,não foi muito difícil descobrir.-zombava a garota sorrindo de canto e se aproximando um pouco mais de mim. -Sinceramente,vocês são patéticos. -dizia a garota em meio a risos. -Nunca achei que fosse acabar com um grupo de caras com um simples taco de basebol.
Isso era uma coisa bem estranha para falar a verdade. Tínhamos sobrevivido a verdugos e cranks para sermos derrotados por uma garota que antes de tudo isso deveria ter sido uma líder de torcida ou qualquer coisa desse gênero.
–Não pode ter feito isso sozinha.-comentava Kevin fitando a mesma. -É impossível.
–Cala a boca,assassino!-ordenava a garota. -Não confio em você e em você. -ela apontou primeiro para Kevin e depois para Logan.
Os dois não ligaram muito apenas reviraram os olhos. Enquanto a morena estava distraída voltava a me debater,mas sem perceber a mesma agarrou meu rosto e começou a forçar suas unhas contra minhas bochechas como se quisesse rasga-las.
–De onde vocês vieram? -questionava a garota.
–Não sabemos ao certo. Uma passagem subterrânea no deserto. O CRUEL nos mandou para ...-fui interrompido por Mikayla que parou de segurar meu rosto e ficou me fitando com seus olhos de cores diferentes.
–Trabalham pro CRUEL?
–Não.-respondia. -Estamos na mesma situação que você,eu acho.
–Então,também são cranks. -dizia a garota descendo sua mão até as cordas.-Mas o que me garante que não trabalham pro CRUEL?
–Acho que o CRUEL já teria salvo a gen...-a garota se virou bruscamente e acertou a cabeça de Kevin com seu bastão fazendo o garoto desmaiar de novo.
Estava prestes a gritar,mas acho que não era uma escolha muito inteligente. Mikayla dava fortes sinais de ser impulsiva,agia sem pensar nas suas ações. Apenas engoli em seco e mordi o canto do meu lábio inferior.
–Podemos salva-la.-tentava manter o mesmo tom serio de antes.
–Fale mais.
–O CRUEL disse teríamos a cura,mas temos que chegar no norte. Se ficarmos presos aqui nós e você morrermos como cranks,acho que você não quer isso.
Mikayla ficou alguns minutos calada com um olhar meio pensativo e depois deixou seu bastão colado ao meu rosto. Minha bochecha esquerda já estava completamente suja com o sangue que havia no objeto metálico.
–Vocês não tem comida nem nada. Acham que vão durar quanto tempo?
–Você disse Cranklândia,certo? -perguntava sorrindo de canto. -Deve ter centenas de cranks loucos por aqui.
–E dai? Por favor não fale que vão me defender. -dizia a garota. -Jason,seu rosto é lindo,mas você não é o cara mais forte do mundo. Derrubei vocês todos só com um taco de basebol.
–Não. Mas aposto que não pode se livrar de todos sozinha. Você nos ajuda a achar comida e nos solta,em troca a levamos até o CRUEL e te damos a cura. -quando Kevin acordasse tinha certeza que a primeira coisa que o moreno faria seria tentar mata-la,mas era nossa unica chance. A garota sobrevivia de algum jeito.
–Aceito,mas eu juro que quebro seu cranio em mil pedaços se me trair. -ameaçava a garota abaixando o bastão e começando a desamarrar as cordas. A morena apenas me soltou.-Solte os outros e podem subir. Vou está esperando para irmos buscar comida.
Kevin foi o ultimo que soltei,que foi abrindo os olhos devagar e procurando por Mikayla.
–Onde está aquela vadia? -rosnava o garoto.
Mark precisou segura-lo para não correr até as escadas. Se ele fizesse algo contra Mikayla agora,era certeza que a morena o mataria. Não fazia a menor ideia do que aquela garota tinha sido antes do fulgor,mas era quase certeza que não era uma líder de torcida cheia de frescuras.
–Cara,a garota vai nos ajudar.-anunciava Shawn.
–O que?
–Era o único jeito de sair daqui,você não viu o que ela fez? -perguntava Shawn.- A garota é mais forte que a Mad,seria engraçado ver as duas brigando.
Kevin se debateu mais um pouco enquanto Mark o segurava,mas acabou se rendendo e aceitou,a mal gosto. Permaneceu a retaguarda do grupo com o rosto emburrado e os braços cruzados,parecia uma crianças emburrada pelos pais não terem feito um de seus caprichos. Não estranhei que o garoto ficou calado,ele nunca gostou muito de falar e nem tentava impor suas ideias,sem contar ele estava se contendo para não ser o que estava escrito em suas costas.
Ao chegar no andar superior me deparei com Mikayla parada do outro lado do cômodo,que estava completamente vazio,tinha apenas janelas quebradas e entulhos jogados pelo chão. Mikayla estava com um olhar meio distante e encostada na parede,ainda segurava seu bastão. Tossi uma vez para chamar a atenção da mesma e logo seus olhos heterocromáticos estavam fixados em mim. Uma vontade incontrolável de mata-la crescia dentro de mim. Ela podia ser perfeita fisicamente,mas simplesmente odiava a morena.
–Vamos?-fitava os olhos da mesma e tentava me conter. Ela tinha uma arma e era rápida. Não era uma boa ideia fazer algo,não agora. Sem contar que precisávamos de comida.
–Vamos. -respondeu a garota caminhando para um novo lance de escadas,dessa vez feitos de cimento. Mikayla subia os degraus segurando no corrimão,que era a unica parte sem poeira. -Espero que não estejam esperando um baquete.
A garota andava um pouco a frente no segundo andar,a paisagem não mudou nada,ainda era entulhos e vidros quebrados. A morena forçou uma porta de madeira.
–Como consegue ficar sozinha aqui?-perguntou Mark. -Não faz sentido.
–Os cranks malucos tem mais coisas para fazer do que subir escadas e os outros,bom não é muito difícil assustar os novatos que chegam aqui. -Mikayla media suas palavras,ela fazia de tudo para não falar o que tinha feito antes dali para ser tão...''macho''. Acho que era essa a palavra que melhor descrevia Mikayla. Ela podia ter um corpo invejável por qualquer mulher e cobiçado por qualquer homem,mas não agia como o esperado.
Dentro da sala que a garota tinha aberto havia algumas latinhas de comida,nada que parecesse muito apetitoso,mas não estávamos em posição de reclamar da comida. Embora só tivéssemos escolha entre feijão enlatado ou sardinhas e com aquele calor,deveria está ótimo.
–A quanto tempo isso está aqui?-questionou Justin olhando uma das latas e fazendo cara de nojo.
Mikayla percebeu a cara de nojo do mais novo e respondeu:
–Não está em posição de reclamar! Deveria agradecer por aceitar dividir minha comida com vocês!
–É agradecemos. -falou Will,pelo visto o garoto tinha tanto medo dela quanto os demais.
Mikayla lançou um olhar mortal na direção de Justin,mas depois se calou assim como os outros. O silencio predominou por um longo período de tempo,mas não era um silencio constrangedor para mim não pelo menos. Estava sentado ao lado da morena,ainda queria mata-la,mas aos poucos o ódio foi diminuindo. Não tinha motivos para odiá-la,eu teria feito o mesmo se estivesse sozinho num mundo cheio de cranks,não sabia o passado da garota,mas o jeito dela era meio arisco então era quase certeza que foi traída no passado.
–Como chegou aqui?-murmurava.
–Hum? -fez a garota lançando um olhar confuso na minha direção.
–Como chegou a ...-fui bruscamente interrompido pelo som de algo explodindo ao lado de fora,parecia um raio.
Todos nos colocamos de pé e corremos para o primeiro andar e olhamos para o lado de fora. Tinha alguém caído no chão.
–Tem alguém lá.-disse Shawn.-Pode ser uma das garotas.
–Não!-gritou Mikayla tentando segura-lo,mas já tinha saído.
Percebi que todos ignoraram o grito da morena e foram ver quem era. Estava prestes para ir atrás,mas parei ao ver a cara de terror da garota.
–Mikayla?
–Temos que sair daqui.-resmungou a garota agarrando minha mão e puxando-me para o porão. Hesitei um pouco,mas a garota me puxava com toda sua força escada a baixo.
Estávamos no porão,no mesmo lugar que tinha acordado. Mikayla passava sua mão pela parede até encontrar uma parte oca e conseguiu quebra-la sem nenhum esforço.
–O que está acontecendo?-perguntava,mas a garota estava tão desesperada. -Mikayla!
–Cranks...Esse barulho deve ter chamado a atenção de milhares deles.
Aquilo me fez entender o motivo do panico,se os cranks que tivessem a caminho fossem iguais aqueles que nos atacaram no labirinto tinha que tirar os outros de lá agora,mas não tive tempo de subir as escadas pois a morena já agarrou minha mão e puxou-me pela passagem sereta.
–Temos de voltar!
–Seus amigos conseguem se virar! -respondeu Mikayla.
Ambos corriamos por um tunel mal iluminado. O lugar era apertado e não permitia que corressemos um ao lado do outro. Era obrigado a correr logo atras de Mikayla,que segurava minha mão com toda força. Sua pele era bem mácia acho que não chegava a imaginar isso. As mechas negras as vezes chicotiavam contra meu rosto. Ainda relutava um pouco,mas admito que queria ficar perto dela,claro que nunca falaria em voz alta. Estava realmente interresado em saber sobre o passado dessa garota que corria a minha frente.
Acho que corremos por quase uma hora,Mikayla sabia exatamente para onde ia e deixava claro de que não era a primeira vez que usava aquela passagem para fugir. Estava realmente surpriedido pela capacidade fisica da mesma. Realmente ela não era uma líder de torcida fresca. A garota dava passos longos até finalmente chegar em uma parte mais escura do túnel.
–Para onde estamos indo?-perguntei em um tom ofegante.
–Um lugar seguro para responder sua pergunta. -o tom da garota ainda era ofegante e havia um sorriso fofo em seus lábios. -Hey. Ajuda aqui.-pedia a garota tentando abri uma nova passagem.
Fiquei ao lado da mesma ajudando a mover aquela parede que estava a nossa frente,queria perguntar como ela podia conhecer tão bem aqueles tuneis subterrâneos,mas estava sem folego para isso e só de pensar em falar já podia sentir algo arranhado minha garganta. Ambos forçávamos a parede,que de começo não saiu do lugar,mas depois de alguns segundos pude escutar um sou áspero,semelhante ao que os muros faziam quando se moviam só que mais baixo,mas tínhamos apenas a deslocado um pouco e seria impossível até para Mikayla passar por ali.
–Não vai se abrir mais.-concluía enquanto empurrava mais um pouco e percebia que nada acontecia. -Vamos procurar outra saída.
Antes que tivesse a chance de terminar pude ver que não estávamos sozinhos naqueles tuneis. O som de gemidos e múrmuros insanos se propagava pelas galerias,não tinha como saber se estavam do nosso lado ou a quilômetros de distancia por causa da acústica,o forte cheiro de carne podre também tomava conta daquele lugar.
–Não temos escolha.-dizia Mikayla voltando a forçar a parede que não se mexia.
Estava prestes a agarrar a morena e correr para longe dali,mas acabei sendo surpreendido por um grupo de Cranks que se apoiava nas paredes e ria de uma formar perturbadora. Não era um grupo muito grande,mas era o suficiente para nos matar. Mikayla tinha deixado seu bastão jogado no chão,ela estava ocupada demais tentando mover a parede para se importar com algo,isso que achava. Foi só ameaçar pegar sua arma que pude escutar a voz rouca da mesma num tom estridente:
–Não perca seu tempo atacando eles! Acha que só tem esses? Já devem ser milhares aqui em baixo! Me ajude com essa merda!
Estava sem saída mesmo,acho que só restava ajuda-a. Voltava a forçar a passagem que se moveu mais um pouco. Não muito,mas o suficiente para uma fuga,puxei a garota pelo braço a empurrando contra a passagem e pegando o bastão de basebol.
–Vai.
Ela concordou com um aceno de cabeça e se espremeu para passar,mas conseguiu. Antes que tivesse a chance pude sentir a mão pegajosa de uma daquelas coisas em minha camisa. Olhei para frente e pude ver um homem de meia idade,estava sem seu olho direito que parecia ter sido arrancado a força e suas bochechas estavam rasgadas. Suas mãos estavam em carne viva e podia ver preso entre seus dentes pele,deveria devorar a si próprio quando estava sem nada para fazer. Não hesitei em acertar o bastão na cabeça do mesmo. Podia ser humanos,mas já o que essas coisas eram capazes de fazer sem você hesitasse em mata-las.
Outro crank se aproximava enquanto me espremia pela pequena passagem,senti uma daquelas coisas agarrar meu tornozelo,mas já estava do outro lado e para fechar aquela mértila foi mais fácil do que abri pois Mikayla fechou a passagem sozinha decepando a mão do crank que segurava em meu tornozelo.
–Valeu.-agradecia enquanto tirava aquela mão pode de perto de mim e dava uma olhada ao redor.
Era uma sala escura,a unica fonte de luz vinha de uma janela pequena que ficava alto demais para olhar o que havia do lado de fora. Não parecia ter saída,mas já estava me acostumando com passagens secretas.
–Onde estamos agora?
–Uma velha oficina. -dizia a garota caminhando para longe e sumindo em meio a escuridão. -A unica entrada é aquela passagem já que a porta da frente está chumbada ao chão agora,não sei como,mas está. Também tem uma porta,fácil de arrombar,mas seria uma pena destruir esse esconderijo.
Procurava a parede para poder me guiar em meio aquele breu,mas não foi necessário já que Mikayla puxou um velho trapo empoeirado revelando uma janela bem maior que a outra e tornando a oficina mais clara. O lugar não era um dos melhores,carcaça de auto-móveis destruídos estavam por toda parte. O chão estava coberto por manchas de óleo e o cheiro não era um dos melhores. Havia apenas um carro ''inteiro''. Estava em tinta,os bancos estavam completamente rasgados e alguns vidros quebrados,outros aspectos deploráveis eram visíveis,mas ignorei isso.
–Relaxa. Seus amigos estão bem. -dizia Mikayla se sentando no banco de motorista daquele carro e colocando seus pés com suas botas sujas de lama sobre o painel.
–Como tem tanta certeza?
–Não teria tantos cranks atrás de nós se tivessem conseguindo o jantar dessa noite. -respondia a garota fechando seus olhos e reclinando o banco do carro. -Agora só temos de esperar aqueles caras cansarem e irem embora.
Ao escuta-la senti um pequeno alivio em saber que os outros poderiam estar bem. Não era certeza,mas era melhor do que ficar com a certeza de que estavam mortos. Não tinha mais nada para fazer a não ser esperar que aqueles cranks fossem embora então acabei me aproximando daquele carro deplorável e sentando-me no banco do carona e observando a garota que abriu os olhos e me fitou por um breve momento.
–O que foi?
–Não me respondeu.
Mikayla suspirou por um breve momento e corrigiu sua postura enquanto apoiava sua cabeça no volante e fixava seu olhar no nada.
–Cheguei aqui a duas semanas. Meu pai tentou evitar ao máximo,mas o CRUEL disse que era o melhor para mim. -contava a garota. -Meu pai tentou usar o poder que tinha para interferir nisso tudo,mas não deu certo como pode ver.
–O que seu pai é? -perguntava me recostando no banco.
–Marechal.
–Você é filha de militar? Faz todo o sentido agora.
Mikayla riu baixo,tirou uma mecha de cabelo do seu rosto a colocando atrás da orelha e se recostado no banco.
–Fui criada no exercito,praticamente.-contava a garota sorrindo.
–Sua mãe também era do exercito?
–Não. Ela médica,mas morreu quando eu tinha seis anos em um incêndio.Ela tentou salvar uma garotinha que tinha a minha idade,o prédio acabou desabando.
–Sinto muito.
–Tudo bem. Meu pai sempre foi legal.-Mikayla parou de falar e riu baixo como se tivesse ouvido uma piada.
–Qual a graça? -perguntava sorrindo para a mesma.
–Lembranças. Meu pai sempre quis ter dois filhos homens,um para seguir na carreira militar e outro pra cuidar da oficina da família. Infelizmente só teve minha irmã e eu.
–Ele não gosta de vocês...
–Não! Minha irmã segue na carreira militar igual ele,primeira tenente Adam da aeronáutica,maior orgulho do meu pai. Já eu resolvi tocar a oficina,graças a isso ganhei essas queimaduras e arranhões.
Um momento de silencio predominou,mas logo foi quebrado por Mikayla:
–E você,Jason?
Hesitei um pouco em falar,não tinha nenhuma lembrança do meu passado,apenas da clareira. Não fazia a menor ideia de quem era minha família. A unica coisa que fiz foi contar a garota tudo que aconteceu na clareira e tudo que o CRUEL já havia feito. De começo percebi que ela não acreditava muito que eles eram capazes de tal coisa,mas conforme ia contando minha história ela foi se embravecendo,acho que só ajudei para deixa-la mais contra o CRUEL. O tempo todo a escutava falando que não podia acreditar que eles eram tão bárbaros a ponto disso. E ficamos sentados naquele carro conversando até escutar o som dos raios ao lado de fora que era seguido pela chuva. Observava a janela a nossa frente e começava a me preocupar com os outros,aqueles raios estavam caído perto demais.
Tinha certeza que seria mais uma noite mal dormida graças aquelas malditas preocupações. Em minha cabeça uma voz ecoava dizendo Grande líder você é,hein? Consegue perder todos e deixa-los para morrer em algum lugar qualquer. Estavam tão distante com esses pensamentos que demorei um pouco para perceber que Mikayla estava com a cabeça deitada em meu ombro.
–Desculpe...-o tom da morena era baixo e meio falhom,além de está carregado de medo. Ela estava apavorada por causa da tempestade?
Podia falar que era a coisa mais retardada para se ter medo já que estávamos presos em uma cidade cheia de cranks,mas o som daqueles raios eram tão alto que os vidros da janela a nossa frente tremiam e pareciam que se quebrariam a qualquer instante.
Deixei a garota encostada em mim e passei meu braço ao seu redor a puxando para mais perto,sua pele estava gelada e não tinha muito que pudesse fazer,apenas fiquei afagando o braço da mesma.
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