Maybe We Can Be Each Other's Company
6 I Don't Want To Feel This Things
Notas iniciais
— Sejam todos bem-vindos a essa reunião. Temos alguns pontos importantes para tratarmos hoje. – Blaine disse, sentando-se na grande mesa junto com alguns de seus funcionários, mas era apenas alguns mesmo, apenas os mais importantes para o assunto.
Nesse momento, Kurt entrou na grande sala de reuniões com alguns papeis, um pouco envergonhado por estar ali, sem nem saber o motivo exato. Ao olhar para as pessoas sentadas ali, quase se afogou e se sentiu paralisado. Colin Banks, seu ex-namorado, que o traiu, estava ali. Kurt sabia sobre os sonhos do garoto de se tornar uma estrela, mas nunca pensou que ele estaria no mesmo local que Blaine.
O castanho fingiu ignorar a presença dele e sentou-se no lugar onde Blaine havia o indicado, entregando os papeis para ele.
— Obrigado. – Blaine sorriu o agradecendo e voltou para os outros sentados ali. – Esses papeis aqui se tratam sobre o futuro do Sr. Banks.
— É uma grande honra estar pronto para fechar um contrato com alguém como você, Sr. Anderson. – Kurt sentiu seu coração pulsar mais forte ao ouvir aquele idiota que chamava de namorado chamar Blaine daquela maneira.
Embora não fossem palavras maldosas, a maneira com a qual elas foram pronunciadas e a pessoa que as pronunciou haviam tirado Kurt dos eixos. Olhou para Colin, que o encarava com um sorriso sarcástico e teve vontade de pular por cima daquela mesa para empurrá-lo em direção ao grande vidro para fazê-lo cair prédio abaixo. Sentia muita raiva.
— Espero que eu não me arrependa de dar uma oportunidade dessas para alguém tão novo, porque eu obviamente não confio que você possa trazer algum benefício válido para mim, mas mesmo assim irei arriscar. – Blaine disse sério, havia se irritado com a troca de olhares entre Colin e Kurt, principalmente porque ele já conhecia o Banks de outros momentos, os quais era melhor nem falar sobre agora.
— Você não vai se arrepender, prometo. – Afirmou o loiro, cruzando as mãos sobre a mesa, olhando diretamente para Kurt.
— Chamei todos aqui, porque o Sr. Banks pediu para que nós cuidássemos de toda a arte de seu álbum, não apenas de suas músicas e como temos profissionais mais do que capacitados aqui, decidi aceitar essa oferta.
— Mas, Sr. Anderson, por mais que sejamos acostumados com a parte de design de vários álbuns, nosso mentor principal se demitiu, esqueceu? Sem ele nós não conseguimos arrumar as ideias de uma só maneira que agrade a todos. – Falou Christopher, um dos publicitários que trabalhava ali, por mais que aquela não fosse bem a sua área de trabalho.
— K... é... Sr. Hummel, você me disse que antes de vir trabalhar aqui você trabalhava com moda e essas coisas, não? – Blaine ficou vermelho por quase ter chamado Kurt pelo nome, já que, em forma de respeito, todos se chamavam dentro da empresa pelo segundo nome, sempre primeiro dizendo “Sr.”.
— Trabalhava. – Kurt respondeu simples, já imaginando o que Blaine pediria e, por mais que quisesse ajudar o moreno, queria negar aquilo apenas para não precisar ajudar Colin. – Mas isso aqui é diferente...
— Sei disso, por esse motivo iremos trabalhar juntos nessa etapa. – Blaine sorriu, não estava gostando nada dos olhares que Colin ainda trocava com Kurt. Estava sentindo-se incomodado com aquilo. – Se após a reunião você puder me encontrar em minha sala, ficarei agradecido. – Kurt apenas sorriu e assentiu. – Alguma outra exigência sua, Sr. Banks?
— Já que o álbum é meu, ele podia trabalhar comigo. – Sugeriu o loiro, fazendo o sangue de Blaine ferver apenas por pensar naquele garoto muito tempo perto de Kurt.
— Minha empresa, minhas regras. – Blaine disse seco, logo se arrependendo por parecer tão óbvio.
— Meu álbum. – Completou Colin, com um sorriso irônico nos lábios.
— Então sugiro que procure outra gravadora, é bem simples. Apenas lembre-se que a minha é a maior da Califórnia e segunda maior dos Estados Unidos. Fique à vontade para ir até ela e ser negado sem nem mostrar seu trabalho. – Blaine tinha um sorriso confiante no rosto. Colin apenas assentiu e assim a reunião se prosseguiu por mais alguns minutos.
Quando a reunião por fim se encerrou cada um foi para o seu setor ou sala, deixando apenas Kurt e Blaine na sala e o moreno saiu sem dizer uma única palavra. Sentia que se dissesse não seria algo bom, então preferiu se manter em silêncio. Andou para sua sala e começou a planejar a agenda da próxima semana, queria entregá-la pronta para Kurt controlá-la.
Após o almoço o Anderson, que nem havia ido almoçar, saiu de sua sala e foi até a de Kurt, que era uma das salas que estava vazia e o moreno acabou a dando para o Hummel. Entrou e sentiu seu coração parar de bater: Kurt e Colin estavam aos beijos.
— Não lembro disso estar em seu contrato, Sr. Hummel. – Blaine disse rude e um pouco alto, assustando o castanho e fazendo um sorriso aparecer nos lábios de Colin. – E você, Sr. Banks, o que ainda está fazendo aqui? Acredito que a reunião já esteja acabada.
— Ciúmes do seu novo funcionário? – Perguntou se aproximando um pouco do moreno. – Ou será que é de mim?
— Não sinto ciúme de pessoas que são insignificantes na minha vida e nisso me refiro apenas a você, Sr. Banks. – Blaine cruzou os braços e se escorou na porta.
— Oh, vai me dizer que Kurt é a sua nova vadia. – Blaine teve que se segurar ao máximo para simplesmente não arrebentar o rosto de Colin.
— Eu agradeceria se você não insultasse aqueles com quem eu trabalho. Se eu ver mais uma coisa dessas sair por sua boca, eu rasgo aquele contrato e não me importo com a multa que eu tiver que pagar, pois a pago com o maior gosto. Agora, vá embora logo, nós precisamos trabalhar. – Blaine viu Colin se retirar com os braços levantados em rendição, observou rapidamente Kurt, negou com a cabeça e também saiu da sala, voltando para sua própria.
Estava com seus pensamentos o afundando mais rápido do que o iceberg afundou o Titanic. Não podia acreditar que tinha sim sentido ciúme de Kurt, muito menos que tinha sentido uma raiva enorme por ver Colin beijando aquele doce menino. Não. Aquilo era errado.
Quando falou com Kurt sobre acontecer de um se apaixonar e o outro não, não pensou que o mais provável era que ele mesmo se apaixonasse e agora sentia que já estava totalmente entregue à aquilo. E não era algo bom, pois sentia que isso iria chegar em um ponto onde ele não conseguisse mais esconder aquilo e acabaria tudo da maneira errada.
— Blaine?! Digo, Sr. Anderson... eu posso entrar? – Kurt perguntou com a voz mansa, fazendo Blaine largar seus pensamentos de lado e sentar em sua cadeira.
— Não precisa me chamar de um jeito tão formal, esqueça que sou seu chefe. Senta aqui. – Blaine apontou para a cadeira em sua frente e viu Kurt sentar nela.
— Como eu vou esquecer depois da maneira que você falou comigo mais cedo? Eu só queria entender o motivo daquilo.
— Não está bem óbvio, não? Você foi contratado para me ajudar ou para beijar qualquer um por aí?
— Quando eu estou de quatro na sua mesa transando com você aí pode? – Blaine precisou piscar lentamente para ver se tinha ouvido aquilo mesmo. – Ah, claro que aí pode, porque você é o chefe. Eu sou apenas um mísero funcionário.
— Não é isso. – Foi a única coisa que Blaine conseguiu dizer. De certa forma, realmente era aquele o motivo. Kurt não foi contratado para sair beijando outras pessoas dentro daquela empresa e o único motivo de ele poder fazer isso com Blaine, era porque Blaine era o dono daquilo tudo. Caso contrário, seria errado – mais do que já era.
— Então o que é? Porque eu realmente não entendo. – Kurt cruzou os braços e olhou severamente para Blaine, que sentiu como se estivesse ouvindo um sermão de sua mãe.
— Não gosto dele, ele não é flor que se cheire.
— Namorei seis anos com ele, acho que sei bem como ele é. E infelizmente tenho que concordar com você... – O Anderson sentiu seu ar ir embora depois de ouvir aquilo. Não podia ser verdade.
— Não, não, não, isso não pode estar acontecendo. Não... Kurt, quanto tempo exatamente faz que vocês terminaram?
— Um pouco antes de eu te conhecer, literalmente um pouco antes. – Kurt respondeu confuso. – Por que? Você o conhece?
— Você disse que terminaram por que mesmo? – Blaine levantou e começou a caminhar de um lado para o outro.
— Porque ele me traiu com um qualquer em uma festa. Ele só sabia dizer que o cara era delicioso, mas que me queria de volta. – Kurt disse aquilo como se fosse a coisa mais normal do mundo e Blaine sentou na mesa, ficando bem próximo do castanho.
— Kurt, eu... me perdoa, eu não sabia que vocês eram namorados, eu... eu nem sabia sobre a sua existência ainda e...
— O que você está querendo dizer? – Kurt levantou da cadeira, parando entre as pernas de Blaine, sem entender nada.
— Eu era esse qualquer um da festa, Kurt. Seu namorado te traiu comigo.
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