Maybe. Maybe Not.
7 parte 7
Eram quase dez horas da noite quando Ryan acordou, meio desorientado e esquisito.
Colocou os pés para fora da cama e ficou sentado por alguns segundos. Julie ia sair... Ele cuidaria de Anna...
Spencer.
Tinha um encontro. Haviam combinado 21h30, mas Julie aparentemente o deixara dormir mais um pouco.
Levantou-se e fitou seu reflexo no espelho interior do guarda-roupa.
Não podia descer daquele jeito, não com a possibilidade de Spencer estar lhe esperando.
Abriu as portas do lado direito e fitou as roupas do cabide.
Pegou uma blusa de gola V, depois abriu outra porta para escolher um jeans.
Deixou sobre a cama e foi tomar banho.
Ryan estava lavando o cabelo, quando ouviu um toque na porta.
─ Posso abrir?
─ Pode.
Enfiou a cabeça debaixo d’água para tirar o xampu.
─ O Spencer está lá embaixo.
─ Unhum. Você já vai?
─ Não, Nick não chegou ainda.
Houve silêncio.
Ryan abaixou a cabeça e viu Julie através do vidro embassado, ela o estava olhando.
─ Ei! ─ ele sorriu.
─ Desculpe ─ falou rapidamente antes de abrir a porta e sair do banheiro. Ryan enfiou a cabeça debaixo d’água novamente, quando a porta voltou a se abrir. ─ Eu gostei da roupa que escolheu ─ e fechou-se.
Ele não pôde deixar de sorrir.
xx
Já vestido e cheiroso, Ryan saiu do quarto.
Do topo da escada pôde ver Julie à porta. Já nos últimos degraus, olhou na direção dos sofás.
Spencer estava sentado num deles, uma perna cruzada sobre a outra, seu pé balançando suspenso no ar e um braço largado sobre a coxa, a mão tocando acima do tornozelo.
─ Ei! ─ falou Julie, fechando a porta. Ela tinha duas caixas de pizza nos braços; deixou-as sobre a mesinha de vidro, em frente a Spencer.
Ryan aproximou-se, recebendo um sorriso caloroso do outro e um aperto de mão.
No exato momento que suas mãos se soltaram, a campainha tocou.
Julie deu um tapinha na bunda de Ryan ao passar por ele e caminhou até a porta.
─ Desculpe fazê-lo esperar.
Sentou-se ao lado dele.
─ Tudo bem.
Ryan abriu uma das caixas para ver do que era a pizza, depois abriu a outra.
─ Ei! ─ chamou Julie, da porta. ─ Este é o Nick!
Ryan e Spencer deram um aceno para ele.
─ Licença ─ pediu Ryan, levantando-se. Foi até a porta, conversou um pouco com eles.
Julie foi ao sofá pegar sua bolsa; despediu-se de Spencer, dizendo-lhe para cuidar bem de Ryan.
─ Pode deixar ─ sorriu.
E logo eles haviam saído, um silêncio tomando a casa.
─ Vou pegar refri ─ falou Ryan, indo à cozinha.
Estava pegando dois copos no armário, quando Spencer apareceu.
─ Quer ajuda?
Ryan sorriu:
─ Pode levar a Coca e o guardanapo. Ah, eu nem perguntei se prefere outra coisa...
─ Não, eu gosto de Coca.
─ Okay ─ riu.
Pouco depois, Ryan foi para a sala com pratos, talheres e copos. Deixou sobre a mesinha de vidro e sentou ao lado de Spencer.
─ Sirva-se ─ disse a ele.
─ Você vai comer com garfo?
─ Na verdade, não.
─ Então eu também não vou.
─ Tá ─ deixou os talheres num canto.
Ryan ligou a TV.
─ Julie me disse que sua mãe é médica ─ comentou, largado no sofá com um pedaço de pizza na mão.
Spencer fez que ‘sim’ com a cabeça enquanto mastigava.
─ Está de plantão hoje ─ tomou um gole de Coca. ─ Você tem falado com seus pais?
─ Não ─ deu de ombros.
Conversaram enquanto comiam pizza, então Spencer pediu licença para ir ao banheiro.
─ Vou dar uma olhada na Anna ─ disse Ryan, levantando-se também.
Subiu para o quarto e entrou sem fazer barulho. Fitou Anna, que dormia tranquilamente no berço.
─ Me deseje sorte, Anna Banana ─ falou baixinho.
Encostou a porta com cuidado e entrou em seu próprio quarto para ir ao toalete.
Fitou-se no espelho. Até que não estava mal.
Inclinou-se para baixo na pia e lavou o rosto. Puxou a toalha branca ao lado e enxugou-se, depois escovou os dentes.
Olhou-se no espelho novamente, ajeitando o cabelo, então alisou a blusa, pronto para descer.
Spencer estava lhe esperando no sofá.
Nos próximos momentos os dois se encontravam em silêncio, movimentos cuidadosos e calculados, olhares de canto e espera.
─ Ryan...
O outro virou o rosto para fitá-lo. Lentamente os dois se envolveram num beijo.
Pouco depois Spencer fazia com que Ryan se deitasse, ficando por cima dele.
O filme ia passando esquecido na TV enquanto mãos e línguas trabalhavam no sofá.
Spencer sussurrou algumas palavras no ouvido de Ryan – que apenas sorriu – e chupou o lóbulo de sua orelha.
Agora ele atacava o pescoço de Ryan, ambos muito envolvidos e totalmente esquecidos do que se passava ao redor.
O toque do telefone fez Ryan abrir os olhos num estalo, de repente o som parecia muito mais alto do que de costume.
Os dois se desgrudaram rapidamente. Agora podia-se ouvir o choro de Anna vindo de lá de cima.
Spencer disse que cuidaria dela, Ryan agradeceu correndo até o telefone.
─ Alô? ─ falou, ofegante.
─ Ry?
─ Mãe?
─ Filho, você está bem?
─ Estou. Por que está ligando a essa hora?
─ Porque seu celular não atende!
─ Eu devo ter desligado...
Ouviu um suspiro do outro lado da linha.
─ Como você está?
─ Eu já disse, estou bem.
─ E sua prima?
─ Estamos todos bem.
─ Quando você volta?
─ Eu não sei se voltarei ─ falou, frio.
─ Mas você precisa! Aqui é seu lugar, é aqui que você mora, Ry.
─ Não. Atualmente meu endereço tem sido outro ─ revirou os olhos. Ela com suas frases clichês...
─ Ryan, volte e iremos conversar. Nós daremos um jeito.
Ryan suspirou cansado.
Minutos depois, Spencer desceu. Encontrou Ryan sentado no chão, encostado no sofá.
─ Ei... ─ sentou ao seu lado. ─ Está tudo bem?
─ Não muito... Obrigado por cuidar da Anna ─ tentou um sorriso.
─ Não tem problema ─ sorriu passando a mão no cabelo de Ryan. ─ Era sua mãe?
─ Era.
─ Você vai voltar pra casa?
─ Eu não sei.
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