Notas iniciais
Comecei essa fic no dia 03/09/06. Eu meio que tinha abandonado, mas a Mandy me deu uma idéia e acabei escrevendo mais.

Brendon’s POV



— Ah, fala sério, Patrick! — exclamei, dando uma cotovelada no meu amigo enquanto caminhávamos na calçada.


Era noite.


— Eu tô te dizendo!


Balancei a cabeça, sorrindo. Chutei uma pedrinha imaginária e olhei ao redor, inalando profundamente. Era tão bom sentir a brisa e tomar ar fresco.


Meus olhos repousaram em direção ao grande jardim do outro lado da calçada, mais precisamente no carro branco estacionado sobre a grama.


Aquele quarteirão era praticamente um jardim enorme, não havia casas, apenas o verde e algumas outras cores de flores, e uma árvore antiga no centro.


— Parece o carro do Ryan... — comentei mais pra mim mesmo do que para Patrick.


Ele desviou os olhos do chão para o carro.


— É, parece. Mas não deve ser.


Patrick continuou andando, mas parou quando percebeu que eu não estava ao seu lado.


Eu estava imóvel, fitando o carro. Parecia ter alguém lá dentro, mesmo não havendo movimento algum.


— Ah, qual é, Brendon! — falou Pat, segurando o tom de sua voz para não sair alta demais; havia casas daquele lado da calçada.


Não respondi, estava focado em ir até lá e tirar minha dúvida.


Pat balançou a cabeça negativamente, suspirando, e voltou.


— Qual é a chance de ser o carro dele? — perguntou, seu rosto bem próximo ao meu.


— E se for? — fitei seus lindos olhos azuis.


— É mais provável que seja de algum bêbado ou drogado ou... — disse olhando o carro, então fitou-me, sério: — ... de alguém que tenha cometido um assassinato e jogado o corpo lá dentro.


Eu o olhei, franzindo o cenho e não acreditando que ele pudesse dizer algo tão idiota, embora fosse o Patrick, que sempre diz coisas retardadas...


— Se não quiser ir, tudo bem, fique. Eu vou — e atravessei a rua. Como eu esperava, Patrick me seguiu depois de pensar por um breve momento, apressando-se um pouco para me alcançar.


Quando estávamos a quase dois metros do carro, Patrick puxou-me pelo braço, fazendo-me virar e encará-lo. Suspirei em frustração.


Esperei que ele falasse, mas apenas abriu a boca sem pronunciar nada. Ele não sabia o que dizer.


Pus as mãos na cintura, obviamente perturbado, e ia virar-me de novo, quando Patrick me interrompeu:


— Brendon...


— O que foi? — questionei lenta e impacientemente, não querendo discutir naquele momento.


— Toma cuidado.


— Aff — dei-lhe as costas e continuei andando.


— É sério!


Parei, fitando-o:


— Cala a boca, Patrick.


Balancei a cabeça, apressando-me antes que ele me interrompesse novamente, diminuindo o passo quando estava me aproximando da traseira do carro. Os vidros estavam fechados, pude ver pés descansando no encosto do banco de trás, a pessoa estava encolhida, deitada de lado. Cheguei mais perto. Aquela camiseta azul-bebê era tão parecida com a do Ryan... Estava definitivamente dormindo; partindo desse pensamento, inclinei-me para o vidro, quase encostando a testa nele. Aquele cabelo castanho sedoso que cobria o rosto de quem quer que estivesse lá... era tão parecido. Desceu-me uma sensação estranha no estômago; engoli a saliva. Havia um relógio preto em seu pulso.


Olhei o chão do carro. Chucks azul de ponta branca. Afastei-me subitamente, chamando Patrick com os dedos indicador e médio, sem olhá-lo. Ele se aproximou lentamente.


Fiz sinal para que não fizesse barulho e depois para que desse uma olhada na pessoa que dormia no banco traseiro.


Patrick me olhou e nem precisei de palavras para entender o que eles quis dizer. Pensou o mesmo que eu.


Bati de leve no vidro. Nada. Bati novamente, com um pouco mais de força desta vez.


A pessoa sentou-se rapidamente, assustada. Era ele. Ryan.


Passou a mão no olho direito e na testa, num gesto de quem acaba de acordar e não quer dar explicações.


Eu e Patrick o observamos abrir o vidro.


— Oi — falou.


— O que está fazendo aqui, Ryan!? — fui logo perguntando.


— Eu não tinha pra onde ir.


— O que aconteceu!?


— Meu pai... brigamos de novo.


— E então você resolveu dormir no jardim público da cidade!?


Patrick olhou-me como que dizendo “ei, eu era o único preocupado com isso aqui”.


— Caso não tenha reparado, eu estava dormindo dentro do meu carro — falou Ryan, irritado, claramente. — Além do mais, é melhor que dormir no banco de alguma praça.


Suspirei, balançando a cabeça negativamente.


— Eu não acredito! Você chegou a me considerar?


Ryan ficou quieto por um momento.


— Sim. Mas...


— Sabe, é pra isso que são os amigos. Pra ajudar nessas horas. Sou seu amigo, não sou?


— É...


— Então por que não me ligou ou passou na minha casa?


Ryan respirou profundamente antes de responder:


— Eu não sabia se sua mãe iria gostar.


— Ah, que isso! Você pensou que ela fosse te deixar dormir na rua!?


— Não... — olhou para suas mãos, que brincavam em seu colo.


— Deixa de ser criança, vamos pra minha casa — eu disse num tom quase de ordem.


— Okay...