Maybe. Maybe Not.
1 parte 1
Notas iniciais
Brendon’s POV
— Ah, fala sério, Patrick! — exclamei, dando uma cotovelada no meu amigo enquanto caminhávamos na calçada.
Era noite.
— Eu tô te dizendo!
Balancei a cabeça, sorrindo. Chutei uma pedrinha imaginária e olhei ao redor, inalando profundamente. Era tão bom sentir a brisa e tomar ar fresco.
Meus olhos repousaram em direção ao grande jardim do outro lado da calçada, mais precisamente no carro branco estacionado sobre a grama.
Aquele quarteirão era praticamente um jardim enorme, não havia casas, apenas o verde e algumas outras cores de flores, e uma árvore antiga no centro.
— Parece o carro do Ryan... — comentei mais pra mim mesmo do que para Patrick.
Ele desviou os olhos do chão para o carro.
— É, parece. Mas não deve ser.
Patrick continuou andando, mas parou quando percebeu que eu não estava ao seu lado.
Eu estava imóvel, fitando o carro. Parecia ter alguém lá dentro, mesmo não havendo movimento algum.
— Ah, qual é, Brendon! — falou Pat, segurando o tom de sua voz para não sair alta demais; havia casas daquele lado da calçada.
Não respondi, estava focado em ir até lá e tirar minha dúvida.
Pat balançou a cabeça negativamente, suspirando, e voltou.
— Qual é a chance de ser o carro dele? — perguntou, seu rosto bem próximo ao meu.
— E se for? — fitei seus lindos olhos azuis.
— É mais provável que seja de algum bêbado ou drogado ou... — disse olhando o carro, então fitou-me, sério: — ... de alguém que tenha cometido um assassinato e jogado o corpo lá dentro.
Eu o olhei, franzindo o cenho e não acreditando que ele pudesse dizer algo tão idiota, embora fosse o Patrick, que sempre diz coisas retardadas...
— Se não quiser ir, tudo bem, fique. Eu vou — e atravessei a rua. Como eu esperava, Patrick me seguiu depois de pensar por um breve momento, apressando-se um pouco para me alcançar.
Quando estávamos a quase dois metros do carro, Patrick puxou-me pelo braço, fazendo-me virar e encará-lo. Suspirei em frustração.
Esperei que ele falasse, mas apenas abriu a boca sem pronunciar nada. Ele não sabia o que dizer.
Pus as mãos na cintura, obviamente perturbado, e ia virar-me de novo, quando Patrick me interrompeu:
— Brendon...
— O que foi? — questionei lenta e impacientemente, não querendo discutir naquele momento.
— Toma cuidado.
— Aff — dei-lhe as costas e continuei andando.
— É sério!
Parei, fitando-o:
— Cala a boca, Patrick.
Balancei a cabeça, apressando-me antes que ele me interrompesse novamente, diminuindo o passo quando estava me aproximando da traseira do carro. Os vidros estavam fechados, pude ver pés descansando no encosto do banco de trás, a pessoa estava encolhida, deitada de lado. Cheguei mais perto. Aquela camiseta azul-bebê era tão parecida com a do Ryan... Estava definitivamente dormindo; partindo desse pensamento, inclinei-me para o vidro, quase encostando a testa nele. Aquele cabelo castanho sedoso que cobria o rosto de quem quer que estivesse lá... era tão parecido. Desceu-me uma sensação estranha no estômago; engoli a saliva. Havia um relógio preto em seu pulso.
Olhei o chão do carro. Chucks azul de ponta branca. Afastei-me subitamente, chamando Patrick com os dedos indicador e médio, sem olhá-lo. Ele se aproximou lentamente.
Fiz sinal para que não fizesse barulho e depois para que desse uma olhada na pessoa que dormia no banco traseiro.
Patrick me olhou e nem precisei de palavras para entender o que eles quis dizer. Pensou o mesmo que eu.
Bati de leve no vidro. Nada. Bati novamente, com um pouco mais de força desta vez.
A pessoa sentou-se rapidamente, assustada. Era ele. Ryan.
Passou a mão no olho direito e na testa, num gesto de quem acaba de acordar e não quer dar explicações.
Eu e Patrick o observamos abrir o vidro.
— Oi — falou.
— O que está fazendo aqui, Ryan!? — fui logo perguntando.
— Eu não tinha pra onde ir.
— O que aconteceu!?
— Meu pai... brigamos de novo.
— E então você resolveu dormir no jardim público da cidade!?
Patrick olhou-me como que dizendo “ei, eu era o único preocupado com isso aqui”.
— Caso não tenha reparado, eu estava dormindo dentro do meu carro — falou Ryan, irritado, claramente. — Além do mais, é melhor que dormir no banco de alguma praça.
Suspirei, balançando a cabeça negativamente.
— Eu não acredito! Você chegou a me considerar?
Ryan ficou quieto por um momento.
— Sim. Mas...
— Sabe, é pra isso que são os amigos. Pra ajudar nessas horas. Sou seu amigo, não sou?
— É...
— Então por que não me ligou ou passou na minha casa?
Ryan respirou profundamente antes de responder:
— Eu não sabia se sua mãe iria gostar.
— Ah, que isso! Você pensou que ela fosse te deixar dormir na rua!?
— Não... — olhou para suas mãos, que brincavam em seu colo.
— Deixa de ser criança, vamos pra minha casa — eu disse num tom quase de ordem.
— Okay...
Fale com o autor