Maybe Destiny.
5 Capítulo 5
Notas iniciais
[...] Mas eu precisava saber. Eu queria muito saber quem aquela menina que eu desenhava e era fissurado por ela. Eu sentia que eu ia a ver algum dia, e sentia que ela tava perto de mim as vezes. ''É apenas um desenho'', o Matt falava. Por falar no Matt eu sinto muita falta dele. Devia ter trazido o celular pra ligar pra ele de vez em quando.
- Alex.
- Oi.
- Quem é essa menina?
- Eu não sei! — Falei um pouco agressivo. — Desculpa. Eu só... não sei. A imagem dela me vem a cabeça e eu desenho porque não quero esquecer.
- Ah. Que horas será que são?
- Não sei.
- Eu preciso ver.
- Pra quê?
- Pra ver ué.
- Porra, mas quê? Hora nem importa.
- Importa, porra.
Arregalei os olhos. Tinha ensinado um palavrão pra uma menina de sei lá quantos anos.
- Vai procurar horas então.
- Vou.
- Vai fazer oque? Entrar em uma casa, ver a hora e sair?
- Não. Você vai ver.
- Você não vai sozinha.
- Vou sim.
- Não vai.
Ela foi indo.
- Vou junto.
Ela riu, e eu também. Ela andou até a primeira porta, da primeira casa.
- Melhor você se esconder. — Ela disse.
- Porque?
- Porque você tá parecendo um mendigo aí.
- Eu acho que eu sou um mendigo.- Rimos. — Mas, oque vão achar de uma menina sozinha no escuro?
- Verdade. Então você é meu irmão.
Sorri.
Uma mulher aparentemente ''perfeita'' apareceu.
- Olá? Mas já é halloween?
Fizemos uma cara de: OQUÊÊ?
- Que? Não. Eu e meu irmão apenas queremos saber a hora, senhora.
- Moça, por favor. Entendi. — Ela se inclinou um pouco pra trás, e esticoou a cabeça, oque me fez me dar conta que o relógio tava em cima da porta.
- São meia-noite e quarenta e três. Vocês moram aonde?
- Pegamos o ônibus errado, tchau! — Saímos correndo.
Fomos até o fim do bairro, tipo onde as mulheres estavam conversando e sentamos no fundo de uma casa, que dava pra um lugar que parecia não ser pisado a muito tempo.
- Vamos ficar por aqui Alex, tô cansada.
- Não. Vai que tenha algum bicho.
Ela fez uma cara de tipo: você tá zoando, né?
- Você tem medo de bichos? — Ela abafou um riso.
- Ér... NÃO! Eu sou aracnofóbico.
- Quê?
- Fobia á aranhas.
- Oque é fobia?
- É tipo alguma coisa muito maior que medo.
- Então eu tenho fobia de escuro.
Cara, fiquei com vontade de chorar. A garota vivia na rua, no escuro, em becos, sozinha, e ainda tinha medo. Tinha me esquecido disso.
- Tá muito escuro aqui, então. A gente tem que achar um lugar pra dormir, um lugar de verdade.
- Tipo, um hotel?
- É.
Fomos procurar um hotel. No fundo da ''paisagem'' que eu estava vendo, tinha uma cidade limpa, tranquila e bonita.
- A gente tem que chegar ali bem rápido.
- Sim. — E então ela começou a correr. — Corrida?
- Não, tô cansado. — Mas ela já estava lá na frente. — Ok, corrida.
Fui correndo atrás dela e tropecei umas três vezes em pedras. Ela apenas ria de mim, até que uma hora ela caiu e eu passei ela. Um tempo depois a gente parou, ofegante.
- Ganhei.
- Quê? Eu ganhei!
- Você não faz ganhar nada mesmo. — Exclamei. — Não vai chorar em.
- Tranquilo. A gente nem tem nada mesmo.
- É... — Ela parecia amadurecer a cada minuto. — Ei...
- Oi?
Ela disse pegando a água da minha mochila.
- Primeiro, pega a minha água também. — Ela entregou a água na minha mão, e eu tomei. Nunca senti alivio maior. — Segundo, quantos anos você tem, DE VERDADE?
Ela fechou minha bolsa e veio pro meu lado. Fomos andando.
- Tenho sete.
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