May - Parte VI
3 Risos, Sorrisos e Choro
Notas iniciais
Depois que Logan foi embora, caminhei até meu antigo quarto, deitei na cama e continuei a chorar. Detesto parecer que sou fraca. Mas aquela discussão foi forte demais pra mim na situação em que me encontro.
Assim que consegui conter meu choro. Logan veio até o quarto, abriu a porta e me viu olhando pela janela sem olhar nada em específico.
- Ele chegou. Está na sala.
Levantei da cama rapidamente e passei por ele com o olhar fixo no chão. Corri. Uma parte de mim ansiava para ver Remi, a outra parte queria se esconder dele. O que eu fiz não foi muito legal.
Finalmente chego à sala e ele está lá, sentado ao lado de uma mulher. Ele me vê e levanta de repente. Ficamos nos encarando sem demonstrar emoções por um longo momento. Remi parecia mais velho, seu rosto não tinham rugas, mas não tinha mais aquela feição ameninada que costumava ter quando estava no bar. A feição de quando o abandonei há vinte e poucos anos atrás.
Então, sem trocar nenhuma palavra, sorrio e lágrimas começam a chegar novamente. Remi retribui o sorriso e começa a andar em minha direção. Corro para seus braços em um abraço aconchegante. Ele me aperta. Sinto que ele está chorando também. Remi faz carinho em meus cabelos. Ele me afasta e me olha nos olhos. Faz carinho em meu rosto e começamos a rir, sorrir e chorar.
- Onde você se meteu em garota? — ele disse sorrindo. — Não pode sumir desse jeito não, você...
- Desculpa — começo a chorar ainda mais. Seguro as mãos dele que ainda estão em meu rosto e continuo: — desculpa Remi, me desculpa. Não era minha intenção magoá-lo, eu só...
Não consegui terminar a frase.
- Só me prometa que nunca mais vai embora sem falar comigo May. Por favor.
- Eu prometo.
Eu o abracei de novo. Era tão bom está com Remi. Não era tão bom quanto estar com John, mas já era alguém mais próximo à minha felicidade do que aqueles que conheci no próprio Instituto.
Quando finalmente consegui parar de chorar e parar de abraçá-lo, me dei conta das outras pessoas presentes da sala. Logan estava parado na entrada da sala, apoiado na parede, olhando para nós com os braços cruzados. Ele sorria. Orono estava do outro lado da sala, em pé também, ela sorria pra nós e a outra pessoa, como assim? Não, não pode ser.
- Vampira? — perguntei surpresa.
- Olá — ela respondeu, se levantando, com um sorriso tímido.
- Então vocês já se conhecem? — Remi perguntou animado.
- Sim... — ainda estava surpresa, ela era...?
- Mary é minha esposa, estamos casados há dois anos. Não houve cerimônia, foi algo íntimo, mas queria ter compartilhado com você. Claus estava lá — disse Remi.
Claus, outra pessoa que decepcionei. Mas para ele eu avisei que iria embora, então não foi uma decepção tão grande. Por que avisei apenas a ele? Custava falar ao seu irmão que estava de partida May? Sua estúpida. Estou me odiando mais do que podia imaginar nesse momento.
- Então agora somos cunhadas — sorri e ameacei ir abraçar Vampira, mas me lembrei do que ela fazia.
Ela deu um risinho e me abraçou. Estava pronta para receber sua dose dolorosa de roubo de poder, mas na verdade, não recebi nada, mesmo com ela sem luvas.
- Só quando toco a pele é que funciona. Com o soro da cura consigo controlar até quando parar de pegar o poder da pessoa.
- Então o soro não foi eficaz? — perguntei.
- Não, mas me ajudou a controlar.
Eu estava feliz, muito feliz por Remi e Vampira terem finalmente encontrado alguém, eles eram um belo casal, tenho que admitir.
- Onde está Max? Faz anos que não vejo meu sobrinho, ele deve estar enorme! — Remi perguntou animado.
Congelei no mesmo momento. A alegria momentânea que chegou com a notícia de sua união com vampira sumiu rapidamente.
- May? O que houve? — ele ficou preocupado.
- Max sumiu — disse rapidamente e tentei segurar as lágrimas. — Estou com medo de ele ter feito a mesma coisa que eu Remi! Ter iso embora sem avisar — levo as mãos à cabeça e balanço de um lado pro outro em negação comigo mesma. Minha voz aumenta o tom e parece desesperada. — Ele não pode ser tão estúpido quanto eu Remi! Ele é melhor que isso, ele é um bom garoto, ele não pode ter puxado esse lado estúpido meu, não pode. Ele tem que ser digno como Pietro e...
- Ei, ei, calma — Remi me abraçou de lado. — Você vai achar o Max, daqui vinte anos talvez, mas vai achá-lo.
Eu sei o que Remi quis dizer com aquilo. Está sendo tudo pior do que imaginava. Estou descobrindo o quão horrível eu sou.
- Eu vou embora amanhã — decido dizer de repente.
- O quê? — perguntaram os quatro ao mesmo tempo.
- May, você acabou de chegar... — disse Orono.
- Acabamos de nos reencontrar e você já vai embora? — disse Remi.
- Remi te esperou tanto tempo para ter apenas algumas horas ao seu lado? — disse Vampira.
"Não estou surpreso", disse Logan em pensamento.
E por que não?, perguntei em pensamento também.
"Está torturante pra você aqui, escuto seus pensamentos, lembra?"
Logan saiu da sala, olhei para onde ele estava e vi apenas suas costas. Para os outros argumentos eu tinha uma simples pergunta que os calaria:
- Preciso ir atrás do meu filho. Não temos certeza se ele fugiu, então preciso conferir se ele está bem.
Eles se entreolharam.
- Remi — ele me olhou -, vou te contar tudo o que aconteceu desde que fui embora do bar.
Remi sorriu. Sentamos no sofá. Vampira saiu com orono e nos deixaram a sós. Contei a Remi sobre o subúrbio, sobre os poderes de Max e seu fator de cura, assim como eu, sobre seu amigo Nick e que graças à essa amizade acabei conhecendo John. Falei sobre John, que ele me amava sabendo como sou e que se casou comigo na praia. Contei que vivíamos feliz em um outro subúrbio, tínhamos amigos e que Max parou de envelhecer aos dezessete anos e que andava muito nervoso por isso.
- Agora sou May Parker — disse por fim.
- May Parker — ele repetiu me olhando de cima a baixo. — Realmente você é uma May Parker agora. Você está tão bonita May, imagino como você estava radiante, aposto que foram os momentos mais felizes da sua vida.
- Foram sim. Meu casamento então... inesquecível!
Remi e eu conversamos o dia inteiro. Remi me contou que conheceu Vampira aqui mesmo no Instituto, mas na época ela namorava Bob. Ela não estava feliz e ele vivia elogiando ela, falando que Bob não a merecia, que ela era incrível demais pra ele. Então, no dia em que Remi decidiu ir embora do Instituto, disse a Vampira para ir com ele. Ela disse que não poderia deixar Bob e ele disse que se ela mudar de ideia, estaria esperando por ela por ali perto, mas por apenas três dias. Dois dias depois, Vampira terminou com Bob, saiu do Instituto, viu uma carta de baralho em chamas passar perto de seu rosto e lá estava Remi. Sorrindo pra ela. Ela correu para os braços dele e o beijou, foi um beijo intenso que ela roubou apenas um pouco dos poderes de Remi, fazendo com que desse um pequeno choque inofensivo, quando suas línguas se tocaram no beijo. Desde então, ambos compraram um pequeno apartamento no centro da cidade. Remi continua apostando nas cartas e como sempre ganhando, ele tem uma vida em bares, assim como eu. Vampira trabalhava também, nada sério. Ambos queriam aproveitar mais um ao outro do que uma vida com luxo onde ficariam mais trabalhando do que na companhia um do outro. Então, depois de conviver tantos anos com Vampira, ele decidiu pedi-la em casamento e estão casados há dois anos.
Eu estava feliz por Remi, queria ficar mais com ele, perguntar sobre Claus e outras coisas, mas eu, infelizmente, precisava partir em busca do meu menino. E também, decidi eu mesma falar com Claus, eu queria realmente vê-lo outra vez.
Peguei minha mochila e fui em direção à moto. Remi, Vampira, Bob, Kitty e Orono foram se despedir de mim. Logan estava afastado desde que anunciei que iria embora. Por mim sem problema nenhum terminarmos por aqui, brigados e nunca mais nos vermos. Mas algo beeeeem no fundo queria se despedir de Logan. Mas era tarde demais, peguei minha moto e fui embora.
Dirigindo pelas ruas, escuto uma outra moto atrás de mim, de início a desconsidero, mas com o tempo, percebo que a moto está me seguindo. Dou a volta com minha moto e paro. Quando a outra moto se aproxima de mim, reviro os olhos nervosa.
- Pôxa vida, vai me seguir agora?
- Não, seguir não. Quero ajudar — disse Logan.
- Ajudar? Desde quando quer me ajudar?
- May, independente do que aconteceu, eu gosto de você. Tudo bem, não da mesma intensidade com que um dia gostei da Jean, mas isso era porque ela existia. Se vivessemos num mundo onde ela não existisse, eu com certeza estaria com você para toda a eternidade...
- Opa... espera, acho que vivemos num mundo onde ela não existe — eu disse ironicamente.
- Mas nesse mundo eu não posso te amar. Porque eu te decepcionei de uma maneira que nem eu ia me querer.
- Me poupe Logan. Fica aí se torturando, se fazendo de inferior. Você não é o Logan que eu conheço, você é um Logan patético e frágil. Não gosto desse Logan, então... se quiser mesmo me ajudar vai ter que fazer esse Logan sumir, eu o detesto mais do que detesto aquele que brincou com meus sentimentos.
Dei partida na moto, atrapalhando Logan a começar a falar. Ele deu a partida na moto e começou a dirigir atrás de mim.
Tudo bem Logan me ajudar, não corro risco mais de me apaixonar por ele, amo John e nada vai mudar isso.
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