May - Parte VI
14 Nostalgia
Notas iniciais
"Normal". "Diferente". As piores palavras que existem pra mim. Max agora se considerava um desses tais "normais". Continuei olhando para o mar que mostrava a ilha ao longe. A ilha onde estava Magneto, que eu queria muito matar. Mas como poderia matá-lo se meu filho está feliz agora que envelhece como os outros? Max, Pietro, Logan e eu estamos na praia, eles estão conversando entre eles e eu não quero ouvir, quero apenas olhar para aquela ilha maldita e imaginar as várias maneiras que poderia matar Magneto e infelizmente todas seriam em vão.
Olhei para trás e percebi que os três pararam de conversar e olharam para mim. Eu estava horrível, meus olhos estavam manchados e inchados de tanto chorar, meu cabelo estava despenteado de tanto que o baguncei durante meus pensamentos mais raivosos. Suspirei e me levantei. Andei até os três, mas quando cheguei perto, não olhei para nenhum deles, apenas para a moto e me sentei.
Senti alguém se sentar atrás de mim e pelo jeito que se abraçou a minha cintura, era meu Max, olhei para frente e respirei fundo. Antes de dar a partida, fiz carinho naquela mão quase adulta masculina. Ao mesmo tempo que era meu Max, já não era mais e eu o perderia algum dia.
– Segure-se bem, você já não é mais imortal — eu disse e ele me abraçou mais.
– Claro, mamãe.
Me dei mais um tempo para ouvir aquela voz grossa me chamar de mamãe e dei a partida na moto. Não dirigi rápido como de costume e prestei atenção no trânsito como nunca havia prestado antes.
Quando a noite caiu, paramos num hotel de estrada para descansarmos. Eu e Max ficamos num quarto e Logan e Pietro em outros dois individuais. Observei Max dormir na cama ao lado da minha. Aqueles olhinhos fechados, o jeitinho de dormir de lado, era ainda o meu menininho ali. Por um momento o vi como uma criança, a criança que ele era quando nos mudamos para o subúrbio. Saí da minha cama e me agachei olhando para ele. Fiz carinho em suas mexas de cabelo e ele teve a mesma reação que sempre tivera, ele suspirou como se nada no mundo pudesse atingi-lo. Lágrimas começaram a cair, mas ao mesmo tempo eu sorri.
"May? Está acordada?", era a voz de Logan em minha mente.
"Estou", respondi.
"Você não consegue dormir, não é?"
"Não", respondi meio chorosa.
"Não sei se você gosta, mas tem uma boate logo ali se quiser esfriar a cabeça um pouco."
Pensei a respeito por alguns segundos, dei um beijo na testa de Max e fui até a porta. Abri e Logan estava sentado de frente pra ela com os cotovelos apoiados nos joelhos. Ele me olhava sério e eu o olhava com os olhos inchados.
"Ficar olhando o Max e pensar que qualquer coisa pode matá-lo não vai te ajudar a melhorar", ele disse mentalmente.
Fechei a porta.
– Eu sei — olhei para cima e tentei enxugar minhas lágrimas.
Logan se levantou e me ofereceu o braço.
– Vamos? — ele ainda não sorria.
Concordei com a cabeça, peguei seu braço e começamos a caminhar. Durante nossa caminhada pela estrada escura e deserta, comecei a conversar.
– Como se sentiria nessa situação?
– Situação? Qual?
– A minha e do Max...
– Não sei como seria, pois nunca tive filhos. Mas já perdi pessoas que eu amava.
– Jean?
– Não sei se foi apenas a Jean. Tenho um passado apagado May, não me lembro dos acontecimentos de quando eu era criança, acredito que não me lembro de muita coisa. Tenho apenas fragmentos de quando o adamantium foi injetado em mim e agora... eu só tenho isso — ele mostrou suas garras que eram ossos frágeis.
Toquei nos ossos dele,não era uma coisa agradável mas, por alguma razão eu sentia que Logan e eu somos como as outras pessoas em nosso anterior, só não podemos morrer.
– Gostou delas assim? — ele deu uma risada rápida.
– É estranho, parece que você teve uma fratura exposta — eu ri e ele me acompanhou. — E então, estamos andando tanto e não tem nada de boate — o encarei.
– Não tem boate, só achei que você precisava de um ar.
Parei e olhei para ele. Fiquei encarando-o por um tempo tentando entender os reais motivos daquela caminhada.
– Calma, não é nenhum desejo de que você continue o que aconteceu na praia.
– Ahá! Sabia — dei uma risada e voltei a pegá-lo no braço para continuarmos nossa caminhada.
Andamos alguns passos em silêncio e eu pensei no acontecimentos da praia, provavelmente ele sabia que eu estava pensando sobre isso mas não quis me interromper, ele nem chegou a olhar pra mim.
– Você esperava que algo iria acontecer? — perguntei.
– Um pouco, confesso.
Ele me olhou e eu o olhava, sem parar de andar.
– E se... eu te dissesse que... eu queria.
– Por que parou então?
– Vi Pietro e... — olhei para baixo.
– Sentiu vergonha de me beijar na frente dele?
– Não...
– Tudo bem se for, afinal, não fui o melhor amigo dele, não é mesmo?
– Não foi isso... tudo bem que eu fiquei com raiva de você por tê-lo matado, por ter me trocado pela Jean, mas... eu escolhi perdoar você — olhei pra ele e me senti estúpida.
– É mesmo? E quando pretendia me falar sobre isso?
Dei uma risadinha sem graça, podia jurar fiquei ruborizada.
– Eu não ia. Não queria que soubesse que perdoava você. Queria que se sentisse cada vez mais culpado.
– Como você é má — ele disse de maneira irônica e eu lhe dei um soco no ombro. Rimos e continuamos a caminhar.
Depois de mais um pouco andarmos, fizemos o caminho de volta, afinal, precisávamos descansar um pouco. Conversamos um pouco mais sobre nosso passado no caminho de volta, quando eu ainda era nova demais e iludida. Não foram momentos ruins, eu confesso. Rimos bastante e chegamos ao hotel. Logan e eu subíamos pelas escadas até que eu parei e lhe dei um beijo que ele rapidamente correspondeu pegando na minha nuca. Há tanto tempo eu não sentia os lábios de Logan e estavam tão gostosos como sempre me lembrara. Estava difícil parar aquele beijo. "Pena que terei de levá-la ao quarto dela", escutei Logan pensar. Parei de beijá-lo e o olhei nos olhos.
– Não precisa se não quiser — eu disse.
Ficamos nos encarando por alguns segundos. Logan sorriu e eu também, ele me carregou e eu entrelacei minhas pernas em sua cintura, como costumávamos fazer. Ele me levou ao quarto dele, abriu a porta, entramos e ele fechou em seguida. Desci de sua cintura e dessa vez ele começou o beijo, tiramos nossas roupas com o mesmo desespero que costumávamos tirar, aquele momento foi tão nostálgico que comecei a curtir. Ele foi andando comigo até a cama e me sentei e fui andando para trás e deitando sem parar de beijá-lo. Logan passava a mão por todo o meu corpo, sei como ele estava diferente agora, mais experiente. Ele me apertava de maneira deliciosa. estávamos completamente sem as roupas e passávamos as mãos nos corpos do outro sem parar de nos olhar nos olhos. Parecia que nós dois não conseguíamos acreditar que aquele momento estava acontecendo depois de tantos anos e devo admitir que estava melhor do que sempre fora, muito melhor.
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