May - Parte VI
16 Família
Notas iniciais
Bom, não posso dizer que foi fácil me adaptar ao Max mortal. Como sempre, Max é um garoto agitado e curioso e agora, com a juventude a flor da pele, ele queria experimentar muitas coisas. Saía com Melissa para festas até altas horas da noite, ia com Nick à festas de faculdade e voltava bêbado. Tentei avisá-lo que ele não podia beber muito, pois o organismo dele não recuperava rápido assim como o meu. Sim, virei uma mãe "chata". Afinal eu só tenho um filho e não quero perdê-lo pro imprudências de jovens estúpidos, quero que ele morra de velhice — na verdade eu não queria que ele morresse.
– Calma mãe, você está muito tensa — ele dizia dando aquela típica risada idêntica a de Pietro e com um sorriso encantador.
Eu não me deixava levar e brigava com ele assim mesmo.
– Eu não estou tensa Max, apenas entenda o quão é difícil pra mim! Você é meu único filho, o único filho que eu posso ter em toda a minha existência e não quero que você se vá cedo.
Ele ficou me olhando e perdeu o seu sorriso.
– Desculpe, mãe.
Eu não gostava de fazer aquelas coisas com ele, mas ele precisava entender o quanto a vida dele é importante pra mim, ainda mais agora que ela não é eterna.
Com o tempo, Max foi parando de fazer besteiras que podiam arriscar a vida dele, ele finalmente entendera como eu me sentira. Porém, em um belo dia que eu estava arrumando o jardim, Max grita, me chamando para dentro da casa. Larguei tudo imediatamente e fui correndo. Cheguei no quarto dele e ele estava com a mão na testa e saía sangue.
– Max, o que aconteceu?
– Eu caí e bati a cabeça na quina do criado mudo. Ai! Está doendo, mãe. E não para de sangrar — ele disse nervoso.
– Claro que não, filho. Você não se cura rápido mais. E... o que eu devo fazer?
– Você não sabe?
– Não! Nunca precisei...
– E quando Nick se machucava? John levava ele ao hospital e...
– Eu não gosto de hospitais.
– Mas, mãe, eu preciso ir ao hospital!
– Eu não posso, eu... não...
Eu realmente não gostava de hospitais, o que eles fariam comigo lá, iam perguntar o que eu era dele e eu ia dizer mãe, eles não acreditariam e isso daria um grande problema, poderiam descobrir meu fator de cura e me usar para fazer medicamentos a outras pessoas, iriam brincar de deuses, brincando com a mortalidade das pessoas. Seria uma boa coisa, mas não seria correto e em algum momento não seria bom pra mim, iam me usar como um rato de laboratório.
– Mãe! — ele gritou e eu voltei a realidade.
– Tudo bem, tudo bem. Eu tive uma ideia.
Desci as escadas correndo e liguei para nossa vizinha, Clarisse.
– Alô? — ela atendeu.
– Oi, Clarisse, tudo bem? Você faria um enorme favor para mim?
– Claro querida, do que você precisa?
– Max bateu a cabeça no criado mudo e está sangrando muito. Ele precisa ir ao médico mas eu não posso levá-lo! — eu estava em pânico. — Você pode levá-lo até lá pra mim? Qualquer coisa que precise informar é só você me ligar e...
– Claro, May, levo sim. Pode trazê-lo para fora de casa que já vou pegar o meu carro.
– Ok.
Desliguei o telefone e fui ajudar Max a descer até a rua, o carro de Clarisse estava lá.
– Vai ficar tudo bem querido. Me desculpe não poder ir com você. tente entender o quanto um hospital é ruim para mim.
– Tudo bem, mãe, eu entendo, obrigado.
Ele entrou no carro de Clarisse e eles se foram. Fiquei andando de um lado para o outro esperando o telefone tocar. Será que detectaram alguma coisa em Max? Isso é tão insuportável, eu não sabia o que fazer, eu não podia fazer nada a não ser esperar. Então o telefone tocou e eu atendi desesperadamente.
– Oi mãe. Está tudo bem, não foi muito fundo e não teve nenhum problema, só deram alguns pontos e eu já vou pra casa.
Fiquei aliviada com a notícia, meu pequenino estava bem. Fiquei ansiosa para vê-lo. Escutei o carro se aproximar e saí de casa ao encontro dele. O abracei.
– Oh, Clarisse, muito obrigada, de verdade.
– Tudo bem, May querida. Sempre que precisar estarei aqui pra te ajudar.
– Pode contar comigo também, ok?
Clarisse confirmou com a cabeça e se despediu de nós. Max e eu entramos em casa e ele estava com pontos na testa, era estranho não ver aquele ferimento sumir em poucos segundos. Fiquei aliviada de ele estar bem e lhe dei um beijo na testa. Ele fez carinho em minha mão e sorriu para mim.
....
Era finalmente o final daquele ano e íamos ter uma festa de natal. John e eu arrumamos a casa, montamos uma árvore gigante, arrumamos a lareira, enchemos a árvore de presentes e estávamos muito felizes. Eu usava um vestido azul celeste, ele era simples e bonito. Meus cabelos estavam solos em ondas perfeitas, passei um batom vermelho e lápis nos olhos. Meu salto era preto e bem alto. John estava com uma camisa social branca e calça social preta, ele estava um gato, como sempre fora, por mais que a idade tenha lhe dado algumas rugas, principalmente quando ele sorria e eu achava aquele sorriso o mais lindo do mundo. Ele me agarrou pela cintura e me beijou.
– Eu te amo — ele disse.
– Eu te amo mais — sorri e fiz carinho no rosto dele.
Ele estava com um copo de vinho na mão, eu tomei o copo dele e fui andando até a cozinha. Max e Melissa estavam preparando alguns elementos da ceia. Max estava com uma camisa polo e calça jeans, seu cabelo completamente para trás como ele sempre usou, imitando o pai. Melissa estava com seus cabelos completamente lisos e um vestidinho vermelho de manguinhas e bem solto. Eles formavam um casal lindo. E foi então que eu vi Max brincando com uma faca, se exibindo.
– Pare, Max — dizia Melissa — você vai se machucar...
– Ela tem razão — eu disse por fim, colocando a mão na cintura e o olhando séria.
– Desculpe — ele disse com um sorriso, guardando a faca.
As vezes meu Max era tão sem noção. A campanhia tocou e John foi atendê-la. Pela animação eu podia dizer que era Nick e quando ele chegou na porta da cozinha, eu estava certa. Ele chegou cumprimentando todos.
– May! Linda e gata como sempre. A madrasta mais sexy do mundo — ele me abraçou.
– Ah, claro. Me diga o que você quer — disse em tom de brincadeira e nós dois rimos.
– Hey, Max! — ele bateu as mãos dele nas mãos de Max e o puxou para um abraço com batidas fortes nas costas. Achei aquilo meio agressivo, mas tudo bem, eram coisas que todos os homens costumavam fazer e aquilo não machucaria meu Max. Max sorria, muito feliz.
Em seguida ele abraçou Melissa e ela retribuiu o abraço rapidamente. Em seguida Nick voltou para a porta da cozinha e John ficou logo atrás de mim tomando outra taça de vinho. Voltando para a porta, vi que Nick tinha uma acompanhante.
– Pessoal, essa é Page. Ela é minha namorada.
– Olá — ela disse meio tímida.
Page era loira e seus olhos bem azuis, ela parecia uma garota simples e bem tímida. Ela estava com um vestido cinza bem leve também e de manguinhas finas, ela tinha um colar com a letra "F" como pingente, mais tarde descobri que o "F" era de família. Ela a estimava muito. Nick então começou a nos apresentar.
– Esse é John, meu pai, que você conheceu na porta — John levantou a taça para ela -, essa é a minha madrasta May — acenei delicadamente para ela e ela pareceu estranhar, ela devia me achar meio nova para John -, esse é meu meio irmão, Max — Max respondeu com um aceno.
– Ele é filho do seu pai também? — ela perguntou com a voz suave e delicada.
– Não, é filho da May — ela me olhou e pareceu não entender como aquilo era possível.
– Eu custo a envelhecer — eu disse em forma de segredo e todos riram, mas Page ainda pareceu confusa e deu uma breve risada.
– E por fim, Melissa... namorada do Max?
Max olhou para Melissa e ela deu um sorriso tímido e começou a ficar ruborizada.
– Quase lá — disse Max com um sorriso encantador e apaixonado.
Mais tarde ficamos sabendo que Page e Nick namoram a cinco meses e estam muito felizes. Nick passará o ano novo com a família de Page já que ela passou o natal com a dele. E ela ainda me olhava estranho. Estávamos conversando na cozinha que era grande e agradável e então a campanhia toca e todos se olham. Quem mais viria? Não estava faltando ninguém ali. John se levantou para ir atender e eu disse para deixar comigo e ele aceitou.
Fui até a porta e a abri.
– Olá.
Era Pietro, ele sorria para mim e estava até elegante, devo dizer. Ele estava com uma camisa social e calça jeans, seu cabelo estava idêntico ao de Max e seu sorriso encantador estava ali, pregado em seu rosto, com seus dentes brancos e seus olhos azuis brilhantes.
– Pietro? O que está fazendo aqui?
– Bom, eu me mudei para a casa da frente e... sabe... é natal e eu detestaria passar sozinho sabendo que a minha família mora logo em frente.
Dei uma risadinha e sorri. Além de tudo nós somos uma família, seríamos ainda mais se Logan não o tivesse matado.
– Vai me deixar participar? Eu trouxe comida.
Ele me mostrou uma travessa que trazia nas mãos.
– Você comprou no supermercado, foi?
– Que absurdo! Eu que fiz!
– Sei Pietro — comecei a rir e ele me acompanhou. — Entre — peguei a travessa das mãos dele e o convidei para entrar.
Ele analisou toda a casa. "Que casa incrível, tão... família", ouvi os pensamentos dele, mas não manifestei que podia fazer isso, apenas dei um sorriso sem que ele percebesse. Cheguei à cozinha com ele em meu encalço. Coloquei a comida de Pietro na bancada.
– Olá — ele disse com um sorriso idêntico ao de Max.
Percebi que todos, com exceção de Max, olhavam para Pietro espantados, o que parece tê-o deixado um pouco desconfortável.
– Pessoal, esse é Pietro. O pai do Max.
– Mas ele não...
– ... estava viajando? Sim, claro — interrompi Nick que sabia da verdadeira história.
– Que bom que voltou de viagem pra passar o natal com a gente, pai — disse Nick abraçando-o quase que da mesma forma que Nick o abraçara. Pareciam gêmeos idênticos com praticamente a mesma idade.
– Prazer em conhecê-lo — disse John analisando-o. — Nossa, mas... é idêntico.
– Com exceção dos olhos — eu disse.
– É verdade... os olhos do Max são idênticos aos da May. Sou John.
– John! Claro! Prazer em finalmente conhecê-lo. Que bom que cuidou da May todos esses anos — Pietro sorriu, um sorriso diferente, não aquele sedutor, mas aquele de agradecimento.
– Obrigado por ter feito o Max, sem ele eu não conheceria a May — John também deu o mesmo tipo de sorriso e eles começaram a rir.
Nós ceiamos, em uma mesa grande na sala de jantar, era tão bom ver todos juntos, eram a minha família. Eu tinha uma família, uma de verdade. Onde não havia brigas, estupros e ninguém de mau humor. Tínhamos fartura e quanto mais pessoas melhor. Todos riam. Pietro se enturmou fácil. Entregamos presentes na sala de estar, sentados no sofá e no tapete perto da lareira. Todos sorriam e riam. Começamos a nos abraçar e desejar um feliz natal a todos. Pietro me abraçou como se não fizesse aquilo há anos, o que era verdade. Nos afastamos e olhamos para o outro sorrindo, nosso sorriso disse tudo. E percebi que Pietro tinha uma outra parte das qualidades, ele era a parte amor, eu o amava e ele me amava e sabíamos disso e por isso nos entendíamos tão bem. Após os cumprimentos, saímos para a neve. Nick jogou Page na neve e eles começaram a fazer anjinhos, porém Nick estragou o anjinho de Page lhe dando um beijo rápido, ele se levantou e a levantou também e ela lhe deu uns leves tapas no ombro por ter estragado o anjinho dela. Max pegou um visco e colocou por cima da cabeça dele e de Melissa, Melissa olhou para cima e sorriu, Max pegou em sua nuca e a beijou. O beijo era longo e foi interrompido por uma bolada de neve que Nick dera na cara de Max. Eles então começaram uma guerra de neve. John e eu nos abraçamos olhando nossos filhos brincarem na neve com a futura família que eles formariam. Vi Pietro sozinho, ao lado, com a mão no bolso, olhando para Max.
– Segura essa pai! — Max mandou uma bola e Pietro desviou rápido.
– Você não vai conseguir me acertar, Max!
– É um desafio?
Max e Pietro se encararam e então ele começou a brincar com os garotos, Page e Melissa entraram na brincadeira também.
– Sabe... eu ainda sou bem jovem para acertar bolas de neve em alguém — disse John e eu ri.
– Então vamos enchê-los de bolas de neve — lhe dei um beijo na boca, ele pegou minha mão e nos levou para a brincadeira.
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