Notas iniciais
May e Logan parecem estar se entendendo de novo, afinal, pareceu compreender que May e Tomas precisavam de certa... privacidade.

Entrando na casa de Tom, percebi o quanto ela é grande. Sim, o restaurante fazia muito sucesso, o que era tudo o que ele merecia. Tom me apresentou toda a casa bem animado. Ele tinha o quarto dele e o quarto de Doroty, sua filha. O quarto era um típico quarto de menina rica e tudo era rosa e cheio de barbies e ainda alguns restinhos de unicórnios. Ele me mostrou uma foto de Doroty, ela realmente era muito parecida com ele, só que mais delicada, lógico. Vi fotos dos dois pescando, ela segurando um peixe enorme, ela num barco. Ele realmente amava sua filha e eu o entendia perfeitamente, uma vez que eu amo meu Max mais que tudo nesse mundo. Ele me perguntou se eu tinha alguma foto do Max e acabei me lembrando que não tinha, as que tinha, estavam na casa de John, mas não disse que era na casa de John e sim na minha casa.

Ele me mostrou o quarto dele. Tinha uma King Size maravilhosa e praticamente mais nada, apenas uma TV de tela plana pendurada na parede e uma porta que dava para um banheiro. Ele disse que eu poderia dormir ali, me recusei de início, mas ele disse que ficaria bem na sala. Recusei mais algumas vezes até que ele me mostrou onde dormiria na sala.

O sofá da sala era gigantesco, ele se abria e virava uma enorme cama de solteiro e tinha uma lareira elegante e confortável logo em frente. Era bem confortável também e confesso que tive até vontade de ficar na sala. Ele disse que não, que fazia questão que eu ficasse em sua cama.

Tom disse para que eu tomasse um banho, para descansar da viagem. Ele me emprestou um conjunto de moletom dele e disse para que eu ficasse a vontade. Subi as escadas e entrei no banheiro. Era o maior banheiro que já vi na vida. O espelho era gigantesco, tinha uam banheira e um chuveiro com box transparente. Fiquei um tempo vendo o quanto aquele banheiro era incrível e comecei a tirar minha roupa para um banho. Coloquei minha jaqueta com cuidado a um canto, pois minha aliança estava lá dentro do bolso. Despi o restante de minha roupa e fui para o banho. A água era incrivelmente deliciosa, era um banho que cheguei a torcer para não acabar tão rápido.

Acabado meu banho, coloquei o moletom de Tom e desci as escadas, deixando, antes, minhas roupas em cima da King Size. Chegando na cozinha, senti um cheiro agradável, ele estava cozinhando algo para nós dois e disse para que eu sentasse a mesa se quisesse. Me ofereci para ajudá-lo a cozinhar e ele disse que eu não precisava me incomodar. Me sentei na mesa e fiquei assistindo-o cozinhar com a cabeça apoiada em minha mão e com um sorriso.

Conversamos sobre muitos assuntos, sobre nossas vidas e tudo o mais, o dele foi rápido, ele estava mais curioso para saber de mim e então lhe contei tudo o que tinha vivido. Desde o ataque ao Robert e à July, até o momento em que decidi fugir para um subúrbio com Max. Ele ouviu com atenção, deu seu palpite, achou interessante como eu conseguia andar com o Logan depois do que ele fizera, disse até que eu era boazinha demais e então lhe disse que eu ainda não o perdoei, só decidi deixar de lado já que terei que aturá-lo na busca, mas também, não estou me importando de tê-lo, ele me ajuda a controlar meus surtos.

Depois de um jantar muito bom, fomos para a sala e ficamos de frente para a lareira tomando vinho. Conversávamos sobre as manias de nossos filhos, dos acidentes de criança e até mesmo como descobri que Max se curava rápido. Ele riu, estávamos perto um do outro naquele momento. Ele me olhou bem dentro dos olhos e eu o olhei também, ele se aproximou e meu coração disparou, disparou incontrolavelmente. Fiquei ofegante e então, ele me beijou. Fechei os olhos e me entreguei aos beijos de Tom.

Não me lembrava do quão gostoso era beijar Tomas, do quanto eu me sentia livre. Ele pegou a taça da minha mão e colocou em cima de uma mesinha de centro. Ele me puxou para perto dele e eu me deixei levar. Seu toque, era sedutor, eu não conseguia resistir. Ele me deitou no sofá e eu continuava a beijá-lo e então, senti que minhas garras estavam aumentando e que meus caninos estavam crescendo e então, quando senti que iria machucá-lo, parei de beijar e afastei meu rosto do dele. Ele me olhou surpreso e eu ainda estava ofegante.

- Há quanto tempo não vejo seus olhos amarelos — ele disse fazendo carinho em meu rosto.

Eu estava ofegante, eu não sabia o que pensar. Com Tom eu não precisava esconder nada, ele gostava do meu jeito felino e tudo o que eu tinha de qualidades e defeitos. Assim como John. John também não se importa com meus olhos amarelos, não se importa que eu o machuque as vezes com minhas unhas de adamantium e muito menos com meus caninos. Tom me beijou de novo e eu correspondi. Eu só teria Tom por uma noite enquanto John eu teria para o resto da vida dele. Mas...

Parei o beijo novamente.

- Tom... desculpa... eu...

Tom se levantou e me olhou nos olhos, esperando que eu falasse.

Suspirei e balancei a cabeça, tampei meus olhos com as mãos com força. Ele ainda não dizia nada, esperasse que eu falasse algo.

- Tom, eu não posso.

- Qual o problema? — ele me perguntou delicadamente, passando a mãos em meus cabelos.

- Eu... por favor, não me odeie Tom, mas eu menti pra você — comecei a chorar. Droga, o que ele ia pensar de mim, mais um que me odiaria pra sempre.

Ele se sentou de frente pra mim, meio sério. E eu me sentei de frente pra ele com os olhos cheios de lágrimas.

- Em que parte mentiu pra mim? No seu filho?

- Não, eu realmente tenho um filho...

- Que o pai dele morreu?

- Não, ele realmente morreu e Logan o matou.

- Então foi...

- Tomas — o interrompi. — Eu sou casada ainda, eu não fui embora e eu amo meu marido do mesmo jeito que amo você — disse de uma vez.

- O quê? — ele não havia entendido.

- Eu me casei Tom. Com um homem que tinha um filho. O filho dele virou melhor amigo do meu Max e começamos a conviver juntos, até que nos apaixonamos e nos casamos e somos casados até hoje e tem uns bons anos. Eu escondi a aliança no meu bolso porque não queria que você ficasse com raiva de mim. Teve um amigo meu que ficou com raiva de eu ter casado e ele disse que ia fazer questão de fingir que eu nunca existi e eu não quero que isso aconteça com a gente Tom — chorava muito. — Quero que você continue se lembrando de mim e gostando de mim como eu sempre vou ficar. Eu queria muito ficar com você essa noite, te sentir novamente mas algo em mim diz que isso não é o certo a fazer. Mas para ficar com você essa noite foi a maior das razões por eu ter escondido minha aliança, mas eu não consegui deixar de pensar em John. O quanto isso poderia magoá-lo.

- May — Tom sorriu para mim e eu o olhei nos olhos ainda chorando. — Tudo bem, não vou ficar com raiva de você. Na verdade, você me deixou ainda mais feliz com essa notícia.

- Deixei?

- Claro, você acabou de mostrar o quant você seria fiel a mim se tivéssemos ficados juntos. Você é uma mulher fiel May, mesmo com a sua imortalidade, pelo que você me contou, você nunca traiu nenhum dos seus namorados — ele sorriu e beijou minha testa. — Mas isso não impede que possamos aproveitar a lareira juntos, certo?

- Claro que não — disse sorrindo.

Ficamos então conversando, deitados no enorme sofá, aquecidos pela lareira. Dormimos juntos na sala, pois o sono chegou antes que pudéssemos nos despedir com um boa noite. Acordei meio descabelada e ele sussurrou em meu ouvido um delicioso bom dia, me espreguicei e minhas unhas cresceram quando eu estiquei minhas mãos. Acordei, tomei café, fui ao banheiro, troquei de roupa, lavei o rosto e coloquei minha aliança de volta. Olhei para ela e sorri. Que saudades de você John, quem dera pudesse vir comigo.

Ouvimos uma buzina lá fora, era Logan que havia acabado de chegar. Tom me levou até a garagem, abriu e peguei minha moto, me despedi dele com um abraço e um beijo no rosto. Se e pudesse, ficaria com Tom e John, mas isso não seria correto e sim muito egoísta. Então nos despedimos com um sorriso. Tom e Logan se cumprimentaram de longe, até que Tomas decidiu se aproximar.

- Logan, posso te falar uma coisa? — ele disse meio risonho.

- Claro — respondeu Logan também com um sorriso.

Tomas sorriu, colocou as mãos nos bolsos e olhou para Logan seriamente.

- Se você fizer gracinha com os sentimentos dessa garota de novo, eu arrebento você. Sei que não posso te matar porque você é como ela e sei que pra você parece ridículo, mas eu faria você sofrer o máximo que eu conseguisse.

Fiquei surpresa com o depoimento de Tom. Logan me olhou sem entender e eu dei de ombros e prendi uma risadinha. Logan voltou a olhar surpreso para Logan.

- Me entendeu, não foi? A May é boa demais pra ser tratada de qualquer jeito.

- Entendi... Tomas — ele disse.

Dei um beijo na bochecha de Tom, ele não esperava por isso, mas sorriu com a minha atitude e depois olhou sério para Logan. Ele lhe ofereceu a mão com um sorriso, como se o que ele tivesse falado não tivesse acontecido e Logan correspondeu ao seu cumprimento. Logan e eu subimos em nossas motos e fomos embora. Durante nosso trajeto, Logan começa a conversar comigo em voz alta na estrada.

- E então? Como foi a noite? — ele perguntou.

- Inesquecível! E a sua?

- Não sei, meio tenebrosa — ele respondeu.

- O que aconteceu dessa vez?

- Nada demais. Ah, esqueci de te contar uma coisa. Parei de sonhar com a Jean há uns bons anos atrás, depois que fui para o Japão.

- Japão? Desde quando você foi para o Japão? — perguntei surpresa.

- Longa história — ele deu uma risadinha.

- Não, você vai me contar, eu preciso saber de tudo.

- Não precisa não.

- Ah, vamos Logan, não somos amigos agora?

- Então finalmente somos amigos?

- Nós somos amigos desde o dia em que você controlou minha crise no bar.

- Estou perdoado?

- Não exagera Logan, está pedindo demais, contente-se com a minha amizade!

Ele gargalhou.

- E então, vai me falar sobre o Japão?

- Vou sim, com o tempo.

Ele acelerou a moto e passou na minha frente, acelerei a minha também e começamos a apostar uma pequena corrida. Sim, estava tudo indo muito bem, tão bem que me dá até medo do que está por vir, pois na minha vida, quando tudo parece ficar bem, sempre acontece uma desgraça. Mas espero que essa demore novamente, assim como os anos em que fiquei casada com John.