Notas iniciais
May precisa ir atrás de Max, ela precisa descobrir onde está seu pequeno Max e para isso, ela precisa, novamente, pegar a estrada.

Olá, me chamo May. May Parker. Existo desde não sei que ano mas fisicamente pareço ter vinte e dois anos. Eu sei, você já me conhece, mas as vezes preciso lembrar a mim mesma a May meio humana que sou.

Acabo de abotoar minha camisa branca, coloco minha jaqueta de couro, uma calça jeans e minhas botas longas e pretas de salto. Arrumo meu cabelo jogando-o pros lados. Passo meu batom vermelho. Olhando no espelho, respiro fundo.

Olho pra trás e vejo John. Ele está dormindo, num sono profundo. É a primeira vez que não o vejo sorrir enquanto dorme. Tento não chorar mas minhas lágrimas não me obedecem e eu também não as seguro. Quero tocá-lo, quero beijá-lo, quero acordar e poder cheirar seu cabelo e sentir seu abraço. Quero me sentir inocente, quebrável, totalmente frágil em seus braços. Mas não posso mais. Não enquanto não encontrar meu Max.

Comecei a sair do meu quarto. Olhei para a casa. Eu sentiria tanta falta dessa casa, acariciei a parede enquanto andava. Eu estou com medo. Com medo de não voltar a tempo de ver meu querido John com vida, de não poder viver no meu querido subúrbio novamente. Peguei a chave da moto. Não poderia usar a de Claus, ela não aguentaria. Dei a partida e fui embora sem me despedir de mais ninguém. John foi o mais doloroso de todos e acho que não aguentaria mais dar adeus às pessoas que deixaram a minha vida mais perto do normal possível, as pessoas que me aceitaram com a minha imortalidade, com a minha diferença genética.

Comecei a dirigir para fora do subúrbio. Eu sabia para onde eu iria. Infelizmente aquele lugar seria de grande ajuda. Eu precisava do Instituto Xavier. Lá há o Cérebro, uma máquina que nos ajuda a encontrar mutantes e ela me ajudaria a encontrar meu Max.

Era uma longa distância até lá. Fiz algumas paradas, me banhei em alguns lagos limpos e belos que haviam pela estrada. Me maquiava em algum banheiro de lanchonete e toda vez que olhava minha aliança, me lembrava do meu querido John. Queria perguntar como foi o seu dia, lhe fazer um lanche e depois beijá-lo como se não houvesse amanhã. Fechei os olhos e deixei o vento bater em meu rosto e com ele veio as lembranças e com as lembranças veio as lágrimas. Gritei no meio do nada, eu precisava disso. Gritei e me sentei, chorei como nunca havia chorado antes e meu coração doía tanto. Eu quero voltar para os braços de John, quero ser sua garota frágil, quero ficar pra sempre ao lado dele, mas não posso. Não posso deixar meu filho em um lugar estranho, ou não. Não sei o que houve com ele e preciso sempre me lembrar disso para não voltar para John.

Finalmente cheguei no Instituto. Confesso que fiquei olhando para a porta. Ali estava meu passado, o passado que parecia tão distante de mim, um passado quase já esquecido, quase atribuído a uma outra vida que tive. Ali dentro estava Logan, Orono, Vampira, Bob e... e apenas eles. Scott, o irritante do Pyro, Charles, até a estúpida da Jean Grey, não estavam mais ali. Como estariam? Quais rostos novos teria de ver? Quero ir embora. Não quero ficar nesse lugar cheio de lembranças ruins. Mas não tenho o luxo mais de pensar só por mim. Eis algo que vem com a maternidade.

Me aproximei e o portão se abriu. Haviam vários novos alunos se divertindo no jardim. Eles paravam para me olhar, mas eu continuei. Estacionei minha moto em frente a entrada do Instituto. Andei lentamente até a porta. Respirei fundo. Eram as portas que me levariam de volta ao meu passado. Bati três vezes. A mansão pareceu ficar em silêncio, pareciam saber que era eu mas não sabia se abririam ou não.

Então, uma pessoa que eu não conheço, abre a porta, é uma garota, parece ter uns vinte anos aproximadamente. Ela sorri.

– Pois não?

– Orono está? — sim, ela seria a escolha perfeita. Não poderia encarar Logan agora.

– Sim claro. Pode entrar — ela abriu a porta e eu entrei.

Olhei ao redor. Não estava exatamente igual, mas ainda me fazia lembrar dos tempos que vivi ali. Não foram tempos bons, não mesmo. Me lembro quando Logan e eu voltamos de viagem, era como se eu estivesse revivendo aquele momento.

– Pode me acompanhar — disse a garota me tirando de minha lembrança.

Eu a segui pelos corredores. Alunos corriam, riam, alguns estavam nas salas de aula. Olhei para uma sala e vi alguém conhecido. Era Bob, ele dava aulas agora. Parecia bem mais maduro. Quanta coisa queria perguntar a ele. Como ia seu relacionamento com Vampira? O que houve com Pyro? Como é ser professor? Está gostando?

Mas essas perguntas ficariam para depois, ou não. Tudo o que quero é achar Max e voltar para o meu marido. Depois de muito caminhar, a garota para em frente a porta da sala que pertencia a Charles Xavier, o careca.

A garota abriu a porta e lá estava Orono, olhando pela janela. Seu cabelo estava grande novamente, mas todo repicado.

– Professora Monroe? — disse a garota.

– Sim? — Orono se virou para a garota e quando me viu ela ficou paralisada e boquiaberta. Orono não parecia tão velha, mas também não era mais aquela mulher sedutora que foi um dia. — May? — ela perguntou apertando os olhos e saindo de sua postura superior.

A garota olhou achando aquilo muito estranho.

– Oi Orono — respondi sem muito entusiasmo.

– July, pode nos dar um momento? Obrigada por trazê-la aqui querida.

July, a garota que me acompanhou, saiu e nos deixou a sós. Orono se aproximou de mim.

– May, você... você parece...

– Mais velha? — completei.

– Sim — ela sorriu.

Eu não resisto a não sorrir de volta para Orono. Eu gostava dela, ela era legal. A melhor pessoa que conheci nesse Instituto depois do careca. Ela me abraçou e eu a abracei de volta. Era confortável. Não tanto quanto o de John, ou o de Max, mas confortável.

– Meu Deus, olhe pra você! Tão linda, tão jovem! — ela passou as mãos em meus cabelos.

– Obrigada. É o dom de não envelhecer.

– Então querida, o que andou aprontando? Você ficou muito tempo longe. Quero as novidades.

Ela se sentou na cadeira e me convidou a sentar de frente pra ela. Me sentei.

– Pelo visto você também novidades pra mim — digo olhando a sala.

– Ah sim. Me tornei a diretora do Instituto assim que voltamos daquela guerra.

– Que já faz um bom tempinho não é?

– Sim... um bom tempo. E o que aconteceu com você? Você sumiu depois da guerra e...

– Ah sim. Fui atrás do meu irmão.

– Você o encontrou? — ela me perguntou animada.

– Sim — sorri ao lembrar do meu encontro com Remi. — Mas não foi só isso que aconteceu — não em contive, precisava contar a ela, ela merecia saber, ela realmente se importava comigo, eu era grossa e não a tratava bem, eu queria matá-la a todo o momento e agora era o momento de me redimir. — Eu tive um filho — ela não precisa saber de quem -, meu irmão me ajudou a cuidar dele. E foi graças ao meu filho que consegui envelhecer alguns aninhos — damos uma risadinha boba. — Me mudei para um subúrbio depois, só eu e meu filho e conheci um homem e... agora sou conhecida como Senhora Parker.

– Oh meu Deus! Você se casou?

– Sim. Me casei. Ele é humano, ele sabe como eu sou e mesmo assim me quis — meus olhos brilharam, era tão bom falar de John. — Nos conhecemos por nossos filhos. Eles são amigos.

– E seu garoto. Como se chama?

– Max. Ele é incrível! E é realmente sobre ele que quero falar — meu sorriso se foi e o de Orono logo em seguida.

– O que houve querida? — era aquele olhar de preocupação que ela sempre me lançava e aquilo me confortou.

– Ele sumiu. Ele saiu de casa e não voltou.

– Não acha que isso é parecido com alguém?

– Não Orono. Você não entende! Ele nunca fez isso sem me avisar!

– Mas e se ele não quisesse despedidas? Já pensou nessa possibilidade?

– Não! Não foi isso! Max jamais partiria sem me falar. Ele não pode fazer isso comigo — comecei a chorar sem perceber e meu tom de voz aumentou. — Ele é meu filho, meu pequeno Max. Não pode simplesmente ir embora sem me falar nada! Eu sinto Orono, sinto que há algo errado. Não é uma coisa que Max faria.

– Vocês brigaram antes?

– Nunca brigamos Orono. Sempre ajudamos o outro quando há problemas. Sempre! — coloco minhas mãos nos olhos e deixo as lágrimas me domarem. — Isso é estranho Orono, eu precisos aber onde ele está! Eu quero o meu filho e se for isso mesmo que você diz e quero achá-lo pra poder lhe dar um belo de um soco na cara. Ele não pode fazer isso comigo — começo a ficar nervosa de pensar na possibilidade de Max ter partido e nem sequer ter me dito adeus.

Olhei desesperadamente para Orono.

– Tem aquela máquina, não tem? Cérebro! Ela encontra humanos e mutantes, certo?

– Sim May, temos a máquina mas...

– Mas o quê?

– O único que conseguia operá-la era Charles.

Aquelas palavras. Aquelas palavras era tudo que eu não queria ouvir. Era tudo de que eu não precisava. Não, não poderia ser verdade. Eu precisava daquela máquina. Lágrimas vieram aos meus olhos de novo. Ótimo, agora minhas chances de voltar para John eram ainda mais curtas. Eu gritei novamente em desespero. Era horrível não poder fazer o que quero. Eu quero meu filho, quero saber como ele está, quero meu marido, quero a minha vida feliz de volta, chega de torturas. Max, por que fez isso comigo?

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Novo leitor? Veja May — Parte I e entenda como essa personagem chegou a esse ponto. Ou se preferir, comece da versão origens de May, May — Parte IV, onde é possível saber como foi a vida e a descoberta de seus poderes.

Notas finais
Obrigada a todos vocês que acompanham a minha fanfic. Espero que ainda estejam interessados para saber o paradeiro de Max, May está super nervosa para descobrir.~~~~~~~~ ~~~~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~~~~~ ~~~~~~~~~ ~É NOVO LEITOR e não está entendendo o que está acontecendo?Veja May - Parte I e entenda como essa personagem chegou a esse ponto >> http://fanfiction.com.br/historia/238365/May_-_Parte_I/Ou se preferir pode ver a versão Origens de May, onde é possível saber como foi a vida e como foi a descoberta de seus poderes >> http://fanfiction.com.br/historia/320845/May_-_Parte_IV/