Notas iniciais
May decide levar Max ao parquinho e acaba descobrindo coisas além das que Nick, o barman, lhe disse.

- Max, querido, acorde.

Balancei Max para que ele acordasse. Seus olhos abriram lentamente, ele fez uma careta fofa e me olhou. Levou a mãozinha ao olho e o esfregou.

- Mamãe?

- Hoje quero te levar a um lugar novo.

- Qui lugá? — ele se espreguiçava e sua voz estava meio embargada.

- Você verá — beijei o topo da cabeça dele.

Fui até o guarda-roupas e peguei uma calça jeans, um pequeno tênis all-star preto, uma camisa branca e um outra camisa xadrez vermelha para ficar por cima da branca. Comecei a vesti-lo. Ele ainda estava sonolento e bocejava. Penteei seus cabelos loiros quase brancos, lisos e macios.

Eu estava com uma calça jeans apertada, botas de cano longo de salto, uma blusa simples roxa com um decote razoável, meus cabelos jogados em ondas quase perfeitas, maquiagem bonita nos olhos, um batom vinho e pequenos brincos. Estiquei minha mão para Max pegá-la e ele levantou os braços pra mim. Eu não resisto quando ele pede colo e acabo pegando-o. Ele era leve pra mim, ele não tinha ossos de adamantium.

Com Max no colo, saí do nosso quarto e vi Remi dormindo com uma garota, era a segunda vez que estava com a mesma, quem sabe ele para nessa? Continuei a descer. Parece que era cedo, mas já eram umas dez horas da manhã. Todos dormiam porque o bar ficava aberto até bem tarde. Saí do bar com Max no colo. Ele bocejava mas não deitou em meu ombro, devia estar curioso pra saber onde iríamos, eu raramente saía com ele do bar a não ser para a padaria.

Andando poucos quarteirões, Max pareceu ficar mais atento, ele endireitou o corpo rapidamente e olhou fixamente para um lugar.

- Max? — perguntei observando-o.

- O que é isso? — ele ainda olhava fixamente e parecia preocupado.

- O que foi querido? O que está ouvindo?

- Estão guitando, guitando e... rindo? — ele me olhou parecendo intrigado e eu o olhei da mesma forma?

Coloquei Max no chão e peguei a mãozinha dele. Perguntei onde ele estava ouvindo e pedi que me guiasse, andando mais alguns bons passos ouvi o mesmo som, eram crianças gritando e rindo. Andamos mais um pouco e ali estava o parquinho.

Max e eu ficamos paralisados, ambos nos surpreendemos. Haviam muitas crianças, de bebês a crianças de oito a nove anos correndo para todos os lados, algumas brincando na areia, outras subindo nos playgrounds em forma de castelo no centro, umas brincando de pular corda, outras batiam as mãos e cantavam algo estranho. A única vez que vi tantas crianças fora em minha escola, mas eu não brincava com elas, eu tinha medo delas.

- Mamãe?

Olhei para Max e ele me olhava assustado. Eu não podia passar meu medo a ele, ele não precisava temer nenhuma dessas pessoas, ele tinha a mim e não precisa viver escondido como eu vivi. Não tem ninguém querendo que ele morra, não tem ninguém que briga comigo na frente dele. Há apenas humanos, humanos que ainda são inocentes e não tem idade para machucá-lo psicologicamente. Sorrio pra ele e me agacho para ficar da mesma altura.

- Max, esse é o parquinho.

- Paquinho? — ele olhou para as crianças enlouquecidas.

- Sim querido. Aqui tem muitas crianças da sua idade que você pode brincar e muitas coisas pra você correr a vontade — assim que falei isso me lembrei se seria uma boa ideia deixá-lo correr. E se herdou a velocidade de Pietro?

- E convesá com as garotas? — ele deu um sorriso sapeca.

Eu ri, não consegui me conter.

- Você não pode falar com elas do mesmo jeito que seu tio e Claus fazem, essas garotas são diferentes. Elas brincam de bonecas e gostam de elogios, sobre a roupa que estão vestindo e como seus cabelos estão, ou os olhos.

Ele olhou novamente para o parquinho e pareceu gostar da ideia, ele começou a andar em direção ao monte de crianças e para minha surpresa ele foi logo num grupinho de meninas que brincava de pentear suas bonecas lá em cima no castelinho. Elas olharam pra ele, ele disse algumas coisa e elas deram risadinhas, elas pareciam um pouco mais velhas que ele, mas rapidamente acharam ele muito fofo.

- Hey! — ouvi a voz de uma mulher e olhei para o lado.

Ela estava sentada num banco com uma bolsa grande e rosa ao lado. Seus cabelos eram vermelhos como fogo e o vento fazia-os dançar como se fosse um. Não consegui ver seus olhos, estavam muito cerrados.

- É mamãe de primeira viagem? — ela me perguntou.

- Desculpe? — não havia entendido muito bem a pergunta.

- Sente-se aqui, ele ficará bem — ela sorriu e bateu duas vezes no lugar vago ao lado dela.

Me sentei meio sem jeito. Não levo muito jeito pra conversar com mulheres...

- Me chamo Holy — ela esticou a mão pra mim e eu a peguei.

- May — balançamos a mão em um cumprimento.

- Então, seu primeiro filho?

- Sim — eu não conseguia parar de olhar para Max, uns garotos chegaram perto dele e chamaram pra brincar e ele aceitou. as meninas acenaram pra ele.

- Aquela é minha filha, Jessie — ela apontou para uma garotinha de cabelos flamejantes como os dela que brincava na gangorra com uma boneca, ela parecia solitária.

- Ninguém brinca com ela? — perguntei.

Holy suspirou chateada.

- Jessie não é muito sociável, ela é meio lenta pra entender as coisas, ás vezes ela sai da brincadeira das outras meninas, assim eles a rejeitam.

Naquele momento senti pena da pequena Jessie, rejeitada aos...

- Quantos anos ela tem? — perguntei.

- Três, faz quatro daqui dois meses.

Rejeitada aos três anos, isso não é muito legal. Então tive uma ideia. Olhei para Max. Ele parecia não estar gostando da brincadeira dos meninos, eles corriam de um lado para outro, mas Max parecia não estar gostando daquilo.

- Max! — chamei e ele veio rapidamente. — Max, essa é Holy.

Ele olhou para Holy, disse oi, balançou as mãozinha e sorriu pra ela. Holy correspondeu ao aceno de Max.

- Tá vendo aquela garotinha ali querido — apontei para Jessie e ele assentiu. — Ela está muito sozinha, porque não chama ela pra brincar com você? Ou para conversar, apresentar ela às outras meninas, ou vocês inventam outra brincadeira quem sabe...

- Ela pareci a moça — ele apontou para Holy.

- Sim, é a filha dela.

- Tudo bem — ele deu de ombros. — Ela é bonita — ele sorriu pra mim e eu sorri de volta e ri.

Ele foi correndo até Jessie e pude ver ele começando a conversar com ela.

- Olhe, não era necessário, eu...

- Tudo bem. Max tem três anos e ele não sabe brincar daquelas coisas estranhas. Ele gosta de conversar — sorri para Holy.

- Obrigada — Holy parecia realmente agradecida. — Então, desculpe a pergunta mas, você parece tão nova, teve Max cedo?

- Bom — dei uma risadinha. — Posso dizer que o tive no tempo certo — sorri.

- É casada?

- Não. Vivo com meu irmão. O pai de Max morreu e eu fugi.

- E seus pais? Não te ajudaram?

- Nunca me ajudaram. Mas isso não importa, estão mortos.

Aquela minha frase soou fria e ficamos um tempo em silêncio. Holy deve ter percebido que não senti dor nenhuma ao falar de tantas mortes. Mas depois de algum tempo ela quebra o silêncio.

- Bom, eu sou casada. Tínhamos dificuldade para engravidar então Jessie foi uma vitória pra nós. Nós a amamos muito e ela terá tudo o que quiser e que pudermos dar. Ela é preciosa pra nós. — eu a entendia muito bem.

- Max também é pra mim. Ele é a realização de um sonho. Ele é a pessoa mais importante do mundo pra mim.

Holy e eu sorrimos para a outra. Nossas dificuldades e nossas preciosidades foram expostas uma para a outra. Max pareceu se dar bem com Jessie. Ao meio-dia, chamamos Jessie e Max, nos despedimos e voltamos a caminhar pra casa. Max não parava de olhar em direção a Jessie que estava no colo de Holy.

- Ela gostô de mim! — ele disse super feliz pra mim.

- É mesmo? — perguntei feliz também.

- É... ela disse pra mãe dela que sou incrível.

Max continuou o caminho sorridente e pulando de felicidade. Típico do meu lado da família ficar feliz com elogios de beleza e atitude, deve ser típico de Pietro também. Mas então uma coisa me fez voltar a realidade, à nossa realidade, à realidade dos mutantes. Como Max ouviu Jessie conversar com Holy àquela distância? Olhei para Max meio surpresa e desconfiada. Ele também ouviu as crianças do parquinho à uma longa distância. Será esse o seu dom? Super audição?

Notas finais
Sorry a demora queridos !! Tempo.. kk
Obrigada pelo acompanhamento !