Notas iniciais
May decide conceder o passeio a Max com a condição de primeiro conversar com os pais de Nick. O pai de Nick aparece para buscá-lo e ele parece ser diferente dos outros pais que ela costuma ver...

No dia seguinte, estava novamente esperando Max encostada na moto. Ele apareceu ao lado do garotinho Nick. Max me chamou com a mão e fui até ele. Não gostava muito de ir até onde os pais perfeitos ficavam. Elas me olhavam com a cara torta. Não que eu me importasse, mas não quero chamar muita atenção para não ter que sair do subúrbio rápido.

- Mãe, esse é NIck, meu amigo.

- Oi Nick, tudo bem? — estiquei a mão para cumprimentá-lo.

Nick assentiu, pegou minha mão e a apertou meio tímido. Dei uma risadinha.

- Onde está seu pai? — Max perguntou para Nick.

- Bem ali.

Nick apontou para um lugar e começou a andar naquela direção. Max o seguia e eu ia atrás dos dois. Esse era o combinado que fiz com Max, precisava conversar com os pais de Nick, conhecê-los, para então saber se o deixaria ir ou não.

O que eu esperava do pai de Nick: ele seria um homem de terno, daqueles super bem-sucedidos e ocupados demais com o trabalho, ele estaria com pressa, um mal-humor incrível, olharia para um relógio no pulso a cada segundo. esperava que ele puxasse Nick e nem desse tempo de conversar. Porém, quando chego perto do pai de Nick, é exatamente o contrário que vejo.

O pai de Nick o espera com um sorriso, um sorriso que mostra todos os dentes, ele está com uma calça jeans escura e sapatos marrons estilo esporte. Usa uma camisa xadrez verde por cima de uma camisa branca. Seus cabelos são castanhos e encaracolados e curtos. Quando o vento bate em seu cabelo ele dança suavemente, parece ser macio vendo daqui. Seus olhos são castanhos e brilhantes, ele parece jovem, deve estar na casa dos vinte e sete ano, quase trinta. Ele é muito charmoso e nada apressado.

- Pai, esse é Max, o meu amigo — Nick apresenta Max.

- Olá Max, tudo joia? — ele levanta a mão e Max dá um tapa nela, essa é a forma de se cumprimentarem. Ele ri, a risada dele é sinfônica, é limpa, é saudável e agradável. Sinto um sorriso escapar do meu rosto.

- E quem é a mocinha que te acompanha Max? — ele olha pra mim com um sorriso.

- É a minha mãe — responde Max.

- Sua mãe? — ele parece surpreso. — Olá, tudo bem? Me chamo John — ele estica a mão para mim. — John Parker.

- Sou May — entrego minha mão a ele e a balançamos uma vez. — Só May.

- Só May? Nome interessante.

- Não, não — dou uma risadinha. — Me chamo May, não tenho sobrenome.

- Uma pessoa sem sobrenome? Isso é estranho. Briga de família?

- Praticamente isso — coloco as mãos nos bolsos traseiros da minha calça, estou meio nervosa e nem sei porque. Deve ser essa coisa de ser responsável pela vida de alguém.

- Max também não tem sobrenome?

- Ele tem sim. Max Maximoff.

- Soa engraçado o nome dele.

- É... só pensei nisso depois — balancei a cabeço, revirei os olhos e ri um pouco, eu batia em seu ombro.

- Por que não pegou o nome do pai dele pra você?

- Nunca nos casamos então... não tenho o direito.

- Ops... sinto muito.

- Bom... Max está querendo ir pra sua casa brincar com Nick. Está ciente disso?

- Estou sim — ele olha para Nick e bagunça seus cabelos escuros. — Pode ficar tranquila, ficarei de olho nele como fico com meu garotão aqui.

Sorrimos para o outro. Max me cutuca.

- E então mãe. Posso?

Fico pensando um pouco e por fim digo que ele pode ir . Ele pula de alegria e vai andando em direção a Nick. Eu o pego pelo ombro fazendo-o voltar pra mim. Ele parece surpreso com o que fiz.

- Vou acompanhar seu carro até sua casa, pode ser? Preciso saber onde você mora para buscá-lo mais tarde — digo.

- Claro.

Ele sorri e vai com Nick para o carro. Ainda segurando os ombros de Max, vou andando com ele em direção à moto. Me sento e desço o RayBan. Max se senta atrás de mim e envolve minha cintura com seus braços. Nós não usamos capacete. Não há necessidade depois de um pequeno acidente que me fez perceber que Max tem meus poderes de cura.

O acontecimento foi o seguinte: Max e eu estávamos fazendo uma pequena bagunça com água no jardim, uma guerra, tínhamos armas d'água e atirávamos no outro. Ele de sunga e eu de biquini. Enquanto Max corria de mim, ele não viu o garfo de tirar folhas do jardim e acabou pisando nele. Larguei a arma e fui correndo até ele. Ele ficou um tempo parado olhando as pontas que atravessaram seu pé, ele olhou pra mim e começou a gritar muito alto. Comecei a tirar o garfo de seu pé e ele gritava quando mexia nele e então decidi tirar de uma vez e ele deu um grito muito alto. Peguei-o no colo e o levei para a cozinha correndo para poder ligar para a ambulância, eu não podia levá-lo de moto nesse estado. Ele não parava de gritar até que houve o silêncio e nesse silêncio, olhei para trás e o vi observando o pé com muita curiosidade, me aproximei dele e percebi que seu pé estava se curando. Desliguei o telefone e fui até ele. Ele me olhou e perguntou o que estava acontecendo com ele e então lhe expliquei que era um certo poder de cura rápida, falei que ele herdou de mim.

Qualquer criança não mutante se acharia um super heróis, diria que é filho de super-heróis, mas Max sabia o que éramos, eu não escondi a verdade dele, ele não podia sair por aí achando que a sociedade nos ama como nos filmes de super-heróis, eles não nos amam, nos odeiam, se pudessem iriam nos extinguir. Max tinha mais um segredo para guardar e eu agradeci muito por ele ter herdado pelo menos isso de mim. Ou deveria lamentar por ele sofrer o mesmo destino que eu?

Finalmente chegamos na casa de John. Era uma casa um pouco menor que a minha, ela era marrom madeira, era bem bonita. Max desceu da moto assim que a parei e foi correndo até Nick. Eles correram para dentro da casa e só me deu tempo de gritar:

- Te pego às cinco ok? — tenho certeza que ele ouviu.

John aparece ao meu lado olhando para a porta onde os dois acabaram de passar e dá uma risadinha ao ver minha cara de preocupação.

- Sua esposa sabe que Max vinha pra cá hoje? — perguntei.

- Na verdade... não — ele respondeu.

- Oh meu Deus, devia ter avisado a ela. Max é meio hiperativo sabe? Ele não consegue ficar quieto um minuto sequer, a não ser quando dorme — suspiro. — dará um trabalho pra ela.

- Na verdade ela não terá trabalho nenhum. Minha esposa morreu.

Olhei para ele. Confesso que fiquei meio surpresa com a notícia.

- Não precisa ficar sensibilizada, foi difícil no início mas... conseguimos nos adaptar — ele sorriu pra mim e eu sorri de volta. — Criar uma criança sozinho nao é tão fácil para um homem, mas depois, quando eles chegam numa idade onde são um pouco mais independentes, as coisas ficam melhores.

- Te entendo. Se bem que, Max era melhor quando era mais novo, era menos hiperativo. Mudamos pra cá que tem mais espaço pra ele correr e mais agitação na escola e ele ficou mais assim — dou uma risadinha.

- Gostaria de entrar? Fique, almoce com a gente — ele me convida.

- Não posso — digo. — Não quero incomodar. Max já vai lhe incomodar muito.

Rimos um pouco e então vou andando em direção à moto e sento nela.

- Até às cinco!

Dirijo até em casa e quando chego sinto a casa vazia e silenciosa. Minhas pernas começam a balançar. Me sinto abandonada. Olho para o relógio mas as cinco horas nunca vem, são apenas duas e meia. Como será que Max está na casa de uma pessoa estranha? Decido lutar um pouco no porão para ver se a hora passa. Soco algumas coisas e cada vez mais fortes. olho para o relógio, são três horas. Puxa vida, será que cinco horas nunca chega? Não estou conversando com ninguém, não tem ninguém em casa. Vou para a cozinha, quero fazer cookies. É o que faço. Faço muitos e muitos cookies, quem sabe levo um pouco para John e Nick também?

Então finalmente as cinco horas chegam. Saio correndo pra moto e vou rapidamente até a casa de John. Toco a campanhia e um John risonho vem atender a porta.

- Olá May!

- Olá, vim buscar o Max.

- Oh, claro, entre, vou chamá-lo.

Entrei na casa de John, ela era bem confortável, a única diferença da minha era que ele tinha televisão na sala, uma TV enorme. Ele subiu as escadas e chamou Max. Olhei para o lado da cozinha e acabei me lembrando dos cookies, que aliás, esqueci de trazer. balancei a cabeça e lá vem o meu filhinho lindo correndo.

- Oi mãe! — ele desce as escadas pulando e vem me abraçar.

- Oi querido. Se divertiu? — fiz carinho em sua cabeça e beijei o topo.

- Muuuuuito — ele disse com um grande sorriso.

- Obrigada e... desculpe qualquer coisa — falei para John.

- Nada, foi um prazer enorme receber Max aqui.

Nos despedimos. Max me contou tudo o que fez e aquilo me encheu de alegria, a casa estava agitada novamente, ela estava completa. Era tão bom ver meu bebê falar desesperadamente e comer seus cookies. E nossa, como ele lembrava Pietro, até no menor de seus movimentos. O jeito da boca quando está tirando vantagem, as piscadas sedutoras, o jeito de passar a mão nos cabelos, tudo.

Max e eu tínhamos nossos próprios quartos agora e isso era muito bom. Ele precisa de um quarto próprio e eu também, como no Instituto, mas agora esse quarto era completamente meu.

Na manhã seguinte, me lembrei de que precisava trabalhar a noite, o dinheiro já estava acabando e dessa vez terei que compensar o outro mês que não fui, ou seja, lutarei duas vezes esse mês. Não gosto de levar Max e então percebo uma oportunidade, será que John ficaria com ele pra mim? A noite Max é bem mais comportado, mas.... o que eu diria a ele? Que vou sair para trabalhar a noite? Ele vai achar que sou uma prostituta. Preciso pensar em como posso fazê-lo ficar com Max essa noite mas preciso ser sutil, não posso parecer que estou explorando-o também. Puxa, nunca pensei que ficaria confusa em decidir uma coisa tão fútil como essa. Logo eu que já destrui uma garota de adamatium, invadi a Estátua da Liberdade, fugi de um laboratório experimental do governo, lidei com motoqueiros bêbados e pervertidos, participei de uma luta (ou seria massacre?) de mutantes contra humanos. E agora estou aqui, com medo da resposta que um humano qualquer poderá me dar se pode cuidar do meu filho ou não a noite pra mim, estou com medo de incomodá-lo. Será que estou me tornando mais... humana?