Notas iniciais
May e Max foram convidados para a festa de aniversário de Jessie, mas quando May conhece o marido de Holy, ela sente que a festa não terá mais tanta graça assim. Quando a festa acaba, May acredita que o pior já havia passado, porém, ela não esperava por outro acontecimento completamente inesperado.

O assunto das conversas com Max naquela noite, foi a sua ida ao parquinho, ele falava sobre Jessie, sobre ela ter gostado dele e sobre todas as coisas engraçadas que aconteceu. No fim da noite, um pouco antes de dormir, ele me perguntou se iríamos no parquinho outra vez e eu disse a ele que iríamos todos os dias que ele quisesse ir. Meu pequeno Max dormiu com um belo sorriso no rosto, gosto de vê-lo feliz.

E assim se seguiram nossos dias, fomos ao parquinho todo dia e ele sempre procurava por Jessie. Ele ficaram bem amigos e eu acabei tendo um certo coleguismo com Holy. Então Holy me entregou um pedaço de papel rosa claro com uma fada sorridente de cabelos pretos. Peguei.

- O que é isso? — comecei a abrir o papel.

- É o convite para o aniversário de Jessie. Ela fala muito do Max e como ele é o único amigo dela, gostaria muito que vocês aparecessem por lá, sabe, pra não ter só a família.

Olhei para o convite, era uma gracinha. Olhei para Jessie, ela e Max riam, como uma garotinha tão delicada pode não ter amigos? Tão jovem, mas a quem estou querendo enganar, eu também não tinha amigos, tinha apenas Remi e depois tive July, que acabou me decepcionando. Fiquei popular apenas quando fiquei mais velha e graças a ajuda de July. Jessie será uma garota popular quando crescer, tenho certeza. Max jamais a decepcionará. Já posso vê-los se tornando grandes amigos ao crescer e andar o tempo todo com o outro. Sorrio ao imaginar a vida do meu filho e me lembro de uma coisa, Holy perceberia que não envelheço, olho para o convite e suspiro, vou atrapalhar o futuro do meu filho.

- Algum problema? — Holy pergunta. Olho para ela surpresa. — É por causa da data? Está ruim pra você?

- Não, não, está tudo bem. Não tenho problemas com datas nem horários — dou uma risadinha. — Foi só uma coisa que lembrei. De quando era mais nova, nunca tive um aniversário e nem amigos. Sorte da Jessie ter pais que a amam.

Olhei para Holy e sorri. Holy sorriu de volta e me abraçou de lado. Nós realmente entendíamos a dor da outra e isso era muito legal.

A festa de Jessie começava as quatro da tarde. Arrumei Max bem bonitinho, ele estava parecendo uma versão em miniatura de Pietro.

- Tô bunitão mamãe? — ele perguntou olhando preocupado para o espelho. Tive que rir.

- Você está lindo, maravilhoso. Igual o seu pai — lhe dei um beijo na bochecha e ele sorriu.

Saímos para a festa. Claus perguntou se podia me acompanhar, para que eu não parecesse uma mãe solteira. Eu o xinguei, eu não era uma mãe solteira, era uma mãe viúva e isso é bem diferente. Disse a Claus que ele poderia me acompanhar como um amigo, nada romântico.

Max ficava impaciente com a demora de Claus e começou a chamá-lo com aquela vozinha fofa. Claus apareceu e estava muito encantador, do jeito que ele é mesmo. Mas não, ele não estava como antes, ele parecia mais... sério? Um rapaz de família, não aqueles playboyzinhos, mas sim aqueles bonitinhos que tem classe, aqueles que parecem rebeldes mas na verdade são bem paternos. Não posso reparar muito em Claus para não cair na tentação.

Fomos até o local da festa, não temos carro e então fomos a pé. Minha roupa não era uma roupa tão familiar, era uma roupa quase de roqueira, tentei parecer mais mãe, mas não tenho roupas tão florais e alegres como as outras mães, por isso meu modelito não mudou muito do que usei no dia do parquinho.

Chegamos na casa, Max pediu para descer do meu colo e bati a campanhia. Holy abriu a porta e ficou muito feliz em me ver. Segurei a mãozinha de Max e ela nos convidou a entrar. Apresentei Claus a ela como um amigo e ele beijou a mão de Holy. Holy ficou intimidada mas pareceu gostar. Jessie viu Max e gritou seu nome. Soltei a mão dele e ele correu até ela.

- Vem Max! Quero te mostrar o que minha mãe fez pra mim.

Ela pegou a mão dele e eles saíram correndo alegres para o fundo da casa, eu acompanhei com o olhar até ele sumir.

Foi uma festinha legal. Conheci David, o marido de Holy, quando o olhei nos olhos percebi que ele não era uma boa pessoa, ele me intimidou com o olhar e não gostei daquilo, não queria que Davis ficasse me olhando daquele jeito. Ele era bonito, charmoso, cabelos meio grandes e pretos, olhos azuis penetrantes e um sorriso galanteador.

Davis me olhava como se eu fosse um tipo de comida, era o olhar que os motoqueiros do bar onde roubei a Harley Davidson, me olhavam quando entrei praticamente nua. Aquele olhar me incomodou, não quis mostrar que me senti incomodada e então, para fugir do olhar de David, abracei Claus de lado. Ele pareceu assustar com meu movimento mas acompanhou meu pensamento, mas ficou calado e continuou a conversar. Holy e Davis saíram para cumprimentar outros convidados. Puxei Claus para um canto da festa.

- Ok, o que aconteceu? Você nunca me abraçou — diz Claus atento em mim.

- É o marido da Holy... ele está me intimidando.

Claus olhou para o lado deles e pegou ele olhando pra mim enquanto bebia uma dose. Escondi meu rosto.

- Ah que droga, não quero nenhum problema com Holy, ela é uma amiga que eu nunca tive Claus.

- Calma, eu te ajudo ok? — ele pegou no meu rosto e eu o olhei nos olhos.

Droga, droga, droga, por que ele fez isso? Não Claus, pare de ser gentil comigo, pare de ser tão galanteador, por que tem que agir tão bem? Por que tem que parecer um bom homem? Naquele momento minha vontade era de beijá-lo, mas eu não podia fazer isso. Não podia, eu não amo Claus, é o jeito dele que faz isso comigo e com tantas outras garotas.

- Obrigada — digo e desvio o olhar com muita dificuldade.

- Mas para isso temos que parecer que temos alguma coisa.

Ora mais essa. Se eu fingir ter alguma coisa com Claus meu coração estúpido vai querê-lo. Que droga coração, por que é tão burro?

Suspiro e cruzo os braços, Claus sabe que foi meu modo de dizer que tudo bem, eu topo, tudo pela minha amizade com Holy.

A festa durou mais do que eu pensei que duraria, teve um teatrinho para as crianças, fiquei sentada ao fundo observando Max se divertir, ele ria muito com Jessie. Ele era tão bonito, seu sorriso era uma graça, eu parecia estar observando-o em câmera lenta, ele ria e seus cabelos lisos e loiros balançavam alegremente. Acho que nunca o tinha visto rir daquela maneira, ele parecia brilhar. Na hora dos parabéns e de partir o bolo, o primeiro pedaço foi para Max, ele ficou rosa de vergonha mas aceitou o bolo. Ele veio até mim esconder o rosto um pouco das pessoas, mas olhou para Jessie e deu um sorrisinho que ela correspondeu, ela também ficou rosa. Meu filho seria feliz, feliz do jeito que nunca consegui ser. Eu serei uma boa mãe.

Então, no fim da festa, me despedi das pessoas e quando fui me despedir de Davis, ofereci minha mão para um cumprimento formal.

- Que é isso? Me dê um abraço, não precisamos de tanta formalidade — ele passou a mão em volta de minha cintura e me colou em seu corpo, me senti muito desconfortável e não retribui o abraço. Afastei o abraço.

- Desculpe, não sou muito chegada em abraços sabe — disse meio séria. — Sem querer ser rude...

- É. Você não tem ideia de como foi difícil abraçar essa mulher um dia — Claus riu e Davis o acompanhou.

Claus me pegou pela cintura e me levou para perto do corpo dele. Dei um sorrisinho meio sem graça, coloquei Max no colo e começamos a caminhar pra casa. Max pareceu meio cansado, descansou a cabeça em meu ombro e acabou dormindo. Foi um dia agitado e desconfortável, mas aposto que para Max fora o melhor dia de sua vida. E o que me importa é a felicidade do meu filho.

Na manhã seguinte chegamos ao parquinho e Jessie compartilhou alguns de seus presentes com Max. Holy parecia meio tensa.

- Tudo bem Holy? — perguntei.

- Tudo sim May, é que... — ela parou e suspirou, pude ver lágrimas em seus olhos e ela as limpou rapidamente.

- O que houve Holy?

- Não quero te encher com problemas May...

- Se você se sentir melhor me contando pode me contar. Ouvir o seu problema não me trará mais problemas, já tenho problemas o suficiente e muito piores, acredite.

- É David.

- O que houve? — minha preocupação aumentou.

- Ele... ele brigou comigo ontem...

- Por que?

- Ele disse que não gosta de me ter por perto, que eu estou atrasando a vida dele, que... ele... não tem mais atração por mim — Holy despencou em choro, mas tentou se recompor rapidamente. — Não quero que Jessie me veja chorar, ela não tem nada a ver com isso...

- Holy — ela me olhou. — Sei como não é ser desejada por um homem que se ama, acredite, eu já passei por isso e ele me disse, que se tivesse que escolher uma de nós, ele escolheria a outra sem pensar duas vezes.

- Que horrível — disse Holy indignada.

- Eu sei, foi horrível mesmo. Foi pior ainda porque ele já estava comigo a muito tempo, eu achava que ele gostava de mim mas eu sabia o que ele achava da outra, quando ela estava perto ele esquecia de mim.

- É o pai de Max?

- Não — respondi imediatamente. — O pai de Max foi alguém que conheci depois dele, alguém que me amou de verdade e não como segunda opção.

- O que você fez com o outro?

- Bom, a garota desapareceu e eu achei que ele ficaria comigo. Foi o que aconteceu, ficamos juntos mas, ela voltou e então eu vi ele na cama com ela — sim, mudei alguns fatores para que ela não se assuste. — Saí correndo sem olhar pra trás e acredite, foi a melhor coisa que eu já fiz. Acho que ficar sozinha é melhor do que estar com alguém que não se importa com você.

Holy sorriu para mim e eu correspondi ao olhar dela. Então virei a cabeça rapidamente para o lado. Senti um cheiro. Era familiar e eu não estava gostando disso.

- May? — Holy olhou para onde eu estava olhando.

Ele estava ali, não pude acreditar que ele estava ali. O que ele queria? Ele com certeza percebeu que o reconheci. "Ela me viu, acho que pode me ouvir também", era voz de Logan.

Não, não, não. O que ele está fazendo aqui? Holy ficou preocupada e meio assustada. "Sim, você me ouviu", sua voz parecia feliz. Eu não o vi muito bem, ele parecia querer que eu não o reconhecesse. Agora eu precisava falar, não pensar.

- Chame Jessie — disse em voz baixa para Holy.

- Por que? O que houve May?

- Chame, por favor, peça para Max vir junto.

Holy não entendeu muito bem, mas chamou os dois. Sorri para Max, não queria que ele percebesse que estou preocupada.

- Por que você não me chamou você mesma mamãe? O que houve? — ele me perguntou preocupado.

- Temos que ir embora querido — disse baixo pra ele.

- Por que? Tá cedo.

- Fica mais um pouco Sra. May — Jessie me pediu com os olhinhos brilhando.

- Desculpe querida, não posso ficar.

- Você acha melhor irmos também? — Holy perguntou preocupada.

- Não, tudo bem, o problema é comigo — acalmei Holy.

Peguei Max no colo e ele ficou assustado. Ele percebeu que não estava tudo bem, mas quando me levantei, dei de cara com um peito forte e musculoso debaixo de uma camiseta.

Holy se assustou e se agarrou à Jessie. jessie arregalou os olhos e foi para perto da mãe. Max olhou para ele.

- Olá May — sua voz era calma, era a mesma de sempre, era a mesma que ele usava quando me via no corredor depois de uma aula cansativa.

Minha respiração perdeu o ritmo, não podia ser real, não podia, aquilo era um pesadelo. Levantei o rosto e o olhei de forma calma também, ele sabia que eu não estava. Me agarrei a Max com mais força e Max correspondeu se prendendo mais ao meu pescoço.

- Oi Logan.