May - Parte III

5 Golden Gate Bridge


Notas iniciais
May acorda ao lado de Pietro na Golden Gate Bridge, ela sabe que nada aconteceu entre os dois, mas não sabia o que aconteceria em seguida...

Ouvi gaivotas piarem. O som da água batendo nas pedras. Senti cheiro de poeira de asfalto e então abri meus olhos, o que não foi uma decisão muito sábia pois os raios de sol entraram fortemente por eles, pareceram queimar. Apertei meus olhos para que a luz entrasse menos e depois percebi que estava deitada. Não eram pedras, era um colo. Olhei para cima e vi o rosto. Eu não acredito, dormi no colo de Pietro? Comecei a me levantar e me esforcei ao máximo para não acordar Pietro.

Fiquei sentada de lado olhando Pietro dormir. Ele parecia confortável mas com certeza não estava. Estava completamente nas pedras e ainda meio sentado. Dei um sorrisinho, pobre garoto, eu o fiz se preocupar por algo que não tem nada a ver com ele. Me levantei e comecei me espreguiçar. Estávamos ainda embaixo da Golden Gate Bridge. Enquanto eu me espreguiçava, meus ossos estalavam, eram estalos fortes por serem de adamantium e faziam um barulho meio alto.

Pietro começou a acordar. O vento batia em meus cabelos. Eu o olhei se levantar das pedras meio desconcertado.

- Tudo bem aí amigo? — perguntei.

Ele piscou rapidamente e apertou os olhos. A luz do sol provocara o mesmo efeito nos olhos dele. Ele tentou fazer sombra com a mão para melhorar mas parecia realmente muito cansado. Ele se levantou e limpou a roupa.

- Eu tô bem sim — ele começou a andar em minha direção. — E você? Se sente melhor?

Ele me olhou, era um pouco mais alto que eu. Daquele jeito todo desconcertado criou até seu charme próprio. Balancei minha cabeça para afastar esse pensamento.

- Então, Pietro. Sobre isso...

- Isso o quê?

- Essa situação de choro e etc. — revirei os olhos enquanto falava. — Eu não sou assim — dei uma risadinha. — Foi só...

- Um momento de fraqueza — ele concluiu.

- Não. Eu não tenho momentos de fraqueza.

- Claro que tem — ele deu uma risadinha e quando eu ia começar a xingá-lo, ele me interrompeu. — Hey, não tem problema nenhum ficar vulnerável.

- Vulnerável? Eu não fiquei vulnerável!

- Ficou sim.

- Eu nunca me torno vulnerável ok?

- Só quando você vê a morte de Charles, certo?

Aquelas palavras me fizeram lembrar do sorriso de Charles antes de se desfazer em milhares de pedaços. Um sorriso sincero e então me lembrei de algo ainda pior. Charles me pedira para destruir Jean no momento certo, o momento era aquele e eu simplesmente impedi Logan de ajudá-lo, deixando-o morrer.

- Olha, não tem problema nenhum se tornar vulnerável — Pietro disse e sorriu pra mim.

- Claro que tem — principalmente eu, pensei. — Fiquei encarando-o por longos segundos e então, sorri e dei um soquinho no ombro dele. — Valeu.

Ele me deu um soquinho no ombro também.

- Por nada.

Rimos para o outro. E então senti uma enorme vontade de sair dali, não podia ficar encarando Pietro por muito tempo. Precisava desviar meus olhos do seu sorriso bonito e de seus olhos pretos brilhantes ou ia começar tudo outra vez. Comecei a caminhar na outra direção e parei de repente.

- Pra qual direção mesmo? — perguntei sem olhar pra ele e ele riu.

- Está perdida senhorita?

Ele apareceu atrás de mim parecendo se divertir. Eu o empurrei de leve no peito.

- Isso não tem graça.

Tentei fazer uma cara séria mas comecei a rir e então nós rimos novamente.

- Olha, não pense que isso muda alguma coisa ok? — falei com ele que não parava de me olhar nos olhos enquanto eu tentava ao máximo desviá-los.

- Mudar o quê? — ele perguntou sorrindo.

- Esse lance de... chorar no seu colo e tals. Não muda nada.

- Não pedi pra mudar — ele respondeu.

- Você é cheio de respostinhas né? — ele riu e continuou a me seduzir pelo olhar até que não aguentei. — Para de me olhar desse jeito!

- Desse jeito como?

- Ai como você é chato! — ele riu. — Esse... esse jeito aí...

- Por que não posso te olhar assim? — ele se aproximava cada vez mais.

- Porque não — eu o afastei novamente de leve, algo que fez ele afastar bastante por causa da minha força.

Pietro correu em minha direção e rapidamente eu estava presa numa parede da ponte. Ele começou a se aproximar de mim devagar, podia sentir sua respiração. Meu corpo queria corresponder, meu corpo necessitava daquele beijo, ele pedia, pedia para sentir os lábios de Pietro, sua língua e então eu desviei meu rosto.

- Não posso — respondi.

Ele pareceu se assustar com minha reação.

- Qual o problema? — ele peguntou.

- Eu não posso fazer isso. Eu tenho um ridículo problema de me apaixonar fácil, então prefiro não arriscar.

- Então por que não treina comigo?

- Como assim?

- Me beije e apenas isso. Não precisa me amar. Eu juro que não vou te ligar amanha — ele riu e eu acompanhei com uma risadinha breve. — Ah e também juro que não vou andar de mãos dadas com você. E você pode fazer o mesmo. Pode até me ignorar, eu deixo.

Fiquei olhando-o. Que garoto esperto. Mas até que a ideia dele não era ruim. Iria fazer meu coração se acostumar em não se apaixonar. Seria ótimo, eu não precisaria ficar com raiva dele por me ignorar depois. Ele se aproximou novamente de meus lábios.

- E então, temos um acordo?

Eu não respondi nada e ele tocou os lábios nele nos meus. Eram lábios tão juvenis, podia dizer que era tão juvenis quanto os meus. Os únicos lábios juvenis que eu havia beijado foram os do meu primeiro namorado, um garoto estúpido aliás. Então, ele foi abrindo a boca e meus lábios acompanharam os dele fazendo nossas línguas se encontrarem. Pietro me envolveu mais em seus braços, fazendo com que meu corpo ficasse completamente colado ao dele. Coloquei uma de minhas mãos em sua nuca. Era um beijo bom, muito bom. Um beijo enérgico, um beijo que fazia meu corpo se aquecer, fazia muito tempo que eu não sentia um beijo assim, como posso chamá-lo, inocente, delicado, se preocupando se eu estava gostando ou não e tornando-o ainda melhor de acordo com as respostas do meu corpo.

...

Voltamos à sede da Irmandade. Chegamos normalmente mas senti alguns olhares femininos em minha direção, elas não pareciam muito felizes por eu estar chegando àquela hora com Pietro, o que me deixou um pouco constrangida mas eu não liguei, ergui a cabeça e fui em direção ao meu quarto.

Durante meu banho me lembrei de muitas coisas. Ele se chamava Robert, era um garoto incrível, um ótimo namorado devo confessar, carinhoso, romântico até que...

Fiquei olhando para minhas mãos e depois minha vida começou a passar rapidamente como um flashback, foi torturante ver tudo acntecer novamente. Até que lembrei de um outro rapaz, podia considerá-lo a primeira pessoa que me amou de verdade. Queria saber como ele estava, como era bonito. Mas era passado, eu o havia deixado para o próprio bem dele. Foi aí que finalmente entendi porque diabos eu amei Logan. Ele era como eu, imortal, eu não precisaria deixá-lo nunca, ele viveria para sempre comigo, mas... mas ele não me ama.

Saí do banho com raiva, eu precisava parar de pensar naquilo, quem sabe se eu ficasse um pouco lá embaixo com os outros isso melhoraria. Mas então me lembrei, Jean também estava lá. Argh, será que não tinha um lugar no mundo onde eu poderia ficar em paz? Ah... havia sim, um lugar onde eu posso liberar toda a minha raiva e era para lá que eu iria, nesse exato momento.

Me vesti com uma camiseta preta, uma camisa xadrez preta e branca por cima e uma calça jeans escura. Soltei meu cabelo, passei maquiagem e abri a porta para sair. Então um vento forte bateu em meu rosto que me obrigou a fechar os olhos, quando os abri, dei de cara com Pietro e ele segurava uma pequena flor.

- O que está fazendo? — perguntei.

- Vim te entregar isso — ele sorriu e esticou a mão para mim.

- Não foi esse o combinado — eu disse sem pegar a flor.

- O combinado foi que eu não te ligaria amanhã e não andaria de mãos dadas com você. Nunca disse que não te daria flores.

Ele me olhava com um sorriso. Aquele mesmo sorriso da ponte. Comecei a odiar aquele sorriso. Peguei a flor meio de mau humor.

- Você não está me ajudando desse jeito — eu disse.

- Acho que não sou um bom professor.

Ele deu uma piscadinha e desceu as escadas rapidamente. Era impossível acompanhá-lo com o olhar, então entrei, coloquei a florzinha dentro de um copo cheio d'água e comecei a descer as escadas para ir em direção ao meu destino.

Caminhei por algumas quadras até que finalmente encontrei o que procurava, um bar sujo cheio de homens estúpidos, perigosos e feios. Entrei no bar, ele fedia a puro álcool. Aquilo não me incomodou, álcool era o que eu estava precisando naquele momento.

Enquanto andava em direção ao bar, os homens me olharam, muitos me despiram com o olhar e eu não me incomodei, podia matar todos se quisesse. Eu não fiz com que parassem de me olhar, cheguei no bar, joguei um pouco meu cabelo, apoiei na bancada fazendo meios seios parecerem maiores e olhei para o atendente com um olhar sexy.

- Me dê sua dose mais forte por favor.

- Acho que você não vai aguentar mocinha.

- Então me dá uma pra tirarmos a prova.

Pisquei e rapidamente todos os homens pareceram se interessar pela loucura que eu estava prestes a fazer. Mal eles sabiam que tudo o que eu mais queria era uma briga. Um deles podia vir me acediar, gostaria de quebrar o punho de um deles. É tão divertido v~e-los se tornando inferior. Assim que o atendente colocou o copo na bancada eu o virei de uma vez. Aquilo desceu queimando, balancei a cabeça, apertei os olhos e gritei brevemente.

- Mais uma!

Os homens gritaram ao ouvir minhas palavras. E assim foi, só me lembro de ter virado nove copos, mas com certeza virei muito mais, pois comecei a fazer hora com a cara daqueles homens nojentos em cima de uma mesa no centro do bar, eu fingia um striptizie, e enquanto subia um deles pegou rapidamente na minha bunda, não consegui ver quem era, mas eles gritavam, praticamente imploravam pra que eu ficasse nua. Tirei minha camisa xadrez e a joguei ao meu lado. Em seguida comecei a tirar a minha camiseta preta e a joguei de lado também, ficando apenas de sutiã. Minha roupa estava sendo disputada entre os homens. Ele a rasgaram e quanto mais rasgavam, mais eu ficava excitada.

- May!

Olhei para a pessoa que me chamava e vi rapidamente aqueles cabelos brancos penteados pelo vento de quando ele corre.

- Oi Pietro! — eu disse meio animada e ainda rebolando.

- É melhor a gente ir, o que acha? — ele estava próximo da mesa onde eu estava e falava comigo.

- Eu acho que nãão — eu ri exageradamente e lambi a pontinha da orelha dele. Me sentei de frente pra ele e passei minhas pernas em volta da cintura dele. Grudei minha mão em sua nuca. — Você não quer me levar embora quer? Quer que eu pare agora? Eu ia tirar minha calça.

Comecei a abrir o feixo, ele me olhou atônito e os homens começaram a ficar com raiva, sim, eu estava conseguindo o que queria, a qualquer momento eles brigariam.

- Hei, esse playboyzinho chega aqui e acha que pode levar a garota assim? — disse um homem de voz grossa que não me dei ao trabalho de olhar pra ele.

O homem se aproximou de nós dois, ele certamente bateria em Pietro, então eu tirei minhas pernas da cintura de Pietro, subi na mesa e o chutei na cara, fazendo-o cair de cara no chão. Ah como eu me sentia realizada por ter feito aquilo, era uma sensação boa, mas acho que exagerei um pouco pois ele não se levantou. Senti alguém pegar em meu braço e automaticamente avancei com um soco, mas acabei acertando o ar, Pietro se desviara rapidamente de meu golpe. E então, aproveitando a minha ligeira falta d coordenação ele me pegou e me carregou rapidamente para fora do bar.

Ele me colocou na rua e começou a tirar a blusa de frio azul escura que vestia.

- Oba, vai ser aqui na rua mesmo? — perguntei de forma sexy e pegando-o pelo cinto.

Pietro então colocou a blusa de frio em meus ombros para me tampar do frio. Olhei a blusa e comecei a rir.

- Seu bobinho, eu não pego resfriado. É impossível! — puxei ele novamente. — Mas sabe o que eu quero? Você!

Ele me pegou e correu e quando paramos novamente, estávamos dentro do meu quarto.

- Hummm... espertinho você hem.

Eu ri e o joguei contra a parede usando meu corpo. Nossos corpos estavam bem colados.

- May, você...

- Ssshhh... não diga nada.

Comecei a beijá-lo e ele correspondeu aos meus beijos. Tirei a blusa de frio que ele havia colocado em mim e comecei a beijá-lo de maneira ainda mais gostosa. Nossa, como aquele beijo estava melhor que o da ponte. Ele apertava minha cintura e me puxava para ele cada vez mais até que finalmente ele tirou a camisa. Seu peito não era tão musculoso mas era beeeeem definido. Ele, em seguida, tirou minha calça e então me jogou na cama. Aquela noite com certeza seria inesquecível...