May - Parte II
4 Preconceito
Notas iniciais
- Bob? — a mãe o olhou com surpresa e medo no olhar.
- O que está fazendo aqui? — disse o pai sério. — E quem são essas pessoas?
Bob olhou para nós e nós ainda estávamso nos mesmos lugares, sem saber o que fazer. Deveríamos sair dali? Eles nos fariam algum mal?
- Isso é invasão de domicílio! Vou chamar a polícia! — disse o pai.
- Pai, espere! — Bob se colocou na frente dele. — Não vamos fazer mal a ninguém, só paramos para descançar um pouco, esticar as pernas. estamos de passagem.
O pai ainda o encarava, parecia não acreditar. Ele olhou para todos nós com um ar suspeito.
- Venha, vamos sentar, tomar um café e conversar...
- Não vamos demorar — começou Logan -, vou apenas fazer uma ligação para que venham nos buscar ou para que possamos ir até eles.
Logan mostrou o telefone estranho que encontrou no carro roubado de Scott. Era um telefone em formato de X, era muito esquisito e não sei como ele descobriu que aquilo era um telefone.
O pai de Bob se sentou e puxou a mãe para que sentasse ao lado dele. O irmão de Bob estava de cara fechada. Ele não parecia se agradar com a presença de nenhum de nós ali. Ele parou atrás dos pais e ficou nos olhando.
Bob se sentou no outro sofá de frente para eles, vampira se sentou ao lado dele. logan saiu da sala para continuar tentar a ligar. Eu e Pyro continuamos no mesmo lugar.
- Então... como você está? — a mãe perguntou para cortar o clima, mas ainda demonstrava um pouco de medo.
- Estou bem mãe — disse Bob com um pequeno sorriso.
- Vou... vou pegar o café — ela disse.
A mãe se levantou e foi em direção à cozinha preparar o café. ela pareceu ficar mais aflita ao perceber que ficou "sozinha" com Logan na cozinha.
Demorou uns longos segundos antes que o pai de Bob começasse a falar.
- O que realmente estão fazendo aqui? — ele não parecia de bom humor.
- Estamos fazendo uma pequena excursão. Mas nos perdemos — disse Bob.
- Excursão hem...
O pai de Bob parecia não acreditar.
A mãe passou por mim com uma bandeja cheia de pequenas xícaras cheias de café. Pousou a bandeja na mesinha de centro e se colocou do lado do marido novamente.
Ela pegou uma xícara de café mas ninguém a seguiu.
- Bob — ela começou a dizer -, você já se curou ou...
- Não mãe, ainda possuo meus dons.
Bob tocou em uma xícara que estava na bandeija e congelou o café. A mãe ficou observando e tentou fazer o líquido descer, mas o que acabou descendo foi o gelo.
- Don? Chama isso de don? isso é uma maldição! — disse o pai nervoso.
Bob pareceu chateado.
- Aposto que todos esses são amigos são esquisitos como você!
- Pare com isso! — gritei com ele.
- O que disse? — ele me enfrentou com o olhar.
- Pare de nos chamar de aberrações.
- Mas é o que vocês são: aberrações! E você deve ser a pior deles.
- Como ousa falar de mim? Não sabe nada da minha vida, não sabe pelo que passei...
- Nem preciso, aberrações são sempre algo que queremos eliminar de nossas vidas!
Aquele foi o limite para mim, eu queria matá-lo. Como ousa falar que somos aberrações? Porém, enquanto ia em direção ao pai de Bob, Logan me segurou pelos braços e não tentei me soltar. Pois no fundo, eu não desejava atacá-lo.
- Não somos aberrações, somos diferentes! Não pedimos para nascer assim. O senhor se acha tão normal assim? Não sei nada da sua vida, por isso não posso dizer muito, mas que o senhor tem algo de diferente dos outros tem, e para pior.
"Não vou atacá-lo, pode me soltar", disse mentalmente para Logan.
Ele me soltou e eu fui em direção a cozinha e saí pela prta dos fundos. Eu estava muito nervosa. Mordi minha mão fechada e comecei a andar de um lado para o outro. Eu precisava conter minha adrenalina de raiva.
- Tudo bem? — perguntou Logan.
- Não! Nada bem! Ele é um idiota!
- Ei, acalme-se. Vem cá — Logan me envolveu em seus braços musculosos.
Ele não precisou dizer nada, só de abraçá-lo comecei a me acalmar. Até que fomos interrompidos por uns barulhos de sirene. Logan e eu nos entreolhamos e decidimos ir olhar o que era.
Logan entrou rapidamente e foi até a sala.
- O que está acontecendo? — ele perguntou.
Cheguei logo em seguida.
- Parece a polícia — disse Pyro.
- Por que fizeram isso? — Bob perguntou para os pais num tom de desapontamento.
- Não fomos nós Bob — disse a mãe abraçando seu gatinho.
Bob olhou pela sala e entendeu logo que fora seu irmão que chamara a polícia.
- Saiam com as mãos para cima! — gritou lá de fora uma voz microfonizada.
Logan saiu rapidamente pela porta, todos nós o seguimos. Logan saiu com as garras a mostra o que pareceu uma ameaça aos policiais.
Haviam vários carros de polícia espalhados no quintal, cada um deles com dois ou três policiais escondidos apontando suas armas.
- Largue as armas! — disse uma policial que se encontrava ao nosso lado direito.
Ela parecia estar com medo, o queo irmão de Bob teria dito a eles?
- Não ouviu? Largue as armas! — disse um outro plocial que se encontrava a nossa esquerdda.
Não tinha jeito de Logan soltar suas garras no chão. Ele pareceu confuso.
- Não posso — disse Logan calmamente.
Ele abriu seus braços, mostrando suas garras para os dois policiais.
- Olhem — ele disse.
Logan guardou as garras dentro de sua pele e algo inesperado aconteceu, um tiro. Sim, a mulher policial deu um tiro bem no meio da testa de Logan e ele caiu no chão, morto.
- Não! — gritei e me abaixei imediatamente para segurar sua cabeça.
- Pro chão, pro chão! — os policiais ordenaram para Bob, Vampira e Pyro que ainda estavam paralisados.
Vampira parecia acreditar que Logan realmente morreu. Mas apenas uma coisa me assustava naquele tiro, que Logan perdesse a memória e se esquecesse de mim, de nós. eu não suportaria ser esquecida por ele, eu realmente o amava. E quanto mais eu sentia o amor, mais o medo me possuia. O medo de acontecer como da última vez, ou pior...
- O que está fazendo? Abaixe-se.
Virei para o lado. vampira falava em voz baixa com Pyro que ainda estava em pé.
- O que pensa que vai fazer garoto? — perguntei ainda com a cabeça de Logan em meu colo. Sua cura estava mais lenta que o normal.
- Observem — disse Pyro.
Pyro estava com um sorriso malicioso no rosto. Ele pegou seu esqueiro e começou a brincar com uma chaminha. O que Pyro tinha em mente? Matá-los? está certo que odeio humanos, mas não vejo porque matar esses policiais estúpidos.
Pyro aumentou a chama e queimou o policial do lado esquerdo. Vampira e eu gritamos e escondemos o rosto do fogo.
- Pyro! Enlouqueceu? — Bob gritou.
Pyro continuou a mandar mais rajadas de fogo. Ele ria e queimava os policiais e seus carros. Me levantei para pará-lo, mas a policial estúpida do lado direito me deu um tiro que atingiu a parte de trás do meu ombro direito. Aquilo me fez parar e caí ao chão novamente. Para minha sorte, Vampira entendeu o que eu queria fazer, tirou uma de suas longas luvas e tocou no pé de Pyro. Ela sugou os poderes dele fazendo parar imediatamente com aquela palhaçada.
Alguns longos segundos depois, uma nave se aproximou, tentei olhar mas o vento era forte demais. Provavelmente seria do Instituto, o que me aliviou. Deixei minhas unhas crescerem e penetrar em volta do buraco da bala e a puxei para fora de minha pele. Perdi muito sangue, mas nada que me faria ficar tonta como os humanos normais provavelmente ficariam.
Jean apareceu saindo da nave.
- Venham.
Me levantei e comecei a andar em direção à nave. Logan se levantou assim que seu corpo expeliu a bala de seu crânio. Ele olhou para a policial responsável e fez uma cara de quem tinha avisado. Ela o retribuiu com um olhar assustado, afinal, fora um tiro na testa, era para ele estar morto.
Bob carregou Pyro para a nave.
Ao entrarmos, Oroni estava ao comando e havia um homem azul com apenas quatro dedos sentado de um lado da enorme nave.
- Pessoal, esse é o Noturno — disse Jean enquanto entrávamos e a porta se fechava.
- Olá — disse Noturno com um aceno e sorriso tímidos.
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