May - Parte II

9 A Barragem se Rompe


Notas iniciais
Quando os problemas parecem finalmente resolvidos, a nave dos X-men parece não querer funcionar e ainda por cima há um monte de água vindo, será ali o fim de todos?

A dor aumentava cada vez mais. Eu apertava a mão de Logan, não olhei para ele, eu não conseguia olhar para nada, parecia que minha cabeça iria explodir. Então, de repente, a dor se foi, como se nunca tivesse existido.

Minha respiração começou a voltar ao normal e quando olheii para Logan, percebi que ele também me olhava, nós estávamos ofegantes. Soltei a mão dele devagar e comecei a me levantar.

– Obrigada — eu disse meio sem jeito e sem olhar pra ele.

– Não foi nada — ele ficou me olhando por um tempo.

Corpo, por que você não evolui? Pelo menos um pouquinho. Assim ele não olharia para a idiota da Jean e seria só meu. Fiquei com raiva de mim mesma ao lembrar que Logan acabara de ouvir o que pensei e afundei ainda mais o rosto.

– Vamos, temos que ajudar os outros — disse Logan.

Confirmei com a cabeça e fui correndo atrás dele. Passamos pelos úmidos corredores às pressas. As paredes tremeram.

– Logan, o que tá acontecendo? — perguntei.

– Acho que a represa não vai aguentar muito tempo. Vamos, rápido!

Corremos ainda mais rápido até que finalmente encontramos Orono, Noturno, o Careca, que estava sendo carregado por Orono e Noturno, Scott que segurava Jean pelo braço, parecia ter quebrado uma perna, e seguindo-os, um monte de crianças do Instituto. Todos muito assustados estavam correndo para uma grande porta. A sala onde nos encontrávamos era redonda e tinha um buraco enorme no meio de onde caía muita água.

Logan fechou a grande porta pela qual queriam passar, todos eles olharam assustados para nosso lado.

– Não vão por aí, sei um caminho melhor — disse Logan.

Todos vieram rapidamente para nosso lado. Logan começou a guia-los e eu fui na frente com ele.

"Fui eu May", era a voz do Careca em minha cabeça. "Fui obrigado a matar todos os mutantes, eu estava sendo controlado".

Então a dor de cabeça fora isso. Claro, Striker estava tentando matar todos os mutantes.

"Exato", respondeu o Careca.

Eu o olhei rapidamente com um breve sorriso que ele correspondeu meio cansado. Ouvi um avião decolar e fui rapidamente pra fora, mais rápido do que Logan, deixando os outros pra trás, seria Striker fugindo? Eu não deixaria, ele pagaria por suas ações.

Quando cheguei do lado de fora, vi o avião preparado para decolar, mas lá dentro estava Mística, pronta para colocá-lo no ar. Quando olhei para a porta, vi Pyro.

– Pyro? Pyro o que está fazendo? — perguntei.

Ele parou no meio da escada e me olhou.

– Estou seguindo meu caminho May!

– Mas...

Não consegui terminar minha frase.

– Você devia seguir esse exemplo querida May — Magneto se aproximou rapidamente, de maneira que não havia percebido. — Pyro percebeu que o Instituto não é o lugar dele, que lá ele é reprimido, ele é pequeno, inferior e deve sempre obedecer ao Charles, fazer o que ele quer. Você não concorda?

Eu o olhei. Eu estava confusa. De certa maneira ele tinha razão, todos no Instituto faziam o que o Careca queria, quando ele queria.

– Bom, não posso mais esperar muito querida May, mas saiba, que sempre que precisar estarei pronto esperando por você e pode ter certeza que jamais mandarei você fazer algo que não queira.

Ele sorriu pra mim e entrou no avião depois de Pyro. Eles então se foram e o vento fez com que a neve subisse, fazendo com que meu cabelo ficasse cheio de pequenos flocos.

De repente os outros apareceram correndo, eu ainda estava imóvel. O que eu faria agora?

– Vamos May! — gritou Orono.

Eu a olhei mas não consegui me movimentar. Olhei para o lado e vi Striker preso por correntes na parede rachada da barragem, ele obviamente estava um pouco longe. Logan, que estava com uma criança no colo, parou ao meu lado para me chamar e pôde ver Striker. Ele decidiu ir até ele. Eu não queria ir. Fiquei ali parada observando Logan e Striker conversarem. Não tenho ideia do que falaram mas Logan jogou seu colar contra ele. Segurei o meu forte em meu pescoço.

Eu não queria jogá-lo. Não, ele me pertencia. As lembranças que tenho dele são ruins mas também há lembranças boas, sim, boas. Sorri ao lembrar do momento mais feliz que tive depois que fugi do laboratório de Striker há muitos anos atrás. Sim, jamais me esqueceria dele, um rapaz incrível, me lembrei de parecer mais adulta naquela época e senti uma grande vontade de voltar naquele tempo, de revê-lo. Pude sentir uma lágrima descer pelo meu rosto. Eu não a limpei, ele merecia minhas lágrimas de saudade, as vezes me pergunto se seria certo ter ficado ao lado dele mas entao me lembro de que eu jamais envelheceria e teria que vê-lo morrer. Esse pensamento me trouxe uma dor no coração e com a aproximação de Logan decidi afastar aqueles pensamentos.

Olhei uma última vez para Striker e segui Logan para a nave do Instituto. Subimos as escadas rapidamente, só faltava nós três. Eles subiram a escada para fechá-la. Orono estava tentando fazer a nave decolar. O Careca estava sentado numa das cadeiras da nave.

– Não consigo ligar! — disse Orono desesperadamente.

Aquilo fez com que a maioria das pessoas da nave se aproximassem de Orono para tentar ajudá-la de alguma forma. Até Logan se aproximou. Ao longe conseguíamos ouvir a barragem estalar, sim, ela começara a quebrar e a água viria até nós, e seria muita água, o suficiente para levar a nave e afogar todos nós.

Enquanto todos se desesperavam, ouvi as escadas da nave se abrirem e olhei para o fundo, Jean estivera parada ali por um longo tempo e eu nem percebera, ela me olhou e suspirou. Ela sabia que eu não ia contar a ninguém que ela saíra da nave, ela sabia que eu não gostava dela. Ela desceu pelas escadas mancando, olhei para frente como se não soubesse de nada que estava acontecendo. Tentei também não pensar no que vira ou Logan iria notar que ela saiu da nave.

– Jean, pode vir me ajudar aqui um momento? — disse Orono desesperadamente.

– Jean? — chamou Scott olhando para todos os lados da nave.

– Ela saiu — disse o Careca.

Scott passou correndo por mim e as escadas da nave começaram a se fechar, impedindo-o de ir até ela. Ela mesma estava fazendo aquilo. Me sentei numa cadeira de lado perto da escada da nave. Ninguém havia notado a ausência de Pyro, o que me fez perceber que se eu tivesse ido embora com Magneto aquela hora talvez não sentiriam minha falta também.

– Abra as escadas! Abra! Abra! — gritava Scott rapidamente.

– Ela está bloqueando Scott — disse Orono.

Então a nave começou a ligar sozinha, era Jean, ela estava nos fazendo decolar.

– Ela está... segurando a água — disse Orono.

Todos se entreolharam espantados. Pensei por um momento como ela sairia de lá depois...

– Jean! Não! — Scott gritava muito alto.

"Ela não pode morrer, não pode", Logan pensou desesperadamente. Ele estava sem reações.

– Scott — chamou o Careca e Scott o olhou.

– Jean?

– Scott eu... — agora era a voz de Jean que saía do Careca.

– Jean, por favor, não faça isso eu preciso de você aqui comigo.

– Scott, é preciso.

– Não Jean, não é não, volte, por favor — podia dizer que ele estava chorando pela voz embagarda.

– Adeus Scott — ele sorriu para ele olhando-o nos olhos.

Segundos depois o Careca fez uma cara de tremenda tristeza. Scott o segurou pelos ombros e voltou a gritar.

– Jean não! Não! Por favor...

Agora com certeza ele estava chorando, nossa nave planava agora e então a água passou por completo por baixo de nós. Ela morreu, foi levada pela água. Eu... estava... Segurei um sorriso com muita dificuldade. Eu estava livre da Jean. Não existia mais Jean, agora só eu! Sei que é um pensamento egoísta mas... é bom para mim, Logan seria só meu agora, não havia outra escolha...