May - Parte I
1 Semelhanças e Diferenças
Notas iniciais
Diferente. O que é ser diferente? Dizem que é alguém fora do normal, mas o que é normal?
Observo as pessoas e noto que tenho duas pernas, dois braços, corpo, cabeça, dois olhos, duas orelhas, escuto, enxergo, assim como a maioria das outras pessoas. Esse é considerado o padrão normal? Se for, então qual a razão de eu estar aqui, deitada no chão frio de uma grande sala enquanto duas mulheres de cabelos coloridos e um careca de cadeira de rodas me observam?
Aqui nessa sala vivo isolada do resto do mundo, não, eu não cresci aqui, eu conheço o mundo, sei o quão ele é horrível, não há nada mágico lá fora, apenas violência e mentiras.
- Olá May.
Era a moça do cabelo vermelho. Ela entrou na minha sala que era bloqueada por duas portas blindadas. Eu a olhei sem mover meu corpo.
- Então... quer conversar hoje?
Revirei os olhos ao ouvi-la falar, falava comigo como se eu fosse uma idiota. Patética.
- May, podemos tornar tudo mais fácil se...
Ela falava e falava e aquilo me irritava, queria simplesmente que ela calasse a boca e me deixasse aqui sozinha e só havia uma maneira de eu conseguir isso. Me levantei rapidamente investindo em sua direção, eu a ataquei, como uma leoa faria. Sim, eu tinha instintos felinos, minhas unhas, sempre pratas, cresciam um pouco e eram super afiadas, eu poderia rasgar a pele dela em mil pedaços facilmente. Meus olhos se transformavam em olhos de um animal felino e eram um pouco amarelados e meus dentes, principalmente os caninos, ficamavam super afiados.
- Oroni! — ela gritou enquanto corria para a porta.
Oroni, a mulher do cabelo branco, abriu a porta para ela.
- Jean, você está bem? — oroni perguntou para a mulher de cabelo vermelho.
Olhei-as com tremenda fúria. Havia um vidro em minha sala, onde podiam me observar sem correr risco de vida e de onde eu conseguia ver quem entrava e saía de minha sala.
Me afastei, sentei e me deitei, novamente, de bruços no chão frio. Fechei os olhos e desejei que sumissem, o que demorou um pouco para se realizar.
Um dia, uma nova pessoa — digo nova por nunca ter a visto antes — entrou em minha sala. Era um homem, muito bonito confesso, aparentava ser bem mais velho que eu. Afinal, eu aparentava ter dezessete anos. Ele me olhou pelo vidro enquanto o careca de cadeira de rodas o acompanhava.
- Por que ela está ali, separada dos outros?
- Ela é perigosa Logan — disse o careca.
Eu sabia que o nome dele era Charles Xavier, mas ainda o preferia chamar de careca.
- Perigosa? — ele riu brevemente — Qualé, é só uma garotinha.
Vem aqui que eu te mostro a garotinha seu otário, pensei.
- O que houve com ela?
- Já tentamos conversar com ela, mas ela parece não cooperar muito.
- Por que não o deixa tentar professor? — disse Jean entrando na sala. — Quem sabe ela se abre com ele?
- Um incentivo? — perguntou o careca animado.
- Gostaria de tentar Logan? — perguntou Jean.
- Não levo jeito com crianças.
Criança? Esse cara está íorando a situação, pensei.
- Ela não é criança Logan — disse Jean abrindo uma porta para Logan, desafiando-o a conversar comigo.
Logan revirou os olhos e entrou resmungando.
Tudo já estava planejado em minha cabeça, assim que entrasse, eu o atacaria e o mataria se possível. Seria divertido.
Ele entrou e eu o olheii de rabo de olho.
- Oi — ele disse meio sem jeito e se sentindo um bobo — sou Logan e você é?
Alguém que vai te matar daqui a pouco, pensei.
- O quê?
Eu o olhei assustada, ele ouviu meus pensamentos?, pensei.
- Acho que ouvi sim — ele também parecia assustado.
Como? Me levantei e o encarei. Como você pode ouvir meus pensamentos?
- Estou tão surpreso quanto você criança.
Não sou criança, pensei nervosa.
- Desculpe mas é o que parece ser.
Minha aparência é a mesma há anos. Depois de que pensei isso, ele me olhou estranhamente. "Ela também é imortal? Não pode ser", era a voz de Logan em meus pensamentos.
Espere, você também é imortal?, pensei e o olhei surpresa. tentei desfarçar minha surpresa enquanto o olhava.
"Sou. Pensei que fosse único".
Também achei que fosse única. Ele olhou par o meu colar e pensou "É como o meu".
Nos assustamos com tamanhas semelhanças.
- Podem nos deixar a sós por alguns minutos? — disse Logan sem olhar para Jean e o careca.
Eles saíram. Eu o olhei de cima a baixo e ainda estava assustada.
- Pode falar normalmente agora? – perguntou Logan.
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