Math For Love

6 Envelope Escarlate


Notas iniciais
Um simples review pode determinar e incentivar a continuação da história. Faça um autor feliz, comente!

Enquanto selecionava algumas questões de física de um livro que pegara da biblioteca com o intuito de passar para os garotos da sétima série que diziam ter dificuldades em Movimento Harmônico, Mary Monroe esperava na sala por sua próxima aula de história. Ela sabia que tinha essa aula em comum com Katie, sua prima. Quando o restante dos alunos entraram na sala de aula, Katie se aproximou de sua mesa.

– Mary? — Katie disse, fazendo com que levantasse o rosto para encará-la.

– Olá, Katie. — Mary respondeu, intrigada pela aproximação de sua prima, com quem não falava já há muito tempo.

– Minha mãe... Pediu que eu te entregasse... — Ela gaguejava, com a cabeça baixa, estendendo o envelope vermelho escarlate em sua direção.

– Sua mãe? — Claro, Mary, ela só está fazendo isso porque a tia Ana a obrigou. — Pensou consigo mesma, pegando o convite de suas mãos. — Agradeça a ela por mim, por favor. E não se preocupe, eu não vou aparecer lá para estragar sua festa.

– Não, Mary, não é nada disso... — Katie ficou sem jeito, sem saber se sentia um alívio pela ausência da prima, ou piedade por sua exclusão.

– Eu já entendi, Katie, não precisa se explicar. — Mary sorriu, fazendo com que Katie se surpreenda pela atitude de sua prima, que não parecia mais a mesma pessoa, até mesmo no jeito de falar. Estava menos tímida, mais à vontade em manifestar sua opinião quando, e somente quando, fosse necessária. A Mary mudou muito…

– Se quiser ir, fique à vontade, Mary... Você é minha prima. — Respondeu, sem saber ao certo se a presença da prima realmente era ou não sua vontade.

Katie saiu, entregando convites para os demais alunos da sala que davam àquele envelope escarlate um valor suficiente para sentirem-se especiais. Era incrível o quanto um simples pedaço de papel era importante.

Os alunos sentaram-se em suas carteiras, e o professor entrou. Quando viu a carteira de Mary no fundo da sala, andou até a garota, depositando um livro em cima da mesa.

– Aí está, Monroe, cumpri minha palavra! — Disse, sorrindo.

– Nossa, professor, muito obrigada! — Mary agradecia, sorrindo enquanto pegava o livro medieval que ele prometera lhe emprestar.

– Creio que você vá gostar muito, é definitivamente um dos meus preferidos.

– Prometo que devolvo assim que terminar! — Ela sorria.

O professor voltou para sua mesa, e a sua conversa com a aluna chamou a atenção de toda a sala. Todo esse carinho que Mary tinha de não só os professores, mas de quase todos os funcionários da escola, era um dos motivos pelos quais ela não tinha um bom relacionamento com seus colegas. O fato dela não ter amigos era, principalmente, por causa da má interpretação que despertava. Era vista como uma anti-social que se sentia superior demais para procurar amizades com as pessoas da sua idade.

– Abram os livros na página 583, por favor. — O professor falou, elevando seu tom de voz.

O barulho de velcros e zíperes abrindo se propagou pelo espaço quadrado da sala, e o peso dos livros sobre as carteiras deu à sala um ar de intelectualidade que obviamente não era tão presente ali.

– Hoje vamos focar um pouco mais na atualidade: — o professor disse após os livros serem abertos. — A Crise econômica de 2008.

– O quê? — Ouviu-se a voz de Jhennifer Willis, que interrompia a aula do professor. — Esse assunto? — Ela parecia nervosa, apreensiva.

– Algum problema, srta. Willis? — O professor olhou-a atentamente, preocupado com a palidez da aluna.

– Não, eu não posso... — Ela gaguejava — Sério, eu não posso...

Jhennifer levantou-se de sua carteira e saiu rapidamente. A sala permaneceu em silêncio, as pessoas se entreolharam, a maioria tinha rugas na testa, curiosos pelo motivo que levou a loira a sair no meio da aula. Katie levantou-se logo atrás, preocupada com sua amiga, saindo da sala também.

A aula seguiu tranquilamente, e logo depois era aula de química. Mary estava sentada sozinha numa bancada, lendo o livro que o professor lhe emprestara, e como sempre, as pessoas não faziam questão de sentar ao seu lado. A aula de química era uma das três aulas em comum entre Mary e Daniel Harris. Quando o garoto entrou na sala, acompanhado de Dylan, seu amigo sentou-se numa das bancadas, e logo Daniel foi em sua direção, mas antes de sentar-se, reconheceu a garota do corredor ao seu lado. Caminhou até ela, e encarou-a até que ela percebesse sua presença.

– Quer alguma coisa? — Ela perguntou, sem levantar o rosto para olhá-lo.

– Eu encontrei você. Então é da mesma turma de química que eu?

– É... dã? — Ela falou, mostrando o óbvio.

– Agora eu lembrei de onde eu te conhecia. Há quanto tempo você está na escola? — Ele questionou, apoiando-se na bancada.

– Três anos, eu já disse. Já sei, nunca me viu aqui. — Ela olhou para ele, fria.

– Você não me disse seu nome.

– Porque você precisa de meu nome? Pra dizer por aí o quanto eu sou desastrada por ter pisado em você? — Ela riu.

– Qual é, não vai mesmo me dizer? — Ele entortou a cabeça, tentando convencê-la.

– Não. — Respondeu e voltou a concentrar-se no livro.

Daniel sentou-se ao seu lado, curioso para saber quem era aquela garota tão estranha. Também não entendia o motivo da sua curiosidade.

– Monroe. — Ele disse, sorrindo. Mary se assustou.

– O quê? — Ela franziu a testa.

– Sua pulseira. Tem escrito Monroe. É o seu sobrenome, não é? — Ele sorriu, satisfeito. — Não vai me dizer o seu nome?

– Você não precisa de meu nome. — Ela encarou-o de forma desafiadora.

– Porque não?

– E porque precisaria? Você provavelmente vai sair dessa sala e esquecer que eu existo de novo.- Arqueou uma sobrancelha.

– Não posso saber quem é "a desastrada que pisou em mim"? — Ele riu, ironicamente.

– Você não é nem um pouco engraçado, então nem tente usar seu péssimo senso de humor.

– Ai. Você deveria tomar um pouco de sol lá fora. — Ele disse apontando para a porta da sala.

– Porque? — Intrigou-se.

– Você é muito fria!

– Continuo sem rir, tenta outra. — Dizia, sem desconcentrar do seu livro.

– Ainda vou saber seu nome, Monroe. — Ele sorriu, após ter se divertido com a frieza da garota.

– Boa sorte, Harris. — Ela respondeu com outro sorriso.

Daniel voltou para a bancada com Dylan, ainda sorrindo com sua tentativa falha de quebrar a frieza da garota que conhecia apenas como Monroe. Não sabia seu nome, mas por enquanto não procuraria saber: Queria um motivo pra poder falar com ela outra vez. Mary, por sua vez, segurava seu riso não pelo senso de humor de Daniel, que particularmente era horrível, mas pela sua tentativa frustrada. Por outro lado, se perguntava em como aquele garoto aparentemente tão bom, foi flagrado cometendo as fraudes que comteu.

Notas finais
Um simples review pode determinar e incentivar a continuação da história. Faça um autor feliz, comente!