Matchmaker
2 Capítulo II
Notas iniciais
No sábado, era a vez de Astoria jantar fora. Ela havia sido arrastada pelo pai até a mansão Malfoy e não entendia por que precisava ir, nunca fazia parte da conversa e duvidava muito que Lucius e Narcisa Malfoy fossem seres humanos.
Nunca conheceu seres humanos tão sem vida quanto os pais de Draco. Astoria tinha uma teoria de que eles eram vampiros.
Draco riu quando ela o contou, mas nunca desmentiu.
No jantar, o Sr. Greengrass não perdeu tempo em dizer que Fleur Delacour era uma jovem muito bonita e que Draco deveria conhecê-la.
Narcisa concordou, mas acrescentou:
— Astoria também é muito bonita.
O rosto dela continuava imparcial, o que fez Astoria duvidar que aquilo houvesse sido um elogio, mas de qualquer jeito quis vomitar com o pensamento de que narcisa poderia estar sugerindo que ela também era uma boa pretendente para o seu filho.
Nem precisava olhar para Draco do outro lado da mesa para saber que ele tinha tido a mesma reação.
— Você já está procurando um namorado para ela? — perguntou Draco debochado.
Os dois estavam na parte coberta do quintal da mansão Malfoy. Estava escuro, mas luzes suficientes os iluminavam para que eles pudessem ver o rosto um do outro.
— Eu preciso — respondeu Astoria. — Ou ela vai acabar namorando Bill Weasley!
— Weasley? Qual Weasley é esse?
Draco não parecia tão interessado, mas Astoria não ligava para o nível de interesse que ele tinha no assunto, era a única pessoa disponível para conversar com ela.
— Aquele com a cicatriz gigante no rosto! — respondeu dramática. — Não é horrível?
Ele deu de ombros.
— Não namoraria um Weasley, mas francamente não ligo para quem Fleur Delacour namora.
Astoria bufou, pensando o quanto era difícil manter o assunto com ele. Draco não conseguia entender o que passava pela sua cabeça, ou ver as coisas como ela via.
— Mas Fleur é bonita, inteligente, gentil...
— E rica — acrescentou ele, e ela o ignorou.
— Ela merece alguém que esteja no nível dela — explicou devagar, para que Draco pudesse compreender. — Você não a conheceu. Fleur até elogiou os meus quadros!
Draco soltou uma risada sarcástica.
— Já vi por que gosta tanto dela... — comentou. — Por que você não namora Fleur Delacour? Assim pode ouvir ela te elogiando o dia todo.
Astoria respirou fundo. Ela não sabia por que perdia tempo conversando com ele. Tinha que admitir que mesmo tendo outros amigos, sempre acabava confiando assuntos demais a Draco Malfoy.
Ela sentia que talvez fosse porque ela sabia como ele era de verdade, todos os seus lados bons e ruins — a maioria ruim —, e ele também parecia saber como lê-la bem demais. Astoria não gostava disso, porém a deixava mais confortável para compartilhar seus surtos com Draco, mesmo que ele não concordasse com ela.
E agora ela precisava não pensar em Draco Malfoy, e a opinião dele sobre ela, e sim em quem seria o cara ideal para Fleur.
Alguém que fosse tão bonito quanto ela, inteligente, carismático e que frequentasse o mesmo círculo social que as duas.
Fez uma lista mentalmente de todos os homens solteiros e jovens que conhecia, até que um rosto veio em sua mente. Astoria sorriu vitoriosa, ela sabia muito bem quem seria o futuro namorado de Fleur Delacour.
— Já sei! — anunciou.
— Eu não quero saber — disse Draco, mas ele não saiu do jardim, então Astoria o contou do mesmo jeito.
— Vou juntar Fleur com Blaise Zabini! — exclamou animada.
Draco apenas suspirou, como se acreditasse que aquele plano não daria certo.
Mas Astoria sabia que iria dar certo. Seus planos nunca davam errado.
***
Quando você era alguém como Astoria Greengrass, você se acostumava a frequentar diferentes tipo de festas: algumas com os colegas da faculdade, outra com jovens que cresceram no mesmo condomínio de Astoria. Porém, a maior parte dessas festas eram festas de negócios ou festas onde pessoas ricas pudessem exibir o quão ricas elas eram, com enfeites exageradamente luxuosos e comidas feitas pelos chefes mais caros da cidade.
Por mais que Astoria soubesse como ostentar, ela não gostava tanto de frequentar festas como aquelas. Sim, a comida e a bebida eram perfeitas, mas que jovem aguentaria ouvir os pais conversando sobre negócios e fazendo com que os filhos socializassem com todas as pessoas mais velhas?
Entretanto, Astoria havia esperado longos dias para a festa na mansão Zabini. O local perfeito para apresentar Fleur a Blaise, e, com sorte, ver o amor dos dois começando.
Como muitos ricos estavam viajando, Astoria não teria que aguentar metade dos velhos chatos querendo saber da sua vida e perguntando o que ela iria fazer com seu diploma depois de se formar em uma faculdade de artes.
Essa noite seria perfeita, e nada daria errado. Astoria tinha certeza disso.
Fleur já estava acostumada com festas assim, conseguia enxergar isso perfeitamente enquanto guiava a amiga pela multidão. Tendo que parar vez ou outra para cumprimentar algum conhecido da família.
— Você vai adorar ele — assegurou enquanto observava o salão a procura de Blaise.
— Asty, você não precisava fazer isso — disse Fleur, ligeiramente sem graça. — Nem sei como terei tempo de estar focada nos meus estudos.
— Bobagem! Sempre dá para ter tempo de namorar.
Na verdade, Astoria não namorava. Sempre dizia que não tinha tempo para namoro e preferia juntas as pessoas, e também, focar em sua faculdade. Mas não diria isso para Fleur.
Seu olhar voltou para as cabeças no salão até que avistou de longe Blaise Zabini conversando com ninguém mais ninguém menos que Draco Malfoy.
Esperava muito que Draco não estivesse planejando arruinar os seus planos, porque ele não conseguiria.
Marchou até os dois, arrastando Fleur junto.
Blaise a viu antes que pudesse falar algo.
— Astoria! Faz tempo que não te vejo — cumprimentou.
Astoria sorriu de volta.
— Boa noite, Blaise — disse educadamente. — Fiquei muito ocupada com o final do período para ir em festas.
— Tudo bem, tenho certeza que poderei vê-la mais vezes nesse verão. — Ele sorriu com o canto da boca.
Draco fez um barulho, parecia estar tentando abafar uma risada. Astoria o ignorou.
— Blaise, essa é Fleur Delacour — apresentou a amiga. — Ela vai começar a pós no King’s College nesse outono.
Eles se cumprimentaram e Astoria poderia jurar ter visto as faíscas de atração no olho dos dois. Soube na hora que havia feito a escolha certa.
Blaise pareceu mais interessado em saber sobre a pós de Fleur, e eles começaram a conversar com Astoria dando assistência a conversa. Sempre elogiando Fleur como uma jovem muito inteligente.
Draco não disse nada, porém ela conseguia ver a expressão de deboche no rosto dele. E sem nem se despedir, afastou-se do grupo. Astoria pensou o quanto ele era sem educação e por pouco não o seguiu para que pudesse tirar satisfação.
Respirou fundo. Precisava focar sua atenção em juntar Fleur e Blaise.
Ela não veria mais Draco naquela noite.
E assim que a festa acabasse falaria com toda a certeza do mundo para Fleur que Blaise estava caidinho por ela, e era questão de tempo até que ele a convidasse para sair.
***
No dia seguinte, Fleur apareceu sem avisar na casa de Astoria. Era perto do fim da tarde, e Astoria já havia desistido de pintar o seu quadro. Havia dias que a inspiração simplesmente não chegava.
Ela trocou as telas por um livro e um copo de chá.
— Astoria, você não vai acreditar no que acabou de acontecer! — exclamou Fleur, entrando eufórica na sala.
Astoria logo fechou o livro e se levantou. Aquela animação só podia significar uma coisa: Blaise Zabini a havia chamado para sair!
Ficou orgulhosa de si mesma por nem precisar se esforçar muito para juntar aquele casal. Sabia desde o primeiro encontro deles que foram feitos um para o outro.
— Conte logo! — pediu mesmo já sabendo o que era, queria ouvir as palavras saindo dos lábios da amiga.
— Bill me chamou para sair! — respondeu animada. Enquanto Astoria sentiu toda a animação esvair de seu corpo. — Nós nos encontramos no parque e ele me convidou para sair com ele amanhã.
Bill Weasley? Aquele que as duas haviam combinado em deixar para trás?
Astoria tentou não mostrar o quanto estava desapontada com a notícia, precisava ser firme ao falar com Fleur.
— Mas e o Blaise? — perguntou calmamente.
O sorriso de Fleur diminuiu, como se tivesse lembrado agora da existência do outro homem. Astoria não entendia como ela poderia esquecer de alguém como Blaise Zabini ao olhar para alguém como Bill Weasley.
— Blaise é um cara incrível, mas eu mal o conheço — explicou timidamente. — Acho que ter esbarrado duas vezes com Bill mostra que o destino o escolheu para mim.
Astoria resistiu ao impulso de fazer uma careta.
Destino? Ninguém sabia mais sobre amor e destino do que Astoria Greengrass. Ela controlava o destino, e tinha certeza de que o de Fleur não apontava para Bill Weasley.
— Fleur, eu duvido que seja o destino — rebateu receosa. — Quero dizer, você é uma jovem bonita, que mal conhece a cidade e Bill fica aparecendo em todo o lugar que você vai. — Astoria fez uma expressão pensativa, para mostrar que havia analisado muito bem os fatos. — Já pensou que ele pode estar te perseguindo para aproveitar de você?
Fleur abriu a boca chocada, sem acreditar naquela possibilidade.
— Bill nunca faria isso! — protestou. — Você não o conhece.
— E você também não!
Fleur não tinha o que dizer quanto aquilo, Astoria sabia. Ela havia encontrado Bill duas vezes, e não sabia quase nada sobre ele.
Sim, ela mal conhecia Blaise, mas também mal conhecia Bill.
— Você não conhece o Bill e o Blaise direito, mas eu conheço o Blaise e sei que ele jamais faria algo assim.
Fleur parecia completamente devastada.
— Você acha mesmo que Bill pode só estar me usando? — perguntou sentando-se no sofá, Astoria fez o mesmo e colocou o braço no ombro da amiga, oferecendo-a conforto.
— É difícil de acreditar, Fleur. Mas muitos homens são assim, e eu não confiaria muito em um Weasley.
— Eu achei que fosse mesmo o destino...
— Fleur, eu te adoro, mas você também é muito inocente — disse com sinceridade. — Aquilo não é o destino falando, é um homem horrível a perseguindo.
Fleur começou a chorar.
— Talvez eu não deva namorar britânicos.
— Não! — exclamou Astoria, logo controlando o tom de urgência em sua voz. — Você deve namorar o britânico certo, e esse é Blaise Zabini.
— Eu não sei...
— Ele vai te chamar para sair — assegurou. — Sei que ele gosta de verdade de você.
Fleur concordou com a cabeça e secou as lágrimas que caiam no rosto, recuperando sua compostura. Astoria nunca havia visto uma pessoa ser tão bonita até quando chorava, não tinha como homem nenhum não se apaixonar por ela.
— Mas o que devo dizer a Bill? — perguntou Fleur, nervosa.
— Diga que surgiu um imprevisto e estará muito ocupada pelo resto da semana, se ele insistir bloqueie o número.
Devagar, Fleur concordou, absorvendo todas as palavras.
Astoria sorriu vitoriosa, nada poderia interromper o seu plano.
***
Não demorou nem cinco minutos depois que Fleur foi embora para tocarem a campainha. Draco entrou na sala, Astoria quase não o reconheceu com roupas de corrida, sempre o via com roupas formais.
— O que você fez para fazer com que Fleur Delacour saísse tão abalada da sua casa?
Astoria soltou uma risada sem humor.
— O que está fazendo do lado de fora da minha casa? Me espiando?
Draco revirou os olhos e apontou para o próprio corpo.
— Como pode ver, eu estava caminhando — explicou o óbvio. — Ou já se esqueceu que moramos no mesmo condomínio?
— Queria poder esquecer! — revidou Astoria cruzando os braços. — E isso não quer dizer que você pode entrar na minha casa quando bem entender.
— Pode ficar calma que eu não vim ver você, só quero saber o que fez com Fleur.
— Está interessado nela por acaso?
Astoria esperava que ele não estivesse. E se tivesse não teria chance nenhuma de namorar a Fleur.
Draco a encarava como se se arrependesse de ter entrado na casa e começado aquela discussão. Ela tinha esse efeito nele, de o fazer rapidamente perder a cabeça.
— Não, só quero saber o que sua mente maligna anda fazendo — explicou, conversar com Astoria podia ser mais cansativo do que correr mais de dez vezes pelo grande condomínio. — Espero que não esteja fazendo nada que vá se arrepender depois.
Ela riu. Depois de ter ouvido as palavras de Draco, só podia rir. Quem ele achava que era para dar conselhos para ela? Quando era ela que tinha visto ele nos seus piores momentos, quando não passava de um garoto fazendo bullying na escola e chorando quando estava sozinho.
Astoria conhecia cada versão dele, mas ele nunca havia prestado atenção o suficiente para conhecer essas versões dela. Normalmente não ligava, mas às vezes aquilo a magoava um pouco, principalmente em momentos como o de agora, quando ele a dava concelhos como se soubesse o que era melhor para ela.
— Eu não vou me arrepender — disse seca. — Fiz o que era melhor.
Draco suspirou, derrotado. Sabia que não ganharia aquela discussão, ele nunca ganhava, mas por alguma razão, sempre tentava.
— Eu precisei de muito tempo para entender os meus erros. Não quero que seja igual com você.
Ele foi embora antes que ela pudesse tentar revidar suas palavras. E Astoria só conseguiu se jogar no sofá depois, completamente exausta.
Não sabia como Draco conseguia arruinar até os seus melhores dias. Como ele podia comparar o passado dele a ela?
Astoria torceu para que não precisasse esbarrar com ele nos próximos dias. Não sabia se teria forças para não o xingar de todas as ofensas possíveis.
***
Infelizmente, Astoria dificilmente conseguira se ver livre da presença de Draco Malfoy por mais alguns dias.
Ela iria precisar da ajuda dele.
E queria morrer por isso. Nada feriria mais seu orgulho do que pedir ajuda a Draco, principalmente depois da última conversa deles.
O problema era que Blaise não havia chamado Fleur para sair, uma semana depois da festa e ele não havia nem mesmo mandado uma mensagem para a garota.
Astoria logo entendeu por que, era tudo culpa da timidez. Nunca imaginou Blaise sendo um cara tímido para romance, quando era tão sociável com todo mundo. Porém, pouco sabia dele fora das festas sociais que os dois frequentavam.
Foi uma surpresa para Astoria quando ele a ligou para propor um encontro duplo. Bem, não foi exatamente ele que propôs.
Blaise ligou convidando Astoria para um encontro, e Astoria rapidamente entendeu que ele queria que ela fosse no encontro dele com a Fleur — que ele ainda não havia convidado — para não ficar completamente a sós com uma mulher que gostava tanto.
Então, Astoria logo deu a ideia do encontro duplo, porque por mais que gostasse de juntar casais, não queria ser a vela no encontro de ninguém. Só que havia um problema: ela não tinha ninguém para chamar para um encontro.
Astoria era muito boa em juntar casais, mas quando se tratava dela não tinha o mesmo dom, ou não estava interessada em namorar. A maioria de seus amigos eram homens que namoravam ou homens que estavam viajando.
A única pessoa que sobrava era a última pessoa que Astoria Greengrass gostaria de estar em um encontro: Draco Malfoy.
Não foi fácil ligar para ele, Astoria teve que reunir toda a sua coragem para fazer uma simples ligação. Draco não pareceu muito feliz com a proposta, e Astoria tinha certeza de que ele tinha muito a dizer pelo assunto, que passaria meia hora falando mal de seus planos, mas no fim, depois de um longo suspiro cansado, Draco aceitou.
Astoria poderia lidar com passar a noite ao lado de um Draco rabugento, contanto que tivesse certeza de que Fleur terminaria aquele dia namorando Blaise Zabini.
Ela ligou para um restaurante francês bem chique de Londres e fez as reservas. Estava um pouco em cima da hora, mas ela era Astoria Greengrass e nenhum restaurante de Londres recusaria reservas para alguém com aquele sobrenome.
Chegou lá sozinha, já que Draco estava indo direto da empresa, e ela não preferia não ficar a sós com ele. Blaise e Fleur também vieram separados, já que os dois tinham compromissos antes do jantar. Não era o ideal, mas Astoria esperava que fosse ver os dois indo embora juntos no final da noite.
E como ela raramente era pontual, todos já estavam sentados na elegante mesa redonda quando ela chegou. Havia conseguido um lugar mais privativo, ao invés de uma mesa no centro do salão.
Pediu desculpas pela demora — pensou ter visto Draco revirando os olhos —, e se sentou entre Draco e Blaise.
Apesar de aquele ser um encontro um duplo, Astoria estava ali inteiramente para juntar Fleur e Blaise. Por isso fez questão que o assunto sempre estivesse voltado para os dois. Perguntou sobre o mestrado de Fleur, o que iniciou uma conversa sobre economia entre a amiga e o pretendente.
Astoria não entendia nada, e nem fez questão de entender. Observou feliz a cena, bebendo vinho.
Sentiu alguém a cutucar no braço, não precisava nem olhar para saber que era Draco do seu lado.
— Parece que você está muito feliz — sussurrou ele, perto demais do seu ouvido.
Astoria foi pega de surpresa com a aproximação dele. Porém, não deixou mostrar. Sorriu ainda mais, sentindo-se vitoriosa.
— É claro, meu plano deu certo — sussurrou de volta, sem encará-lo. — Como sempre.
Draco riu baixo, irônico.
— E o que vamos ver.
Antes que ela pudesse perguntar o que ele queria dizer com isso, afinal ela já tinha provado estar certa.
Blaise se virou para Astoria, chamando a atenção dos dois.
— E você, Astoria? — perguntou, deixando-a confusa, mas sem querer mostrar que não havia prestado atenção na conversa. Felizmente, ele acrescentou: — Não está indo para o último ano na faculdade?
— Estou sim — respondeu, esperando que o assunto terminasse ali. Não era dela que deveriam estar falando.
Contudo, Blaise era insistente:
— E já sabe o que quer fazer quando se formar?
Astoria segurou a vontade de revirar os olhos. Escutava essa pergunta desde que havia entrado para a faculdade de artes. Não que ela não soubesse a resposta, escolheu o curso porque gostava de pintar, nunca em sua vida teve que se preocupar com o que dava dinheiro, ou com o que poderia trabalhar. Seus pais já haviam feito isso por ela, eles tinham dinheiro o bastante para que diversas gerações da família Greengrass pudessem viver confortavelmente.
Draco respondeu por ela, antes que ela mesma pudesse inventar palavras melhores para dizer o que pensava sem parecer uma patricinha mimada.
— Astoria não precisa fazer nada quando se formar — disse. — Pode continuar vivendo com o dinheiro dos pais.
Astoria o encarou boquiaberta. Sim, era verdade, mas ela parecia uma pessoa tão vazia e fútil quando ele falava dessa maneira.
Precisava acabar logo com aquele assunto.
Mas, novamente, Blaise não deixou.
— Você já deve ter feito muitos quadros ao longo do tempo — comentou. Astoria pensou que pelo menos ele havia ignorado o comentário de Draco. — Será que eu poderia vê-los?
Astoria se sentiu um pouco desconfortável com a pergunta. Não era como se seus quadros fossem secretos, alguns estavam pendurados pela casa, e outros no escritório do pai. Porém, havia sido o jeito que com que Blaise tinha perguntado, como se a estivesse convidando para um encontro em que ela o mostrava os quadros. Sentiu um pouco de malícia na pergunta, mas deveria ser apenas coisa da sua cabeça. Afinal, Blaise estava interessado em Fleur e não nela.
— Claro — respondeu indiferente.
Ele sorriu com a resposta.
— Então combinaremos um dia para que eu possa ir até a mansão Greengrass olhá-los.
Astoria ficou sem palavras, e visivelmente desconfortável. Por que ele iria querer ir até a casa dela quando Astoria poderia mostrar os quadros da próxima vez que sua família fizesse alguma festa? O que acontecia com bastante frequência.
Estava pronta para sugerir isso, quando Draco pigarreou do seu lado. Ele parecia um pouco irritada, mas Draco sempre estava de mal humor.
Os três voltaram a atenção para ele, que agora encarava Fleur.
— Da última vez que fui a Paris tinha um restaurante muito bom, mas não consigo lembrar o nome — disse pensativo, enquanto descrevia o lugar para Fleur.
Astoria suspirou aliviada pela mudança de assunto. Nunca esteve tão grata em ter Draco do seu lado.
O resto do jantar seguiu tranquilo, e Astoria tentou ao máximo tirar aquele desconforto da sua cabeça. Blaise e Fleur pareciam estar se dando muito bem.
Depois que levantaram da mesa, Fleur e Draco foram no banheiro e Astoria e Blaise resolveram esperar na frente do restaurante. Blaise já havia pedido para o manobrista ir buscar o seu carro.
— Posso te deixar em casa — sugeriu. — Moramos no mesmo condomínio.
— Obrigada, mas não precisa — respondeu rápido. Não se sentia confortável o bastante para ficar sozinha no carro com ele, mesmo que ele gostasse de Fleur.
Blaise a encarou com curiosidade, como se esperasse outra resposta dela.
— Estamos indo para o mesmo lugar, não tem por que irmos em carros separados — insistiu.
Astoria tentou pensar em uma desculpa melhor. Poderia dizer que já ia embora com Draco, mas Draco não havia oferecido carona, e tinha medo de que ele pudesse simplesmente recusar para fazê-la sofrer.
— Eu não vou para casa — mentiu. — Vou para casa de uma amiga da faculdade, e é do outro lado da cidade.
Felizmente, Blaise pareceu acreditar. E ela torceu para que o assunto morresse ali, ou para que Draco e Fleur saíssem logo do banheiro.
— É uma pena — disse Blaise, soltando um suspiro triste. — Queria passar mais tempo com você.
Astoria o encarou confusa.
— Comigo?
— É claro — respondeu como se fosse óbvio. — Estamos em um encontro juntos. É uma pena que não seja só nós dois, podemos sair sozinhos da próxima vez.
Astoria o olhava complemente espantada. Um encontro entre ela e Blaise? Mas e Fleur?
— Mas e quanto a Fleur? — questionou falando seus pensamentos em voz alta.
— Fleur? — Blaise fez uma careta. — O que tem a Fleur?
— Você está saindo com ela!
Blaise parecia tão confuso quanto Astoria.
— Não, eu estou saindo com você. Fleur está saindo com o Malfoy.
Astoria abriu a boca para protestar, mas nem sabia mais o que poderia dizer. Aquele era o maior mal-entendido da história, ela tinha certeza de que Blaise era o cara perfeito para a amiga dela, e nunca pensou nele como mais que isso.
Blaise esticou a mão para segurar a de Astoria, mas ela desvirou rapidamente e deu alguns passos para trás, esbarrando em alguém. Assim que se virou, viu Draco e Fleur parados do seu lado, igualmente chocados com a situação.
Fleur foi a primeira a sair do transe.
— Bem, é melhor eu ir — disse se virando para entrar em um dos táxis parados na frente do restaurante.
Ela já tinha ido embora antes que Astoria pudesse tentar impedir.
— Astoria... — Draco começou a falar.
— Acho melhor eu ir embora também — concluiu, se recusando a olhar para os dois homens.
Não queria ver ou ouvir mais uma palavra de Blaise sobre ele achar que tinha algo entre os dois. E não queria ouvir o “eu te disse” de Draco, ou pior, o olhar de pena dele.
Astoria entrou em outro táxi, deu o endereço de sua casa e se recusou a olhar para janela e ver que cara Blaise e Draco estariam fazendo agora.
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