Masoquista

1 Capítulo Único


Notas iniciais
A história se passa na Teiko, com meu bróder lindo, Daiki, ainda sorridente e fofucho ♥

Já sabem, herrar é umano. -q

Enjoy :D

- Mais uma vez.

Daiki suspirou, formando um pequeno bico. Já era a oitava partida que vencia contra Kise, e por mais que gostasse de jogar, aquilo estava ficando cansativo.

- Kise, já está tarde e estou com fome.

- Mais uma vez!

O maior juntou as sobrancelhas, começando a se irritar. Seu amigo loiro estava ajoelhado em sua frente, usando os braços de apoio para que não desabasse no chão. Mal tinha forças para manter a respiração regulada, que dirá jogar outra partida. Não que Daiki estivesse melhor, claro. Ainda aguentava ficar de pé, mas o cansaço apitava em um canto do cérebro, e o estômago não parava de reclamar por alimento.

- Amanhã nós podemos continuar, vamos embora.

- Mais uma vez!

- Kise! – O grito de Aomine ecoou por toda a quadra, arrepiando o loiro que, surpreso, subiu os olhos assustados para o parceiro de jogos. – Se quer tentar se matar, ao menos faça isso de uma forma decente. Olhe para você, caído no chão, está patético. Não vou ajudá-lo a continuar com esse pensamento masoquista.

Masoquista. Aquela palavra ecoou pela mente de Ryouta, como se abrisse uma porta em seu inconsciente. Talvez ele fosse exatamente isso. Masoquista. Masoquista por querer dia após dia superar Aomine. Masoquista por treinar intermináveis horas em sua casa, esquecendo de cuidar de si mesmo. Masoquista por achar que, forçando o moreno a ficar com ele até tão tarde na quadra, se tornaria melhor que o próprio.

Masoquista por permitir que sua admiração por Aomine Daiki tenha se tornado tão doentia a ponto de chegar a amá-lo.

Kise se odiava por isso. Era um modelo com um futuro promissor. Um copiador excelente que poderia se dar bem em qualquer esporte. Um jovem popular com forte influência sobre todos. E mesmo assim, se deixou levar por aquela sensação de desafio, por aquele desejo sedutor de superar o impossível, de vencer o ace da Teiko. Ah céus, como aquele garoto imbecil que ria por qualquer coisa poderia lhe tirar o sono tantas e tantas vezes, fazendo-o desejar provar daquele corpo moreno não apenas em pequenos choques durante os jogos ou em cumprimentos no dia a dia. Eram dois homens, e deveriam ficar apenas no limite de linda amizade. Então por quê?

Estalou a língua ao sentir o gosto salgado de lágrimas em sua boca. Já chorara outras vezes por culpa daquele sentimento que lhe corroia desde a vez em que colocou seus olhos no jogador, mas permitir demonstrar tamanha fraqueza na frente de seu rival? Kise Ryouta não era assim!

- Vá embora, Aominecchi – murmurou, comprimindo os lábios numa tentativa frustrada de conter as lágrimas. – Não é isso que você quer? Então vá!

- O que eu quero – a voz do moreno baixou, enquanto o mesmo ficava de cócoras na frente de Ryouta – é sair daqui e ir comer em alguma lanchonete com meu amigo extremamente irritante.

Kise sentiu seu coração pular dentro do peito. Ainda com o choro baixo, fixou seus olhos nos de Daiki. Dourado e azul chocaram-se naquele momento, num misto de sentimentos ocultos, desejos não realizados e paixões proibidas. Naqueles olhos azuis, o modelo via a imensidão indescritível que Daiki era, como um mar extremamente calmo, anunciando que a verdadeira tempestade não tardaria a vir. Novamente sentiu aquele maldito arrepio subir por sua espinha e chegar à nuca, engolindo em seco. Sentia-se pequeno perto do amigo, um peixinho fora d’água com a fagulha de esperança de que o mar viesse resgatá-lo, abraçando-o com suas ondas e o levando para a imensidão do desconhecido no fundo do oceano.

E essa fagulha tornou-se uma pequena chama, ao notar, surpreso, as maçãs do rosto de Aomine adquirirem um tom rosado. E a chama se aumentou para um fogaréu, não acreditando que as orbes azuis fossem as primeiras a desviar, não sustentando o peso de todos aqueles sentimentos não ditos.

- Pare de chorar feito uma garotinha e vamos logo – o maior reclamou, estendendo a mão assim que já se encontrava de pé. – Eu já disse que estou morrendo de fome!

O menor apenas assentiu, aceitando a mão do outro. Só agora percebera que seu corpo doía como nunca, e o sentimento de masoquismo voltava a lhe invadir. Realmente, querer se afundar no oceano escuro e perigoso que era Daiki não fazia parte do pensamento de alguém são, mas Kise já não se importava com aquilo. Talvez os espasmos de dor o fizessem delirar, mas sentir o calor da mão de Aomine que não o largara por momento algum até garantir que o mesmo poderia andar por conta, o fez perceber que não se importava com a dor ou com o medo de mergulhar. Se tivesse aquele calor perto de si sempre, continuaria a se testar até o último.

- Aominecchi...

- Hm? – o rapaz se virou para o mesmo, perto da saída.

- Amanhã eu vou te derrotar.

Daiki piscou algumas vezes antes de rir, balançando a cabeça.

- Pare de falar besteiras e ande logo, ou vou te deixar para trás.

Ryouta se limitou a sorrir, apertando o passo para se por ao lado de Daiki. Talvez um dia conseguisse vencer seu rival em um mano a mano ou em algum jogo oficial.

Mas por enquanto, tentar alcançá-lo lhe bastava, afinal, seu maior objetivo agora era outro. Um objetivo que levaria por toda uma vida.

Conquistar o coração inabalável de Aomine Daiki.

Notas finais
Como eu morro de amores por AoKise ♥

Se mais alguém gostou dessa minha brisa matinal, se manifeste nos reviews, seus tesudos ♥♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!