Mascarade

1 Capítulo 1 - No camarim da prima donna


Notas iniciais
Primeiro capítulo!!! Yey! Espero que gostem, foi feito com muito carinho. Vou tentar postar ao menos uma vez por semana. Eu aviso no caso de qualquer mudança ~ Depois de alguns anos eu li o livro e fiz algumas mudanças na história, então estou postando de novo. Espero que gostem!

Paris, 1870.

Pelos bastidores agitados da Ópera Populaire uma garota corria, tentando evitar esbarrar em empregados, costureiras e bailarinas que encontrava no meio do caminho. Seus pés apressados, calçando sapatilhas carmesim deslizavam pelo chão e seu riso alegre chamavam atenção. Atrás dela ouviam-se gritos e resmungos por ter atrapalhado ou derrubado algo enquanto passava, mas ela continuava, sem parecer se abalar. Parou em frente ao antigo camarim de Carlotta, a diva da ópera há pelo menos seis temporadas seguidas. Na porta havia uma enorme placa dourada com o nome da diva em uma caligrafia invejável. A garota girou a maçaneta de cristal e entrou o mais rápido que pôde, assustando Christine e Meg, duas bailarinas que estavam conversando no camarim. Encostou suas costas na porta e soltou o ar, sorrindo com seu triunfo.

— Blanche! Você nos assustou — Meg disse, fazendo seus cachimbos loiros e compridos sacudirem com sua irritação.

— Desculpe. Vocês não se importam se eu ficar aqui só um pouquinho, não é? — sorriu, o rosto de alguém que havia feito algo errado.

— O que você fez dessa vez? — perguntou Christine, os braços cruzados.

— Absolutamente nada, eu juro! Foi aquela louca da Soliére! Eu não tenho nada a ver com os nervos frágeis dela! — Blanche caminhou até o centro do camarim e lançou-se sobre um divã aveludado próximo às araras de figurinos.

— Blanche, você sempre faz alguma coisa para irritá-la — disse Meg, voltando a escovar seus cabelos.

— Certo. Eu posso ter dado uma pequena borrifada do perfume dela no meu pescoço. Mas foi só uma, bem de leve — mordeu seus lábios e sorriu.

— Não é para menos! Você sabe como ela é com suas coisas — disse Christine, sorrindo e balançando a cabeça.

— Ela é uma exagerada! Foi só um pouquinho — ficou em silêncio por alguns segundos — Aliás… Posso me arrumar aqui hoje? Eu não posso voltar para lá ou ela vai me matar.

— Claro, Blanche! — disse Christine, sorrindo.

A garota levantou-se do divã e se juntou às outras duas em frente ao espelho. Meg atava uma fita de cetim aos cabelos e Christine coloria sua face com um pouco de blush. Blanche agarrou uma escova com cabo prateado e passou a escovar seus cabelos, para se manter entretida, mas se distraiu pela forma descontrolada com que Christine se maquiava. As bochechas da moça estavam rosas de tanto blush, de forma até pouco natural para a personagem que iria interpretar.

— Está tudo bem, Christine? — Blanche perguntou, interrompendo a outra.

— Ah! Sim, está! Só estou preocupada… Eu nunca cantei. Não para um público imenso. Não desta forma — Christine agarrava o pompom da maquiagem com força.

— Não se preocupe, Christine! Você canta como um anjo. Sua voz é linda. Divina! Todos a ouvimos cantar esta manhã — disse Meg.

— Se eu cantasse como você, já teria feito isso há mais tempo. Na verdade, acho que não faria outra coisa! — disse Blanche, apoiando as mãos em seus ombros.

— Como se já não ficasse o tempo todo cantando com a sua voz de taquara! — completou Meg.

— Ei! Não é bem assim! Eu até que sou afinadinha — respondeu Blanche, lançando o pompom que Christine apertara momentos antes em direção à outra, se defendendo. As duas ouviram a deliciosa gargalhada de Christine se sobressair.

— Obrigada, meninas. Estou mais calma agora.

Meg sorriu, demonstrando qual havia sido seu plano desde o começo. Se alguém naquela ópera conhecia Christine, com certeza era ela. Haviam boatos que Christine chegara na Ópera havia dez anos, logo depois que seu pai morrera. Ela ainda era uma menina na época, de seis ou sete anos. Meg já vivia lá, com sua mãe, uma antiga bailarina. Mme Giry ensinava e treinava as bailarinas desde aquela época e adotara Christine a pedido de seu pai, um violinista sueco famoso que morrera ainda cedo e deixara Christine sozinha. As duas haviam se tornado grandes amigas naquela época, quase irmãs.

A porta se abriu de repente e a bengala de Mme Giry apareceu na porta. Logo ela entrava na sala, seu vestido escuro esbarrando no chão, em um luto eterno pelo marido falecido. Os cabelos, trançados e presos em um coque, refletiam sua austeridade. Ela era severa e rígida e conduzia a ópera com maestria, desde que todos seguissem suas ordens com disciplina. Seu olhar sempre atento, parecia saber de todos os segredos da ópera e de cada um de seus residentes, mas guardava apenas para si. Nem Meg lhe entendia perfeitamente.

— O que fazem paradas no meio do dia? Não sabem que tem um espetáculo esta noite?

— Desculpe, Mme Giry — responderam em unissono, como se estivessem em um quartel.

— Blanche e Meg, se juntem ao restante das bailarinas para o ensaio. Christine, treine sua voz. Você nunca cantou antes e não teve muito tempo de ensaiar. Deveria estar se dedicando mais.

— Sim, Mme — responderam.

Blanche e Meg saíram do camarim, mas Christine ainda permaneceu lá. Enquanto Mme Giry fechava a porta ainda era possível ouvir Christine cantando os primeiros versos de “Think of me”.

Notas finais
Gostaram? Hein? Hein? Deixe seu comentário aqui, quero muito saber a sua opinião, até mesmo as críticas. Só peço respeito. Nada de xingar a autora, hein? Por hoje é só...