Maré de histórias
1 O que eu poderia contar ao mundo...
Poderia pensar em contar ao mundo que tenho pelo menos 5 filmes favoritos, porque nunca seria capaz de eleger apenas um, uma vez que cada filme conversa de formas diferentes com minha alma.
Poderia pensar em contar ao mundo o quanto passo meses e meses escutando as mesmas músicas, e que no início do ano passado ouvir as músicas do Maninsk em Italiano me deixavam hipnotizada. E eu não entendo nada de Italiano.
Poderia pensar em contar ao mundo como nunca consigo decidir entre meu cabelo longo ou curto, entre rosa e preto, entre música clássica e rock.
Também deveria explicar que não posso escolher entre Goethe e Dostoievski, e ainda se tentasse acabaria por despender S.E. Hinton. Quantas almas são tocadas diariamente por suas palavras? Que sorte ter sido uma delas.
E talvez o mundo me acharia boba ao saber que lágrimas escorreram dos meus olhos ao observar pinturas, feitas a séculos atrás, por alguém tão diferente de mim, desde o seu nascimento até toda sua vida, e ainda assim tão igual por ter a oportunidade de viver e de sonhar.
Será que um artista pensa o quando sua obra irá transcender gerações? Continentes? Séculos? Talvez a sensação fosse apenas em colocar seus sentimentos em cores, em palavras, em formas, e a consequência veio de trazer vida a própria vida, sentido a todos os mistérios, sonhos em meio às diferentes realidades.
Minha realidade, minha vida, meu mundo é tão diferente do que foi toda a trajetória de Dostoievski, e ainda assim é impossível não me identificar com o sonhador de Noites brancas, é impossível não vê meu mundo no mundo criado por Hinton, é impossível não me sentir com Werther ao contemplar a natureza e o milagre de minha existência.
E eu me pego pensando em quem poderia ser em todas essas épocas? Quais possibilidades teria em minhas mãos? Quais dores e sabores? Quais medos e amores? Quem eu seria a tantos séculos atrás? Quem poderia ser tantos séculos a frente? Em outros continentes, com outras vivências sobre a história. Qual parte de mim gritaria para ser ouvida? Ou talvez eu sussurrasse baixinho tentando viver quase como quem se esconde.
Talvez pudesse conhecer o mundo em um navio, e poderia usar como argumento uma ingenuidade latente para dizer em alto em bom som que acredito em todas as lendas, e histórias e amores.
Como explicar que pra mim todas as histórias fazem sentindo, e meu coração curioso se embrenharia em mares e clareiras em busca de histórias a muito perdidas, daquelas que pra maioria seriam apenas mitos?
Tentar dizer que desde o bater de asas de uma borboleta, a maneira como o sol lança sombras e luzes as plantas, como alguém sorri quando observar apaixonado o que ama, são pura e simplesmente magia seria loucura minha?
E é interessante pensar o quanto em minha imaginação a arte, a magia, e os sonhos são simples e puramente a mesma coisa, como se fizessem parte do mesmo significado, do mesmo sentido. Existe será alguém a quem os sonhos não importam? Existe será alguém que não aprecie arte? Como seria viver sem essas magias? A magia de contemplar o mundo não só com o olhar da razão, e sim de todas as emoções. Não sei, e agradeço ao mundo não precisar nunca descobrir.
E eu poderia pensar em contar ao mundo tantas coisas sobre mim, só pra ouvir tudo que ele poderia pensar em me contar sobre ele, porque se até pra mim mesma consigo ainda ser um mistério, que incrível seria desvendar pelo menos um pouquinho todo os segredos que o mundo poderia me sussurrar. Talvez ele viesse a me contar que com sua imensidão 5 filmes favoritos não são nada, perto da infinidade de histórias que ainda irão me tocar.
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