Marykelly

3 Capitulo 3 - Faíscas


Notas iniciais
Sucesso, apenas sucesso.

Michael Hall, Ian Atwood, Louis e Mick e alguns músicos estavam reunidos no salão principal da METTA em uma tarde de sexta feira quando eu cheguei. Depois de três meses rotineiros, ensaiando, gravando musicas em tardes milagrosas de sol, esse dia era para ser mais um dia. Mas não era. Quando entrei no salão principal, todos eles se viraram à mim e me aplaudiram. Eu apenas entrei no salão sem entender nada mas com um sorriso no rosto de surpresa. Michael vem até a mim e me segura pelo pulso:

– Venha que Ian quer dizer algumas palavras à você.

Ian então sorriu e acendeu um xaruto, e disse em voz jocosa:

– Que bom que todos estão aqui, estamos celebrando hoje a estréia e o inicio da venda dessa moçinha aqui, que no inicio achamos uma pessoa bem dificil e inusitada mas que seu talento nos trarará para novos horizontes nessa casa musical. Agora, tenho o prazer de lhe entregar em mãos a cópia do seu primeiro LP!

Aplausos fortes ecoaram o salão enquanto Ian me entregava meu primeiro LP. Havia minha foto em uma janela da minha casa e meu nome. O nome do LP batizaram de "Lonely Tears of Mine". Minha canção de trabalho. Meus olhos brilharam. E todos as pessoas me cumprimentaram com alegria. Me senti intimidada e feliz. Eu apenas queria levar o LP para minha mãe logo. Quando Louis me comprimentou estendendo a mão, ele disse :

– Parabéns! — falou ele em um tom de voz tranquilo.

– Obrigada — sorri olhando para o chão e com LP em uma mão.

Naquela noite, entrei em casa sorrindo demais e apesar do cansaço, eu não conseguia parar de sorrir.

– O que foi menina? — Disse ela sentada fazendo crochê.

Eu mostrei para ela a capa do primeiro disco. Ela logo soltou um pequeno grito de felicidade que logo tirou minha avó do quarto dela:

– Lila, o que foi isso? — disse ela enquanto encaminhava-se para a sala com sua bengala e passos lentos.

– Sua neta!! É uma estrela! — falou minha mãe, mostrando meu disco para vovó que sorriu silenciosamente enquanto observava a capa.

– Vamos ouvir agora! Vamos! — disse minha mãe empolgada. — Vamos todas nós para seu quarto.

O unico lugar de casa que havia um toca discos era meu quarto. Minha mãe e eu nos instalamos na minha cama enquanto vovó quis ficar com a poltrona estofada segurando a capa do disco. Ela estava curiosa sobre o processo:

– Que músicas lindas!Quem fez? Você?- perguntou ela.

– Não na verdade, foram uns meninos talentosos do Stonekings. -respondi timidamente.

– Stonekings! Eu os vi em algum programa na televisão — comentou minha mãe. Novamente, meu estômago se revirava toda vez que algo associado com Louis.

Na semana seguinte, à tarde, Michael me buscou novamente para me levar a METTA. Lá Ian me levou até um escritório junto com Michael que agora tinha se tornado oficialmente meu empresário principal.

– Bem, os discos estão vendendo muito bem para a minha surpresa mas precisamos de divulgação. — disse Ian de pé em frente à sua mesa andando para um lado e para o outro.- Você terá uma nova agenda a partir de hoje.

– Agenda?- perguntei

– Amanhã, você irá se apresentar no programa Gary Bill Show,no dia seguinte no programa do Jimmy Humpert. Terá que viajar para Maidenhead para isso. Depois o salão "Peoplesound" estará esperando você para uma apresentação de três musicas suas. Fãs estarão te esperando por lá. Você nem vai precisar cantar de verdade...- Eu logo o interrompi.

– O que?

Ian suspirou longamente e disse:

– Fãs estarão te esperando por você lá. Você vai subir e...- eu o interrompi de novo:

– Você disse que eu não vou precisar cantar de verdade?

– Ah, essa parte. É. Não, você não precisará fazer isso. Vão tocar suas gravações e você irá dublar, fingir que está cantando.

– Mas qual é o sentido disso? — falei tentando controlar minha indignação. Michael colocou as mãos dele no meu pulso que descansava nos braços da cadeira e disse :

– Mary acho melhor...

– O sentido é que lá naquele salão, não há musicos contratados e você não tem dinheiro para contratar uma banda agora.

– Mas isso é um absurdo! Eu sou uma cantora...Eu preciso de uma banda comigo. — respondi vigorosamente.

– Mas não temos dinheiro o suficiente para pagar uma banda. — Disse Ian revirando os olhos, um gesto que me deixou furiosa.

– Mas então vou conseguir dinheiro apenas enganando as pessoas?- perguntei batendo minhas mãos nos braços da poltrona.

– Não é bem enganando Mary... É...

– Eu não quero saber! Eu quero uma banda! — saí furiosa do escritorio batendo a porta, andei em passos apressados e com lágrimas nos olhos de tão nervosa que eu fiquei. Logo trombei em Louis que passava pelo corredor. Um trombo que me empurrou para trás:

– Wow! — disse ele

– Perdão!

– Vá com calma...Quer tirar o pai da forca?- disse ele em tom de voz baixo. Eu parei no meio do caminho olhando para o chão para evitar que ele visse meus olhos.

– Meu pai morreu quando eu tinha dez.- falei. Eu não deveria ter falado. Constrangeu o rapaz. Ele ficou em silencio enquanto olhava para o chão e disse:

– Perdão. Eu não sabia. Você aparenta nervosa,aconteceu alguma coisa?

– Não não...Não aconteceu nada. Eu preciso ir.

Saí sem olhar para trás, para ver se ele iria me seguir e me encostar contra a parede e falar 'me diga a verdade'. Mas ele não o fez,achei alguma sala vazia e entrei ainda com meus olhos virados para o chão. Assim que fechei a porta comecei a chorar sobre ela. Um choro meio alto. Eu estava furiosa. Tudo aquilo era claro, muito bom para ser verdade. Eu só estava esperando para o momento de que algo atrapalhasse. Quando uma voz interrompeu meu choro e pensamentos pertubados:

– Mary? Você está chorando?

Me virei e era Mick. Mick estava no outro canto da sala trocando cordas de uma guitarra com um cigarro nos lábios. Ele me vendo, se levantou e tirou do seu bolso um lenço.

– O que aconteceu? — disse ele se aproximando.

– Tive uma discussão com Ian. Ian sempre quer me...- Balancei a cabeça de uma forma negativa. Ele me olhava atentamente tentado entender o que eu queria dizer...

– O que Ian te fez? — perguntou — Sente-se. Sente-se. — disse ele apontando para o sofá. Ele ficou de joelhos em minha frente e ficava examinando meu rosto choroso.

– Ele não quer me dar uma banda. Ele quer que eu duble as musicas nas minhas proximas apresentações. Isso para mim é um absurdo. Será que estou pedindo muito por querer uma banda?

– O que ele te disse? — disse ele soltando fumaça do cigarro.

– Disse que não tem dinheiro para isso... — falei soluçando.

Mick balançou a cabeça em um sinal negativo e deu risada. Tragou mais uma vez o cigarro e disse:

– Que bastardo. Olha, eu vou conseguir uma banda pra você,você sabe sua agenda?

– Sei que terei três apresentações essa semana...

– ÓTIMO. Eu vou conseguir uma banda pra você. E se Ian achar ruim, mande ele falar comigo.

– Mas e o dinheiro? — falei limpando minhas lágrimas.

Ele se levantou e deu uma ultima tragada no cigarro e disse:

– Esqueça esse negocio de dinheiro. Se eu não achar um bom guitarrista, eu te acompanho. O que acha?

– Acho ótimo... Acho ótimo. — sorri agradecida.

Ele sorriu e estendeu a sua mão que havia um anel de caveira. Me levantou do sofá, e limpou minhas lagrimas como um irmão mais velho. Naquele instante minha simpatia por Mick se tornou enorme.Ele acendeu mais um cigarro e colocou nos labios.Pegou minhas mãos,e me levou até o escritorio de Ian que estava de pé, fumando um xaruto conversando com Louis, Michael, e mais três rapazes que eram do Stonekings : John, Thomas e Ed que estavam sentados nas poltronas. Mick entrou no escritório abrindo a porta com um chute bruto o que assustou os três rapazes e Louis e Michael que estavam de pé encostados na parede. Mick foi em direção à Ian e com as duas mãos o empurrou e encostou na parde. Ian comecou a gritar:

– Mas o que é isso Mick? ESTÁ BEBADO DE NOVO?

Mick respondeu com o cigarro nos lábios:

– Eu vim avisar que eu consegui os musicos para as apresentações de Mary...JOHN!THOMAS!ED! ME ENCONTREI DEPOIS! — disse ele serio apontando com a cabeça para a porta depois se voltou para Ian — E vim avisar que dinheiro não é problema e que ela vai can-tar. Me escutou?

Mick pressionou mais Ian contra a parede que concordou prontamente.

– Muito bem...- disse Mick

Louis me olhou com os olhos arregalados. Mick desencostou Ian, que logo ajeitou seu terno e fez um olhar de raiva para Mick.

Aquilo foi uma das coisas mais incriveis que um rapaz já fez por mim. Mick esteve presente em minhas três apresentações junto com mais três rapazes que foram chamados pelos rapazes dos Stonekings. Um baterista chamado Leonard, um baixista chamado Marc. Michael também me acompanhou nessas tres apresentações. E para minha surpresa Louis também. Quando minha ultima apresentação estava feita , eu e os musicos fomos até meu camarim felizes com o resultado.

– Obrigada meninos. Estavam otimos hoje. — eu agradeci enquanto eles guardavam seus instrumentos no camarim. Michael assinava alguns papéis e Louis estava sentado no sofá.

– Nós que agradecemos pela oportunidade Mary — disse Leonard.

– Dá proxima vez você pode escutar minha musica que eu fiz pra você — perguntou Marc.

– Eu posso escutar agora...- falei

– Leia então a minha letra. — disse ele estendendo um pedaço de papel onde a musica falava sobre ' como eu dependia de Ian e como eu não via mal em lugar algum'.

Eu olhei e sorri para Marc e disse:

– Marc... Não...

Michael logo se levantou e disse :

– Vamos Marc não perca seu tempo e vá com Leonard colocar os instrumentos no carro. Marc puxou a letra da minha mão com um gesto brusco. Eu me assustei e logo Michael continou:

– Temos muito trabalho a fazer, venha Mick ajude me aqui.

Quando olhei meu camarim, vi que estava apenas eu e Louis no camarim. Louis que estava sentado sem muito o que fazer comecou a falar:

– Parece que ele gosta de voce, esse Marc.- disse ele

– Não sei... -falei timidamente sorrindo.

– Ele gosta de construir uns joguinhos com você. Eu vi a letra que ele fez.

– Pobre coitado...Ele é legal mas...

Louis se levantou e se aproximou da mesa de bebidas. Pegou uma taça de agua, e continuou:

– Mas?

Respirei diversas vezes alto e fiquei estressada e nervosa. Olhei para baixo e disse:

– Eu gosto de outra pessoa.

Ele deve ter percebido meu nervosismo. Ele se aproximou com a taça e disse:

– Quem? Eu conheço?

E sem ao menos pensar, eu logo beijei dele. E eu sabia que eu estava condenada em perdeu meu emprego se ele quisesse, se alguem nos flagrasse, e que o meu sentimento não ia ser recíproco. Mas eu fiz como se fosse um impulso maior do que eu. Ele retribuiu e logo depois paramos quando ouvimos passos se aproximando do camarim.

Michael voltou com Mick, Marc, e Leonard:

– Vamos embora pois a estrada nos espera.

Louis não trocou mais olhares comigo durante o caminho. Nós viajavamos em dois carros. Louis foi em um,e eu fui em outro. Louis foi com Mick e Leonard em um carro. Marc e Michael foram comigo em outro carro. Marc não parava de falar e eu me sentia transtornada :

– Você parece que nunca gosta das coisas que eu escrevo.

– Você só me escreveu uma musica Marc — falei.

– Michael, ela me trata assim porque? — perguntou ele insistindo.

– Ela é assim com todo mundo — disse Michael acendendo um cigarro.

– Também quero um. — falei para Michael que jogou o pacote de cigarros para o banco de trás. Marc disse:

– Está ficando frio...

– Sim...- falei acendendo o cigarro.

– Eu queria passar minha mão nas suas pernas para ver se esquenta.

Arregalei meus olhos e fiquei séria. Ele se atrevou em colocar uma mão na minha perna. Eu peguei meu cigarro e com a ponta coloquei sobre as costas da mão dele.

– AI! — Marc gritou então ele afastou e disse — vou escrever outra musica pra você e depois você me fala se você gosta.

Eu revirei os olhos impaciente. Michael ignorou toda situação devido seu cansaço,e eu só pensava no beijo de Louis.

Eu não me encontrei com Louis depois do episodio do beijo. Mas logo depois da apresentação que eu fiz na semana seguinte no Ball Hall, eu caminhava até o meu camarim que agora era apenas para mim. Os musicos haviam agora seus camarins separados. E apesar de eu ter criado um laço de amizade com eles, eu voltei para meu camarim e só encontrei Louis lá. Como um fantasma. Meus olhos saltaram.

– O que você está fazendo aqui? — perguntei assustada.

– Calma... Calma...- ele disse se levantando do sofá, e indo em minha direção. — Calma... — ele disse e depois logo me beijou.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.