Marykelly
2 Capitulo 2 - Era do Estudio
Notas iniciais
Uma tarde ensolarada em Londres. Eu estava me arrumando no meu quarto, enquanto escutava algum vinil de uma banda chama The Leaders. Eu coloquei um vestido branco e meus oculos de sol que tinham lentes em formatos de coração,e um chapéu. Eu dançava ao redor da minha cama. Minha mãe abre a porta e me flagra dançando, uma situação que achei no minimo um pouco humilhante.
– Está feliz hoje — diz ela parada na porta colocando a mão na cintura e um pano nos ombros.
– Claro, hoje vou mudar de emprego. É hoje que começa minha nova rotina.- falei tentando focar o assunto no emprego para que a cena vista seja esquecida rapidamente.
– Eu não entendo nada disso...Mary, você quer dizer que você vai ser uma estrela agora? — disse ela entrando no meu quarto e sentando em minha cama.
– Não sei. Mas de qualquer forma, eu serei quem eu quiser. — Falei fazendo um gracejo, colocando meu chapéu na cabeça dela.
Ela sorriu,e tirou chapéu e colocou de volta na minha cabeça. Desde que meu pai faleceu, eu vivia para minha mãe , avó e eu. Minha avó que escolheu meu nome. "Mary Jane Kelly" foi tirada de uma notícia em que minha avó presenciou quando tinha catorze anos de idade. Mary Jane Kelly foi a ultima vitima de Jack O Estripador. Como minha avó deu a luz à um menino chamado Henry Allen, então ela pediu gentilmente para me batizarem de Mary Jane Kelly Allen por amar este nome. Meu pai faleceu quando eu tinha apenas 10 anos. Ele havia brigado com a minha mãe, e saiu para beber e nunca mais voltou,acharam seu corpo caído em um barranco abandonado. Minha avó nunca o defendeu, e por mais que ela tenha sentido a morte dele,ela estava do lado da minha mãe, que praticamente fez de tudo por ele. O relacionamento de minha mãe com a minha avó paterna é uma relação rara. Talvez a linha de compreensão das duas seja forte por que minha avó morava com a gente esse tempo todo neste apartamento pequeno, então ela pode perceber a batalha e a força de minha mãe para lidar com o seu filho machista e frio e como minha mãe queria salvar o seu casamento. Minha mãe trabalhava de lavadeira. Ela lavava a roupa dos outros. E por amar musica,e nunca ter tido a oportunidade de estudar (como meu pai teve) ela cantava enquanto fazia o serviço,e eu passava a tarde a observando e a imitando. Minha avó também foi minha segunda mãe, hoje ela tem 89 anos e vive no seu quarto. E minha mãe cuida dela como se fosse sua mãe também.
Ouvi uma buzina, e olhei da janela. Michael Hall tirou o chapéu e fez um aceno me convidando para descer.
– Tenho que ir mãe. — beijei ela no rosto — Dê um beijo em minha avó por mim por favor.
– Vá menina, antes que se atrase! — disse ela animada.
Desci as escadas correndo, tão correndo que tive que segurar meu chapéu para que não caísse. Michael me comprimentou e abriu a porta do carro para que eu pudesse entrar. Ele se sentou do meu lado e comecou a falar sobre a minha futura agenda enquanto íamos para o estudio da METTA :
– Hoje você se encontrará com os principais compositores, eles já estão compondo seu primeiro hit.
– E eu não posso escrever junto com eles?
– Eles são profissionais Mary, eles sabem como fazer. — disse Michael relendo a agenda que segurava nas mãos.
Olhei para a janela, e ele continuou:
– Daqui a dois meses, você vai ter seu disco pronto e gravado. Os meninos do Stonekings vão te ajudar a gravar as músicas. Praticamente, 40% vai ser sua banda no estúdio.
– Ou seja? — perguntei
– Apenas Mick Wood estará tocando em seu disco, Louis não irá porque ele é o cantor. Mas há outros meninos também.
Quando Michael mencionou Louis minha barriga novamente girou. Era bizarro como eu ficava nervosa toda vez que eu lembrava dele. Agora nós nos veríamos com muita frequencia. Quando chegamos no estúdio, havia muitos produtores, alguns musicos contratados, em um salão grande, com instrumentos de varios tipos espalhados. Também havia uma sala isolada onde os músicos entravam para gravar suas músicas. Encontramos Ian Atwood, que novamente me comprimentou de forma asqueroza. Mick Wood estava lá,me comprimentou feito um cavalheiro, me chamou para sentar do lado dele em um sofá aveludado de cor verde que estava na sala da METTA. Louis chegou logo depois, também me comprimentou e ficou sentado do meu lado, não conversamos muito. A maioria das vezes ficavamos olhando para o chão , o que me deixava bem desconfortavel. Esses tipos de encontros constrangedores duraram algumas semanas,até que um dia Ian disse que os meninos Louis e Mick haviam uma música para me mostrar e gravar. Então ele nos encaminhou para a sala isolada da METTA. A sala era coberta por um chão de madeira que brilhava, e havia instrumentos prontos e colocados em seus lugares para os músicos se posicionarem e gravarem conforme for sua vontade.
Mick pegou uma guitarra, ligou e afinou e improvisou enquanto Louis me mostrava a letra da música que compôs.
– Essa é a musica que fizemos para você, fala sobre se lembrar de bons tempos que não voltam mais. " Lonely Tears of Mine"
Eu estava me sentindo bem intimidada com Louis, ele me cantou a melodia e eu observava para ele. O cabelo dele castanho claro, olhos azuis,e labios grandes,ele era incrivelmente charmoso. Não era a toa que havia varias garotas olhando para ele o tempo todo durante nossas visitas a METTA. A melodia que ele compôs era bem simples porém viciante.
– Você pode tentar cantar comigo agora... — disse ele interrompendo meus pensamentos. — It was just another day...
Ele começou a cantar e eu comecei a cantar junto com ele seguindo a letra que estava no papel que ele segurava. Ele de repente nos interrompeu e disse :
– Vamos cantar mais perto de Mick para que você possa escuta-lo...
Andamos até Mick, que comecou a tocar os acordes dessa música. Ensaiamos por uma hora e meia, até Ian escutar e decidir gravar-la ali mesmo. Chamou alguns músicos contratados para dentro do estudio e manteve Mick na guitarra... Fiquei na frente do microfone e comecei a cantar a música que seria o inicio para a mudança de tudo.
Com a música principal gravada, todos estavam deixando o estúdio exceto a banda The Stonekings. A banda havia já gravado seu primeiro disco, mas estavam já trabalhando no proximo. Mick e Louis me convidaram para assistir alguns ensaios e algumas gravações. Muitas músicas tinham riffs incríveis de guitarra, chicletes. Louis era um ótimo cantor, cheio de energia e dançava muito bem. Fiquei hipnotizada com a beleza dele.
Assim seguiram as semanas no estúdio. Eu chegava a tarde, e permanecia até oito horas da noite. Michael Hall gentilmente me levava para casa de carro com seu motorista. Chegava tão cansada em casa, mas eu acabava sempre tendo que ajudar minha mãe e minha avó com a janta e com as louças. Estava tão acostumada que nem sentia as horas. Aproveitava e cantava baixinho enquanto eu fazia meus trabalhos. Cantar era meu maior vicio. Apesar do meu trabalho ser bem constrangedor,cantar era meu refúgio. E acreditava que essa oportunidade que eu consegui ia me fazer crescer profissionalmente. Algo que me encomodava era que sempre que eu me deitava eu me lembrava mais de Louis do qualquer outra musica.
Ele me intimidava mais do que qualquer outro homem. Ele era um cavalheiro sempre. Divertido com seus amigos. Tímido comigo. Não tinhamos muito assunto mas sua presença me confortava. Ele tinha um olhar hipnotizante e muitas garotas gostavam dele. Quando ele chegava no estudio, sempre havia três ou mais meninas esperando para ele assinar algum disco. Muitas delas eram bem vestidas e bonitas. Eu ficava olhando sentada no salão do estudio. Tentava conversar com ele mas era dificil.
– Eu odeio tempestades! Elas acabam me impedindo de sair de casa as vezes — comentei uma vez sobre o tempo do dia. Louis que estava sentado do meu lado arriscando alguns acordes disse:
– Bom, é dificil para quem não tem carro mesmo.
E foi apenas isso. Me frustrava. Eu queria saber quem era o cara por trás de toda aquela agitação que ele trazia para a banda dele. Ele sempre se manteve misterioso,fumando um cigarro e distribuindo sorrisos à lá por-do-sol. Sorrisos que sempre somem devagar.
Fale com o autor