Maryhelen Hatet (spin-off The Sister)
7 Rendição
Notas iniciais
Tirei umas férias mas estou de volta! Não postei antes pois precisava de revisão, e eu não queria postar de qualquer forma para vocês. Afinal vocês merecem o melhor. ;)
No capítulo de hoje, vamos ver o que aconteceu com a Elle, e já respondendo a questão: ela está bem! kkkkkkkkk Vamos ter a volta dos pais da Elle, e uma surpresinha boa!
Aproveitem! Beijus!
— Como é que é? — perguntou Butch com as sobrancelhas erguidas. — Você está me dizendo que a Mona está com o amigo dela na clínica? Como ela foi para lá?
— Ele não tem a resposta para essa pergunta também. — disse Phury.
— E então? Quer que a peguemos? — disse Butch — Eu não vou com a cara do Havers, mas...
— Não, obrigado. Eu mesmo vou até lá. — Afinal Phury se sentia em dívida com Hatet. Quando Fate precisou ser resgatada, o cara estava lá, o ajudando. Bom, ele devia isso a Hatet. E pensar nisso era o purgatório, pois na maior parte do tempo ele queria matar o cara.
Phury estava saindo do escritório com Butch e V, quando sentiu a Fate perto.
— Oh, merda! — xingou baixinho.
— Phury? — Fate estava na esquina do corredor o olhando quando ele se virou — Está saindo?
Butch e Vishous trocaram olhares com ele, e foi um recado implícito de "você resolve esse assunto", e logo saíram de perto. Phury caminhou até Fate, e segurou suas mãos. Ele tinha que contar, não poderia esconder tal coisa dela por mais que fosse ruim.
— Fate, escuta eu — ela o interrompeu.
— Não, olha — disse ela com a voz embargada — Eu fui uma idiota. Eu falei besteira para você, eu sei! Eu não deveria ter dito aquilo sobre eu... sobre você... Ah, inferno!
— Fate, — ele olhou nos olhos esverdeados de sua fêmea, e sentiu que devia a verdade a ela. Phury não queria mais esconder coisas dela, e neste caso, seria uma grande coisa. Como ele explicaria depois que ela sabia que sua amiga estava internada... E se acontecesse coisa pior? Phury a levou até o quarto e deitaram-se lado a lado — preciso falar sobre Maryhelen com você.
— Sobre Elle? — disse franzindo o cenho — O que tem ela?
— Ela não está bem — era melhor despejar e arcar com as consequências agora, inferno... — Ela está na clínica do Havers com Hatet. Foi um acidente.
— Como? Como assim um acidente? — Fate se ergueu e Phury a segurou perto alisando a grande barriga e tentando acalmá-la.
— Foi um acidente de carro, eu não sei o que o aconteceu com detalhes, pois Hatet estava nervoso. E nós precisamos que você esteja calma. — Hatet ia detestar, mas Phury não esconderia nada mais de sua fêmea. Não era justo — Ele está com uma... coisa nossa. Eu vou até lá buscar. E saber como está Maryhelen.
— Eu vou com você — Phury gemeu de ansiedade, ela estava usando aquela voz decidida, e isso era um problema — Não se atreva a me dizer que não.
— Não vou, já imaginava. — resmungou baixinho.
Com isso, Phury foi contando tudo o que havia acontecido, a ligação, Mona, o acidente. Ele foi o mais sensível possível aos detalhes para poupá-la, porém a conhecendo, ela já tinha sondado a sua mente, e sabia que haviam detalhes escondidos.
Quando chegaram a clínica, Fate saiu em disparada pela escada, e Phury amaldiçoou-se por ter feito o que fez. Havia chegado a hora.
— Maryhelen, filha de Thyron. — ele ouviu Fate falar com a enfermeira que estava na recepção.
— Fate? — a voz de Hatet atrás de Phury e Fate era de total confusão.
— Oh Hatet! Como ela está? — Fate correu e abraçou Hatet, que por cima do ombro dela, jogou um olhar de reprovação para Phury.
— Ela vai ficar bem. Está tudo bem. — Hatet disse tentando acalmar Fate.
A pastora belga veio por trás de Hatet, e sentou ao lado das pernas de Fate, que abaixou e fez carinho em seu cocuruto. Como se precisasse de um afago, Mona deitou, e fundou de cansaço. Seu estado era interessante. Estava toda encharcada, e Phury não soube dizer se era da chuva que caía.
Cara, essa história tá muito estranha.
Phury passou a mão pela nuca, sentindo do músculos do pescoço rígidos. A noite ia ser longa.
— Como você veio para aqui, garota? Hein? — disse Fate alisando o pelo molhado de Mona.
— Senhor, vocês precisam retirar o cão desta área. Aqui é passagem de pacientes. — Phury assentiu para a enfermeira. Deixou Fate sentada na sala de espera, pegou Mona no colo e fez sinal para que Hatet o seguisse.
— Tem ideia de como ela chegou até você? — Phury perguntou a Hatet, indo até o Escalade, onde deixaria Mona.
— Não estava comigo. Ela estava com Maryhelen — Hatet disse sem pestanejar.
— O quê? Como?
— Quando eu cheguei no local, Mona estava junto com Maryhelen. Eu não sei como, mas eu acho — ele se interrompeu — Acredito que Maryhelen só saiu da água por causa de Mona. É a única explicação que tenho. Eu não sei, cara...
— Que merda de história. — disse Phury balançando a cabeça. — Talvez Fate tenha uma explicação. — disse dando de ombros.
— Escuta, — disse Hatet se virando para encará-lo — Obrigado por vir. Não fez o que eu pedi, mas eu estou melhor depois que chegaram. Estava ficando louco aqui sozinho. Ainda caí na inconsciência de ligar para os pais de Elle.
Phury apenas assentiu. Apesar da arrogância inicial, entendia Hatet. Pela primeira vez, desde que se conheceram. Phury trancou Mona no banco de trás do Escalade, e voltou conversando amigavelmente com Hatet. Cara, o homem estava em frangalhos.
Será que ele e Maryhelen estava juntos?
A preocupação estava no rosto do macho. E não era apenas isso, havia algo mais naquele olhar. A impotência, a dúvida, o medo. Tudo o que Phury sentiu quando Fate estava nas mãos dos lessers, e ele não sabia se ela voltaria.
— Sei que tivemos nossas diferenças — disse Phury antes de entrar na clínica — Mas eu sei como é estar desse lado. Não é fácil. Apenas — Phury inspirou profundamente — Ela vai ficar bem.
Hatet tinha o cenho franzido, mas depois relaxou, coçou o queixo, com uma barba de uns dias e olhou no rosto de Phury com seriedade.
— Obrigado — disse respeitosamente.
— O que é isso aqui? Você... Não é possível! — soou uma voz de macho alterada. Phury e Hatet entraram na clínica a pernadas. Era o pai de Maryhelen, que aparentemente estava chocado com a presença de Fate. Não era de se estranhar, pois nem todos sabiam da volta de sua shellan "dos mortos".
— Exatamente o que você está vendo Thyron. — disse Fate calmamente — Não sou nenhum fantasma que voltou para te assombrar, fique calmo.
— Você sabia disso? — disse Thyron questionando sua shellan — Mas o que — o olhar de Thyron se prendeu em Hatet, e este fitou-o como se fosse um inseto.
— Esses são Thyron e Elipha, nallum. Os pais de Elle. — olhando para o outro lado xingou baixinho. Fate foi até Hatet e Phury e rosnou na direção de Hatet o encarando — Não era para tê-los chamado justo agora! Você sabe como eles são!
— O que você queria que eu fizesse? Eu estava sozinho — respondeu Hatet com o cenho franzido.
— Porra... Isso vai ser uma merda!
Phury segurou o pulso de Fate, que prostrou-se ao seu lado segurando sua delicada mão na grande palma dele. A verdade é que Phury não havia gostado de Thyron. Ele tinha um ar de superioridade que era desagradável. Percebia por quê Fate não gostava da presença dos pais da fêmea.
— Querida, onde esteve todo esse tempo? Está bem? — Elipha meneou a cabeça e confusão — Viu Elle? Está acordada? Podemos vê-la? — a mãe disparou em perguntas.
Sua aflição se via a quilômetros, e Fate se dirigiu até ela para falar com calma. A mulher parecia estar tentando encontrar algo para se agarrar e acreditar que estava tudo dentro do possível em ordem. Fate falou por alguns minutos, enquanto Hatet se contorcia incomodo com os olhares de Thyron e Elipha em sua direção. Por fim, Elipha relaxou os ombros, e deu alguns passos em direção a Hatet. Com o olhar baixo, tomou uma das mãos do macho.
— Sempre o julgamos de forma... errada. Admito. — Elipha engoliu contendo o choro, ainda olhando para o chão tomou as duas mãos de Hatet em um aperto que deixou seus nódulos dos dedos brancos. Phury olhou para Hatet, que franzia o cenho com estranheza — Eu gostaria de lhe agradecer por cuidar de minha filha hoje.
De repente todos da sala, estavam com o olhar na cena que se desenrolava. Hatet com o semblante confuso, a mulher com os olhos marejados e coração destroçado. Até o Thyron parecia envergonhado por ter julgado tão mal Hatet, e Fate tinha um sorriso de orgulho em direção a Hatet tão aberto que quase chegava às orelhas.
— Escuta, Elipha — Hatet começou.
— Filho, me perdoe. Não sei como Elle vai sair daqui, porém — ela se deteve para respirar fundo, e nesse momento seu olhar voou aos olhos surpresos de Hatet. Phury teve de conter a respiração, pois tudo que seguiu foi inesperado — Minha confiava em você, e ela deve ter os motivos dela. Eu me alegro que tenha sido você a resgatá-la o rio. Acredito que ela não estaria aqui se você não estivesse por perto.
— Eu não... Eu não fiz nada, na verdade. — Hatet começou a explicar, quando uma enfermeira entrou na sala da espera.
— Hatet? Quem é Hatet? — perguntou.
— Sou eu — disse Hatet depois de tossir duas vezes.
— Por favor me acompanhe.
Enquanto Hatet sumia no corredor seguido pelos olhos de todos na sala, Fate ficou ao lado de Phury e segurou sua mão com força. Pelo o pouco que Phury sabia sobre os dons de Fate, talvez isso não significasse algo bom.
— Está tudo ok leelan? — Phury perguntou erguendo as sobrancelhas.
— Huh — disse Fate hesitando — É... É complicado... Tem algo diferente.
— Por que chamaram a ele? Nós somos pais dela! E estamos aqui! — protestou Thyron.
— Ela tem os motivos dela Thyron — disse Elipha com o cenho franzido — Deixe-a em paz pelo menos nesse momento.
— Elipha! Nós sabemos o que é melhor para nosso filha. — disse elevando a voz.
— Nós não sabemos! Elle viveu infeliz todos esses anos ao nosso lado Thyron! Você não viu? E se a perdêssemos esta noite? Não teríamos tido a chance de pedir desculpas. De oferecer um carinho, de vê-la novamente... — dos olhos da fêmea, rolavam lágrimas de dor — Eu não suportaria.
Phury viu como a mulher quebrou diante dos olhos de todos. A couraça de confiança que mesmo abalada pelas circunstâncias, estava estilhaçada no chão. Os olhos surpresos de Fate foram aos de Phury, e tudo o que ele desejou foi estar errado sobre todas as coisas que ele vinha pensando.
Não, Fate é forte.
E ele não ia desistir por nada de tentar salvá-la, caso fosse preciso. Daria tudo o que estivesse ao seu alcance. Aquela mulher que ele não conhecia, acabara de lhe dar um motivo: Fate e ele ainda tinham muito o que viver. Eles veriam seus filhos crescerem, e enquanto durasse, cuidaria da fêmea que ele escolheu para amar.
***
Hatet secou as mãos na jaqueta que estivera a poucos minutos aquecendo o corpo de Maryhelen. Ele queria ter feito mais. Quem sabe ela não estaria de pé. Quem sabe.
— Ela acordou, e chamou pelo senhor. Disse que precisava vê-lo. — a enfermeira deu de ombros — Talvez sejam as remédios, ou algum efeito do trauma. Não a force falar muito. O Doutor virá vê-la novamente em alguns minutos.
Hatet assentiu, e entrou no quarto, onde ficou sozinho com Elle estendida na cama. Seus olhos estavam fechados, a respiração dificultosa, os lábios ainda roxos. Uma manta térmica a cobria até o pescoço.
Hatet se obrigou a dar um passo, mas algo o prendeu no chão. Sua mente só maquinava, que se tivesse ido atrás de Maryhelen no instante em que ela saiu de sua casa, ela não estaria aqui. Ele engoliu com dificuldade, e finalmente ficou ao lado da cama. Ele teve medo de tocá-la, ela parecia feita de vidro fino.
—Perdão — disse baixinho. — Perdão meu amor.
Os olhos de Hatet se fecharam com força. Seu peito se rasgou em uma ferida que estivera a tanto tempo sem cura. Aberta, cobrando tanto dele. A dor da solidão, da perda que sempre estivera presente desde seu nascimento. Não podia lhe dar com a perda de Elle. Não agora, não depois de finalmente abrir os olhos. De enxergar o que ele queria, e desejava: estar ao lado de Maryhelen e fazê-la feliz. Fazer feliz a si próprio. Ele merecia! Ela merecia mais que tudo.
— Hatet... — Elle disse coma voz quase inaudível.
— Estou aqui Elle — Hatet se ajoelhou ao lado da cama e tomou a mão de Elle que apalpava o colchão. — Você me chamou, e eu vim.
— Que bom — ela disse com um sorriso — Senti falta de você.
Seus olhos abriram, e ele sentiu os ossos como gelatina. Ele não ia perdê-la por nada no mundo.
— H?
— Sim.
— Fica comigo até eu dormir? Por favor.
— Sim, eu fico. — Hatet disse com voz embargada e trêmula, a um fio de quebrar. — Nunca mais eu tiro os meus olhos de você.
Notas finais
Tem uma grande questão a ser resolvida, e eu já dei dicas, mas ao que parece vocês não "captaram" muito bem... Alguém arrisca? *hehehe*
Ah! Estou reiniciando a escrever a partir daqui, então o próximo capítulo pode demorar um pouquinho, mas prometo me esforçar para entregar algo o mais breve o possível ;)
Beijos! Até a próxima!
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