Notas iniciais
Olá florzihas!
Demorei não é? As coisas estão corridas... Mas está aqui o capítulo 8 de M&H. Quem gosta de um pequeno suspense? ;)

Alguns dias se passaram, depois do acidente de Maryhelen. Fate estava estendida na cama, alisando o pelo macio, negro e lustroso de Mona com uma das mãos , enquanto a outra alisava a sua própria barriga, que não parava de crescer. Fate sabia que sua barriga estava maior alguns milímetros, e se perguntava se ia inchar até estourar. Como um baiacu.

Phury tinha razão, usar seus dons, ou andar de um lado para outro se desmaterializando, estava consumindo demais dela. Por esta razão, nos últimos dias, ela havia cedido a pressão de ficar do Outro Lado, para ter as crianças. Estar perto da Dra. Jane deixava Phury mais calmo, e ela cedeu ao seu pedido implícito.

Fate afagou as orelhas de Mona, que se aconchegou mais perto, e respirou fundo fechando os olhinhos brilhantes e redondos, quase em um gesto de alívio. Pesando os acontecimentos dos últimos dias, ela considerou a ideia de Phury e Hatet: Mona havia resgatado Elle do Rio Hudson?

Ela se lembrou de como sua relação com a pastora belga havia começado.

Ela havia se mudado para Fresno faziam alguns anos. Quase 5, para ser mais exata. Ela não via Hatet desde a última vez que tomou sangue dele. O que acontecia pelo menos uma vez ao mês, e já estava no momento de voltar a Caldwell para fazê-lo. Fate pegou seu carro, um Honda Civic Sport — com vidros escurecidos ao máximo que a lei de trânsito permitia — azul marinho brilhante. Ela havia saído cedo, por volta das 17h30, e pretendia que fosse rápido o bastante para Hatet não tentar prendê-la a noite toda. Naquela época ele ainda estava passando pelo processo: "Eu sou o que você precisa; Eu sou o único que te entende." E blá blá blá. Coisas assim, foram o motivo dela não viver mais perto dele. Não por que ela tinha repulsa pelo comportamento dele, mas porque isso a fazia lembrar de uma noite — uma única noite — em que ela pôs toda a relação deles a perder. Ele estava sofrendo, e ela também por estar longe da única pessoa que estivera sempre ao seu lado. Ela nunca confundiu os sentimentos deles dois, ao contrário dele. Por isso Fate tinha decidido morar longe, e afastá-lo, para não dar mais falsas expectativas. Porém, o sangue era algo que ela não podia deixar, então fazia o esforço. Era fisiológico.

Fate entrou em uma estrada de terra, na zona rural de Caldwell, no mesmo instante que uma chuva desabou no local. Era comum, naquela época do ano. Calor escaldante durante o dia, e chuvas assustadoras no fim da tarde que adentravam a noite. Fate não podia ver muito a sua frente, e o piso rebaixado do Honda Civic não ajudava muito no terreno acidentado. Ela tinha diminuído muito a velocidade, e verificava o retrovisor em busca de pistas de onde exatamente estava indo.

Porra! Não teria como voltar naquele dia para casa.

Fate ligou para Hatet, e avisou o que estava acontecendo. Decidiu parar embaixo de árvore, e esperar a chuva diminuir. Haviam casas, ocasionalmente distribuídas ao longo da estrada. Casas simples, algumas mais sofisticadas, porém nada muito chamativo.

Fate recostou a cabeça no vidro, sentindo os primeiros sintomas de fraqueza, e falta de alimentação devido a falta de sangue em seu sistema. A alguns metros à frente, viu um homem chutar fora um filhote da soleira de sua porta. O animal apenas procurava sair da chuva, mas o homem não entendeu. Era pequeno demais, o focinho sujo de terra vermelha assim como as curtas patinhas. Tinha sinais de estar desnutrido.

Fate não pegaria nenhum animal para cuidar, — ela tinha muitos problemas para conseguir mais um — mas não pode ficar alheia quando o animal começou a choramingar na chuva. Tremia descontroladamente de frio, e se encolhia da chuva. Incomodada, ela decidiu levar a um abrigo de animais. Quem sabe lá, ele poderia ser adotado e encontrar um lar. Considerou, pegou uma toalha pequena que guardava no porta-luvas, pôs debaixo do casaco e saiu na chuva.

Quando pegou o animal no colo, sentiu-o pesar nada, e não procurou saber seu sexo, o tremor do animal, era angustiante, e tratou de enrolá-lo rápido na toalha pequena, que parecia um grande lençol na criaturinha.

Voltou correndo ao carro, e tratou de limpar o animal, que descobriu ser uma cadela. Seu corpo coberto por pelo negro, o focinho empinado, e as orelhinhas delicadas roubaram Fate ali. Havia algo nos olhos da cadela que a fez lembrar de si mesma, e decidiu que não a levaria para o abrigo. A ideia de que não conseguisse um lar, no fim das contas, não saiu de sua mente. Ficaria com ela. Pelo menos até que ela decidisse o que ela depois.

Fate lembrou de Hatet lhe dizer "Fique com ela. Terá companhia durante o resto do mês", em seu tom ciumento. E foi exatamente o que ela fez, não pode se afastar do carinho que recebeu da cadela, e descobriu que não estava mais sozinha.

Pensando em tudo isso, ela considerou mentalmente Mona como uma heroína. Da primeira vez, por ela, da segunda vez por Elle.

— Foi você, não foi? Segredo nosso hein, garota? — disse afagando a cabeça de Mona com as pontas dos dedos enquanto esta fechava os olhos para dormir.

O som de batidas na porta denunciou o visitante que Fate esperava faziam alguns minutos, depois de Phury sair para uma reunião com Wrath e os Irmãos. O que ele não vinha fazendo regularmente, mas o mantinha com a cabeça ocupada. Ela também iria, se pudesse.

— Entre! — a cabeça loura de Saxton, o jovem advogado, primo de Qhuinn — e amante de Blaylock — espiou pela porta.

— Com sua licença. — ele disse em toda sua educação e elegância. O que a fez lembrar de Phury, e a forma como ele se vestia e se portava. Seu coração apertou um pouco.

— Sente-se aqui mesmo. Não precisa de cerimônia. — disse indicando a cama.

Saxton, assentiu e tomou um lugar na ponta oposta a Fate. Mona resmungou, e continuou dormindo sob o constante afago das mãos de Fate. Saxton notou e riu da cena.

— E então? Quer conversar sobre o processo do seu tio? Tenho umas novidades e — Fate estendeu a mão o interrompendo.

— Não, nada disso. Não agora. — ela respirou fundo. Por onde começaria? — Preciso te confiar duas coisas: um testamento e uma carta.

Saxton abriu os olhos em pratos. Fate estava tendo que viver com essa reação a suas ideias, cada vez, com mais frequência.

— Vamos lá Sax. — disse fechando os olhos de cansaço mental — Estou grávida de gêmeos! O parto será um inferno. Phury não quer considerar, mas alguém tem de fazer. Não sou o V. E além do mais, ele não me fala nada, acredite, já tentei saber.

— Bom — disse Saxton depois de pigarrear — Quer que ele seja redigido agora?

— Sim. — Fate esticou a mão e pegou a carta que estava debaixo do travesseiro que estava encostada — E quero o selo do Wrath na frente desse envelope. E anote as minhas considerações para o testamento, por favor.

— Claro, dê-me apenas um minuto. — Saxton saiu e voltou com um notebook, pronto para digitar o testamento. Fate respirou fundo e sentou-se mais ereta na cama. — Pode começar.

— Bem. Já estão avisados, os envolvidos, mas eu quero isso por escrito, por segurança. E você não deve mostrar isso ao Phury antes do momento, certo? — Saxton assentiu. Seu semblante sério e a testa vincada — Quero que Maryhelen, filhe de Thyron, e Hatet, filho de Roxx, sejam representante legais e tutores de meus filhos, caso Phury, filho de Agohny, ou a mim, Fate, filha de Harag, não estejamos aqui para cuidá-los. Meus bens, todos eles, estarão a disposição de Hatet e Maryhelen, e serão repassados aos meus filhos, quando eles completarem maior idade legal.

Fate respirou fundo, se permitindo afundar no colchão. Era como jogar uma bomba na cabeça de cada um que cruzava o seu caminho. Um mal-estar a atingiu no instante em que ela se viu jorrando lágrimas, e soluçando. A mão de Saxton estava na sua frente estendida, lhe entregando um lenço.

— Eu não sei se ele suportaria. — disse secando as lágrimas no lenço de seda de Saxton — Se fosse o contrário, e ele estivesse correndo risco, eu não sei se suportaria, entende? Alguém tem que fazer um sacrifício. É sempre assim.

— Sim, eu entendo. — disse Saxton com profunda tristeza.

Fate preferiu não tentar entender esse sentimento. Ela já estava carregada demais.

***

Uma semana mais tarde, Hatet estava arrumando o antigo apartamento de Fate. Ele tinha decidido sair de Caldwell, e viver em Fresno. É claro que ele tinha ido visitar Elle nos três dias em que ela esteve sob cuidados médicos. Porém... Era melhor assim. Ele viveria mais tranquilo sabendo que Maryhelen estava longe dele. Longe do perigo que era estar perto dele.

Hatet afastou os móveis, desenrolou o tapete Aubusson, verde claro com detalhes de flores em tons rósea e adornos dourados por toda a borda. Era uma das únicas coisas que ele tinha conservado da casa que ele viveu com seu pai, no Antigo País. Isso, e alguns móveis e joias de família. Além do tapete, só havia um item exposto no quarto em que ele ocuparia:

A penteadeira de sua mahmen.

Era uma peça realmente linda. Toda adornada com ramos entalhados a mão, em madeira de carvalho branco, no estilo do começo do século passado. Não era grande, e espaço não era problema. Tão delicada e forte, como Hatet gostava de pensar que sua mahmen fora, um dia.

Hatet suava pelo esforço e movimento repetitivo de alisar o tapete. Seus jeans pendendo no quadril, o cordão de prata com o anel improvisado de Fate balançava. Ele fazia os próprios serviços de casa agora. Elle tinha razão quanto à organização de sua casa, e de sua vida: Não existia. Ele até fez compras, veja só! Encheu a geladeira com comida, de verdade, não só ovos, comida mexicana e japonesa, restos de pizza e cervejas. Agora tinha uma dispensa também, e estava cheia de coisas que há um tempo atrás ele ignoraria na prateleira dos supermercados.

Seu telefone tocou, era Assail. Hatet deixou a secretária atender, pois não queria falar com o "tio" de Fate. Hatet sempre pensou em Assail como uma doença oportunista. Como uma cobra peçonhenta esperando a chance de atacar. Com um bufo, ele escutou a mensagem.

— Garoto! Sei que está aí! Atenda o telefone se não estiver no meio das pernas de alguém. Claro. — uma pausa, e ele riu. Já não tinha vontade de se aventurar com mulheres. Só havia uma que ele queria. — Ok, ok. Liguei para avisar que deu tudo certo como processo de Fate. E que ela não vai precisar que você apareça para ser seu Superman. E que os seus "brinquedinhos" são oficialmente seus e de Fate, de verdade. Tudo resolvido. Ah! Ia me esquecendo... — E o "blá blá blá" continuou por alguns segundos mais, até a secretária cortar a ligação. Hatet deixou uma nota mental de ligar e agradecer pelas notícias mais tarde.

Caso ele se lembrasse.

Hatet estava feliz de finalmente desvincular Fate e Assail de um "ramo" no qual ela com certeza não iria querer fazer parte. Assail estava envolvido com merdas que de uma hora para outra estourariam na cabeça de alguém, e ele ficava feliz em saber que ambos estavam fora do assunto. Principalmente com Fate emparelhada com um Irmão, e sendo quem era, de fato, e por direito.

Hatet estava arrumando os últimos detalhes do quarto, quando a campainha tocou. Ele não esperava visita, por isso encaixou sua Eagle na cintura da calça, e foi atender a porta. Antes de chegar a porta ele sentiu o fio de eletricidade que os ligava. Hatet segurou a maçaneta só pelo tempo de fazer seu coração martelar.

— Pensei que não fosse me receber. — Maryhelen estava parada em sua porta, com um sorriso de canto de boca. Vestia apenas um vestido branco leve, sapatos scarpin de grife brancos, um casaco de cashmere em tom de caramelo, e segurava sua bolsa a tira colo. — Não me convida para entrar?

— Claro. Desculpe. — ele se afastou da porta, e de repente a sala ficou mais quente. Hatet passou a língua pelos dentes nervoso. Como ela veio para aqui?

— Redecorando? — perguntou se sentando no sofá, onde ela já havia jogado o casaco no braço. Ela estava com as pernas cruzadas e o olhar no abdômen dele, e Hatet não pode deixar de rir. Elle nunca perdia a piada. — Ela morou quanto tempo aqui?

— Uns dez anos pelo menos — Hatet respondeu limpando o suor da mão em seu jeans. Ele não podia evitar nervosismo diante de Elle. Mesmo sofrendo a menos de duas semanas, a fêmea estava perfeita.

***

Maryhelen observava abdômen suado, malhado e com jeito de lamba-me, de Hatet. Os quadris marcados pelo jeans A&F que ela tinha comprado o caia super bem. Os olhos cinzas de Hatet estavam em expectativa. A boca carnuda, pedia um morda-me, e Maryhelen estava tentada a atender o pedido.

— Vou direto ao assunto. Você escolheu morar muito longe, e não vou ter tempo de voltar se eu me prolongar na conversa. — disse em um só suspiro — Disse que vou me mudar para Chicago, lembra-se? — ele assentiu, mesmo com cara de desgosto ao lembrar do fato — E vou. Porém antes de ir, meus pais querem ter uma conversa com você. Uma conversa definitiva H. Vamos decidir nosso futuro.

Notas finais
Gostaram? Palpites do que os pais da Elle querem com o H? Huuummmm... até a próxima! Prometo um episódio HOT HOT HOT! ;)