Maryhelen Hatet (spin-off The Sister)
12 Fique (Parte 2)
Notas iniciais
Saudade AZUL de vocês! Antes de qualquer desculpa (eu sei que fiquei muito tempo fora) quero agradecer o carinho que tenho de vocês aqui, e na página do Facebook da Khalyr (http://bit.ly/TheSister). Obrigada por não me abandonarem! Quando eu comecei a escrever esse spin-off fiquei um pouco insegura de decepcioná-las. Primeiro porque escrever desprende tempo, e o meu anda cada dia mais curto, acreditem. E depois porque eu não queria enrolação, queria uma história tão boa quanto 'The Sister'. E graças a vocês estou retomando, e finalmente passarram-se os hiatos! Realmente tive um bloqueio, mas escrever é um exercício diário, como fazer abdominal, e aos poucos retomei o ritmo. Precisava de uma folga para ordenar os pensamentos e seguir. Esse capítulo precisava de revisão, e revisão severa. Escrevi, e apaguei várias partes. Reescrevi e reescrevi várias vezes até encontrar um ponto coerente para continuar a fic por mais alguns capítulos, sem tornar cansativo para vocês. Finalmente aqui está!
Fiquem atentos, pois no fim tem mais um vislumbre do que será "Amante Conquistado", e minha nova menina OPS! meu novo menino dos olhos ^^ Aproveitem a fic!
PS.:Não disse os nomes das pessoas que me enviaram mensagens, pois ia acabar esquecendo de alguém. Por isso, você que me enviou mensagens carinhosas e de incentivo MUITO OBRIGADA!
A dor aguda atingiu Fate pela enésima vez. E ela segurou firme a borda da cama da clínica. Era uma dor dilacerante, e ela sabia que cada onda que vinha era pior que a anterior.
— Me deixe entrar! — Phury rosnou do lado de fora.
— Calma Phury, ninguém irá te impedir, mas ela precisa descansar. Está quase dormindo agora. Os medicamentos... — alguém tentou o acalmar.
— Não me importa! Eu quero estar lá quando ela acordar. — disse Phury, que de onde Fate podia ver, estava sendo segurando por Rhage e Vishous.
— Calma meu irmão. Ela está bem aos cuidados da Jane. Ela...
— Eu sei disso Rhage! Eu sei que ela não está...
Fate ficou sob seus pés e apareceu na porta, segurando no vidro com uma mão para se equilibrar e a outra segurando o maldito soro, que sua aversão a agulhas não a deixou puxar da veia pega. Manny e Jane imediatamente estavam ao seu lado, a segurando e dizendo o quanto ela era imprudente por estar de pé.
— Saxton... Chame Saxton agora — foi o que ela conseguiu dizer antes de Phury a apoiar nos braços e a levar de volta a cama.
— Tahlly — disse Phury em um sussurro, beijando a têmpora de Fate. — Fique quieta aqui, por favor. Você não pode se...
— Saxton, o chame e diga que ele deve fazer o que eu pedi agora. Justo agora. Rápido.
A dor nos olhos de Phury, a atingiu e a dilacerou por dentro. Ela engasgou as palavras, assim como ele. Phury segurou as mãos de Fate com força, e ela soube que ele estava se segurando. Raiva, compaixão, mágoa. O que ele estivesse sentindo naquele momento, ele guardou atrás dos olhos, e saiu da sala sem proferir uma palavra. Aquilo deixou o coração de Fate como feito em pedaços.
Como ela pôde ser tão cruel? Ela sabia que o tinha magoado, e que ela nunca seria capaz de conseguir o perdão dele pela atitude que ela tomou.
— Aqui está muito movimentado, precisamos de silêncio. Ela precisa descansar. — anunciou a Dra. Jane enquanto abria a porta.
Fate pode ouvir os passos do pessoal se dispersando. Sapatos e botas de combate batendo no piso, e o peso do seu próprio choro preso no garganta a incomodavam. Ela não queria o silêncio. Ela se sentia sozinha. Phury mesmo na mansão, estava a milhas de distância longe dela, e aquilo a feriu. Agora ela podia enxergar com os olhos dele. Fate encostou a cabeça no travesseiro e chorou. Chorou como nunca antes ela havia lembrado de chorar, porque a dor era imensa. Cada contração agora era bem vinda, e não machucava tanto quanto ver seu Phury magoado. O vazio era um abismo sem fundo. Frio, e sem compaixão dela.
— Não querida. Não pode ficar assim, tente se acalmar. — Dra. Jane a alertou com cuidado, afastando seus cabelos colados na testa suada.
— E-eu não posso... Ele não vai aguentar... — disse soluçando.
Ela queria dizer que Phury não ia aguentar se ela partisse, e que ela sabia do fundo da sua alma, que ela talvez não veria seus filhos crescerem, ela não os amamentaria, ou os acalentaria. E isso mataria Phury aos poucos também. Em tão pouco tempo eles haviam se tornado tão dependentes um do outro, que a separação era fim de tudo. Era um nó invisível inquebrável. Se ele fosse desfeito o que sobraria? Quem restaria? Não queria o destino dela para seus filhos. Isso não.
Pouco mais de cinco minutos, Phury e Saxton entraram na sala. Phury ficou parado na porta, olhando suas botas, o semblante sério, enquanto Saxton se adiantou.
— Fate — o macho disse muito cauteloso. Ele tentava não olhar para o rosto de Fate, pois deveria estar aparentando uma poça de merda. — Eles estão vindo. Atenderam no primeiro toque. Tomei a liberdade de ligar para Assail, mas ele não atendeu as ligações.
Fate sacudiu a mão em um gesto despreocupado, pensando que seu tio tinha seus próprios problemas agora. E pelo o que soube, e sentia, não eram pequenos.
— Estou providenciando o selo do Rei. Ele disse que apenas não acredita que tenha de usá-lo agora.
— Wrath sendo o Wrath de sempre — ela disse com um sorriso de desânimo. — Obrigada Saxton. Faça tudo no seu tempo.
— Quer mais alguma coisa?
Fate sacudiu a cabeça em negação, agradeceu e o deixou ir embora. Dra. Jane a deixou sozinha avisando que ela precisaria dormir em breve, que não devia se desgastar e que voltaria de tempos em tempos para verificá-la.
— Phury... — Fate sussurrou. Ele ainda estava parado na entrada, cabisbaixo.
Ela não sabia o que dizer a ele, e mesmo assim, ele veio até ela, puxando a cadeira e sentando-se ao seu lado. Ele ficaram assim por alguns minutos, se tocando e se olhando. Foi Phury quem quebrou o gelo.
— Não quero me sentir inútil. — disse com firmeza — Diga-me o que fazer e eu farei, mas não me faça assistir... isso sem fazer nada. — sua voz estava carregada com rancor, e ela deixou ele terminar. — Saxton fez a parte dele, Wrath fará e eu não vou ficar aqui assistindo você morrer. Não me peça isso!
— Eu quero que você seja forte por nós dois. E eu não quero que você segure todo o fardo sozinho. Por esse motivo eu quero Hatet e Elle aqui, ao nosso lado. Ao seu lado.
Foi isso que ela planejou, e já que o copo havia entornado, não havia mais volta. A sensação de que ela não sobreviveria ao parto era quase uma certeza agora. Ela queria estar tranquila; e ela não estava. Fate queria deixá-lo tranquilo, mas era quase impossível.
— E eu quero que você fique! Eu quero que você permaneça ao meu lado, que você lute! — ele disse com lágrimas não derramadas nos olhos, fazendo as dela se derramarem antes que ela as detivesse. — Você está entregando os pontos Fate, e eu não sei porquê... Isso não é você. Você sobreviveu a coisas piores, eu vi! Não vou deixar você ir embora. Você não me abandonou quando eu estive na crise de abstinência, você me pediu para lutar. E agora eu vou cobrar a minha parte de você.
Fate percebeu que Phury tinha razão. Por isso ela se calou, e chorou mais. A dor que ele sentia era tão grande, que ela mal podia suportar a sua própria mistura a dela. Maldita empatia! Porém não era seu dom que a fazia sentir. Phury já estava debaixo de sua pele, e ela não podia de repente negar essa ligação.
— Eu vou lutar — Fate colocou a mão direita no peito, bem acima do coração — É uma promessa. — disse na Antiga Língua.
Meia hora se passou e Phury observou Fate lutar contra o efeito do medicamento. Ela apertou sua mão várias vezes, e ele só pode imaginar que eram as contrações, mas ela não disse isso à ele.
— Phury — Vishous o chamou da porta. — Chegaram.
Phury respirou fundo, e foi até a ante sala da clínica. Hatet e a amiga de Fate, Maryhelen, estavam sentados juntos. Ele segura as mãos do macho com força, os nódulos brancos de tensão. Tinha os olhos arregalados e consternados. Algo na expressão de Hatet disse que ele estava a ponto de voar na jugular de alguém. Phury desconfiava que a jugular dele era o alvo. Phury ficou parado, sem saber sinceramente o que dizer, quando Maryhelen se aproximou e cautelosamente perguntou se poderia ver sua shellan no quarto. Phury aquiesceu com um aceno de cabeça, e só ficou ele e Hatet se encarando no silêncio.
Phury tinha muitos motivos para não gostar de Hatet, e ele igualmente, já que o macho esteve "disponível" para sua shellan durante tanto tempo, e não teve o sentimento recíproco dela. Ele viveu a sós com ela durante toda sua vida. Ser consciente disso deixaria qualquer macho pronto para cortar cabeças, e perguntar depois. O olhar estreito e acusatório de Hatet, o fez lembrar de sua última conversa, quando o macho deixara claro sua intenção agir, caso algo acontecesse a Fate.
— Como ela está? — uma pergunta que Phury não esperava, realmente.
— Dormindo. — respondeu amargo. Essa conversa daria justo onde eles não gostariam, sabia.
— Morta ainda não, não é? — Hatet falou sarcástico.
— Não leva por aí, Hatet. Você e eu não vamos gostar disso. — Phury ameaçou.
Porém como era de se esperar, Hatet levantou e ficou cara a cara com ele. Phury trincou a mandíbula, erguendo o queixo e cerrando os punhos com força. O ar ficou denso com a situação. Phury sabia a estima em que Fate levava Hatet, e ele sabia que ela não gostaria de presenciar, ou mesmo saber que viria a acontecer. Seja o que fosse. Contudo Phury não ficaria calado diante da ameaça aberta de Hatet. Ela sabia o que tinha feito, porra! Não precisava do desgraçado para lembra-lhe.
— Eu sei de uma coisa que eu vou gostar: arrebentar sua cara se alguma coisa acontecer a ela. — Phury respirou fundo mais uma vez. A tentativa de acalmar-se era em vão, no entanto. — Eu vou gostar de te culpar pela morte dela, até a sua própria.
— Se afasta. — rangendo os dentes — Você não quer começar, por que você não vai saber terminar isso.
Com o olhar fixo, ambos se mediram. A primeira explosão veio de Hatet, e Phury bloqueou o soco que viria abaixo de seu olho, afastando Hatet até a parede da clínica em seguida. Hatet se recuperou rápido e o agarrou pela cintura, o jogando contra a parede à suas costas. Dois murros acertaram o estômago de Phury, que chutou Hatet igualmente no estômago com a sola do sapato.
Hatet urrou, e quando em pé, e os socos trocados recomeçaram. O som de carne sendo atingida e rompida, logo chamou atenção de alguns moradores da mansão, assim como o pessoal médico. Phury pode sentir sua visão ficar vermelha, mas não era a raiva. Seu supercílio estava aberto, gotejando pelo seu rosto, assim como lábio inchado de Hatet. Suas roupas manchadas de sangue.
Phury sentiu braços o segurar, mas ele não parou. Os móveis ao redor, duas cadeiras, um banco de três pessoas, uma mesa e suportes pelos cantos estavam estilhaçados. Logo Phury estava segurando Hatet pela jugular, que estava ao chão, debaixo dele. Podia sentir a pulsação em suas mãos. Se apenas torcesse um pouco...
Um dor aguda veio, e logo ele perdeu as forças. Estava consciente, mas seus membros estavam fracos, e ele se viu sendo puxado para longe.
****
Maryhelen entrou em pânico quando viu Hatet debaixo do guerreiro. Ela não acreditava no que tinha visto. Pensou por um momento qu a vida de Hatet estava se esvaindo nas mãos de Phury.
— Você quase o matou V! — gritou a Dr. Jane.
— Se eu não tivesse feito isso, Phury teria matado ele! — respondeu o guerreiro puxando Hatet de pé.
Maryhelen finalmente foi até Hatet, que tinha um grande hematoma vermelho no pescoço, e o lábio inferior partido, assim como o queixo. Sangue estampava a camiseta branca que ele usava. Seus nódulos abertos por conta dos socos que deferiu em Phury.
— H? H, está me ouvindo? — Hatet cuspiu um pouco de sangue antes de responder.
— Estou sim, Elle. — disse entre dentes. Aparentemente ainda com raiva.
— Meu Deus, o que você fez? Ficou maluco? Ele quase te matou. Ele te mata se alguém não tivesse interferido, você sabe disso! — sua voz tinha tom de desespero. — Fate vai ficar bem. Pelo amor de Deus, nós não temos como saber de nada.
— Você acredita realmente que ela vai sobreviver a uma gravidez de gêmeos? Ela está esvaindo em sangue, Elle! Quanto tempo acredita que ela ainda tenha?— a realidade das palavras dele fez Elle engolir em seco.
Ela fechou os olhos por um instante, antes de se recuperar.
— Precisamos acreditar — sua voz era um sussurro baixo, quase inaudível.
Todos pareciam que estavam de acordo com as palavras de H. Suas feições e gestos não diziam nada, mas também não negavam.
Querida Virgem Escriba, não permita... Ela só podia rezar para que tudo desse certo.
— Phury está consciente e quer ver Fate. — disse o guerreiro da cicatriz que, inutilmente, junto a John Matthew, tentou segurar Phury. — Ela vai vê-la. — afirmou — Sem interferência, correto?
Os olhos amarelos do guerreiro, denunciavam seu parentesco com Phury. O rosto arruinado, apesar de tudo, era formoso, e tinha o mesmo formato do hellren de sua amiga. O que não deixava sombra de dúvida para Elle.
— Não, ele não será interrompido. — Elle se adiantou em dizer.
— Z, me ajude aqui. — disse o guerreiro, que com sua mão brilhante, derrubou Phury e deu a chance a Hatet de respirar novamente.
O olhar que Phury e Hatet trocaram foi intenso, e ele apertou o assento antes de olhar na direção da enfermeira ruiva que gentilmente cuidava dos ferimentos do rosto dele.
— Você precisará de costura no lábio e queixo, e compressa no pescoço. — ela disse calmamente, aplicando anti-séptico no local do corte. — Vamos até a sala aqui do lado, por favor.
Depois que todos se dispersaram, Elle ficou imóvel por mais alguns minutos, pensando em tudo que acontecera. Fate estava para morrer em um parto? O risco claro que existia, mas será que era justo com ela? Um guerreira por nascimento, de direito e de fato. Alguém que sempre foi um símbolo de força para Elle, de que nada e ninguém poderia pará-la. Uma amiga, uma irmã. Não... Ela não poderia.
—... está te chamando. Maryhelen? — seus pensamentos foram interrompidos quando a Dr. Jane a chamou. Elle estava imersa nas ideias, que perdeu completamente o senso de realidade.
— Perdão, eu... O que disse?
— Fate acordou, e está chamando você.
Elle não hesitou e foi até o quarto. Phury limpava a tez com uma gaze, enquanto recebia um olhar reprovador de Fate. Quando a viu, deu um sorriso amarelo, mas que indicava muitas emoções. Se via pálida, muito abatida.
— Elle — sorriu mais abertamente. — Desde quando está aqui? Dormi muito?
— Cheguei faz poucos minutos na verdade. — as duas ficaram sem saber o que dizer. Elle procurava as palavras com cuidado, pois não queria a fazer lembrar do motivo de estar ali. E não queria pensar, caramba! Não, não vai acontecer nada. — Chegou o grande dia. Verei meus sobrinhos, e você será a mahmen mais chata que já existiu.
— Não vou ser assim, já disse. — disse revirando os olhos. Antes de continuar, pigarreou. — O que aconteceu lá fora? Eles...
— Resolva isso depois — disse a cortando — Você não precisa se preocupar com esses dois encrenqueiros. Pense apenas nessas duas gracinhas que estão chegando. — alisou a barriga de Fate e viu que estava mais baixa. Logo sairiam dali, e tudo ficaria bem.
Como se alguém estivesse tocando sua mão ele a sentiu formigar. Bem acima de seus dedos. Em confusão, apenas sorriu mais para Fate e puseram-se a conversar sobre nada por mais alguns minutos, até que a Dr. Jane, e o Dr. Manello pediram que ela saísse, pois começariam o procedimento de preparação para o parto.
— Que a Virgem esteja ao seu lado nesse momento, e não a desampare. — disse na Antiga Língua.
Fate respirou fundo e sorriu. Meus Deus ela pode jurar que viu os olhos de Bahrbo nos de Fate. Eram muito parecidos, e aquilo fez com que um nó se formasse em sua garganta. Com os olhos cheios d'água, ela saiu da sala. Fate ficou com Phury ao seu lado, e os Doutores a cuidando.
Do lado de fora, viu Hatet todo remendado, cabisbaixo, brincando com o polegares nervosamente. Ela perguntou porque ele não tinha entrado para ver sua amiga, e ele tinha respondido com um pouco de vergonha e mais certeza que antes, que ela estava correta, e que ele veria Fate bem, em breve.
Aquilo a fez mais tranquila. Mentira, que fosse, realmente ela precisava ter o apoio de seu hellren. Elle entrelaçou os dedos com os Hatet e sentou-se em uma nova cadeira, que os doggens providenciaram depressa. Elle descansou a cabeça no ombro de Hatet e ele afagou seus cabelos cuidadosamente. Bom, agora teriam que esperar.
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Do Outro Lado
— E o que acontece agora? — perguntou Bahrbo. Ele sabia que não devia fazer perguntas, mas estava impaciente por saber o que deveria fazer a seguir. Teve a oportunidade de ver Fate, mais uma vez. De ver Maryhelen.
— Já fez sua parte guerreiro. Cumpriu suas promessas. Está feito.
A Virgem Escriba alisou mais um passarinho colorido e permaneceu quieta em seguida. Bahrbo queria gritar, mas fechou os olhos e esperou. Depois de um longo momento, ela pediu que uma Escolhida o levasse até o templo onde as Escolhidas viam o outro lado através das bacias de água. Ele sentou-se sozinho na sala, e olhou fixamente a bacia a sua frente. Logo imagens da sala da clínica onde sua irmã estava.
Era Fate, em meio ao parto de seus sobrinhos. O parto estava difícil. Fate tinha o rosto transfigurado em dor, apertava a mão de seu hellren com os nódulos brancos de esforço. Bahrbo engoliu em seco, e estalou os dedos das mãos em ansiedade.
— Vamos Fay — ele sussurrou. Não que ela pudesse ouvir em todo caso.
Sua testa estava ensopada de suor, e Bahrbo lembrou de sua própria mahmen, quando este era bem jovem, sofrendo as dores antes de expelir Fate. Na época ele não compreendeu. Hoje ele via como era perigoso um parto para as fêmeas da raça.
Apertou os dentes em angústia.
O que ele tinha feito? Estava realmente feito? Tinha que confiar que sim. Enquanto isso, sua irmã ia sofrendo, e sofrendo. Aquilo estava matando-o.
De repente viu como os médicos se agitavam, e o guerreiro, o hellren de sua irmã, seguia gritando para que ela acordasse, que abrisse os olhos. Sua irmã estava fraca, perdera muito sangue, e ainda o fazia. Os médicos checavam apressadamente os aparelhos, e a medicavam em meio ao parto. Pareceu dar certo, já que ela logo recobrou os sentidos e abriu os olhos bem abertos, voltando a seguir as instruções do médico. Não sabia distinguir homem ou mulher ali. Para ele tampouco importava. Apenas queria que ajudassem Fay. Ela tinha a mandíbula trancada, e forçava a passagem de uma das crianças, curvando o torso para frente. O guerreiro usava uma máscara cirúrgica e luvas, mas tinha a testa franzida, e em nenhum momento soltou a mão de Fate.
— Você consegue Fay. Vai ficar tudo bem. — disse querendo tranquilizar a si mesmo.
De repente, mais agitação dos médicos, e uma terceira pessoa de jaleco branco entrou, segurando mais objetos cirúrgicos, que Bahrbo não soube distinguir. Logo o alívio momentâneo cruzou os olhos de Fate. Ele viu seu primeiro sobrinho nascer. O menino. O menino que receberia seu nome. O peito de Bahrbo apertou, e ele começou a sorrir com um bobo. Alguém o pegou no colo com muitíssimo cuidado, cortou o cordão umbilical que se unia a mãe, o embrulhou e limpou. Levou-o até Fate, que sorria abertamente. O pai sorria até os olhos, confuso entre observar o rosto de sua shellan e o rosto de seu primeiro filho.
Contudo, ainda faltava mais um.
Um dos médicos acenou para que Fate o olhasse, e deu mais instruções. Parece que o segundo filho já vinha. Bom ou ruim? Pensou Bahrbo. E o momento de angústia voltou com mais intensidade. Ele apertou os punhos, rezando para que fosse tão rápido quanto o do pequeno macho. Porém não foi.
Minutos se passaram. Trinta, quarenta, cinquenta e nada acontecia. Nem sinal do segundo filho. Phury andava inquieto, e por vezes senta, e segurava as mãos de Fate, par acariciá-la com cuidado, ou dar apoio quando a dor de uma contração chegava.
Bahrbo observou quando Fay começou a ficar inquieta de um forma estranha. Ela começou a balançar a cabeça, de um lado a outro, e gesticular a boca, sem emitir som. Os médicos não podiam fazer nada para acalmá-la. Fate estava dopada até os ossos. E arriscar qualquer outra coisa, Bahrbo imaginou, poderia ser pior. Fate começou a querem bater os pés, e foi detida por Phury, que segurou pelos joelhos. Então ele começou a entender o que Fate gesticulava tanto.
Marine.
Seria possível? O castigo de sua mahmen, e depois de Fate, estava tentando manifestar-se novamente? Por que agora?
Bahrbo pensou que ele estava muito nervoso, e estava vendo coisas, mas não. Ela repetia várias vezes, dessa vez gritando.
Marine. Marine. Marine.
Todos congelaram quando Fate desfaleceu, perdendo todas as forças. Seu semblante tinha uma cor acinzentada,e aquilo aterrorizou a todos, inclusive a ele. Bahrbo se ergueu da cadeira, e aproximou o rosto da bacia.
Não podia fazer nada de onde estava! Infernos!
— Fay! Acorda! — ele gritou. Ele berrou, e uma Escolhida veio até ele nervosa, que a enxotou com um "SAIA AGORA DAQUI!"
A sala da clínica era uma bagunça de pessoas correndo e fazendo de tudo possível. Um dos médicos afastou todos, e encostou dois aparelhos retangulares no peito de Fate. Esta arqueou-se uma, e duas vezes. Todos olharam um mostrador, e logo o médico repetiu o procedimento. Uma máscara fora posta em Fate, oxigênio, Bahrbo soube. Phury andou dois passou para trás, passou as mãos pelos cabelos, encolerizado. Assim como ele mesmo se sentia.
Está feito, Ela disse.
O que estava feito afinal?! O fim de sua irmã? Não trocou sua vida — sobrevida — pela dela a toa! Resolveria isso agora!
Bahrbo bateu com o punho na mesa, e então de pé, quando girou nos calcanhares para alcançar a Virgem Escriba e cobrar por suas tramoias, ela já havia o alcançado.
O manto negro quase arrastava ao chão, e sua forma etérea estava coberta por todo ele. Bahrbo estreitou os olhos e quando abriu a boca para começar a despejar ela levantou um dedo o fazendo calar.
— Olhe — ela disse calmamente.
Bahrbo ficou confuso, mas se voltou a bacia. Um médico tinha a menina nos braços. E Fate... Fate tinha os olhos abertos. Bem abertos. Estava quase sentada.
Como?
— Fay? O que aconteceu? — ele perguntou a ninguém em especial, mas foi a Virgem Escriba quem respondeu.
— Cumpri minha parte. Dei a ela a única coisa que poderia protegê-la.
Bahrbo pensou por alguns segundos, e finalmente entendeu. Quando ele era apenas um fantasma perseguindo Fate, a viu entrar e sair de confusões sérias. A mania de vingança, a levou a covis de lessers no Antigo País várias vezes. E por muitas vezes a viu cair. Ferimentos que quase a levaram a morte. Assistiu Hatet desesperado ao seu lado, revirando-se de remorso, jurando que nunca mais a deixaria lutar novamente. E quando isso acontecia, Marine tomava conta dela. Por esse motivo Fate a chamava de guardiã. Marine era a peça chave que a fizera tão especial, e tão resistente.
Nesse momento, Bahrbo compreendeu, era Marine de volta, a cuidando. Bahrbo sentou-se e viu os olhos de sua irmã, como pratas. O verde azulado, da família, não estava lá.
Sim, Fate acabava de ter sua guardiã de volta, e ter sua vida devolvida por ela.
O choro de duas crianças a fez apertar os olhos e relaxar os ombros. Logo ela olhou ao entorno confusa, mas seus olhos viram sua prole sendo carregados por um pai desajeitado e uma enfermeira ruiva.
Fate levou as pontas dos dedos a boca. E deixou lágrimas derramarem. A enfermeira entregou a menina nos braços dela, e ela tornou a chorar com mais força. Phury se curvou e beijou o topo de sua cabeça. Totalmente desajeitado tentava acalmar ao menino sacudindo suavemente. Ele também tinha um semblante de alívio agora.
Vendo a cena, Bahrbo lembrou de sua própria família, e a felicidade que por vezes experimentaram. Finalmente soltou o ar dos pulmões deixando cair os ombros.
— É. Está feito. — ele ouviu dizer.
Sim, e estava. Sorriu contente, e leve, por saber que dali em diante sua irmã estaria bem. Maryhelen estaria bem, e ele tinha cumprido com sua missão. De repente ele se sentiu pronto. Pronto para deixar esse plano e outro.
— Ela gosta da cadela — ele disse surpreso por ainda se lembrar da cadela que ele se transfigurava, para estar ao lado de sua irmã nos últimos anos.
— Os filhos de Harag sempre pedindo demais. — resmungou a Virgem. — Isso verei.
Bahrbo acreditou que ouviu a Virgem rir. Não.
— Acredito que já teve seu momento de despedida. Está pronto?
Bahrbo pensou que sim. Devia deixar a vida seguir seu próprio curso agora. Sem medo, assentiu e sorriu. Deixaria seu destino o guiar.
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Maryhelen estava segurando sua sobrinha. Alicia. Era a coisinha mais fofa que ela já havia visto. As maçãs do rostinho corado, as formas cheias de dobrinhas. Fate segurava Bahrbo. A criança estava morta de fome, assim como — Elle desconfiava — Alicia também estaria.
Phury estava sentado ao lado de Fate, e brincava com uma mecha de cabelo da sua shellan, enquanto olhava com os olhos amarelos muito abertos admirado para suas crias. Seriam uma família linda, ela pensou sorrindo abertamente. Hatet estava ao lado dela, sorrindo igualmente, e Alicia segurava o indicador dele com força. Ele e Phury não tinham se falado, mas também não estavam brigando, e isso era um bom sinal. De qualquer forma, eles teriam um conversa sobre esse freakshow que armaram no Complexo.
— Ela é linda — Elle disse sussurrado. Fate sorriu.
Fate estava com o rosto muito abatido, mas estava acordada ainda. Havia sido um parto exaustivo para ela. Bom, de alguma forma ela ainda estava com os olhos abertos. Por isso ela a admirava tanto. Era um exemplo.
— Oh pela Virgem! — Elle disse lembrando-se da ligação que recebeu durante os momentos do parto de seus afilhados.
Estava tão atordoada, apreensiva que não atendeu a chamada.
— H, pega o meu celular, e veja quem ligou por favor? Seja lá quem fosse, e o queria, teve que esperar muito.
Hatet saiu da sala e Elle trocou os bebês com Fate. Alicia se alimentaria agora de sua mahmen. Enquanto ela vi um lindo menino de crista avermelhada dormir em seus braços, Hatet voltou com o rosto pálido.
— Elle, era — ele engoliu ruidosamente, mantendo o rosto indecifrável — Era uma ligação de Elipha. Você devia ouvir a mensagem de voz que deixaram seus pais.
Seus pais deixaram mensagens? Oh, cara... Aquilo era péssimo!
— Algo errado Maryhelen? — perguntou Phury.
— É o que vou comprovar. — ele entregou Bahrbo à Phury, que o segurou tão cuidadosamente, que Elle pensou que a criança era feita de vidro fino.
Levando Hatet para fora, ela discou número da caixa postal. Hatet tinha o rosto muito fechado. Não gostava nada de sua expressão.
— Despeja, anda — ordenou enquanto aguardava o pulso da discagem.
Hatet a estava segurando pelos ombros, enquanto ela aguardava. Ele a empurrou até a cadeira mais próxima, a obrigando a sentar. Elle sentia os pelos da nuca arrepiados. Não conseguia pensar em nada razoável.
Ao ouvir as primeiras palavras atrapalhadas de Elipha, Elle agradeceu a Hatet por estar sentada. O gosto de lágrimas veio em seguida. Nervosa com a notícia, e sem saber como agir, seus dedos ficaram frouxos e deixou o celular cair aos seus pés.
Notas finais
O que acharam? Me contem tuuuudo!
Ah! Como prometido, vamos ao nosso "Amante Conquistado": Bom, no capitulo anterior, deixei um trechinho, e o pontapé inicial para uma nova fic que estou trabalhando. Sim, trata-se de uma fic de Assail e Sola E... um casal surpresa! Não é ninguém que vocês conheçam. Ainda. Mas posso adiantar que a coisa vai esquentar!
Beijos suas lindas!
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