Maryhelen Hatet (spin-off The Sister)
13 Capítulo 13 - Recomeço
Notas iniciais
Os dedos de Hatet acariciavam o lado interno do pulso de Elle. Ela se mantinha calada desde que saíram da Mansão da Irmandade, e foram de volta a sua casa. Casa, que havia sido violada, estilhaçada e saqueada. Mas o pior não era esse. Elle olhava a tudo de fora com olhos chorosos.
— Por que...? — perguntou sem poder continuar, com o restante da frase saindo inaudível para Hatet. — Eu quero ir ver meus pais. Preciso vê-los agora.
Hatet segurou seu rosto com as duas mãos, sussurrando palavras de conforto. A respiração dela aumentando ao tom de agonia, ao ver que dentro da casa tudo estava picado. Quadros, o piano, sofá, tudo na sala estava em mil pedaços espalhados pelo chão. O resto da casa não estava diferente. Apenas adicione garrafas vazias de bebidas e sangue. Muito dele. O que não havia sumido, havia sido quebrado. O cenário era triste. Elle ficou nervosa, já que, quando eles resolveram sair do Complexo da Irmandade, o sol já ameaçava se levantar, e o Rei Wrath "pediu" que algum Irmão pudesse acompanhá-los. Elle até protestou, mas Wrath se limitou a respirar profundo e se recostar na cadeira. Todos entenderam que ele não estava aberto a negociações.
O lado bom disso tudo foi a presença dos gêmeos com eles dois. Era impressionante ver como o humor de Maryhelen mudava quando ela estava com Bahrbo ou Alicia no colo. Eles participaram do primeiro banho até, e até os fizeram arrotar. Foi estranho para ele ter uma criaturinha tão frágil nos braços, mas por Deus, ele até desejou ter os dele com Elle. Por mais que ele tivesse visto todo o sofrimento de Fate.
No fim, Phury acertou que ele iria até a casa de Maryhelen. Ninguém contestou; Hatet torceu a boca um pouco desgostoso, mas aceitou por fim. Phury era teimoso como Fay. Ele também pediu que fosse o portador das notícias a ela. Finalmente o sono a venceu, e ela estava no meio de um descanso merecido. Os gêmeos estavam sobre os cuidados de todos da casa. Todos iriam acabar precisando mais dos babadores, que as crias.
Hatet se apressou para bloquear a porta do quarto de Maryhelen. A julgar pela bagunça das peças de roupas pelo corredor, ele desconfiou que o resto estava pior.
— Não há nada aí que eu já presuma que não tenha visto no restante da casa. — ela o repreendeu um pouco cansada.
— Elle, por favor — H pediu suavemente.
— Podemos assegurar que não há nada lá antes de você entrar? — O Irmão com pinta de policial perguntou. Butch tinha ido com Phury e os dois haviam checado todo o primeiro andar da casa antes deles entrarem.
Maryhelen relutantemente deu passagem, e alguns minutos depois ela entrou pisando duro. Seus ombros caíram depois dela ir no closet duas vezes e checar todas suas roupas e sapatos e bolsas rasgados. A cama estava como eles tinham deixado da noite anterior. A confusão de lençóis, os travesseiros espalhados.
— Podem me deixar aqui sozinha? — Elle perguntou cabisbaixa.
— Sim, estamos lá embaixo. — H disse depois de ter a confirmação de Butch e Phury. — Vou ver o quarto do porão. De qualquer forma você vem para minha casa hoje Elle.
— Okay, vou ver se sobraram ao menos as minhas calcinhas — Elle disse bufando.
Hatet a deixou olhando para os pés, sentada na beirada da cama. Ela sorriu um pouco, mas não chegou aos olhos.
***
Elle viu o estrago da sua casa e ainda não acreditava no que estava vendo. Quem teria feito isso? Por quê? Ah, sim, lessers não eram bem amigos naturais dos vampiros. Elle não se prendeu a nada quebrado, mas doía ver todo a sua história ali destruída.
Elle revirou os cantos e por fim encontrou uma gaveta com peças de roupas leves, e de verão. Mas havia um bom jeans antigo e camiseta. Nada de roupas íntimas. Elle também não as queria, sabe-se Deus o que haviam feito com elas. Sentiu nojo de repente, e foi até o porão, rezando que houvesse um casaco inteiro. Lá descobriu que eles não puderam entrar, ou não quiseram. Descobriu que outras casas de civis vampiros haviam sido atacadas igualmente.
— Mas quem teria a localização dos civis? Como sabem quando estamos ou não em casa? — ela perguntou a Phury. Ele balançou a cabeça, e ficou uns segundos pensativo, olhando ao redor. Butch e ele trocaram olhares.
— Como seria possível? Ele foi morto, não foi? O merdinha está na terra dos pés juntos. Não é possível. Há algum novo, e ele tem um informante. — Butch disse parecendo inconformado.
— Você viu as marcas lá fora. — Phury respondeu.
— Puta que pariu... Isso não é bom...
Okay, a conversa era um caso que ela não podia entender. Elle apenas parou ao lado de Hatet e segurou sua mão. Ele tinha guardado o que ela recolheu e estava segurando uma mala.
Sua casa, reduzida a uma mala.
— Vamos até seus pais, e depois você vem para a minha casa. Não há discussão sobre isso, okay? — ela apenas concordou. Foram seus pais que encontraram a casa dela nesse estado. Elipha se pôs em nervos, e ligou desesperada para saber como ela estava, quando não a encontraram em casa.
No novo apartamento de seus pais, Elle respirou aliviada por estarem bem igualmente. Seus pais a viram receber com lágrimas e abraços generosos. Seu pai estava conversando aos sussurros com Hatet, e sua mahmen a puxou para a cozinha, como Elle achou que ela faria.
— Onde você estava quando isso tudo aconteceu? — inquiriu — Seu pai e eu te procuramos feito loucos!
Não podia contar que estava na Irmandade, com Fate, dando a luz a crias... Oh, como é difícil guardar os segredos dos outros.
— Estava com Hatet, na casa dele quero dizer. — disparou.
— Oh, minha Santíssima Virgem Escriba. Abençoada seja a volta desse garoto a sua vida. — Elle arregalou os olhos ao ouvir isso, e mais ainda quando sua mahmen foi até o armário e retirou um Bourbon caro e bebeu direto da garrafa.
A coisas estavam mudando?
De verdade?
Ver Elipha abençoar Hatet, e depois perder a compostura...
Okay, muita informação. Elle balançou a cabeça e não reclamou. Que fosse para a melhor.
— O quarto está preparado para vocês. Fiquem o quanto quiserem. Quem sabe podem conseguir um apartamento para vocês aqui mesmo...
Interrompeu sua mahmen no meio da frase erguendo o dedo e pedindo calma. Hatet não ia aceitar...
— Elle, vamos ficar essa noite. — Ela olhou para a porta, e seu macho estava parado ao lado de seu pai, ambos a olhavam como se nada estivesse acontecendo.
Muito estranho, vamos concordar.
— Eu sou a única que não concorda, então é isso? Motim?
— Seu pai fez um pedido. E será apenas por essa noite. Amanhã iremos até a casa do porto. Vou reavê-la, já conversei com o agente imobiliário.
— Okay... Onde é nosso quarto? — de repente sentiu uma vontade incalculável de ficar a sós com Hatet. Sua mahmen os levou até lá. Elle pediu gentilmente que ela pudesse conversar com Hatet. Ele estava sentado na beirada da cama, com olhar divertido, os cotovelos apoiados nos joelhos e as pernas afastadas.
Elle o fuzilou com o olhar. Acabara de "ganhar" sua carta de alforria e ele já a estava manipulando dessa forma? A feminista dentro dela tentava rasgar sua garganta.
— Não ria, e sabe o que não ganha, além da noite divertida de sexo que teríamos se fossemos para um hotel? Aquele piercing que você tanto gosta! — Elle jogou a mala na cama, e retirou as roupas.
— Sempre posso — Elle fez um grande "shhhhh".
— Não, não pode mais. Perdeu o direito.
Bufando foi até o banheiro pisando duro. Ouviu os passos de Hatet atrás dela, e não se importou de tirar a roupa e entrar no chuveiro.
— Sua mahmen ficou triste. Precisam de você, Elle. Os anos que passou separada deles não foi bom igualmente. Nunca considerou esse ponto de vista?
— Concordo quando diz que me querem ao seu lado, mas não podia viver na pressão que me impunham. Sabe quantas vezes discuti com eles por causa de Bahrbo? Por que eu queria viver sozinha, sozinha, depois da morte dele? — Hatet encostou na pia, e a olhou seriamente. Não havia julgamento em seus olhos. Nunca a julgou. — Não vou voltar para o berço deles quando algo der errado para mim. Nunca mais.
— Eu entendo. Podemos ir ao hotel como quis, mas pense em como vai se despedir deles. E pense um pouco no que te falei, deixe o orgulho de lado só hoje. Nós só queremos seu bem. — as palavras de Hatet a pegaram desprevenida. Ela estava mesmo sendo dura? Egoísta? Orgulhosa? Aquilo a fez sair do banho mais cedo. Planejou demorar e relaxar, mas não queria ficar sozinha no banheiro. Hatet a deixou logo em seguida para tomar seu banho, e quando voltou estava nu, usando apenas a boxer, que ele se livrou em seguida, e se enrolou em suas pernas.
— Fui duro com você... Desculpa. — ele escovou seus cabelos com os dedos para trás — Não quis te condenar a nada, e nem que ficasse triste.
— Tudo bem, e sabe... — admitiu a si mesma que estava sendo dura com seus pais nesse momento. — Tem razão, posso ceder um pouco.
Uau! Hatet tinha esse dom. Trazer as pessoas a razão quando elas a perdiam. Assim, pode ver o quão importante ele deve ter sido par Fate todos esses anos. Eram uma boa dupla. Ele era alguém que podia confiar de olhos fechados.
— Inclusive... Pensei que poderíamos... Sabe?
— Não sei... — ele disse apertando os olhos, mas com um sorriso nos lábios.
— Tranque a porta e tire a chave. — Elle sussurrou com os lábios encostados nos dele. Elle ouviu quando a chave caiu pesadamente no chão. — Não se mexa.
Elle segurou seu rosto em concha, e o beijou por todo o rosto. Hatet tentou falar algo como "casa dos seus pais" ou "eu não quero"... Que se danem! Elle o interrompia com beijos demorados e logo ele não queria mais falar.
Elle o puxou para mais perto, o incentivando a ficarem enrolados, como um pretzel. Hatet se pôs em cima dela, e o seu peso, mesmo que controlado, a fez sentir a sensação que ela gostava. Lembrou-se de um certo carro. Em um certo estacionamento. Sorriu com a lembrança. Hatet a beijava pelo pescoço, e a acariciava com mãos firmes. Logo ela mordia os lábios reprimindo os gemidos, e ele também.
— Maluca — ele disse em seu ouvido, e plantou um beijo delicado no lóbulo, a fazendo se arrepiar.
Hatet segurou seu joelho e o puxou a altura de sua cintura, passando seu braço por sua coxa, e o prendendo lá. Elle estava apertada entre o colchão e Hatet, e queria que fosse assim para sempre. Seus beijos, e carinhos era algo que ela queria viver, provar a cada minuto.
A ereção de Hatet roçava em sua virilha. Elle tentou acariciá-la, mas ele não deixou, sempre prendendo suas mãos acima da cabeça. Ela podia ceder o controle a ele... sempre que quisesse. Hatet fez um caminho de beijos até seu umbigo, onde sem cerimônias, beijou e chupou-a até que estivesse mordendo os dedos para não gritar. Seu quadril erguido, e os músculos tensos.
— Por favor... — ele choramingou baixinho.
Hatet se ergueu, e a ficou olhando, sorrindo, e se tocando.
Que filho da p..!
Hatet mergulhou na cama, e a tomou com urgência. Não podia mais controlar, e um gritinho saiu quando ela sentiu Hatet dentro dela. Por completo. Elle o mordeu no pescoço, mas não para se alimentar. O seu primeiro orgasmo estava se aproximando, e alertaria a casa se gritasse. Hatet suava, e ela se aproveitava para deixar o seu cheiro escorrer para dentro dela. A sua marca era tudo o que ela queria.
"Ele é meu."
Decidiu.
Elle se enrolou, ofegante no peito de Hatet, até que caíram de sono e bem relaxados pelo resto de fim de noite e o dia.
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