Mary
1 「Reflexos Oblíquos」
Notas iniciais
Capítulo Único
Reflexos Oblíquos
~ ♠ ~
Eu queria amigos...
Há quem diga que a galeria de Guertena é cercada de mistérios, tantos que se perguntar a alguém sobre algum deles sempre haverá um diferente. Mas nenhum deles será tão conhecido como a história de Mary.
Mary. A pintura de uma jovem garota loira de olhos azuis-escuros. Usa um vestido longo e verde oliva, com um semblante gentil.
Os mais voltados a lendas diziam que Mary buscava companhia a noite durante a ausência alheia. Diziam uns que ela lia os livros da galeria para as damas de vermelho, ou brincava com as bonecas... Diziam isso porque havia encontrado um caderno de desenho, próximo de sua pintura. E lá havia vários desenhos, várias histórias.
Papai se foi, mas ele disse que todos eram meus amigos...
Nenhum deles me amará tanto quanto papai,
Mas...
Eu queria ter alguém, de verdade. Como ele era.
Alguém do mundo de lá. Lá fora.
As más línguas dizem que mitos são apenas histórias criadas para o entretenimento, e banalizam as mesmas. "Por que lugares como a galeria de Guertena sempre tem histórias". Porém, não dizem assim que todas as histórias têm seu fundo de verdade?
Mary é o reflexo de Guertena Weiss, o mais forte deles. E é por isso que ela anda pela galeria, em sua busca pessoal. E talvez essa busca seja o que Guertena também buscou, mas nunca encontrou. E quem o faz é Mary, pela eternidade.
Quando encontraram sua pintura queimada e os cacos de vidro reduzidos a minúsculos fragmentos, pensaram primeiramente que havia sido uma tentativa de roubo. Todavia, as especulações e suposições encheram o lugar, e os visitantes buscavam ávidos pelas histórias e lendas com novas informações. De que Mary havia se sacrificado, cansada de ser sozinha, indo então até Guertena. Outros dizem que ela saltou ao mundo real, procurando pelo mesmo. Outros se atrevem a dizer que a própria galeria já não a queria mais, e a destruiu. Tantas histórias, tantas versões e tantas verdades... Em qual acreditar? Talvez caiba a quem as ouve.
Há quem diga que Mary é apenas a mais bela obra de Guertena. Outros dizem que é o reflexo do próprio Guertena, em uma tentativa de ser o Deus no qual não acreditava, e amar alguém como o humano que dizia não ser.
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