Mark My Words (HIATUS)
5 Mistletoe
Notas iniciais
Nervosismo era a palavra que definia Kurt naquele momento. Saber que conheceria Blaine dentro de poucas horas estava o deixando aflito, até com um certo medo. Ele só conseguia pensar em coisas como, será que Blaine iria gostar dele? Será que eles se dariam bem pessoalmente? Será que podia mesmo acontecer algo a mais entre eles? Milhares eram suas perguntas, mas ele aparentava não ter nenhuma das respostas que desejava.
Quando o relógio marcou cinco horas da tarde, Kurt, Burt e Carole já estavam prontos para saírem de casa. Finn passaria a véspera com sua namorada, então não os acompanharia no jantar.
Os três foram para o carro e logo Burt já estava dirigindo para Westerville. Kurt vestia uma calça vermelha – em homenagem ao natal – e uma camisa branca, com um lenço vermelho enrolado no pescoço. Chegaram quinze minutos após o horário marcado. Tocaram a campainha e foram recepcionados pelos pais de Blaine, que reconheceram Burt na hora e chamaram todos para dentro da casa, trocando apresentações até não querer mais.
— Querido, Blaine está no quarto dele. Pode ir lá se quiser, ele disse que ia terminar de selecionar as músicas para ouvirmos hoje. – Pam disse a Kurt, que sorriu tímido assentiu e subiu as escadas.
Cada passo que ele dava seu coração parecia bater mais rápido. Estava ansioso e nervoso ao mesmo tempo. Queria ver Blaine, mas ao mesmo tempo que queria sair correndo de vergonha. Tinha medo de não ser o que Blaine esperava que ele fosse.
Kurt deu alguns toques na porta e ouviu alguém dizer um “pode entrar”. Só de ouvir aquela voz foi como se seu coração tivesse parado de bater. Ele estava ali, a apenas alguns metros de Blaine.
Lentamente ele abriu a porta, suas mãos trêmulas na maçaneta. Entrou e viu uma pessoa sentada em frente a um computador. Falou algo, que Kurt não conseguiu prestar atenção, e se virou para trás, levantando em seguida. Os dois se encaravam como se estivessem conhecendo o presidente, ou a Rainha da Inglaterra.
Kurt passou a observar os detalhes de Blaine. Pele levemente bronzeada, cabelos morenos e cacheados, olhos castanhos. Estava vestindo uma calça preta e um blusão que aparentava ter sido feito à mão, que era temático de natal.
Blaine também observava os detalhes de Kurt, o encarando o suficiente para guardar todas as suas características eternamente em sua mente. Seus olhos azuis, seu sorriso tímido, seu cabelo castanho bem arrumado.
Se aproximaram mais um do outro. Parecia irreal. Não pareciam estar se vendo de verdade. Tudo parecia apenas uma ilusão de suas mentes. Seus corações batiam forte, suas mãos suavam e tremiam.
— Oi... – Kurt foi o primeiro a falar.
Blaine não se segurou e puxou Kurt para um abraço. Por mais que tivesse sido pego de surpresa, Kurt retribuiu o abraço, apertando-se contra Blaine o máximo que conseguia.
— Confesso que nunca pensei que fosse mesmo te conhecer. Não pensei que fosse ser tão fácil assim. – Disse Blaine, ainda abraçando Kurt e logo o soltando. – Você é tão lindo... e cheiroso.
— Você também é. Ambas as coisas. – Riu Kurt, envergonhado.
— Senta aqui do meu lado. – Blaine puxou outra cadeira e colocou ao seu lado no computador. – Estou terminando de baixar as músicas para ouvirmos. Quer me ajudar?
— Quero só ficar te olhando. Pode ser? Quero ter certeza de que estou mesmo aqui. – Confessou o castanho, olhando nos olhos de Blaine. – Isso é péssimo...
— A parte de que agora que nos vimos pessoalmente vai ser horrível ter que conversar por mensagem? Porque se é isso, eu concordo. – Blaine disse, virando-se para Kurt. – Mas eu não podia mais esperar para te ver. Sabe o quanto é horrível sonhar todas as noites com os olhos de alguém que você nem mesmo viu?
— Deve ter se decepcionado. Não tem nada demais nos meus olhos.
— Me poupe. – Riu Blaine. – Seus olhos são perfeitos. Você é perfeito.
— Não sou... e não comece a dizer que sou, porque eu sou teimoso e você também é, então ficaremos para sempre aqui falando “sim” ou “não”. – Kurt disse já rindo novamente. – Vamos terminar essa sua lista.
— Fizeram uma boa viagem até aqui? – Perguntou o moreno enquanto selecionava as músicas.
— Sim, mas confesso que eu estava me tremendo todo de nervosismo.
— Eu achei que vocês fossem demorar mais, por isso não recebi vocês na porta. Eu me atrasei, estava mexendo no computador, nem estava fazendo a lista.
— E estava fazendo algo interessante? – Perguntou Kurt como quem não queria nada.
— Ciúme, é? – Perguntou já rindo. – Eu estava conversando com uma pessoa.
— E essa pessoa era um garoto? – Kurt foi falando de brincadeira, mas com um tom sério.
— Você está mesmo com ciúme? – Blaine perguntou incrédulo. – Eu estava conversando com o meu chefe. Pedindo a ele mais uns dias de férias para eu poder ficar mais um pouco com você.
— Eu não tenho ciúme, Anderson. Eu tenho uma faca. – Piscou o castanho, fazendo Blaine dar uma risada gostosa. – Ok, eu estava com ciúme.
— Sabia!
— Idiota. Idiota. Idiota. – Kurt dizia repetidamente, fazendo Blaine rir cada vez mais. – Idiota.
— Um idiota que você não sabe mais viver sem. – O moreno disse sem nem olhar para Kurt, e que bom, porque o coitado corou em cinquenta diferentes tons de vermelho. – Terminei. Vamos descer? Daqui a pouco pensam besteira de nós já.
— Deixa que pensem. Não me importo. Sério, não quero parecer rude, mas não estou aqui pelo jantar ou qualquer outra coisa. Estou aqui por você.
— Isso foi lindo. – O moreno sorriu. – Não vou te largar um só instante, mas preciso levar essas músicas lá para baixo e colocar elas para tocar. Podemos ficar na varanda.
Blaine levantou com o iPod em mãos e o cabo, logo saindo do quarto com Kurt. Os dois desceram as escadas e foram até o som, onde Blaine logo colocou as músicas para tocar. A primeira a tocar foi My Love, do cantor Justin Timberlake.
Kurt e Blaine sentaram-se nos degraus que ficavam na frente da porta de entrada. Ficaram ali apenas conversando, como já era de costume entre os dois, porém com a diferença de ser pessoalmente.
— O que vai fazer quando voltar para New York? – Perguntou Kurt.
— Estudar e trabalhar... como sempre. E você?
— A mesma coisa. Falta pouco para eu me formar, então depois disso estarei apenas trabalhando.
— E como é a Califórnia?
— Incrível, mas confesso que preferia estar em New York. – Kurt disse cabisbaixo. – Só que não passei em nenhuma universidade. Chorei horrores me sentindo um inútil, mas então fui chamado nessa onde estudo e tudo pareceu melhorar. Foi difícil no início, principalmente por estar longe do meu pai, mas agora já me acostumei com a saudade. Você sente muita falta de casa?
— O tempo todo. – Nesse momento a música Mistletoe do cantor Justin Bieber começou a tocar. – Mas é como você disse, precisamos nos acostumar com essa saudade. Ela pode até doer um pouco, mas estamos fazendo o melhor para o nosso futuro.
— Anderson, você escolher ficarmos aqui de propósito, não foi? – Kurt perguntou do nada, assustando Blaine. – Está tocando Mistletoe e estamos sob um visco. Isso é muito suspeito vindo de você.
— Ah, eu não tinha me ligado desse visco. Quem colocou nem foi eu, foi Coop. – Se defendeu o moreno. – Mas é bom ele estar aqui... assim posso fazer o que estou com vontade desde que você entrou no meu quarto.
— É? E o que está tão afim de fazer? – Kurt tinha entendido, mas queria provocar.
A música continuava a tocar e agora estava no trecho que dizia: “me beije sob o visco”. Momento perfeito, clima perfeito. Blaine foi se aproximando lentamente de Kurt, colocando sua mão no rosto dele e fechando seus olhos, assim como o castanho. Seus corações batiam rápido, estavam de certa forma nervosos... era possível mesmo que tivessem se apaixonado um pelo outro via internet? Ou será que estavam agora confundindo as coisas? Não sabiam dizer, só sabiam que queriam aproveitar o momento.
Continua...
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