Notas iniciais
Enjoy ^-^

Akane e Aoi encontravam-se de momento no telhado da escola. Aoi tinha-lhe dito que esperaria por ela lá depois de as aulas terminarem. Akane pensou que era mais um trabalho que ele lhe passaria.

Mas encontrava-se naquele momento a olhar para Aoi como se não conseguisse acreditar no que Aoi tinha dito, apesar de ele já ter repetido a mesma frase mais de três vezes. Mesmo assim, Akane perguntou mais uma vez “O que é que queres dizer com isso?”

— Exatamente aquilo que percebeste. – disse Aoi – Se fizeres o que te pedi, pagar-te-ei a quantia que desejares.

Akane tentou falar mas, daquela vez, não conseguiu dizer nada.

1 Semana Antes

Finalmente tinha chegado a altura em que Aoi tinha parado de pedir que ela fizesse o seu trabalho sujo. Aliás, segundo o que ela tinha ouvido por raparigas desiludidas da sua turma, parecia que Aoi tinha finalmente encontrado uma rapariga calma e inteligente. E que parecia estar a funcionar, surpreendentemente.

Não importava, pensou Akane, voltando ao que estava a fazer. Tinha de estudar para um exame e ajudar a mãe a mudar as coisas para o verão que estava a chegar. També tinha de começar a procurar um part-time. Tantas coisas para fazer. Por isso, o que Aoi fazia ou não, não importava.

— Akane?

Ela despertou dos seus pensamentos e olhou para a única amiga que tinha. Lisa, a rapariga mais esperta do ano em que se encontravam e a terceira da escola inteira. E a nova namorada de Aoi.

— As aulas já acabaram. – informou Lisa – O Aoi está aqui.

Isso significava que ele estava à espera de Akane para irem para casa.

— Não seria mais apropriado se Ele fosse levar-Te a casa? – perguntou Akane – Agora que são namorados.

— Eu tenho sempre atividades depois da escola e seria mais estranho se vocês não fossem juntos, certo? Uma vez que vivem na mesma casa. – disse Lisa e pôs uma mão no ombro de Akane – Se ele estiver a pedir-te para fazer mais coisas esquisitas, basta dizeres-me.

— Está tudo bem. – garantiu Akane, sorrindo – Ele é um sortudo por te ter ao lado dele.

Lisa suspirou dramaticamente e sorriu também. – Eu digo-lhe isso todos os dias. E todos os dias ele diz-me que tenho razão.

O sorriso de Akane desapareceu. – Eu vou indo, então.

Quando chegou à beira de Aoi, não lhe dirigiu uma palavra. Não conseguia imaginá-lo a ser o namorado que Lisa dizia que ele era. Se ele tivesse aquele lado carinhoso, porque é que nunca o tinha visto? Viviam juntos há onze anos!

— A partir da semana que vem não vou conseguir voltar contigo para casa contigo. – anunciou Akane, enquanto esperavam que o portão automático da casa dele abrisse.

— Porquê!? – perguntou Aoi, verdadeiramente chocado.

— Não tens nada a ver com isso. – disse Akane, mas depois lembrou-se que ele podia ir perguntar à sua mãe o porquê e ela ainda não sabia de nada – Mas, se precisas mesmo de saber, vou começar a trabalhar.

Ou assim esperava, pensou Akane. Tinha um par de entrevistas marcadas para o fim-de-semana e tinha quase a certeza que iria conseguir um part-time. Mas esse “quase” irritante que continuava a quebrar as suas convicções deixava-a nervosa.

— Vais o quê!? – Akane virou costas a Aoi, mas quando ia a entrar no quarto, ele agarrou-a pelo ombro e encostou-a contra a porta, com mais força do que estava à espera, mas não havia uma ponta de medo nos olhos de Akane – A escola proíbe part-times.

— Eu sei. – disse Akane, sem se mexer um centímetro – Podes largar-me, agora?

Ainda demorou mais alguns segundos até conseguir fazê-lo de maneira calma. Quando ela fechou a porta do seu quarto gentilmente, na sua cara, ainda o deixou mais irritado do que se ela tivesse batido com toda a força que tinha.

Tinha um plano. Tinha de se lembrar que tinha um plano, pensou Aoi, suspirando fundo. Se não acabaria por estragar tudo outra vez.

Tinha de telefonar à namorada.

Aoi e Lisa tinham combinado encontrar-se no fim-de-semana para passarem mais tempo juntos, mas as circunstâncias levaram a que só ficassem com pouco mais de uma hora para falarem num café longe da escola, perto da casa de Lisa.

— Não sei porque é que ainda não me levaste para um quarto de hotel como fazias com todas as namoradas que tiveste antes. – gozou Lisa – Tens medo que a Akane comece a odiar-te se o fizeres.

Aoi suspirou, mas não respondeu, por isso Lisa continuou.

— Onde é que ela está? – perguntou.

— Numa entrevista para um part-time, pelo que sei. – Aoi fechou os olhos – Isto não está a funcionar.

Quando Lisa percebeu que ele estava a falar da relação entre eles, sorriu.

— Não podes desistir tão facilmente, Aoi. – Lisa inclinou-se para a frente e pousou a sua mão na mão dele – Afinal, nós temos um acordo, e eu ainda preciso de ti.

Quando Lisa fez sinal com a cabeça para que Aoi olhasse pela janela, ele viu pelo canto do olho um homem do dobro da idade deles, sentado num banco em frente ao café, com um jornal, claramente a olhar para eles. – Ainda não desistiu?

— E não vai desistir. – garantiu Lisa tocando de seguida com o indicador nos lábios – E não vai desistir até acreditar que namoramos mesmo.

— A sério? – perguntou Aoi, suspirando – Tem mesmo que ser?

— Não vai ser o meu primeiro, nem será o teu. – lembrou Lisa – A não ser que agora, por causa da Akane, estejas…

Aoi não deixou que ela acabasse a frase. Inclinou-se e beijou-a. Não foi um beijo muito comprido nem apaixonado de todo. Aoi nem sequer a agarrou. Para além das mãos que tinham em cima uma da outra e os lábios, não se estavam a tocar. Mas o beijo teve o efeito desejado. E alguns indesejados.

— Peço imensa desculpa por incomodar.

Chateado por a empregada ter de os encontrar numa situação daquelas, Aoi olhou para o lado mas esqueceu-se do que estava preparado para dizer.

— Akane. – murmurou Lisa, completamente branca.

— Eu volto mais tarde. – disse Akane, afastando-se logo depois.

— Akane. – em pânico, Lisa olhou para Aoi – Vai atrás dela!

— Porquê? – perguntou Aoi, surpreendendo Lisa – Ela só me viu a beijar a minha namorada. Não há nada de errado nisso.

— Aoi. – disse Lisa, depois de uma pequena pausa – Esta relação, acaba agora.

Aoi limitou-se a anuir com a cabeça. O resto da tarde foi passada em silêncio. A entrevista de Akane tinha acabado pouco depois de os ter ido servir, por isso não a tinham visto mais.

Só a viu outra vez à hora do jantar. O pai de Aoi e a mãe de Akane ainda estavam a trabalhar e iam chegar tarde. A mãe de Aoi tinha ido a salão de beleza e, como ainda não tinha chegado, as empregadas tinham sido instruídas a servir Akane e Aoi.

— Não sabia que estavas concorrer para um part-time num café. – começou Aoi, numa voz monótona.

— Paga bem. – comentou Akane, com o mesmo tom de voz.

— Correu bem? – continuou Aoi.

Akane anuiu com a cabeça e “conversa” ficou por ali até terminarem a refeição.

Pela primeira vez em muito tempo, foi Aoi o primeiro a subir as escadas de um último, monótono, “Boa noite”.

Akane retribuiu e foi assim que o fim-de-semana terminou para os dois.

Um desastre.

Presentemente (no telhado da escola)

— Seu bastardo. – murmurou Akane, mas Aoi já esperava aquela reação – Tu tens uma namorada, lembras-te?

— Não. Já não tenho. – respondeu Aoi, de maneira descontraída – Terminamos ontem.

— Terminaram ontem. – repetiu Akane, tentando reter a informação – E hoje pedes-me para fingir ser a tua namorada até o secundário terminar?

— Estou cansado deste tipo de situações. – explicou Aoi, encolheu os ombros – Raparigas a confessarem-se a mim todos os dias. Depois sou cretino se recusar e um cretino se aceitar e depois acabar com elas mais tarde. Não teria esse problema contigo. Claro que, se gostares de alguém, isto está fora de questão.

Akane premiu os lábios e franziu as sobrancelhas, debatendo-se consigo mesma, mentalmente. Detestava a ideia de ter de fingir ser a namorada daquele bastardo durante tempo, mas não tinha conseguido o emprego…

— Qualquer número? – perguntou Akane, odiando-se a si própria quando viu um sorriso aparecer na cara dele.

— É só dizeres e será teu. – Aoi deu alguns passos em direção a Akane e puxou-a até a conseguir abraçar – Desde que permaneças ao meu lado.

Notas finais
Comentários?
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.