Marigold

1 'Round and 'round she goes, my little marigold


Notas iniciais
Finalmente, uma yuri nessa minha vida de escrever só yaoi, amém DeLaBe -q Eu acho que nunca escrevi algo tão fluffy na minha vida. Espero que gostem! (O título foi retirado da música "Marigold" do Phillip Larue. Significa algo tipo "por aí ela vai, minha pequena calêndula".)

A cor preferida de Eloá era laranja, então Alicia concluíra que qualquer flor laranja fosse boa o suficiente. Ela nunca havia comprado flores para ninguém antes, e certamente não era familiar com a linguagem das flores; só entrou na floricultura e escolheu o primeiro arranjo alaranjado que viu. Era bonito. Era laranja. Alicia tinha certeza de que aquelas flores cresciam aos montes no parque em que elas haviam tido o primeiro encontro. O que mais ela poderia pedir?

Alicia nunca imaginaria que o problema eram as flores. Quando Eloá riu ao ouvir seu pequeno discurso, ela simplesmente concluiu que o problema era o pedido. Contendo a vontade de sair correndo e se esconder num buraco, ela deu um sorriso sem graça e disse:

— Foi muito piegas?

Eloá se esforçou para parar de rir. O riso não era maldoso – Alicia não achava que Eloá fosse capaz de rir de forma maldosa –, mas, mesmo assim, era desconcertante. Aquele era exatamente o motivo pelo qual Alicia nunca fazia gestos grandiosos ou românticos. As respostas eram muito imprevisíveis, e sua autoestima, muito frágil. Quando Eloá finalmente conseguiu se acalmar o suficiente para falar, Alicia já estava a meio caminho de se sentir a menina mais idiota do planeta Terra.

— Não, foi fofo – disse Eloá, por fim. Ela pegou as flores e as analisou, soltando uma última risadinha. – Foi muito fofo, Ali, de verdade.

Alicia olhou para as flores. Não era um buquê, mas sim um vaso, de forma que não murchassem logo e Eloá pudesse cultivá-las, porque Alicia sabia que ela gostava de jardinagem. E de laranja. E de grandes gestos românticas. Ela não conseguia ver onde seu plano dera errado.

— Então... Algum motivo específico pra você ter rido da minha cara agora? – perguntou, tentando não soar muito chateada.

Eloá estendeu uma mão para tocar o rosto dela, com ternura. Ela era a delicadeza em pessoa; fora um dos motivos pelos quais Alicia se apaixonara por ela.

— Desculpa, Ali – disse ela. Ainda estava sorrindo. – Eu não quis constranger você. As flores são lindas. Você é linda. Foi um pedido perfeito, em quase todos os sentidos.

“Quase perfeito” normalmente era algo ruim, mas Alicia concluiu que podia se contentar com a definição, daquela vez. Talvez “quase perfeito” fosse bom o suficiente.

— Isso é um sim? – Em outra ocasião, ela tentaria esconder a esperança em sua voz, mas aquilo era inútil com Eloá. – Ou é o começo de um não bem delicado?

Em resposta, Eloá a beijou. Foi um beijo suave, como o primeiro que elas haviam trocado, rodeadas por flores laranja em um parque municipal no primeiro dia do primeiro mês de verão.

— É um sim, sua besta – respondeu ela, quando as duas se separarem. – Sim, eu quero namorar com você. Sim, eu estou perdidamente apaixonada por você. E sim, eu amei as flores, você sabe que amei. É só que, bem... Você sabe que tipo de flores são essas?

— Eu, hm, não sei o nome delas – admitiu Alicia, constrangida. – Lembrei que elas crescem naquele parque, e, bem, naquele dia, você me disse que laranja era sua cor preferida, então achei que fosse gostar delas.

— E eu gostei – assegurou Eloá. – Só que, por acaso, eu também sei muito sobre botânica e a linguagem secreta das flores. – Ela tocou as pétalas de uma das flores no vaso cuidadosamente. – Essas são calêndulas.

Alicia nunca ouvira aquele nome antes. Ela fitou as flores com apreensão.

— Certo. E elas significam...?

— Medo, desespero, pesar, tristeza – Eloá riu ao ver a expressão escandalizada da nova namorada. – Não são muito boas pra se dar a alguém.

— Ai, meu Deus – murmurou Alicia. Ela cobriu o rosto com as mãos, sentindo suas bochechas arderem. – Eu sou uma idiota.

O toque suave de Eloá em seus pulsos fez com que ela abaixasse os braços.

— Uma idiota muito, muito fofa – disse Eloá. O sorriso dela era radiante; era praticamente impossível não sorrir de volta. – Eu entendi a intenção, Ali, é isso que importa.

— Eu te pedi em namoro com flores que significam basicamente tudo que não queremos pro nosso namoro – observou Alicia, enquanto Eloá entrelaçava os dedos aos dela. – Isso não é um mau sinal? Tipo, você não acha que pode trazer azar pra gente? Ou que eu tô agourando nosso relacionamento?

— Bem, a calêndula é conhecida como “flor-de-todos-os-males”...

— Não tá ajudando!

Ao contrário de Alicia, Eloá parecia estar achando muita graça da situação. Ela levou a mão da namorada aos lábios e beijou a palma.

— Também é conhecida como “maravilha-dos-jardins” – disse ela. – E seu nome significa “primeiro dia de cada mês”.

Alicia sorriu, apesar da vergonha.

— Como nosso primeiro beijo.

— Exatamente – Eloá a beijou novamente nos lábios. – Vamos focar nisso, tá? Vamos pensar que isso significa que, por mais que as coisas nem sempre saiam como nós planejamos, sempre teremos as melhores intenções e encontraremos um jeito de olhar pro lado positivo.

As palavras fizeram o coração de Alicia aquecer, lembrando-a do porquê havia achado que aquela menina merecia o esforço para um gesto grandioso e romântico.

— E elas vão ficar ótimas no seu quarto, né?

Eloá deu um pulinho de empolgação, ainda segurando a mão de Alicia.

— Com certeza! Laranja. Vão combinar direitinho com meus outros enfeites.

Alicia riu e a puxou para mais um beijo. Parecia que elas iam ficar bem, afinal.

Notas finais
Eu revisei bem por cima, então, se encontrarem qualquer erro, podem avisar. Aceito críticas construtivas, também xD Fontes das informações sobre a calêndula: http://templodasapiencia.blogspot.com.br/2013/08/curiosidades-2-calendula.html http://www.vamosreceber.com.br/2016/06/29/calendula/
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!