Mares Perdidos

6 Passado 6: Hyuuga Hinata


Notas iniciais
Voltei! Perdão pela demora, mas está tudo corrido e tenho pouco tempo para escrever rsrs Não vou ficar falando muito e deixarei que partam para o último capítulo deste spin-off que foi tão maravilhoso de escrever! Boa leitura!!!

O pôr-do-sol estava ainda mais lindo naquele dia. O encontro de céu e Mar estava esplêndido como sempre e Hinata agradecia por estar ali e poder ter aquela vista maravilhosa. Era confortável estar sentada, descansando. Estava concentrada em pensamentos profundos e lembranças antigas quando sentiu uma pequena presença parar a seu lado.

– Sabe, eu conheço quase toda a história, mas nunca me disseram como foi sua vida antes do “Pérola”... Por contar-me, por favor?

Ela olhou para a pessoa que estava ao seu lado e suspirou. Estava com a resposta rotineira na ponta da língua, mas algo naqueles olhos que lembravam tanto os próprios fez com que parasse e mudasse de ideia. Talvez, só talvez, fosse a hora de contar seu passado normal, comparado ao de todos os outros, para alguém.

– O que quer saber? – perguntou encarando-a.

Por um momento, a pessoa hesitou e olhou para Hinata com confusão. Depois, ao decidir o que queria realmente saber, sentou-se na areia, aos pés dela, e encarou-a com seriedade.

– Quero saber o que aconteceu com você depois que o Capitão Uchiha foi embora pela primeira vez, quando ainda eram crianças.

Recostando-se um pouco melhor na cadeira, Hinata tentou lembrar-se de sua infância. A primeira coisa que veio a sua foi algo dolorido e que despertou em si uma saudade que acho não sentir mais. Olhou para frente novamente.

– Acho que, depois que Sasuke foi embora com o irmão, eu ainda tinha sete anos e não conhecia nada do mundo. Meu pai estava cada vez mais superprotetor, por causa da doença de minha mãe e não demorou muito para que ela se fosse – começou sucinta. – Minha mãe era uma grande mulher, mas pensando agora, e depois de saber tudo que já sei, imagino que ela fosse um pouco triste. Sabe, ela perdeu e passou por muitas coisas e acho difícil acreditar que isso não a tenha afetado.

“De qualquer maneira. Eu, com oito anos, fui obrigada a crescer e cuidar da minha irmãzinha, que ainda era um bebê. Neji foi escolhido para seguir com os negócios da família e meu pai tornou-se a pessoa mais insuportável do mundo. E mesmo assim, ele ainda era o melhor pai do mundo.

Eu passei quase quatro anos trancada dentro de casa, cuidado de Hanabi e ouvindo história de Isabella sobre o resto do mundo. Mesmo sendo minha “acompanhante particular” ela era minha melhor amiga e meu único contato com o mundo exterior. Eu nunca esqueci Sasuke, mas apenas podia observar o caminho que fazia para encontrá-lo. Como criança, eu era muito inocente e, mesmo sem ter muita certeza, sabia que precisava convencer meu pai a deixar-me sair novamente.

Graças a essa sensação, aos dez anos, eu fugi de casa pela primeira vez. Pulei a janela de meu quarto e usei as trepadeiras que havia pela parede para chegar ao chão. Corri o máximo que pude e fui parar no meio do porto. Tudo parecia enorme para meus olhos de criança e fiquei impressionada, tão impressionada que fique apenas caminhando e observando, imaginando a sorte que todas aquelas pessoas tinham em poder andar por aí, livres, e viajar pelo Mar.”

Todas as lembranças que vinham a sua mente traziam uma nostalgia reconfortante e Hinata suspirou pela terceira vez. Não era ruim lembrar-se do passado, por mais que estivesse evitando aquilo por tantos anos.

– Meu pai ficou furioso, quando voltei para casa, você deve imaginar, mas isso não me impediu de continuar a escapar, sempre que podia, para ficar observando o porto e as pessoas que trabalhavam ali – continuou com um dar de ombros. – Eu passava o dia estudando e cuidando de minha irmã mais nova, aquela era minha única diversão e eu não desistiria tão rápido assim.

“Essa rotina continuou por quase três anos. Eu cumpria minhas obrigações e saia escondida de casa. Meu pai passava-me o maior sermão e eu apenas ignorava. Creio que conheci Kiba com quatorze anos e foi muito fácil tornar-me amiga dele. Ele sempre foi tranquilo, divertido e o fato dele fazer parte de uma tripulação fez com que eu interessasse-me ainda mais.

Ele foi o único para quem contei sobre Sasuke e como eu não desistiria da ideia de reencontrá-lo. Esse era um motivo de brigas entre nós. Ele achava que eu estava sendo cega e louca por perseguir uma decisão que nem poderia acontecer, mas nossa amizade continuava firme e forte. Sempre quando ele viajava, trazia-me lembranças e presentes, e eu ficava esperando para contar-lhe as novidades chatas e repetidas, em minha vida.

Eu não tenho muito para contar. Vi minha mãe morrer; vi meu pai criar um muro entre nossa casa e o mundo exterior; minha irmã cresceu achando que o mundo era apenas nossa casa e nosso dinheiro. Neji conhecia só um pouco mais, já que saia com meu pai para ajudar na administração da fazenda. Eu era a única que tinha alguma noção de mundo e descobri, anos depois, que não sabia nada.”

Ela voltou a encarar os olhinhos perolados e sorriu para ele: — Acho melhor perguntar para os outros suas histórias, a minha não é tão emocionante assim. Está satisfeito?

– Na verdade, ainda tenho uma pergunta.

– O que é? – questionou arqueando as sobrancelhas. Hinata só poderia ficar imaginando com o que mais a criança estaria curiosa.

– Sabe, você gostou do Capitão Uchiha desde sempre ou teve algum outro interesse romântico?

– Ó, querido! – exclamou rindo. – Eu não sabia nem que gostava de Sasuke antes! Queria reencontrar um amigo muito importante, acabei percebendo o quão estava ligada a ele quando ele beijou-me sob a chuva, em uma das primeiras noites que passei no “Pérola”.

– Eca! Que nojo.

Hinata sorriu para ele. O menino despediu-se, agradecendo pela história, e correu para dentro da casa. Ela voltou sua atenção para o horizonte. Seu coração apertara um pouco ao lembrar-se de Sasuke. Ele já deve estar voltando. Recordou ao olhar para o Sol. Quem poderia ter previsto como aquela história toda teria acabado? Hinata não sabia, mas agradecia por Sasuke continuar sendo um Capitão. Por toda tripulação estar junta e por tudo ter dado certo, de uma maneira inesperada, no final.

– A única coisa chata é que estou presa aqui – murmurou para o nada, sorrindo. Uma mão repousava sobre o vestido confortável de algodão, bem acima da barriga.

Notas finais
Chegamos ao fim! *rios de lágrimas* Um capítulo curtinho, mas o resumo de uma das personagens mais importantes de Mares! Espero que tenham gostado e divertido-se! Deixem seus reviews e encontramo-nos em Mares Sedutores! Obrigada a todos que chegaram até aqui!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!